Jovens Caçadores- Acontecimentos (3)
28 Capítulo 28
Nina narrando.
Antes de meus pais sumirem não tenho lembranças ruins, me lembro da minha mãe super carinhosa comigo e com o meu irmão, lembro do meu pai nos levando para passear no parque todo fim de semana. Mas eu lembrei de uma coisa em especial, minha mãe falava que um bom sono não podia ser interrompido com sonhos ruins, então em cima da minha cama e da cama do Thiago tinha um filtro-dos-sonhos que ela tinha feito, ainda guardava o meu dentro da mochila, mas hoje eu coloquei ele em cima da cama do Diogo.
Não sabia se isso funcionava realmente, mas quando criança eu não tinha pesadelos e nem meu irmão.
Era um filtro-dos-sonhos com a parte de cima preta e tinha uma pena longa vermelha, mesmo com o tempo estava da mesma maneira que eu lembrava.
Dei um beijo em sua testa e recomecei a cantar baixinho, me sentia melhor, parecia que eu estava ajudando pelo menos um pouco a ele sair dessa.
Depois fui até o sofá que o Doutor Carlos tinha arrumado para mim e ele realmente estava me mandando as refeições, não sabia ainda o porque de toda essa ajuda, mas não ia negar agora.
Fiquei sentada um pouco lendo e mandando uma mensagem para a Ana que não tinha me ligado ainda e eu estava preocupada de ter acontecido alguma coisa com eles. Foi quando eu senti uma brisa leve no quarto. Olhei para a janela acima de mim e ela estava fechada, a porta tambem só ficava fechada, então olhei para o Diogo.
Na cama dele tinha uma mulher sentada, claramente dava para ver que ela não estava viva, era levemente transparente e com um brilho leve. Ela olhou para mim, paralisada no sofá a olhando e sorriu. Os olhos dela eram os mesmos do Diogo e o sorriso tambem.
Ela passou a mão pelo rosto do Diogo e se virou para mim de novo.
-Você faz muito bem para ele, sabia?
Sabia que ela esperava uma resposta, mas eu tinha que achar minha voz primeiro.
-Qu... Quem é... Quem é você?
-Sou a mãe dele, do Diogo.
A mãe dele? Ela era realmente muito parecida com ele de verdade, mas a mãe dele estava morta? Ele nunca tinha falado comigo sobre ela ou sobre
qualquer outra pessoa.
Ela olhou para o sofá e deu outro sorriso.
-Vejo que o Carlos está te ajudando.
-Você conhece ele?
-Claro, ele é meu sobrinho, filho da meu cunhado, irmão do meu marido.
Perai, se ele é filho da irmã dela então ele é primo-irmão do Diogo, ou seja, alguem da familia e que pode me ajudar com as coisas do passado dele...
-Então é por isso que ele está me ajudando.
Me aproximei da cama e segurei a mão do Diogo.
-Ele sente que tem uma divida com o primo.
Fui fazer outra pergunta, mas a mãe dele não me olhava mais, estava olhando para a parede. Olhei na mesma direção e vi um buraco negro se abrir.
-Tenho que ir antes que ela venha me buscar.
-Ela quem? Qual seu nome que você não falou?
-Micaela, ela... ela...
Micaela se levantou rapido quando viu uma mão sair do buraco e entrou nele, me senti na cena do filme o chamado, morro de medo daquele filme e esse cena ficou na minha cabeça por um tempo.
Fiquei olhando para a parde por um tempo até quando o Carlos entrou com a prancheta na mão.
-Bom dia Nina.
-Bom dia.
Parei para analisar ele melhor, vi que seus olhos eram iguais aos do Di, e o formato da boca lembrava bem tambem.
-Posso fazer uma pergunta?
Ele estava em silencio a algum tempo vendo como o Diogo estava, então se assustou de leve quando eu falei com ele.
-Pode.
-Qual seu nome completo?
-Carlos Souza.
-Você é alguma coisa do Diogo, parente, por exemplo?
Ele suspirou e me olhou.
-Eu acho que ele é meu primo, mas faz tempo que não nos vemos e em sua ficha não tinha nenhuma informação para me ajudar.
Estava olhando ele para ver suas reações, saber se ele não estava mentindo para mim.
-Eu lembrei que ele me falou uma vez que o nome da mãe dele é Micaela.
Ele me olhou com os olhos arregalados com uma mistura de surpresa e felicidade.
-Micaela? Era o nome da minha tia. Eu te achei Diogo.
-Por que ele sumiu?
Ele acenou com a cabeça pensativo.
-Ele não te contou?
-Contou o que?
Ele foi falar quando uma enfermeira entrou falando que um paciente dele precisava de atendimento urgente e ele saiu correndo antes de falar. Fiquei com raiva disso.
Me deitei no sofá e acabei pegando no sono, não sei o quanto dormi, mas sei que não acordei de uma forma normal.
Sabe quando você sente que tem alguem te olhando? Acordei com aquela sensação, estava deitada de frente para o encosto do sofá, então me virei devagar, péssima decisão.
Na hora que eu olhei para atras de mim tinha uma pessoa parada, estava com uma capa preta que se arrastava no chão, então não dava para saber se era homem ou mulher, estava com capuz grande tambem e escondia totalmente o seu rosto, mas a unica coisa que dava para ver eram seus olhos, vermelhos como sangue e dava para escutar sua respiração funda e irritada.
Fiquei olhando para aquela figura, parecia que o meu sangue tinha se congelado em minhas veias, não me mexia, não piscava, apenas olhava.
Então aquela forma pegou fogo e desapareceu deixando apenas alguma coisa pequena no chão, demorei um pouco até começar a me mexer, mas peguei o que tinha no chão com cuidado, era um pedaço de pergaminho, o abri devagar.
"O passado está de volta, pare de querer saber sobre ele, agora ele é meu, o passado é meu, no presente estou com ele e o futuro dele me pertence."
Li aquelas poucas palavras varias vezes até elas começarem a fazer sentido.
Fui até a mesinha no quarto e peguei um copo d'agua, minha mão tremia muito, peguei o celular e liguei para a primeira pessoa que eu sabia que podia me ajudar.
-Nina? Esta tudo bem? Eu não consegui te ligar hoje, mas ja estava para te ligar.
-Ana, me escuta, o que você sabe sobre como fazer proteção contra demônios revoltados?
-O que aconteceu?
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