Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
16 Capítulo 15: CONFRONTOS
Notas iniciais
CAPÍTULO 15
POV. BELLA
Olhei para as últimas malas que Edward colocava no porta-malas do Volvo e soltei um longo suspiro, me preparando para meu futuro que se mostrava tão perto e extremamente confuso.
Eu iria para Seattle e ficaria no apartamento dos irmãos Cullen para continuar estudando, mas, a partir daí, tudo ainda era uma incógnita e o medo pelo que ainda estava por vir me incomodava bastante.
Edward e eu fizemos amor na noite passada, e só de me lembrar das horas maravilhosas que passamos juntos, perdidos nos braços um do outro, meu corpo todo se arrepiava.
Acordar ao seu lado, contemplando seu sorriso lindo e recebendo seus beijos e carinhos, fora maravilhoso e eu me dera conta de que nunca, em toda minha vida, eu me sentira tão especial.
Mas, Edward ainda não falara nada a respeito de termos um relacionamento mais sério e isso, embora não devesse, me enchia de medo.
Eu estava grávida e o futuro dessa criança era mais importante do que qualquer coisa e, portanto, Edward e eu precisávamos nos acertar antes que nosso bebê nascesse.
Eu sabia que para isso acontecesse ele ainda precisaria ter uma conversa franca com Tanya e ao me lembrar da reação de Jacob quando eu lhe contara sobre minha gravidez, eu previa uma verdadeira tempestade quando Tanya tomasse conhecimento do mesmo fato.
Ela nunca demonstrara a menor simpatia por mim desde que nos conhecemos e agora, com toda a certeza, eu entraria para sua lista negra.
Afinal, mesmo não sendo minha intenção, eu lhe roubara o namorado e isso era motivo mais do que suficiente para ser odiada eternamente por ela.
_ Bella?_ Ouvi a voz de Edward me chamando e pisquei rapidamente, afastando meus pensamentos e focando o olhar em seu rosto.
_ Hum?_ Falei distraída e ele riu, me abraçando e beijando meu rosto.
_ Hei... Eu já estou te chamando há séculos e você parecia estar em outra dimensão. Vamos nos despedir dos meus pais e seguir viagem? Quero que você descanse bastante antes do início das aulas, já que eu não permiti que você fizesse isso na noite passada..._ Ele falou e eu senti meu rosto esquentar, olhando ao redor desesperada ao imaginar que alguém pudesse ter ouvido o que ele dissera.
Por sorte, só estávamos nós dois na garagem.
_ Edward... Ficou louco?_ Eu protestei, batendo em seu peito e ele me olhou seriamente por longos segundos.
_ Eu não fiquei louco, Bella... Acontece que eu fiz amor com você ontem e me lembro de cada instante e gostaria muito de saber que você também se lembra... Você não se esqueceu, não é?_ Ele perguntou tristemente e eu respirei fundo, sabendo que seria difícil fazê-lo superar aquela insegurança, já que ontem, enquanto estávamos na sua cama, ele me fizera a mesma pergunta.
_ É claro que eu não me esqueci, Edward... Minha memória está impregnada com cada toque e cada beijo que trocamos. Mas, eu não gosto que fale essas coisas em público... Nossa intimidade não precisa ser anunciada..._ Eu falei, abraçando-o pelo pescoço e depois de algum tempo ele sorriu, se inclinando e me dando um selinho demorado, fazendo com que meus lábios formigassem.
_ Não tem ninguém nessa garagem além de nós dois._ Ele pontuou e eu revirei os olhos, olhando-o com censura.
_ Eu percebi. Mas, mesmo assim, não custa nada sermos discretos. Seus pais e seus irmãos não precisam ter a certeza que nós transamos ontem à noite..._ Eu declarei e ele riu de forma maliciosa, beijando meu pescoço de leve e me fazendo estremecer.
_ Bella, eles já tem essa certeza. Todos sabem o quanto eu sou louco por você e, se não fosse por isso, meu imenso sorriso essa manhã já teria nos entregado..._ Ele falou e eu suspirei, chegando a óbvia conclusão de que ele estava certo._ Além do mais, você já está grávida. Que mal pode haver em fazermos sexo?
_ Ok, Cullen... Já entendi. Vamos nos despedir dos seus pais, pois temos um longo caminho até Seattle. Mas, contenha seus comentários... Por favor. _ Eu pedi e ele sorriu, pegando minha mão e me guiando para dentro de sua casa.
Seus pais e seus irmãos estavam juntos na sala e Esme não parecia nada contente em ter que se despedir dos filhos.
_ Eu odeio quando vocês voltam para a faculdade. Essa casa fica tão vazia sem minhas crianças..._ Esme reclamou, assim que nos viu entrando e eu sorri ao pensar em seus três filhos como crianças.
_ Sempre acabamos voltando, dona Esme..._ Emmett falou, abraçando a mãe _ O que você vai fazer em Seattle, Emmett? Que eu saiba você já está formado e devia estar procurando emprego..._ Carlisle alfinetou e Emmett o olhou seriamente, revirando os olhos e indo fechar a mochila que estava no sofá.
_ Eu sou um jogador famoso, caro Dr. Cullen. Os treinos para a próxima temporada terão início nessa semana e eu preciso estar presente, já que sou o capitão do time..._ Ele explicou e Carlisle suspirou, sabendo que não poderia fazer nada para convencer o filho a exercer sua profissão de dentista.
_ Desista papai... Emmett tem mais massa muscular do que cérebro e precisa se exercitar para queimar energia... Conforme-se em ter um filho médico, por que um filho dentista não será possível... _ Alice falou, retocando a maquiagem no grande espelho que ficava sobre um aparador na sala e Emmett a olhou zangado.
_ Cale-se anã... Eu me orgulho de ser um atleta. Era você que devia ficar em casa, já que está indo para Seattle apenas para poder levar o Jasper pra cama..._ Emmett falou provocando-a e pela primeira vez na vida eu vi Alice ficar vermelha.
_ Idiota..._ Ela murmurou, olhando para o irmão como se ele fosse um inseto nojento e eu escondi minha boca no peito de Edward para poder dar risada discretamente.
Ver Alice constrangida não tinha preço.
_ Emmett Cullen, respeite a intimidade de sua irmã..._ Esme falou, batendo na cabeça do filho e Edward riu baixinho, escondendo o rosto entre os meus cabelos.
Pelo jeito, a briga dos seus irmãos o divertia tanto quanto a mim.
_ Eu sei que vocês três não são santos, uma vez que eu vou ser até avô..._ Carlisle declarou, olhando diretamente para mim e eu fiquei vermelha na hora. _ Mas eu definitivamente não preciso ouvir que minha filha caçula faz sexo com o namorado. Para mim, Alice é e será sempre uma menininha, e menininhas não fazem essas coisas feias. Poupe-me desses detalhes Emmett, por favor..._ Carlisle pediu ao filho, fazendo uma cara engraçada e todos nós rimos, inclusive ele próprio.
_ Menininha... Alice é mais safada do que todos nessa sala... Jasper que o diga. Está tão magrinho, coitado..._ Emmett falou e teve que se desviar de um molho de chaves, que veio voando em sua direção.
_ Idiota, cretino e sem coração... Quer parar de me difamar na frente dos nossos pais? Pelo menos não fui eu que cheguei nua em casa..._ Alice gritou e Emmett a olhou feio, fazendo com que todos nós ríssemos mais ainda._ Eu sou uma menininha linda e suas declarações sem fundamento não vão mudar esse fato.
_ Você não é uma menininha, Alice... Menininhas não fazem o que você faz com o seu namorado..._ Emmett teimou, fazendo Alice mostrar-lhe a língua e Esme teve que intervir na confusão, antes que os dois, que se consideravam tão adultos, começassem a rolar pelo chão como dois animais ferozes.
_ Minha menininha não vai fazer essas coisas nunca..._ Edward falou baixinho e eu o olhei com curiosidade, desviando minha atenção da confusão entre seus irmãos e tentando entender a quem ele se referia.
_ Sua menininha?
_ Sim... Minha menininha que está bem aqui..._ Ele falou, tocando minha barriga e eu senti uma emoção estranha ao ouvi-lo se referir ao nosso bebê daquela forma.
Mas, por que ele achava que seria uma menina?
_ Pode não ser uma menina..._ Eu murmurei e ele sorriu, beijando meu rosto de leve.
_ Eu tenho certeza que será. Uma menina linda como a mãe dela..._ Edward afirmou, me dando um selinho e eu senti meu rosto esquentar de vergonha, ao perceber que todos observavam nossa conversa em silêncio.
Onde fora parar a confusão que se armara a pouco?
_ Que cena mais emocionante. Com licença que eu vou ao banheiro enxugar as lágrimas e retocar a maquiagem..._ Emmett falou debochado, indo para o andar de cima e eu revirei os olhos, rindo em seguida.
_ Não liga pro Emmett, Bella... Ele tem mais bobeira do que juízo, mas não é uma má pessoa._ Esme falou e eu sorri, meneando a cabeça para mostrar que eu não havia ficado chateada.
Afinal, eu conhecia bem a personalidade de Emmett e não tinha como ficar com raiva de suas atitudes quando eu sabia que ele não passava de uma criança grande.
_ Mas, ele tem razão, mãe... A cena desses dois juntos é linda e eu adoro o fato da Bella ser minha nova cunhadinha linda..._ Alice falou, vindo nos abraçar e eu fiquei sem graça ao ouvi-la me chamando de cunhada, quando na verdade, eu não sabia definir qual a minha relação com seu irmão.
Esme sorriu ternamente, indo abraçar o marido e eu suspirei aliviada quando Alice finalmente nos soltou e correu para o andar de cima a fim de verificar se não se esquecera de nada.
_ Vocês vão voltar a Seattle, mas não podem descuidar da saúde de nossa grávida e do bebê. Eu receitei algumas vitaminas e uma dieta que eu espero que seja seguida a risca. Marquei alguns exames, inclusive a ultrassom, que serão feitos no fim de semana que vocês vierem para Forks. Até lá, nada de bebidas alcóolicas e estripulias... Tentem caminhar por pelo menos meia hora todos os dias e tome muito líquido... Certo, Bella?_ Carlisle recomendou, andando em nossa direção e eu assenti, me sentindo emocionada por sua preocupação comigo e com o meu bebê.
_ Pode deixar, pai... Eu vou cuidar direitinho dela..._ Edward afirmou e Carlisle sorriu orgulhoso, dando uns tapinhas nas costas do filho.
_ Eu sei, meu filho. Nos vemos daqui a quinze dias... Quero que me ligue diariamente para me contar como anda as atividades de sua residência médica e também para saber como anda o estado de saúde da Bella. _ Carlisle falou, abraçando o filho e eu sorri ao contemplar o amor evidente entre eles.
A relação de Carlisle com os filhos era tão diferente do relacionamento entre meu pai e eu e vê-los assim, tão felizes, só me fazia lamentar as brigas e desentendimentos que eu tivera com Charlie, que só fizera com que eu me afastasse ainda mais dele.
_ Tudo vai se ajeitar, Bella... Seu pai está em choque, mas eu duvido que ele continue sendo durão quando contemplar o rostinho lindo desse bebê que você espera e que também é um pedacinho dele._ Esme falou, me abraçando e eu não pude conter as lágrimas diante de sua imensa compreensão e carinho. Apesar de sempre ter sido amiga de Alice, Esme e eu nunca havíamos sido próximas e para ela ter adivinhado o que se passava em minha mente, só havia duas explicações: ou eu era mais transparente do que imaginava, ou Esme que era muito perceptiva._ Mas, enquanto você e seus pais não se entendem, seja bem vinda a nossa família maluca. Tenho certeza que você vai adorar morar com eles, embora eu ache que Edward irá se tornar o seu perseguidor, para garantir que nada de errado aconteça durante essa gravidez.
_ Pode apostar que sim... Vou cuidar muito bem dela, garantir que todas as refeições sejam feitas e que ela tenha todo o descanso necessário. Mas, apesar da minha constante perseguição, tenho certeza que Bella nunca mais vai querer ser cuidada por outra pessoa além de mim. _ Edward falou me abraçando novamente e eu suspirei, temendo me tornar muito dependente de seus cuidados e tê-los tirado de mim de uma hora para outra.
Eu tinha que superar essa insegurança a respeito do meu envolvimento com Edward, mas antes, eu precisava descobrir como fazer isso.
_ Obrigada, Esme... Por tudo. E não se preocupe, pois eu vou cuidar bem do seu neto e... Bem, vou cuidar do seu filho também._ Eu falei, sentindo meu rosto esquentar e ela sorriu, se inclinando e beijando minha bochecha.
_ Eu não estou preocupada, Bella, pois sei que essas duas criaturinhas estarão bem sob seus cuidados...
_ Melhor impossível, mãe..._ Edward declarou, beijando meu rosto e eu suspirei, me deixando envolver pelo carinho dessa família maravilhosa que eu sabia que, enquanto eu carregasse esse bebê no ventre, seria minha família também...
E quem sabe até depois.
Quem sabe...
**********
Terminamos as despedidas em meio a risos e lágrimas, e dentro de pouco tempo estávamos a caminho de Seattle.
Eu não quis passar na minha casa para me despedir dos meus pais e mesmo que eu me sentisse culpada por deixar minha mãe sem notícias, eu preferia isso a iniciar outra briga com Charlie.
Enviei apenas uma mensagem de despedida no celular da dona Renée e torci para que desta vez ela lesse, já que ela não conseguia, de forma alguma, aprender a mexer naquele aparelho.
O dia estava chuvoso e frio, apesar de ainda estarmos no verão e eu me deixei envolver pelo clima aconchegante do interior do carro, me afundando no banco confortável e deixando minha mente vagar pelos últimos acontecimentos.
Parecia que fora a séculos que eu descobrira sobre minha gravidez, mas a verdade era que fazia apenas poucos dias.
E desde então, eu terminara com meu namorado, fora expulsa de casa e agora estava indo morar com Edward Cullen.
Aquele ditado que diz que a vida dá voltas, precisaria de um acréscimo no meu caso, já que a minha deu voltas em alta velocidade nos últimos tempos.
Mas, algumas mudanças, como o garoto sentado ao meu lado, não eram nem um pouco ruins.
Pelo contrário...
Essa mudança era linda, gentil, e extremamente cheirosa.
Sorri com o pensamento e Edward me olhou de esguelha, mas não disse nada, continuando concentrado na estrada.
Com o passar do tempo, eu comecei a ficar sonolenta e devido ao fato de ultimamente estar sempre cansada, foi inevitável que eu dormisse durante quase todo o caminho até o apartamento de Edward, já que tudo no interior do volvo, desde o ronco silencioso do motor até a música suave que tocava no rádio, parecia contribuir para que eu caísse no esquecimento.
Acordei algum tempo depois, quando senti um toque quente sobre minha mão.
Olhei para o lado e percebi que Edward sorria largamente, enquanto segurava firmemente meus dedos, que estavam pousados sobre sua perna direita.
Fiquei vermelha na hora que percebi onde minha mão estava e me perguntei em que momento ela havia ido parar lá?
_ Oi, dorminhoca... Estamos quase chegando..._ Ele declarou e eu respirei fundo, tentando tirar minha mão de sua perna, o que foi inútil, já que ele a segurava firmemente._ Pode deixa-la aí... Não está me incomodando..._ Ele declarou sorrindo e eu o olhei de cara feia.
_ Isso não tem graça, Edward... Devolva minha mão..._ Eu falei, sabendo que estava soando ridícula, mas não podendo conter meu constrangimento.
_ Não seja boba, Bella... Você estava dormindo e não tem culpa se não consegue controlar o próprio desejo.
_ Bobo é você por ficar dizendo essas coisas quando sabe que eu sinto vergonha... Além do mais, o espaço do carro é pequeno..._ Eu me justifiquei e ele riu, me puxando de lado e beijando meu rosto.
_ Desculpe... Eu não resisto em provocá-la... Mas, falando sério: você estava linda dormindo._ Ele falou e eu sorri, me virando para a janela, enquanto prestava atenção na música que tocava no carro, me dando conta que eu já a ouvira uma vez.
_ Essa música foi você que compôs, não é?_ Eu perguntei de repente e Edward me olhou de soslaio, não deixando de prestar atenção na estrada.
A essa hora já estávamos nos arredores de Seattle e eu me dei conta que devia ter dormido por pelo menos duas horas seguidas.
_ Sim... Eu toco piano desde que era pequeno e depois de praticar e tocar quase todas as partituras existentes, comecei a compor minhas próprias músicas. Mas, minha composição só melhorou depois que eu me mudei para Forks._ Ele explicou e eu o olhei com curiosidade.
_ Por quê? A chuva e a umidade são boas inspirações?_ Eu debochei e ele sorriu, me olhando dentro dos olhos por um momento.
_ Eu gosto do clima de Forks, mas definitivamente não foi ele que me inspirou.
_ E que foi? Lembro- me que uma vez você me disse que havia sido uma garota...
_ E foi... Logo que eu cheguei em Forks, eu conheci uma garota linda que passou a habitar cada pensamento meu. Então, eu passava horas em frente a um piano, pensando nela e compondo músicas que fizessem com que eu me lembrasse de sua pele pálida, seu cabelo cor de mogno, seus olhos cor de chocolate derretido e sua boca extremamente vermelha._ Ele explicou e eu senti meu rosto esquentar mais uma vez ao me dar conta que a menina a qual ele se referia era ninguém mais do que eu mesma.
Eu fiquei sem palavras, encarando Edward por longos minutos, até que ele parou o carro em frente ao prédio onde morava e se virou para me encarar.
_ O que você imaginou? Que outra garota além de você tivesse me inspirado?
_ Na verdade eu não imaginei nada, Edward... Nunca me passou pela cabeça que você gostava tanto assim de mim a ponto de fazer músicas._ Eu murmurei e ele sorriu tristemente, se aproximando e colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
_ Eu sempre adorei você... Mas, me mantive afastado, pois você só tinha olhos para o Jacob, que por sinal era o meu melhor amigo.
_ Mas, você namorou várias meninas... E depois teve a Tanya. Eu sempre achei que fosse apaixonado por ela.
_ Mas, eu não era... A questão era que eu precisava tentar seguir com minha vida, já que eu tinha a impressão que eu jamais teria uma chance com você..._ Ele falou e eu suspirei, acariciando seu rosto de leve.
_ Por que eu, Edward? Eu sou uma garota tão comum. Não tenho uma beleza estonteante, não pertenço à mesma classe social que você... Eu não entendo essa obsessão que tem por mim...
_ Você é linda, Bella... A garota mais linda e especial que eu conheço. E não é uma obsessão... É algo bem mais forte e intenso, mas eu tenho certeza que com o tempo, você vai entender meus sentimentos por você..._ Edward falou, beijando meus lábios com loucura e eu suspirei feliz ao ouvi-lo falar sobre o tempo.
Isso significava que ele não pretendia me dispensar depois que o bebê nascesse e suas palavras me deram a segurança momentânea que eu tanto precisava.
_ Você também é lindo e eu espero que nosso filho nasça com essa sua perfeição e bondade que tanto me encantam._ Eu falei e ele sorriu, me beijando mais uma vez.
_ Eu adoro quando você diz “nosso filho”... Mas, será “nossa filha”... É uma menininha que temos aqui..._ Ele declarou, acariciando minha barriga e eu sorri largamente.
_ Como o senhor tem tanta certeza que é uma menina?
_ Eu só sei... E você vai ver..._ Ele falou, desafiadoramente e eu ri, agarrando-o pelo pescoço e beijando-o com vontade.
Depois de alguns minutos, nos separamos e descemos do carro, iniciando o carregamento das bagagens para o apartamento.
Apesar de termos usado o elevador, Edward permitiu que eu carregasse apenas as bagagens mais leves, o que eu agradeci, já que ainda me sentia cansada, mesmo tendo dormido durante quase todo o caminho.
Ele levava tudo para o seu quarto e eu tentei conter meu constrangimento ao me dar conta que eu, de agora em diante, realmente dividiria a cama com ele todos os dias.
Meu corpo se aqueceu com essa constatação e eu tentei não pensar nas sensações maravilhosas que eu sentira quando fizemos amor naquela noite.
Em pensar que eu poderia ter isso todas as noites...
_ Está tudo bem?_ Ouvi a pergunta de Edward e dei um pulo assustada, sentindo meu rosto esquentar enquanto eu o encarava culpada.
Ele não podia ler meus pensamentos e só por isso eu consegui dirigir-lhe a palavra.
_ Sim... Só estou com um pouco de fome..._ Eu admiti, sentindo meu estômago roncar e Edward sorriu, segurando minha mão e me levando para a cozinha.
_ Vamos comer, então... Depois, eu ajudo você a arrumar suas coisas no meu armário..._ Edward falou, indo até a geladeira e eu me sentei na baqueta atrás do balcão.
_ Não quero tomar seu espaço..._ Eu comentei e ele suspirou, fechando a geladeira e vindo em minha direção.
_ Você não está me tomando nada, Bella... Pelo contrário. Desde que você entrou na minha vida pra valer, só tem me acrescentado... Eu ganhei até um bebê._ Ele falou e eu ri._ Eu estou dividindo meu espaço com você em troca da sua doce companhia...
_ Bem... Se é assim, eu agradeço sua generosidade... Mas, bora preparar minha comida, pois eu estou com fome..._ Eu declarei, apertando suas bochechas e ele riu, se empertigando e batendo continência.
_ Sim, senhora... Almoço saindo._ Ele disse, fazendo graça e eu ri com a certeza que minha vida ao lado de Edward seria bastante divertida.
**********
ALGUMAS HORAS DEPOIS...
O dia foi bastante agitado, já que Edward fez questão que tudo estivesse perfeitamente arrumado para o dia seguinte, que seria nosso primeiro dia de aula do semestre.
Ele separou um espaço no seu armário como o prometido e, em poucas horas, eu consegui arrumar minhas roupas, sapatos e acessórios.
Na verdade, o armário ao qual ele se referiu tratava-se de um pequeno closet, de modo que havia bastante espaço para dividir entre duas pessoas, o que me deixou aliviada já que eu não queria atrapalhá-lo.
Reparei que Edward era extremamente organizado e isso poderia nos trazer alguns problemas, já que eu era adepta a uma pequena bagunça, mas nada que eu não pudesse corrigir, a fim de tornar nossa convivência pacífica.
Minha mãe pegara no pé a vida inteira para que eu mantivesse minhas roupas do lado direito e devidamente dobradas e penduradas e, pelo visto teria que colocar seus ensinamentos em prática, para que Edward não me colocasse para dormir no corredor.
Meus livros e materiais foram parar no amplo escritório que eles mantinham no apartamento e Edward me disse que eu poderia usá-lo quando quisesse, fosse para ler, estudar, ou montar minhas maquetes.
Já fazia bastante tempo que eu frequentava aquele apartamento, mas nunca ficara ali tempo suficiente para reparar o quanto ele era espaçoso e bem decorado.
Todos os quartos tinham banheiro, de forma que ninguém precisava ficar esperando a vontade do outro para tomar banho ou escovar os dentes e eu achei isso perfeito, já que ultimamente, ia ao banheiro com bastante frequência e não queria, de forma alguma, atrapalhar a rotina e os horários dos irmãos Cullen, que tão gentilmente me ofereceram um lugar para ficar.
A sala era extremamente grande e contava com um enorme sofá, que poderia servir de cama com facilidade, já que era bastante macio e confortável.
A TV também era gigante e o sistema de som do apartamento era fantástico, fazendo com que a simples atividade de assistir um filme se tornasse uma grande aventura cinematográfica.
A sala dividia espaço com uma mesa de oito cadeiras que, segundo Edward, servia para a semana de provas, já que nessa época, o escritório era pequeno para ele, Alice e Emmett e seus respectivos namorados pudessem estudar.
A cozinha era bem equipada, contando com todos os eletrodomésticos necessários para que os moradores daquela casa vivessem com todo o conforto possível.
Segundo Edward, uma faxineira vinha limpar o apartamento três vezes por semana, cuidando da lavagem das roupas e também do estoque de comida, que era guardada congelada para que Alice, que não sabia nem mesmo fritar um ovo, não morresse de fome enquanto Edward estivesse de plantão no hospital e Emmett acampado na casa de Rosalie.
Eu sempre imaginei que os Cullen tivessem bastante dinheiro, mas, para manter aquele apartamento em Seattle, eles tinham que ter muito mais do que isso.
O prédio onde ficava o apartamento era um dos mais requintados da cidade e eu imaginava que só o valor pago pelo condomínio ultrapassava o salário mensal do meu pai.
E era por essas e outras que eu achava que minha relação com Edward poderia não ter futuro.
Nós éramos diferentes de muitas maneiras e teríamos que superar muitas coisas para sermos felizes juntos.
Suspirei pesadamente, deixando esses pensamentos perturbadores de lado e saí do banheiro, onde entrara a mais de meia hora para tomar banho e escovar os dentes, encontrando Edward esparramado na cama.
Ele sorriu assim que me viu e me chamou com um gesto de mão, fazendo com que eu seguisse em sua direção e me deitasse ao seu lado.
Nós já havíamos jantado a lasanha deliciosa que ele preparara no almoço e agora já era hora de dormir e se preparar para as aulas do dia seguinte.
Até aquele momento, Alice e Emmett, que vieram seguindo o carro de Edward pela estrada, ainda não tinham aparecido e, segundo Edward, eles não viriam para casa, pois há essa hora, estavam matando as saudades de seus respectivos namorados.
_ Gostou do apartamento?_ Ele perguntou, me abraçando carinhosamente quando eu me deitei e eu sorri, assentindo com a cabeça.
_ Claro que eu gostei. Ele é bastante espaçoso e confortável. Acho que vou me adaptar rapidinho a essa realidade de não ter que viajar mais de três horas para poder assistir uma aula...
_ E eu fico muito satisfeito com esse fato... Além de ter você todos os dias, eu garanto que nada de mal vai acontecer ao meu bebê e a sua mãe naquela estrada..._ Edward afirmou e eu sorri, beijando seu rosto.
_ Eu ainda acho tão estranho pensar em mim como uma mãe..._ Eu falei e ele riu, acariciando minha barriga de leve.
_ Eu também ainda não me acostumei em ser um pai, mas eu gosto da ideia. Saber que daqui algum tempo, eu terei uma criaturinha me chamando de pai pela casa, sorrindo pelos cantos, gargalhando das nossas brincadeiras..._ Ele falou sonhador e eu sorri, apoiando meu queixo em seu peito e olhando-o atentamente.
_ Mas, ter filhos não são só flores, Edward... Terão choros pelas madrugadas, fraldas sujas, banhos, resfriados, dores de barrigas, birras... E aí? Como vai ser?
_ Eu estarei com ela também nesses momentos, Bella... Quando eu disse que assumia todas as responsabilidades, eu estava me referindo a parte ruim também. Eu quero ser um pai presente e estar com nossa filha em todos os momentos, da mesma forma que meu pai esteve comigo..._ Ele declarou e eu sorri entre lágrimas.
_ Meu pai costumava ser carinhoso comigo... Mas, desde que eu comecei a ter minhas próprias opiniões e ideias ele passou a me tratar de forma diferente...
_ Esquece isso, princesa... Mais cedo ou mais tarde seu pai vai perceber que ele agiu de maneira errada ao te expulsar de casa. Mas, enquanto isso, eu estarei aqui para cuidar de você.
_ Eu sei e te agradeço por isso... Se você tivesse agido de maneira diferente, querendo me punir por meu estúpido esquecimento e não quisesse assumir esse bebê, eu estaria realmente perdida..._ Eu disse e ele suspirou, me abraçando e beijando meus cabelos.
_ Eu senti muita raiva de você, Bella, mas já passou... Na verdade, passou no momento em que eu me dei conta que a saudade que eu sentia de você era maior do que minha raiva. E mesmo que eu ainda guardasse algum ressentimento, eu jamais me negaria a assumir essa criança... Até porque, seria uma forma de eu ter para sempre um pedacinho seu ao meu lado._ Ele falou, soando extremamente fofo e eu sorri, me apertando em seu abraço e agradecendo silenciosamente por tê-lo ao meu lado.
_ Obrigada, Edward..._ Eu falei baixinho e ele beijou meu rosto carinhosamente.
_ Eu é que agradeço por você estar aqui..._ Edward respondeu e eu suspirei, fechando os olhos e me deixando envolver pelo cansaço, dormindo imediatamente já que nos braços de Edward eu me sentia extremamente segura.
**********
POV. EDWARD
Bella estava nervosa e isso ficava evidente na forma como ela apertava as mãos em seu colo e mordia os lábios, enquanto olhava pela janela e observava o movimento no campus da universidade.
_ Ei... Fique calma..._ Eu falei, apertando seus dedos e ela me olhou apreensiva.
_ Eu... Eu estou nervosa. Nem quero ver como vai ser quando todos souberem que eu estou grávida...
_ Ninguém tem nada a ver com a sua vida, Bella...
_ Eu sei. Mas, mesmo assim vão comentar. Até porque, depois de quatro anos de faculdade namorando Jacob, hoje eu vou chegar com você, que é o residente mais famoso da Seattle University._ Ela falou debochada e eu ri, enquanto estacionava o carro.
_ Desde quando eu sou famoso?_ Perguntei divertido e ela revirou os olhos, cruzando os braços sobre o peito e me encarando.
_ Desde sempre, Edward Cullen... Toda garota desse campus sonhou, sonha ou vai sonhar em estar dentro das suas calças um dia..._ Ela declarou e, quando se deu conta do que havia dito, ficou adoravelmente vermelha, me fazendo gargalhar.
_ Verdade? E esse meu poder tem efeito em você também?_ Provoquei e ela bufou, socando meu braço e ficando ainda mais vermelha, se é que isso era possível.
_ Não enche, Edward..._ Ela murmurou zangada e eu ri, puxando-a para meu colo e fazendo com que ela me encarasse.
_ Ah... Mas, agora eu quero saber. Você já desejou estar dentro das minhas calças?
_ Eu me recuso a responder essa pergunta.
_ Por quê?
_ Por que ela é indiscreta e constrangedora e não deve ser feita a uma garota que será mãe dentro de poucos meses..._ Ela declarou e eu sorri, beijando-a de leve e me deixando convencer por seu argumento.
_ Ok... Vou deixar passar por que sou um cavalheiro. Mas, quero que você deixe de lado essa preocupação boba a respeito das outras pessoas e saia desse carro de cabeça erguida, pois não tem nada do que se envergonhar. Você fez uma escolha e está lidando corajosamente com as consequências e isso basta. Ninguém aqui tem o direito de te julgar e eu dou um soco em quem ousar te ofender... Certo?_ Eu falei e ela suspirou, assentindo levemente e voltando para o banco do carona.
Depois de alguns segundos, ela abriu a porta e saltou do carro, sendo seguida imediatamente por mim.
Acionei o alarme e fui para seu lado, segurando firmemente sua mão e guiando-a pelo campus abarrotado de gente àquela hora.
Muitas pessoas nos olharam curiosas, mas ninguém ousou dizer uma palavra.
Bella andava com a cabeça baixa e eu queria encontrar alguma forma de mostrar a ela que não tinha o porquê ela se sentir envergonhada.
Levei-a até o bloco onde ela teria aula e me despedi com um beijo no rosto, prometendo encontra-la na hora do intervalo.
Segui para o hospital e contei os minutos para que o tempo passasse mais depressa e eu pudesse ir até Bella e verificar se ela estava bem.
As dez em ponto eu saí da sala de emergência e atravessei o campus até a cantina central, onde eu sabia que ela estaria.
A universidade era um lugar seguro, mas eu queria ter a certeza que ela estava bem e que ninguém foi importuná-la.
Quando cheguei lá, a vi sentada sozinha em uma mesa do canto e andei até lá aliviado, por que aparentemente ela estava bem.
_ Bella?_ Chamei seu nome e ela me olhou atormentada, sorrindo tristemente ao notar que era eu._ Está tudo bem?
_ Sim... Quer dizer, não..._ Ela murmurou, chorando e eu me apressei em abraçá-la, tentando entender o que acontecera para deixá-la tão perturbada logo no primeiro dia de aula.
Eu mataria o filho da puta que tivesse feito qualquer coisa a ela...
_ O que houve, princesa?_ Perguntei entre seus cabelos e ela fungou, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa ouvi a voz de Jacob e soube exatamente quem a tinha perturbado.
_ Olha só que cena mais linda? Minha ex-namorada e meu melhor amigo... Quando me disseram que vocês haviam chegado juntos eu não quis acreditar. Mas, pelo jeito é verdade. Então finalmente você conseguiu pegar a Bella, Dr. Edward Cullen?_ Jacob perguntou ironicamente e eu suspirei, antes de me levantar e encará-lo.
Bella já estava sendo exposta por estar comigo e eu não queria criar caso com Jacob para não colocá-la ainda mais no alvo da fofoca do momento.
_ Eu não “peguei” a Bella, Jacob... Ela não é um objeto..._ Eu declarei e ele sorriu, embora seus olhos estivessem soltando chispas.
_ E o que quer que eu diga? Que você trepou com ela? Pois foi isso que aconteceu, não é? Esse fedelho que ela espera é seu, não é mesmo?_ Ele falou e o meu sangue ferveu ao vê-lo se referir daquela forma ao meu filho e a Bella.
Avancei em sua direção, mas Bella me segurou.
_ Não, Edward... Deixa pra lá..._ Ela falou e Jacob a encarou com desprezo, antes de voltar sua atenção a mim.
Nessa hora, todos que estavam na cantina observavam a cena e eu só pedia a Deus que nenhum coordenador de curso visse isso, caso contrário, estaríamos ferrados.
_ Vocês são dois safados... Eu sabia que essa aproximação tinha alguma segunda intenção. Homens e mulheres não podem ser amigos sem que haja sexo envolvido._ Jacob provocou e eu respirei fundo para não agredi-lo.
Como ele podia ser tão machista?
_ Cala boca, Jacob... Você não tem moral nenhuma para acusar a Bella de traição quando você fez a mesma coisa..._ Eu falei e ele riu, dando um passo em minha direção.
_ Fiz mesmo... Mas, o que eu fiz nem pode ser levado em conta, já que eu tinha uma namorada que se negava a dar pra mim... Mas, é claro que ela não faria sexo comigo. Eu sou um pobre coitado, que mora em uma reserva e que trabalha em uma oficina. Ela queria um peixe maior... O filho do médico da cidade... Hum... Como posso me referir a você, caro amigo? Ah, claro... Bella queria um pinto de ouro, e quem melhor do que Edward Cullen, não é mesmo? ..._ Ele falou debochado e eu fiquei cego de ódio ao vê-lo ofender daquela forma a menina por quem eu era apaixonado a vida toda e que seria a mãe do meu bebê.
Bella não merecia ouvir aquilo e para defendê-la, eu seria obrigado a dar uma lição em Jacob.
Avancei em sua direção, dando-lhe um soco na cara e derrubando-o no chão.
_ Nunca mais repita isso. Nunca mais ofenda a Bella dessa forma. Você a teve, mas não soube cuidar dela como devia e só deve culpar a você mesmo por tê-la perdido..._ Eu gritei, segurando-o pela camisa e batendo sua cabeça no chão, para liberar a raiva que eu sentia.
_ Edward, para... Por favor._ Bella pediu desesperada e dentro de poucos segundos alguns meninos me seguraram, impedindo que eu continuasse agredindo Jacob.
Eu tentei me controlar e ao ver Bella tão nervosa, respirei fundo e fui até ela, abraçando-a.
_ Fique calma... Pense no bebê..._ Eu sussurrei e ela assentiu, tentando respirar.
_ Para de brigar, por favor. Isso só vai piorar tudo._ Ela pediu e eu assenti, beijando sua testa.
_ Isso não vai ficar assim, Cullen... Pode ficar com essa vadia, que eu nem me importo mais. Jamais vou querer os seus restos. Mas, ninguém agride Jacob Black e sai em pune. Vai ter troco..._ Jacob ameaçou, enquanto se afastava e eu fiquei me perguntando o que aquele maluco faria agora.
Olhei ao redor, percebendo que a galera se afastava, já que a confusão acabara e respirei aliviado por não ver nenhum professor por perto.
Tudo o que eu menos precisava agora era expor essa história também para o corpo docente da universidade.
_ Me leva pra casa..._ Bella pediu chorando e eu assenti, pegando sua mochila e nos dirigindo para a saída.
Mais tarde eu me entenderia com o chefe da residência.
Mas, parada na porta da cantina estava Tanya, me olhando assustada e com raiva, e eu soube que aquele dia ainda estava longe de terminar.
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