José Rodrigues: Mi Corazón.
13 Terça.
Notas iniciais
Passei a noite acordado e só conseguir dormir às cinco e meia da manhã. Tudo culpa da Isadora. Não parei de pensar nela a noite inteira
A lembrança dela sendo carregada por outro homem assombrou-me.
Por conta da noite mal dormida passei as primeiras aulas, aéreo. E para completar um dos meus professores me reteve em sala e acabou me atrasando para minha ultima aula. Assim que sou liberado apresso o passo e ao virar um corredor esbarro em um colega a minha frente.
– Opa, José que bom que te encontrei, preciso falar com você.
Ah beleza.
– Agora não Ericsson. Estou atrasado. — digo impaciente.
Ericson é um amigo, faz jornalismo e sabe tudo o que acontece no campus.
– E vai ficar ainda mais. O diretor quer falar com você. Ele pediu que assim que o encontrasse desse o recado. — solta a bomba, ele sorrir com pena. — boa sorte.
Há amigo obrigado ando precisando. Acho que vou procurar um trevo no canteiro da universidade, ou vir a cavalo, não dizem que a ferradura traz sorte? O que um cavalo vivo e com as quatro ferraduras fariam? Estou exagerando novamente, porem é isso ou chorar de frustração.
Meu mau humor do dia anterior volta à tona, mudo de direção e marcho para a sala do Sr Leith reclamando baixinho.
Hoje não pode ficar pior do que ontem. Pode?
Dessa vez Marcelle a secretaria assim que me ver me manda entrar.
Me sento e o Sr. Leith faz uma palestra até chegar ao assunto, a todo o instante me policio para não bocejar e discretamente verifico a hora. Eu nunca o vi falar tanto. Acho que ele está nervoso com algo, não me olha direto e fica arrumando a gola da camisa social. Minha atenção se prende nesse local. Inclino-me para frente e então vejo um vergão vermelho em seu pescoço. Porra. Endireito-me na cadeira constrangido e olho para outro canto da sala.
–... você concorda Sr. Rodrigues?
Com um estalar de cabeça me volto para ele. Leith está me perguntando algo. O que era mesmo?
– Sim senhor. — concordo sem mesma o saber o que, só quero ir embora e dormir. — Poso ir agora?- levanto ansioso.
Seu semblante é de alivio misturando com raiva? O que foi que eu concordei?
– Excelente, apreça manhã as quatro nesse endereço. — ele me entrega um cartão, que não olho de cara. – ela disse que você iria resistir, mas até que foi fácil convencê-lo.
Ela? De quem ele está falando? Merda. De repente sinto que cai na toca do coelho da Alice.
– Desculpa Sr.Leith quem... é ela?- posso ouvir meu coração martelar.
– A Senhora Elena Lincoln. — Suas feições lembram as de Eric quando ele fala da Clara. Veneração.
Meu corpo inteiro se arrepia, em alarme. Como o senhor Leith conhece essa mulher? Pior como fui tão idiota em não prestar atenção no que ele dizia?
Verifico o cartão e o nome dela é a primeira coisa que vejo em letras douradas. Tenho vontade de sair porta afora. Minha mão treme.
– Senhor Leith eu não...
Ele me corta. Da volta na mesa e me empurra em direção à saída.
– A Elena é uma das nossas bem feitoras e ficará feliz quando souber que você aceitou realizar o ensaio em sua casa. E por favor, não se atrase. Elena não aprecia pessoas relapsas. — seu olhar é frio. — tenha uma boa tarde.
Ele bate a porta na minha cara. O que foi isso? Que merda toda é essa? Leith a chamou de Elena não de senhora Lincoln. E por que foi tão frio comigo? Minha cabeça está girando.
Essa mulher tanto fez que conseguiu o que queria. Mas a culpa é minha, por não da atenção o que Leith falava.
Marcelle me da um sorriso amarelo e sua atenção volta para computado. É minha deixa para ir embora. Verifico a hora. Perdi minha última aula. Inferno.
Batendo-me mentalmente pela minha estupidez, sigo para o estacionamento e é só a dez passos do impala que eu a vejo. Ela não me vê de imediato está distraída com seu androide 300. Diminuo o passo observando-a.
Ela esta usando uma calça que um dia foi preta e que já viu dias melhores, uma baby look da seleção brasileira, boné preto e AL Star. Está linda a minha Isadora. Só que ela não é minha.
– O que está fazendo aqui?- indago com raiva, pegando a chave no bolço.
Isadora levanta o rosto ela parece não se dar conta do meu rompante. Olhando direto em meus olhos ela sorrir.
– Boa tarde Martins, como vai? Vou bem José, como foi seu fim de semana? Normal. O que o senhor comeu mais cedo? Limão. – guardando o androide no bolço da frente ela brinca tentando imitar minha voz. – e o que eu estou fazendo aqui? Nada, vim fazer turismo.
Sinto vontade de sorrir, acho que a intenção é essa, me controlo, não tenho motivos para isso.
– Virou comediante agora?
– E está zangado mesmo, quem te mordeu?- fica séria unindo o sobrolho.
Sinto-me culpado de roubar o seu sorriso. Não gosto de vela assim séria.
– Ninguém, está com fome ou comeu com o namorado? — por que falei isso eu não sei. Entro no carro para que ela não veja meu rosto.
Ela entra logo em seguida prendendo o cinto. Me encara.
– Estou com fome sim. — ela morde os lábios. – quem lhe disse que eu tenho um namorado?
Resolvo ser sincero.
– Vi vocês ontem. — ligo o carro.
– Onde?
Suspiro. Não vou aguentar. Porra.
– De manhã, vi vocês dois chegando na sua casa, ele a segurava com... se você queria ficar com ele ontem era só ter dito a verdade. Não precisava arranjar desculpa pra faltar a nossa aula. — respiro com dificuldade.
Sua gargalhada enche o carro. Do que ela esta rindo? Sinto-me ofendido. Olho para ela magoado.
– A Fantiny vai adorar essa ou me arrancar os cabelos. — ela fala tentando se controlar. — então foi você que eu ouvi arrancando o carro. — constata.
– Sim era eu.
– Por que não foi falar comigo?
– Não quis atrapalhar o momento. – e me fazer de idiota.
Olhando para mim Isadora abre um curto sorriso.
– O cara que você viu comigo é o Lancy um amigo e namorado da Fantiny, José, ele e eu não temos nada. — ela faz uma careta. — aliás, por que estou me explicando para você mesmo?
Dou de ombros. Meu Deus. Parece que um peso saiu do meu coração. Sinto minhas forças renovarem. Controlo-me para não sorri feito um idiota. A noite insone foi em vão.
– Quem é Fantiny?
– Uma amiga e irmã. Moro com ela e mais outras duas doidas. — diz com ternura.
Durante essas duas semanas sempre a deixei em frente ao prédio em que ela mora, mas nunca conheci suas amigas. Bem como não conheci sua mãe em Seattle. Mas o pouco que ela fala das pessoas em sua vida é regada de carinho.
– Você parece gostar muito delas.
Seu semblante fica triste o olhar distante.
– As amo, no momento que mais precisei e que todos se foram elas estavam comigo. Apoiando.-me, me dando força. — seus lábios tremem.
Droga. Que foi que aconteceu? Por mais que eu queira saber de seu passado não quero vela assim.
– Em que restaurante você quer almoçar? — mudo de assunto.
Com um suspiro tremulo Isadora sorri agradecida.
– Pare, ali olha. — aponta.
Olho na direção indicada, mas não vejo se quer uma lanchonete.
– Onde? Não tem restaurante nem um nessa rua. — pelo espelho só vejo um vendedor de cachorro quente ir embora. Há!- o cara do cachorro quente?- Essa me surpreende.
Para mim ela iria comer no mínimo em um restaurante, quatro estrelas. Paro o carro.
– Estou louca por um “dogão”. Sabe há quanto tempo não como um? Séculos, agora vou matar minha vontade. –diz desafivelando o sinto ela sai e em plena Portland grita para o homem parar.
É hilário e constrangedor. O cara não sabe se foge dela ou se a atende. E para piorar a minha morena esqueceu o inglês. Isadora gesticula e desata a falar em sua língua pétrea. Até se dar conta que não entendemos nada ou no meu caso quase nada.
– Desculpe. –pede ela constrangida. E então com seu costumeiro sorriso pede o “dogão” em inglês.
Aproveito e peço um também. Enquanto ele prepara nossos pedidos os dois engatam um papo animado. E ela descobre que o cara é dessedente de irlandês, e que só vende hamburguês para juntar dinheiro e comprar um ponto para instalar um bar.
Isadora promete a O’Raily – esse é o sobrenome do cara .- que quando o bar abrir ela vai a sua inauguração. Sua empolgação é tanta que da a impressão que o sonho é dela.
Os dois se despedem com um abraço e trocas de números de telefone. Parecem velhos amigos e não pessoas que acabaram de se conhecer. Eu teria ciúmes se o irlandês não ostentasse uma aliança. Também me despeço dele.
– Essa sua namorada é encantadora. Não a deixe escapar. — me diz em confidencia.
A observo caminhar até o impala e se sentar na calçada. Isadora olha para mim e sorri. Ela é única. Deixá-la ir? Já mais.
Sento-me a lado dela cruzo as pernas para não atrapalhar a passagem das pessoas. Com o ombro Isadora da uma batidinha no meu.
– Por que estava tão irritado agora pouco?- limpa o canto da boca com as pontas dos dedos.
Nossa. Tinha até me esquecido que estive no escritório do reitor minutos atrás.
– Eu fiz merda. Martins. – admito.
– Ai! José não pode ser tão ruim. — me conforta.
Desisto de comer o cachorro quente.
– Eu aceitei trabalhar para aquela mulher. –digo esperando a reação dela.
– Que mulher?- suas sobrancelhas se unem.
– A Sra. Lincoln.
De inicio não acontece nada, então seus olhos arregalam.
– Me diz que não é a mesma do parque. – pede, eu confirmo. Em um pulo ela fica em pé. — como isso foi acontecer?
Dou uma resumida da conversa que tive com Leith ou a parte em que prestei atenção. Ela desiste de comer e anda de um lado a outro com a cabeça baixa.
– Quer saber eu vou com você. É está decidido também vou. – divaga.
– Não, vou sozinho. — digo tranquilo.
Não a quero envolvida com essa mulher.
– Claro que vou sou sua assistente. José. Sozinho você não vai e se acontece alguma coisa? –sua voz treme.
Sua preocupação me comove. Levanto-me e a faço parar encostando-a ao impala.
– Isadora olha para mim. – peço fazendo uma carícia em seu rosto. Ela obedece à preocupação estampa seu rosto. — não vai acontecer nada.
– Me deixa ir. Por favor, José. Vou ficar tranquila assim. A aquela mulher é... Eu sei que não tem logica em ficar preocupada, mas... Por favor.
Seu corpo treme e eu a abraço, ela se agarra a mim enterrando o rosto no meu pescoço.
– Você me chamou de Isadora. — ela afasta o rosto, mas continua abraçada a mim.
– É o seu nome Martins.
As pontas dos seus dedos tocam o meu rosto em uma caricia que me arrepia de desejo.
– Desde que nos conhecemos, você nunca me chamou pelo nome. — seus olhos avaliam o meu rosto.
– E?
– Você estava preocupado comigo.
– E você comigo.
Seu sorriso vai se abrindo aos pouquinhos e então ela suspira.
– Estou sempre atentada a você, José, dia e noite só penso em você. — admite mordendo os lábios.
Meu coração dispara com sua confissão. Ela sente o mesmo que eu.
– Não faz isso, você me pediu para não me apaixonar por você. Eu estou tentando. — uma mentira deslavada, a muito estou apaixonado.
Seus lábios tremem e seus olhos embaçam.
– Queria lhe proteger. – confessa. – mas, uma única vez na minha vida, decidi ser egoísta. – ela morde os lábios. Com brilho nos olhos murmura. — Estou apaixonada por você, José Rodrigues.
É tudo que esperei ouvir. Encosto-me mais a ela.
– Isadora! Vou te beijar. — aviso.
– Então beija.
Corto o curto espaço que nós separa. Com sofreguidão uno minha boca a dela, Isadora corresponde com ardor.
E esquecemos da Sra. Lincoln, do mundo a nossa volta. Só excite nos dois.
Continua...
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