Jovens Descendentes
2 Jovens Descendentes - Ronaldo
Meu nome é Ronny. Ronald. Ronaldo. Aquirone. Bem, é uma longa história. Só me chamem de Ronaldo e eu vou saber que se referem a mim. Pensando melhor, Guilherme odeia quando usam o Ronny, então, me chamem de Ronny, muito, e na frente dele. Sou filho de Apolo, que é deus de muitas coisas, mas dele acho que só puxei a música mesmo e olha lá.
Então, vocês já sabem a parte com Hermes e blá, blá, blá. Enfim, estamos na frente da saída da nossa cidade e o gênio Guilherme só se lembrou de olhar o mapa agora.
– Para onde vamos agora? – perguntei.
– Se eu soubesse, eu não estaria encarando o mapa agora. A gente não mora em New York, né, fica meio difícil saber para onde ir.
Ficamos uns cinco minutos na frente do nada até a cabeça pensante falar.
– O mapa diz para continuar em frente, então vamos fazer.
A vá!
Seguindo o mapa, ficamos andando em frente por horas. Ao que parecia, não estava entendendo bem, a gente tinha que encontrar alguma coisa a frente. Já era noite e chegamos numa rua completamente deserta, eu já estava ignorando Guilherme a horas escutando músicas.
– Você tá tentando cantar? Eu só escuto gatos miando;
Fiquei e irritado, mas a música tinha chegado no refrão.
– O que as crianças fazem na rua uma hora dessas? – disse uma voz grossa, vinda do nada.
– Nada da sua conta, com certeza – falou Guilherme. Tirei o fone porque achei que fosse ficar animado.
– Sua mãe certamente não o ensinou nada, cria de Atena. – e então o homem saiu de onde estava escondido. Vestia um terno preto e parecia com Obi-Wan no primeiro filme de Star Wars. Se você não sabe quem é, pare de ler agora e vá ver o filme. De volta ao homem.
– Como sabe que eu sou filho de Atena ? – perguntou Guilherme
– Do mesmo jeito que sei que o seu amigo é cria de Apolo – respondeu o velho Jedi.
– Certo, mas quem é você, barbudo?
Fiz uma pergunta inteligente. Eba!
– Eu sou Tifão, mas nada a temer vocês tem.
Me sinti envergonhado, descendente direto a gregos e não sabia nada sobre Tifão. Já ouvi falar dele, e sabia que ele era mal. Eu e Guilherme não tínhamos chance nenhuma com ele.
– O titã? – Guilherme perguntou enquanto se afastava.
– Exato. O que quase destruiu o Olimpo.
Foi ai que me lembrei que era dai que o conhecia. Nada demais. Não valia a pena tirar o fone para o quase-destruidor do Olimpo.
– Vocês não devem se preocupar, não vim para machucar vocês.
– Ufa!– murmurou Guilherme.
– Eu vim os apresentar a minha filha. Divirtam-se, crianças. – falou Tifão, e logo depois desapareceu.
– Quem é a filha dele?- perguntei.
– Não sei. Droga, não sei.
Conheço Guilherme a anos, e mesmo assim, essa foi a primeira vez que o ouvi dizendo isso.
– Droga, quais são as histórias que me lembro com Tifão? – começou ele – Olimpo, irmão de Cronos, filho de Gaia, hã... é.... HIDRA! Sim, ela! Ela é a filha dele. Droga!
E logo depois que ele falou isso, BANG, o mapa que segurava, dado por Hermes, se transformou numa espada, a lâmina da cor do mapa, quase um amarelo.
– Eu vou lutar com ela sozinho???
De onde Tifão tinha vindo, um enorme monstro se apresentou na nossa frente. Corpo parecido com um Dragão, ou um Dinossauro de Parque dos Dinossauros. Como você deve saber da lenda, com sete ENOME cabeças de cobra.
– Eu quero ajudar também. Mas como?
– Use a arma que Hermes te deu!
– Com arma, você quis dizer sol de pelúcia.
– Usando minha inteligência ativei a espada, use seus “talentos” e ative seja lá o que for esse sol!
Pensei, pensei, e pensei mais um pouco.
A Hidra começara a atacar Guilherme. Com a espada ele tentou arrancar a primeira cabeça, já sabendo o que ia acontecer. Onde a cabeça estava, outras duas nasceram.
– Droga! Logo agora que eu queria que o mito fosse mentira.
O que eu faço?, pensei.
Tive uma ideia, pareceu arriscado na hora, mas peguei os dois fones e coloquei no meu ouvido.
Fui na minha playlist favorita e coloquei para tocar. Radioactive foi a primeira. Cerrei os pulsos e peguei o sol de pelúcia. Enquanto via meu amigo quase morrendo nas mãos de um dragão-cobra, tomei coragem. Peguei o sol e comecei a usar o talento que me restava : a Música.
– This is it the apocalypse.
– Isso é hora de escutar música??? – gritou Guilherme, baixando a guarda e sendo jogado de lado pela Hidra.
– I’m waking up! – e joguei o sol. – I feel it in my bones – e a bola que simbolizava o sol virou um arco, que caiu a minha direita, e todas as partes que representavam os raios solares caíram na esquerda. Eram flechas dentro de uma bolsa.
– Acho que estou gostando das suas músicas, pela primeira vez – disse Guilherme, de novo atacando a Hidra.
Peguei o arco e as flechas e entrei na briga. Sai atirando como um louco. O impressionante é que eu nunca tinha usado antes um arco, mas era hábil como meu pai – deus dos arqueiros.
– Com foi que Hércules derrotou a Hidra?
– Estava esperando que perguntasse isso, amigão. – Guilherme riu. Foi assustador.
– O plano é ... – atacou a Hidra com a espada, mandei duas flechas – eu corto uma cabeça e você acha fogo em algum canto. Queime a raiz da cabeça! Ela não crescerá mais.
Me concentrei, começou a tocar Demons. Amava a música.
– Is where my demons hide – e as flechas restantes começaram a pegar fogo. Outra vantagem de ter como pai o Deus do Sol.
Guilherme cortava uma cabeça e eu colocava fogo. A raiz queimava, a cabeça não voltava. Guilherme cortou a última cabeça, coloquei fogo. Atirei uma flecha no coração – essa foi só para se amostrar, ela já tinha morrido. Haha;
– Então... – falou Guilherme quase sem ar – É isso?
– Eu acho que sim... e você tem que agradecer a Imagine Dragons;
Guilherme virou a cara.
– Como vamos sair daqui?
No céu, dois pegásos se aproximavam. Num um homem, e no outro uma mulher. Quando os dois pousaram na nossa frente, percebi que os dois eram personagens de Doctor Who. Ou pelo menos eu achava.
– Olá, crianças. – disse a mulher. – Como vai, filho?
Guilherme sorriu.
– Como tá você, muleque? – o homem disse. Era Apolo.
– Escolhemos esses visuais para vocês.
Desanimei um pouco, realmente queria que fossem de Doctor Who.
– Então, Acampamento Meio-Sangue, que tal? – disse Apolo
– Vocês sabiam que estávamos aqui o tempo todo? – perguntou Guilherme;
– Nós vimos que estavam vindo e queríamos que descobrissem que tinham que nos invocar para chegar lá sozinhos. – disse a deusa
– Mas quando vimos o titã, tivemos que vir.
– Por que Tifão não queria que fossemos para o Acampamento?
– Longa história, criança. Conto depois. Subam nos cavalos.
Subi que meu pai, e Guilherme com sua mãe. Levantamos voo e passamos duas horas de conversas estranhas e constrangedoras sobre namoradas e notas na escola. Odiei principalmente a parte das notas.
Nessas horas, poucas horas, com os ventos nos cabelos – e na careca, no caso de Guilherme – conseguimos esquecer toda essa loucura de deuses e titãs e simplesmente aproveitar um tempo com nossos pais.
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