Jornada Entre Mundos
1 Prólogo
Prólogo
Algumas coisas no mundo são o que são e jamais irão mudar, e algumas coisas são algo incompreensível para o ser humano, e isso é tratado como o sobrenatural, mas o sobrenatural é um termo errado para falar disso, pois sobrenatural se refere a aquilo que não vem da natureza e não é criado pelo homem, portanto a partir do momento que existe sem a intervenção do homem é algo natural.
E tudo aquilo que tratamos como “sobrenatural” causa medo ao homem, pois é algo que ele não compreende, e esse medo é o que o garoto sentia naquele momento, parado em frente a porta de sua casa, onde via a cabeça de seu pai suspensa ao ser segurada por uma mão reptiliana de cor acinzentada, a cabeça estava em um estado que o mais forte dos homens teria nojo apenas de observá-la, aonde deveria estar o olho esquerdo não havia nada, apenas um buraco encoberto de sangue, e no direito o olho estava balançando para fora preso por uma camada de carne, aonde era para estar o pescoço havia um osso exposto e sangue jorrando.
Aquela cena por si só estava deixando-o horrorizado, até que a cabeça, para qual ele olhava fixamente, caiu e saiu rolando escada abaixo, o que o fez olhar para cima e ver o ser que possuía aquela mão, um humanoide, sua pele, ou melhor escama, estava manchada de sangue vermelho, provavelmente produzido por sua última vítima, e em seu rosto via-se seus dentes afiados e seus olhos, olhos que olhavam o garoto como uma criança olha para seus doces favoritos, e ele soube instantaneamente que essa sua hora de morrer, mas não foi o que ocorreu.
A criatura se abaixou e começou a correr em sua direção, mas no mesmo momento uma lamina vermelha como sangue penetrou seu crânio vinda de cima para baixo fazendo jorrar sangue para todos os lados, o que o assustou de tal forma que fez com que caísse para trás e começasse a se arrastar, foi então que ele ouviu, uma voz vindo da parte de cima da escada, olhou para cima da escada então viu, uma garota segurando uma espada vermelha na cor de sangue e atrás de suas costas saiam um par de asas negras que ao invés de penas eram revestidas por uma membrana como as asas de um morcego, de sua cabeça saiam um par de chifres com uma tonalidade avermelhada e de sua cintura um rabo que se envolvia em seu corpo.
Seus olhos penetravam-no, eram olhos cobertos de sadismo, ela olhava-o com uma expressão de felicidade, e seu rosto todo manchado de sangue do reptiliano, aquilo aterrorizou o garoto, a única coisa que ele conseguia sentir era o mais puro medo.
O garoto sentia se perdido e com o mais puro medo ali parado frente a um provável demônio, com suas asas erguidas olhando em sua direção, até que ela ou melhor aquilo começou a se mover em sua direção, descendo lentamente as escadas, o garoto se desesperou e começou a gritar:
—Não por favor não, se afaste, se afaste.
Ela deu mais um passo, descendo mais um degrau, o garoto já no cumulo de seu desespero se levanta e começa a correr em direção a uma casa abandonada que se encontrava do outro lado da rua, vendo isso a mulher de asas de morcegos se desespera e corre atrás dele.
O garoto chegou em frente a porta da casa tentou abri-la mas percebeu que estava trancada, se desesperando ao ouvir os sons de passos atrás dele ele chutou a porta arrombando-a, ele entra correndo por um corredor um tanto quanto estreito e escuta atrás de si uma voz feminina falando:
—Por aí não seu pedaço de merda, isso só vai gerar mais problemas, escória humana.
Então ele vira na primeira porta e vê um guarda roupa aberto, ele corre em direção a ele com a intenção de se esconder para fugir da garota. Assim que ele passou pela porta, uma dor tremenda percorreu todo o seu corpo, fazendo com que ele emitisse um grito que percorreu toda a casa, quando o ser que o perseguia entra na sala em que ele estava e diz:
—Não, você não foi por aí, seu idiot...
A voz sumiu e tudo ficou escuro na visão do garoto. Sua mente estava ocupada tentando entender tudo aquilo que estava acontecendo, tudo aquele que ele não podia entender, até que sua mente se esvaziou, e como em um flash todos seus pensamentos morreram.
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