Jormungandr
1 A Grande Serpente de Midgard
Notas iniciais
— Animagi são bruxos e bruxas de grande poder e habilidade que, ao se submeter a um processo ritualístico bem estrito, conseguem tomar a forma de um animal… —
A voz de Albus Dumbledore, Professor de Transfiguração, se torna ruído de fundo para os ouvidos de Tom Riddle, que desfoca-se, isolando-se em sua própria cabeça.
Tom, sempre ansioso por mais conhecimento, tinha lido todos os livros sobre Animagi disponíveis na biblioteca da escola muito antes do tema ser abordado em sala de aula.
No começo, a ideia parecia-lhe bastante atraente (certamente útil), e Tom Riddle divagara sobre qual forma animal poderia tomar para si, se um dia decidisse dispor do tempo e da paciência necessários para se tornar um. Entretanto, se tornar um Animago é um processo intrincado, e se executado incorretamente, perigoso; até mesmo irreversível.
E existe, ainda, um grande porém: o bruxo não tem controle algum sobre os resultados do processo, isto é, não se pode escolher o seu eu animal (A varinha escolhe o bruxo, Sr. Riddle), e imagine o infortúnio de terminar como um bichinho insignificante, como um roedor ou um inseto! Ou pior: não conseguir retornar à sua forma original de bruxo!
Agora, se pudesse escolher…
Se pudesse escolher ser um animal, qualquer um, Tom Riddle escolheria ser uma cobra; mas não uma cobra qualquer, pequena e subserviente e amedrontada, não.
Tom escolheria ser uma serpente retirada dos mitos escandinavos, a mais grandiosa de todas: Jormungandr, Devoradora de Mundos, a Grande Serpente de Midgard.
Como a serpente mitológica, Tom Marvolo Riddle desejava tomar proporções lendárias, a ponto que deuses e homens temessem pronunciar o seu nome. Uma besta tenebrosa, venenosa e letal, cuja força e poder fossem inegáveis e inigualáveis; um ser terrível, que feitiço algum pudesse ferir, e que nem mesmo a morte ousasse assombrar.
— Sr. Riddle? Está prestando atenção?
Tom piscou, endireitando-se na cadeira.
Lá da frente, Albus Dumbledore o encarava por cima dos prateados óculos de meia-lua, espessas sobrancelhas rubras arqueadas, franzindo-se para ele, olhos azuis sérios.
Tom sentiu o rosto esquentar instantaneamente.
Não ajudava que, às suas costas, seus colegas de classe se desfizessem em risinhos e gracejos (o aluno modelo, pego sonhando acordado!).
— Desculpe, professor — disse, sorrindo enviesado. — Não vai acontecer de novo.
(E Tom Riddle nunca desejou tanto quanto naquele momento que seus dentes fossem presas grandes e afiadas e jorrassem veneno capaz de aniquilar um deus).
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