Jovem Potência
2 A onça tem uma amigo da onça
Notas iniciais
Leo’s POV
A onça estava a poucos metros do meu irmão.
— Olha pra cá, sua babaca! — Gritei pra ela ao mesmo tempo em que chutava uma pedra na cara dela.
Deu certo, além de ela não ter alcançado Sams, deixando ele correr atrás de mim, ela ficou furiosa comigo e tirou meu avô como alvo.
— Vem, neném! — Gritei por cima do meu ombro, enquanto segurava o braço de Sams pra trazer ele correndo. Parecia que ele tinha congelado de medo, mas correr ele ainda conseguia fazer bem.
Passamos pelas primeiras árvores da floresta. Ao mesmo tempo que corria o máximo que eu podia, tentava prestar pelo menos um pouco de atenção nas árvores que ficavam para trás, para saber o caminho de volta para o sítio.
Sabia que Sammy não estaria pensando nisso, então tudo dependia de mim.
Se eu tivesse coragem e habilidade o suficiente, parava ali mesmo e enfrentava o animal. Mas meu instinto não estava muito confiante para lutar. Infelizmente, meu irmão tropeçou em uma das milhares pedras no caminho e deu de cara em um amontoado de folhas.
A coragem foi necessária, já que a onça deu um pulo gigantesco para cima da gente e a única coisa que eu pude fazer foi girar o meu braço para acertar o balde de iscas exatamente no pescoço do bicho, atrasando-o um pouco.
— Vamos, vamos! — Incentivava-o, para ver se passava um pouco de minha energia através de palavras. Sammy levantou do chão e começamos a correr de novo.
— Vovô disse que a gente poderia se esconder em algum lugar por aqui. — Sams me lembrou. — Tem alguma ideia?
Pensei um pouco e me veio alguma coisa na cabeça, então balancei a cabeça positivamente.
Avistei uma árvore alta e levei meu irmão para ela. Comecei a escalá-la, me segurando em galhos até atingir o seu topo.
— Onças sabem escalar árvores? — Sammy perguntou, enquanto apoiava os pés em um dos mais baixos galhos ainda.
— Espero que não! Venha! — Gritei, pois já estava vendo a onça chegando até a gente.
Sammy subia devagar através dos galhos e eu torcia para que ele subisse a tempo de não ser devorado. Eu já estava sentado em um galho alto o suficiente para a onça pular e não poder me alcançar.
— Não vai dar tempo! — Sams gritou. Esse pessimismo deu uma ideia ruim a ele. O garoto se jogou de onde estava mesmo para alcançar o galho em que eu estava.
Ele conseguiu segurar com as duas mãos, mas logo deixou escorregar e aterrissou de bunda no chão.
— Não! — Gritei, desesperado.
A onça pulou na direção dele, dando o bote. Porém, antes de alcança-lo, um vulto bem rápido a atingiu, a derrubando no chão.
Era um homem alto, ele usava uma camisa branca sem manga com muitos rasgos. Seus fios de cabelo castanhos claro balançavam enquanto lutava com o animal, desferindo alguns socos para tentar imobilizá-la.
Usando também as pernas, conseguiu finalmente. Mas a onça usou seu rabo para se libertar e fugiu com medo. Esperava que ela não tivesse ido atrás do meu avô.
Fiquei perplexo pelo jeito que o homem dominou a luta, mas também por estar usando um short havaiano no meio de uma floresta. Ele tinha uma aparência jovem, mas era pelo menos 10 anos mais velhos que meu irmão.
O rapaz estendeu a mão para Sammy, que estava jogado em um amontoado de folhas.
— Garoto, você está bem? — Ele o examinou, sua voz não era tão grave, sendo um pouco suave. — Sofreu algum arranhão?
Sammy estava tentando responder, gaguejando.
— E-es... Não...
— Entendi. — O homem disse e eu me perguntei: "Como?".
Meu irmão se levantou e olhou para cima.
— Venha, Taz. — Ele ainda estava com um pouco de medo. — Acho que estamos seguros.
— Não. — O rapaz interviu. — Quer dizer... O melhor é que você desça mesmo, mas a floresta nunca é um lugar seguro. Vocês não deveriam estar aqui.
Observei a firmeza com que ele falava, enquanto eu descia novamente através dos galhos, ao contrário de Sams que simplesmente se jogou e caiu, enterrando a bunda na lama.
Por que meu avô tinha nos indicado a floresta se não era um local seguro? Como que lendo os meus pensamentos, George, o rei da floresta, respondeu:
— Na floresta existem muitos animais selvagens. — Seus olhos castanhos escuro estavam vidrados em mim. — Vocês deveriam sair daqui. Já!
— Você mora aqui? — Sams perguntou, o ignorando. — Qual é o seu nome?
— Sim, eu moro aqui. — O rapaz informou, pensando se deveria dizer seu nome ou não. — Meu nome é Nelson. Eu vivo aqui há muito tempo. Por que vieram parar aqui?
Sammy pareceu mais tranquilo para iniciar uma conversa, mas eu ainda o achava suspeito.
— Meu nome é Samuel Oliver Sekkal. — Por que o seu nome inteiro, seu idiota? — Nosso avô mandou a gente entrar na floresta para fugir da onça que estava nos perseguindo, provavelmente para ficar preso em uma árvore!
Bonita ideia, vovô... Muito boa. Nelson olhou para mim, sem perguntar nada. E eu também não disse nada, tudo que eu queria era voltar para casa ou ir pescar.
— Opa, tudo bem, Samuel? — O homem perguntou. — Como eu disse, não é seguro vocês ficarem por aqui. Aconselho vocês a irem embora. Agora.
— Vamos, Sams. — Falei por fim. — Temos que saber o que aconteceu com o nosso vô.
E com a minha mão puxando o braço dele, saímos pelo mesmo caminho que a gente fizera antes e que eu ainda lembrava.
Algumas horas haviam se passado enquanto estávamos fora. Percebi isso ao olhar para o relógio da cozinha, logo que entramos em casa.
— Sammy! Leo! Vocês estão vivos! — Meu avô correu para nos abraçar e minha avó um pouco depois.
— Como fugiram da onça? — A senhora nos perguntou.
Sams já estava abrindo a boca para falar besteira.
— Quando eu ia subir na árvo- — O interrompi colocando a mão na frente de sua boca.
— Deixa que eu conto, maninho. Você sempre fala tudo na ordem errada.
Os três assentiram.
— Quando a gente tinha acabado de entrar na floresta... — continuei, pensando em um jeito da história não parecer estranha. — Eu subi em uma árvore enquanto Sams estava um pouco para trás. Quando ele foi subir a árvore, ele conseguiu chegar até mim alguns milésimos de segundos da onça encostar nele. Por isso, a danada bateu no tronco da árvore com muita força e desmaiou.
Sams olhou para mim. Olhei de volta. Mentir é feio, mas eu queria descansar e não ter que aguentar perguntas sobre um homem Tarzan no meio da floresta. Meu irmão pareceu entender e nada contou da verdade.
— Entendi. Que bom que estão bem. — Vovó fez um gesto para que sentássemos. — Comam alguma coisa. Vocês devem estar com fome.
Meu irmão chegou mais rápido que eu e pegou uma banana.
— Sabe por que as bananas quando estão maduras têm essas marquinhas pretas na casca? — Ele parecia estar falando sério.
Sentei à mesa e fiz que não com a cabeça, pedindo pro Sammy responder.
— Porque elas lutaram bastante na noite anterior.
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