Journey to Glory - Interativa
1 Prólogo
Notas iniciais
O céu estava cinza, não aquele característico do céu de Cumberland, prenúncio de intensas chuvas, mas um cinza opaco e sombrio, vindo do conjunto de casas em chamas. Dentro de uma delas estava um menino de apenas dez anos, quase sufocando pela fumaça excessiva. Corria para o interior da casa, vasculhando os cômodos em desespero, revirando tudo o que ainda não estava destruído, a procura de qualquer indício de vida, mas os gritos do lado de fora e o som da madeira estalando e desabando em algumas partes da casa tornava muito mais difícil escutar os berros de sua irmã.
A casa estava cada vez mais quente, de modo a ele quase desmaiar, mas sabia que não podia fazê-lo, não agora que a vida de sua irmã dependia de dele. Uma viga caiu à sua frente, exibindo enormes labaredas que bloqueavam o caminho, e, para seu azar, Marin estava exatamente no cômodo bloqueado. O garoto não pensou duas vezes e pulou por entre as chamas para dentro do cômodo, e, ignorando as pequenas chamas que surgiam em sua roupa, encontrou sua irmã encolhida ao lado da cama, com a camisa sobre o rosto para proteger-se da fumaça, tossindo e chorando em desespero. Ele pegou a mão da menina, envolvendo-a no lençol que estava sobre a cama e pulando novamente por entre as labaredas, ignorando as queimaduras que aumentavam em seu braço. Correram ambos para os fundos da casa, indo direto à floresta, na tentativa de não serem vistos pelo grupo de saqueadores que ainda destruía o vilarejo.
Se lançaram sobre a grama verde vívida a alguns metros da construção já quase completamente destruída e o garoto, após bater na roupa para apagar algumas chamas que nela surgiam, parou para verificar se Marin havia se ferido, mas para seu alívio ela estava bem. Ela o encarou com os olhos verdes, quase tão claros como os dele, ainda cheios d’água, mas um pouco mais aliviados, e desmaiou. O menino suspirou aliviado, levantando-se e pegando-a no colo para se abrigarem antes que alguém os encontrasse ali, mas assim que a tocou sentiu uma dor intensa na mão direita e por quase todo o braço. A adrenalina do momento da fuga havia passado, e só agora percebia gravidade da queimadura que ganhara.
Tentou ignorar a dor o máximo que podia, carregando a menina com o braço sem ferimentos enquanto mancava pelo pequeno bosque até as plantações onde seu pai provavelmente passaria em breve. Apesar de todo o esforço não chegou a durar uma hora, e ele desabou no chão com a irmã, desmaiando pela dor e inalação excessiva de fumaça.
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