Narração Normal

Beatriz estava com medo de tudo aquilo, a uma semana quando eles tentavam sair de casa as portas se fechavam sozinhas, não tendo como abrir, as janelas ficavam batendo e sempre subia um cheiro ruim.

Só que nesta noite ela estava desesperada, Rafaelli estava já com quase 38,5 graus de febre, precisava leva-la ao pronto-socorro e não conseguia sair.

-Douglas, ele me quer, é comigo toda essa raiva.

Douglas estava com a Isa no colo, tentando fazer ela dormir.

-O que você esta pensando em fazer Beatriz?

-Salvar minha família.- Ela se levantou e começou a falar bem alto-Gustavo, estou aqui e quero falar com você.

Nada aconteceu e ela começou chorar.

-Por favor, só quero falar com você!-E completou bem baixinho- Por favor...

Subiu uma fumaça preta da porta e ela se virou assustada e a voz do Gustavo apareceu atrás dela.

-Pois não? Queria falar comigo?

Ela ficou de frente para ele, deu Rafaelli para o Douglas e se aproximou do Gustavo.

-Você esta com raiva de mim, não deles.

-Como sabe disso? -Disse irônico.

-Sei porque sempre te falei que a coisa mais importante para mim era minha família, mexer com ela era acabar comigo. Eles são minha família e você e está mexendo com eles.

Ele se aproximou do Douglas com as meninas no colo.

-Uma delas está ruim não está?

-Por favor, libera eles, pode me fazer prisioneira, mas deixe-os ir.

Ele se aproximou da Beatriz, passou a mão em seu rosto, o fundo dos seus olhos não tinham a mesma cor de sempre, eram vermelhos, deixando-a paralizada.

-E o que eu ganho com isso?

-Me ganha, não vou reclamar, pode fazer o que você quiser, mas deixe-os ir embora.

-Boa oferta... Aceito.

Ele fez um movimento com as mãos abrindo a porta da sala.

-Vou ajudá-lo arrumar as coisas para ir com elas.

-Apenas uma mala para os três.

Beatriz não reclamou, não falou nada, simplismente subiu com os três para arrumar tudo.

Douglas colocou as meninas no berço e fechou a porta.

-O que você estava pensando Bia? Não vou deixar você sozinha aqui.

-Leva nossa pequena ao médico, cuide dela e da Isa, não se preocupe comigo, se foque nelas duas.

Ele a puxou dando um beijo e a abraçando com força.

-Quero trocar de lugar com você...

-Mas não pode-Interrompeu- Ele aceitou minha proposta, não vai

voltar atrás agora.

Ela apertou mais ele.

-Te amo meu Douglas.

-Também te amo minha Bia.

Ficaram assim um tempo, ela soltou ele, dando outro beijo, e foi arrumas as coisas deles.

Desceram as escadas depois de 30 minutos, Beatriz com as gêmeas no colo e Douglas com a mala.

Gustavo estava no fundo da sala, em pé, parado, sem nem se mexer.

-Demoraram. Vocês tem 5 minutos para sair.

Douglas arrumou a mala no ombro, pegou as gêmeas no colo, Beatriz abraçou ele e deu um beijo nelas.

-Amo vocês.

-Nós sabemos e também te amamos.

-3 minutos.

Ela os acompanhou até a porta e ajudou a abrir o portão, todo o tempo tinha uma fumaça preta em volta de sua cintura não a deixando passar do portão.

Quando eles saíram ela foi puxada com tudo para porta da sala, Gustavo a abraçou e os envolveu em uma fumaça densa, Beatriz apenas olhava sua família no portão, chorando.

Então a porta fechou.

Douglas sentou na guia da calçada, apertando suas filhas e quase chorando de desespero.

Escutou no fim da rua a voz de um casal se aproximando.

-...Vai lá conversar com ela então, uma conversinha particular.

-Nina, para com isso, ciumes daquela perua?

Ele se levantou e foi até eles.

-Pelo amor de Deus, nos ajuda.

-O que está acontecendo, está tudo bem?- A mulher parecia bem preocupada.

-Vocês não vão acreditar, mas tem um demônio na minha casa.

O casal se entreolhou.

-Qual seu nome?

-Douglas.

-Meu nome é Nina e esse é o Diogo, acreditamos em você...

Uma das meninas começou a chorar.

-Quer ajuda com elas?

Ele olhou para a Nina, confiava nela, mesmo sem conhece-la.

-Minha filha esta com febre.

Diogo se aproximou e pegou a mala dele.

-Vamos no hospital com você, no caminho você conta toda essa historia, certo.

Douglas acenou, Nina segurou a Isabelle, Douglas estava com a Rafaelli e Diogo levava a mala até o carro na rua em frente.