Jovens Descendentes

6 O Filho de Zeus - IV - Guilherme


Notas iniciais
Último capítulo do segundo volume.

Eu não tinha ideia do que fazer. O plano era simples, sabe? Ir, encontrar o bonitão, não morrer eletrocutado, voltar. Todos felizes, Guilherme vivo! Com certeza não estava no plano morrer nas mãos – ou patas – de um animal que eu não conhecia.

Depois de ao menos conseguir fazer uma entrada triunfal, eu precisava desvendar o que fazer. Só estava com uma flecha disponível, e a que eu tinha jogado não tinha sido lá muito útil. A flecha tinha ido bem em direção ao animal – uma mistura de dragão e cão que deu muito errado – com uma mira que eu não sabia que tinha, e ricocheteou, caindo no chão em seguida. O animal gritou de raiva, se virando para mim, e vindo em minha direção.

– Deixa eu distrair ele. Criem um plano! – disse o jovem que gostava de Rock. Ele se agarrou ao que parecia um cajado e transformou-se em um cachorro negro com olhos vermelhos quase tão grande quanto o bichano na nossa frente. Ele o atacou.

Corri na direção de Euclides e quando cheguei lá passamos um tempo em silêncio. Só um olhando para a arma do outro – as quais eram incríveis, e de cores que podiam ser vistas de longe.

– Semideus? – perguntei

– Não tenho a mínima ideia. Só tenho um cajado e não tenho ideia do que fazer com ele.

– Cajado... hm, Hécate é a deusa da feitiçaria, magia, essas coisas. Será que você é filho dela?

A terra tremeu. É claro! Estava bem na minha frente esse tempo todo e não tinha percebido. O filho da terra estava bem na minha frente no auge da sua falta de inteligência. O grande poder o qual estava perseguindo o dia todo não era de nenhum figurão do Olimpo para pré-adolescente, e sim do seu velho amigo de escola, filho da Terra e mago, de alguma maneira que eu desconhecia.

– Quem é o cara/cachorro gigante? — perguntei

– Eu não acho que você vá acreditar.

– Teste-me.

– Ele é um deus egípcio. Eles existem. Anúbis, ele diz.

Congelei nesse momento. Não me sentiria impressionado por nada... mas isso? Convivi minha vida toda sabendo da existência das grandezas do Olimpo: Zeus, Poseidon, Atena, Apolo... mas egípcios?

Rá, Nut, Tot, Set, Hórus, Geb... Geb! O deus da Terra, marido de Nut, pai dos grandes deuses do Egito Antigo. Ele era o motivo para que tudo aquilo estivesse acontecendo. Era o pai de Euclides. A Terra tremeu novamente.

“Filho...” uma voz dizia de algum lugar. Euclides virou e viu um homem de relance na esquina. Usava um terno desbotado e de cor da terra. Não podíamos ver seu rosto.

“Não seja incrédulo, cria de Atena”, com direito a indiretas, aparentemente.

“Use sua magia... não desista de ser um mago. Você será um dos grandes.”

Por mais que em mim a mensagem surtisse efeito algum, parecia dar mais forças a Euclides, que olhava o homem na esquina como se fosse morrer caso piscasse.

“Eu amo você” a mensagem era cortada aos meus ouvidos, mas Euclides escutava com atenção e lágrimas nos olhos. O homem de esquina, Geb, evaporou. O que era bom, o homem era literalmente a terra. Tinha afazeres mais importantes.

Quando Euclides voltou o olhar, Anúbis caiu aos nossos pés. Empunhei minha espada. Euclides parecia estar certo do que estava fazendo dessa vez. Ele pegou seu cajado e tocou o chão, fazendo a terra tremer. O animal vinha em nossa direção e eu quase ia contra com minha espada. Euclides se concentrou e pedaços de terra atacaram o animal. Hieróglifos saiam do cajado e uma força empurrou o animal para trás. Euclides focado fez fogo sair do chão fazendo o animal fraco, mas ainda não morto.

Anúbis nada podia fazer nos meus pés, ainda cansado no chão. Eu nada podia fazer também. De repente, senti algo nas minhas costas. Alguma força tirava a flecha restante, já esquecida, das minhas costas. Raios trovejaram no céu. A flecha voou em direção ao animal quando um raio o atingiu. A flecha não titubeou e seguiu em frente, agora com uma força extra dada pelo raio. Ao atingir o animal, ele se transformou em pó. Anúbis despareceu.

Euclides caiu no chão de fraco. Quando me virei, duas pessoas estavam no começo da rua. Não eram desconhecidos – um menino e uma menina.

– Weslley?

– Ou, se preferir, o filho de Zeus.

Weslley era um velho amigo que a muito tempo não morava mais por perto. Havia anos que não o via.

– O que está fazendo aqui? – perguntei, surpreso;

– Ora, temos que ir – raios trovejaram – temos uma busca romana a fazer.

Notas finais
Próximo: Jovens Descendentes - Volume III - A Busca Romana Capítulo I - Euclides
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.