Jornada para o amor.

14 Me apaixonei por você.


Naquele mesmo dia Fernanda retornou à casa de Samuel. Na mala, ela trouxe algumas roupas que precisaria para aquele momento. Já tinha combinado com Sandra que um carro iria buscar o restante de suas coisas.

Fernanda entrou na casa e viu que Samuel estava lendo um livro. Ele estava atento e lia com atenção. Ela se aproximou sem que ele percebesse e o abraçou por trás. No primeiro momento Samuel ficou assustado, mas quando viu que se tratava dela abriu um sorriso. Ele a correspondeu quando ela o beijou nos lábios.

Passado o momento de surpresa, ele a puxou para que Fernanda sentasse em seu colo.

— Você me surpreendeu. — disse ele fitando-a de maneira suave. No olhar de Samuel era perceptível o carinho que ele sentia por ela. Fernanda ficou tocada por aquele sentimento e o acariciou com carinho. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos e em seguida o beijou novamente.

O momento entre eles foi de puro afeto e cumplicidade. Eles permaneceram juntos e abraçados por alguns minutos.

— Você confunde meus sentimentos... Não sei como devo interpretar isso. — Samuel confessou aquilo que o estava inquietando.

Muitas coisas haviam acontecido e Fernanda precisa ordenar seus pensamentos. Naquele momento, a única coisa que queria era ficar ao lado dele. Queria poder sentir aquele afago carinhoso de Samuel.

— Me dê um tempo...

Samuel sabia que não deveria pressioná-la e não o fez. Mas ele estava curioso, sobre o que ela faria de agora em diante.

— E agora, o que você vai fazer?

— Eu vou ficar um tempo na casa da praia. Não quero atrapalhar meu irmão com essas coisas... — ela fitou Samuel — e também não quero ser um peso pra você.

Samuel pensou em dizer que ela não era um peso, mas permaneceu calado e decidiu apoiá-la na sua decisão.

— Se precisar de mim, eu estarei aqui.

Fernanda sorriu e agradeceu.

— Quando você vai?

— Amanhã.

Tão rápido! Pensou Samuel, que sentiu certa tristeza ao ouvi-la. Queria poder ficar ao lado dela.

Fernanda percebeu a tristeza na feição dele. Samuel era uma pessoa transparente. Suas emoções eram facilmente perceptíveis.

— Você... Você gostaria de passar o final de semana comigo? — O convite foi inusitado e saiu meio que sem querer. Samuel fitou-a com surpresa. Ela sabia que o convite poderia soar dúbio, mas ela continuou sentindo-se embaraçada. — E um lugar é bonito... O Emir iria amar.

Samuel indagou-se se aquilo seria certo. Ele pensou no filho e em como Emir era privado de diversão. Recolhendo seus temores ele assentiu concordando com o convite.

A casa era grande e bonita. Samuel sentiu-se fora de ambiente, ao contrário de Emir, que correu para a sacada para avistar a praia. Durante a viagem ele e Fernanda conversaram e riram dos gracejos infantis do garoto. Ela tinha uma paciência com as infantilidades dele, isso era algo que apreciava nela. Por um breve momento eles pareciam como mãe e filho.

Samuel ficou feliz por saber que Fernanda estava superando a morte de sua mãe.

— Papai é o mar! — gritou Emir todo alegre. Samuel deixou as compras na cozinha e seguiu o filho que correu em direção à praia.

— Ele está feliz. — disse Fernanda olhando para Samuel, que estava parado na porta vendo o filho correr pela praia.

— Tenho certeza absoluta que sim. Vou olhar esse rapaz.

Fernanda ficou olhando enquanto ele correu atrás de Emir. O garoto parecia eufórico com as ondas da praia... Aquela cena era relaxante e fez com que ela se esquecesse de tudo o que tinha acontecido.

Fernanda passou um dia agradável ao lado de Samuel e Emir. Os dois tinham o poder de fazer com que ela se esquecesse das coisas tristes. Naqueles últimos meses teve muitas decepções, mas naquele dia ela pôde relaxar.

Pela noite, logo após o jantar, Fernanda foi até o antigo quarto da filha. Depois da morte de Isabella, não tinha retornado aquela casa. Ela abriu a porta e entrou no quarto. Tudo estava como da ultima vez que esteve ali. Os brinquedos dela estavam no mesmo lugar. Sua pequena adorava aqueles brinquedos. Fernanda tacava em cada objeto na esperança de ter a filha de volta. Mas aquilo jamais aconteceria!

Samuel viu aquela cena quando passou em frente ao quarto. Fernanda estava distante e ele não quis interromper aquele momento. Emir que vinha logo atrás parou ao seu lado. Ele estava pronto para perguntar, o que o pai estava fazendo, mas ele tirou filho dali.

— Porque a Fernanda está chorando? — Emir perguntou, no momento em que o pai o colocava para dormir.

Samuel sentou na beira da cama. Ele tocou de leve a cabeça do filho fazendo um afago carinhoso.

— Você não chora quando está triste?

O garoto assentiu concordando.

— Então... A Fernanda também está triste. Ela perdeu alguém muito querido.

O menino fez um ar tristonho e pensativo, e então disse:

— Quando eu estou triste o senhor me abraça... Devemos fazer o mesmo com a Fernanda.

Samuel riu com sugestão. Mas ele precisava concordar com o filho. Essa era uma técnica que realmente funcionava.

— Sim, devemos abraçar a Fernanda!

Ele beijou o alto da cabeça do filho. Emir bocejou e fechou os olhos. O dia tinha sido cansativo e ele estava exausto de tanto correr na praia. Por alguns breves, minutos ele permaneceu ali observando o sono do garoto. Quando Kenya morreu, ele tinha feito uma promessa. Enquanto tivesse forças, iria lutar para criar seu filho com todo o amor que a mãe certamente o faria. Por muitas vezes sentiu falta da sua falecida esposa, mas ele aprendeu a ser um bom pai.

Samuel sentia-se inquieto aquela noite. Talvez pelo calor causado pela noite de verão. Ele decidiu sair para uma caminhada pela praia. Quando passou em frente ao quarto, viu que Fernanda já não estava mais lá.

Fernanda estava sentada na areia. Ela tinha o olhar distante e parecia perdida no tempo. Samuel indagou-se se deveria incomodá-la de sua solidão, então se lembrou do que Emir havia falado. Por algum tempo ficou sem coragem, mas lentamente ele se aproximou e sentou ao lado dela.

Fernanda se assustou ao notar a aproximação de alguém. Ela agradeceu ao ver que se tratava de Samuel.

— Assustei você?

— Estava perdida em pensamentos. — Ela confessou e em seguida ajeitou a roupa, pois o vento do mar começava a causar frio. — O Emir dormiu?

— Ele estava exausto.

Samuel virou para fitar o rosto de Fernanda. Ela sorriu, mas era possível notar que havia chorado, pois em seu rosto estavam as marcas das lágrimas. Tomado pelo impulso, ele tocou de leve na face dela. A princípio, para limpar o rastro de lágrimas, mas foi tomado pelo desejo de beijá-la. Samuel aproximou seu rosto do dela e em seguida a beijou.

O primeiro toque dos lábios foi algo leve e suave, mas logo se aprofundou tornando-se um beijo apaixonado.

Fernanda ficou surpresa com o gesto, mas não queria se afastar dele. O toque carinhoso dos lábios dele sobre os dela era algo maravilhoso. E o coração dela encheu-se de paz e ela entregou sem reservas. Há tempos que não vivia aquilo!

Samuel se afastou dela e fitou-a. Ele sorriu e em seguida a abraçou e falou próximo a seu ouvido:

— O Emir me mandou abraçá-la quando você estiver chorando.

Fernanda riu.

— Apenas por isso você me abraçou?

Samuel fitou-a e gesticulou em negativa.

— Ele me mandou abraçá-la, mas eu queria beija-la.

O modo com Samuel a fitava não deixava dúvidas de seus sentimentos. Fernanda tinha noção da intensidade dos sentimentos dele. O modo como ele se entregava a cada vez que a beijava, era algo que ela nunca tinha sentido com ninguém.

— Obrigada por ser essa pessoa maravilhosa.

Samuel segurou o rosto dela com as duas mãos, e mais uma vez a beijou. Apesar de seus receios, ele sabia que Fernanda era recíproca a seus sentimentos. Podia sentir sua a entrega naquele momento. Os braços dela contornaram o corpo dele e o contato se tornou mais intenso. Ele lentamente a deitou sobre a areia da praia.

Em certo momento, Samuel parou para apreciá-la. Ela era linda demais! Desde o primeiro momento em que a viu, foi impossível não sentir-se atraído pela beleza dela. Jamais teria ilusões de que o olhasse! Mas naquele momento, estando ali ao lado dela, era algo surreal demais para alguém como ele.

Samuel contornou o rosto dela fazendo carícias suaves. Fernanda fechou os olhos ao sentir que ele roçou com seus lábios sobre os dela. Era uma tortura a tardança do contato dos lábios, mas ele finalmente a beijou. Ela não sabia o que era aquela mistura de sentimentos dentro dela, mas queria desfrutar aquilo que estava acontecendo. Ela o abraçou forte fazendo com que seus corpos ficassem juntos.

Samuel sussurrou algo próximo ao ouvido dela. Mas Fernanda estava perdida entre sentimentos acabou não compreendendo. Ela o fitou recobrando a atenção, quando percebeu que ele a encarava fixamente.

— Eu estou apaixonado por você.

O modo como ele falou não deixava duvidas. E aquilo a tocou profundamente, então ela o puxou para si e o beijou. Dessa vez o contato foi mais profundo e eles se entregaram ao que estavam sentindo.

Samuel sentia paixão por aquela mulher ali em sua frente. Queria amá-la! Queria poder amá-la até que nada mais os separasse! Mas sabia que deveriam parar, antes que se deixassem tomar pelo que estavam sentindo.

Ele foi o primeiro a se afastar. Era difícil conter ao desejo de continuar beijando-a. Mas conteve as emoções e parou. Fernanda também estava ofegante e tentava controlar a adrenalina causada pela emoção daquele momento

— Acho que devemos parar... — A voz de Samuel soou trêmula. Era visível como ele tentava manter o controle sobre a situação. Ele levantou demonstrando que esperaria por Fernanda. Mas ela não tinha a mesma intenção dele. Ele ficou surpreso quando ela o impediu de se afastar.

— Fernanda... — Samuel sabia que qualquer atitude sua naquele momento, seria impossível retroceder. Ele a encarou e o que viu no olhar dela, jamais esqueceria. Fernanda se aproximou e o abraçou. Ele pôde sentir que ela estava trêmula, mas que estava decidida.

Samuel retribuiu ao abraço.

— Eu quero ficar com você... —Ela sussurrou sem se afastar dele.

— Você tem certeza?

A resposta dela veio na forma de um beijo. Não restou nenhuma dúvida de seus sentimentos. Ela realmente queria ficar ao lado dele! Eles seguiram para o quarto onde ela estava, mas antes de entrarem, Samuel parou e disse:

—Eu quero muito estar com você. Mas antes, preciso saber o que você sente?

Por vezes, Fernanda se indagou sobre seus sentimentos. A resposta era indefinida. Mas depois daquela noite em que Samuel a confortou, ela teve certeza, que também era recíproca aos sentimentos dele.

O olhar dela em direção a ele era de sobriedade. Ela deu um sorriso tímido e disse:

— Você me faz sentir bem... Eu me sinto amada e feliz. — Ela pegou a mão dele e as apertou entre as suas. — Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Obrigada!

Samuel sentiu o coração encher de esperança. Ele não sabia o que aquilo poderia significar, mas naquele momento sentia-se feliz. Isso era tudo o que importava!

Ele a puxou em sua direção e a abraçou beijando-a nos lábios, demonstrando que dessa vez eles iriam até o fim.

Samuel lentamente deitou Fernanda na cama. Ela o fitava enquanto ele ia removendo suas roupas. Por um momento ele parou para apreciar a beleza de seu corpo. Ela sentiu-se tímida e essa reação foi visível. Mas ele não queria que ela sentisse timidez. Ele queria que ela se sentisse especial. Queria que ela se sentisse amada! Por isso, enquanto a beijava ia dizendo palavras bonitas em seu ouvido.

Fernanda se entregou às carícias de Samuel. Ele fez com que ela se sentisse especial. Nunca tinha sentido algo assim em toda sua vida!

O momento de paixão entre eles foi belo. Eles esqueceram tudo que os cercava. Todas as coisas ruins que haviam acontecido. Naquele momento era apenas ela e Samuel. O corpo dela mergulhou num turbilhão de emoções que jamais sentido.

Fernanda parou para encará-lo e viu paixão nos olhos dele. Ela o tocou em sua face com carinho. Ela contornou cada parte do seu rosto. Tantas vezes, o olhou às escondidas e ficou imaginando como seria tocá-lo.

Samuel sorriu para ela e a beijou. Ele a abraçou e a manteve entre seus braços durante a noite toda. Queria prolongar aquele momento especial. Ele ficou olhando-a enquanto ela dormia. Ele ajeitou o fio de cabelo que estava bagunçado. A feição dela parecia tão serena e Fernanda se moldava perfeitamente a ele. Samuel a abraçou mais forte entre seus braços e beijou-a na testa.

Sentimentos eram estranhos. Você não sabia como eles vinham e nem muito menos quando iam... Mas se dependesse dele, queria viver aqueles momentos todos os dias ao lado dela.

Notas finais
Mais um capitulo saindo...