Joji You are my Sanctuary
11 Eu ainda te quero
Você acorda em sua cama, ainda meio sonolenta e desorientada. A luz do sol invade o quarto através das frestas das cortinas, revelando que é uma manhã ensolarada lá fora. A lembrança da noite anterior surge em sua mente, trazendo consigo uma mistura de emoções confusas. Enquanto você tenta se lembrar dos eventos da noite passada, a campainha toca, fazendo você estremecer levemente. Você se levanta, enrolada no cobertor, e caminha até a porta do seu apartamento. Ao olhar pelo olho mágico, seu coração dá um salto ao ver Joji parado ali, do outro lado.
Uma onda de surpresa e incerteza toma conta de você. Como ele descobriu onde você mora? E por que ele está aqui tão cedo? Pensamentos e questionamentos se atropelam em sua mente, enquanto você hesita em abrir a porta.
Você finalmente reúne coragem e abre a porta, revelando Joji em sua frente. Ele parece cansado e abatido, vestindo as mesmas roupas da noite anterior. Seus olhares se encontram, e você consegue ler uma mistura de emoções em seus olhos: arrependimento.
— Como descobriu onde eu moro?__Você pergunta, tentando entender como ele chegou até ali.
— Sofia me falou... Eu precisava falar com você.__Ele responde com a voz rouca.
Você sente uma mistura de curiosidade e apreensão. Por que ele teria vindo até sua casa? O que ele tem a dizer? Por um momento, você se perde em pensamentos, questionando seus próprios sentimentos por ele. A lembrança do quase beijo e do nome de Chloe em seus lábios ressoa em sua mente, trazendo uma pontada de tristeza.
Suspirando, você decide abrir espaço para Joji entrar em seu apartamento. Ele entra com uma expressão cansada, e você ainda consegue sentir o cheiro sutil de álcool em suas roupas, indicando que ele provavelmente está de ressaca.
— Vou fazer um café...__Você diz, indicando o caminho para a cozinha, enquanto Joji observa seu apartamento com curiosidade.
Por um momento, um silêncio desconfortável paira entre vocês, cada um perdido em seus próprios pensamentos. A situação é complicada, e você se pergunta o que ele tem a dizer. Enquanto prepara o café, você sente os olhos de Joji sobre você.
— Gostei do seu pijama.__Ele diz, dando um sorriso tímido enquanto observa você.
Você olha para baixo e percebe que está usando uma camiseta da PlummpCorp, aquela que comprou quando Joji começou a fazer vídeos para a empresa nova. Na noite anterior, você não estava prestando e pegou a primeira roupa que viu no guarda-roupa, mas agora se sente levemente constrangida por estar usando algo relacionado a ele.
— Ah, valeu...__Você responde sem olhar diretamente para ele, sentindo-se um pouco desconfortável.
Você serve uma xícara de café para Joji e se senta em frente a ele, na mesa. Ele bebe o café rapidamente, colocando a mão na cabeça como se estivesse sentindo dores de cabeça pela ressaca.
— Olha, sobre ontem...__Ele começa, olhando para você.
— Foi um erro....__Ele disse desviando o olhar do seu.
Você sente um aperto no peito ao ouvir as palavras de Joji. Aquela confirmação de que o que aconteceu foi realmente um erro que machuca profundamente. Por um momento, tudo ao seu redor parece embaçado, enquanto você luta para conter as lágrimas que ameaçam escapar.
— Sim... um erro...__Você responde, sua voz soando mais frágil do que o esperado.
O silêncio pesado toma conta do ambiente, enchendo-o de uma tensão palpável. Você tenta encontrar palavras para expressar o turbilhão de emoções que está sentindo, mas tudo parece travado em sua garganta. A imagem de Joji se afastando de você na noite anterior, chamando o nome de Chloe, ecoa em sua mente, aumentando ainda mais a dor. Enquanto você busca refúgio nas sombras de suas próprias emoções, Joji parece perdido em seus próprios pensamentos. Seu olhar está distante, como se ele estivesse lutando internamente para entender o que aconteceu e como lidar com isso. Você se pergunta se deveria dizer a ele como você se sente, se deveria revelar os sentimentos que estão pesando em seu coração. Mas o medo da rejeição e a incerteza do que isso poderia desencadear o mantêm calada. Talvez seja melhor guardar essas palavras para si mesma.
— Como está seu braço?__Joji pergunta com um olhar preocupado.
Você olha para o seu braço e percebe que a marca do aperto de Joji ainda está visível, mas já não dói mais como antes. Uma mistura de emoções se instala dentro de você ao ouvir a pergunta dele. Por um lado, você aprecia a preocupação dele, mas por outro, lembra-se de como ele apertou seu braço na noite anterior, um gesto que trouxe dor física e emocional.
— Está melhor, obrigada. __Você responde, tentando transmitir uma sensação de normalidade, apesar de tudo. — Já parou de doer.
Joji baixa a cabeça, parecendo envergonhado e arrependido. Você percebe que ele está lutando para encontrar as palavras certas, para expressar seus sentimentos e desculpar-se adequadamente. Ainda assim, é difícil ignorar o fato de que tentou te beijar e acabou te chamando pelo nome Chloe naquela noite.
— Sinto muito de verdade.__ele murmura, seus olhos encontrando os seus. — Eu não devia ter agido daquela forma. Foi um momento confuso e eu não estava pensando claramente.
Você o observa por um instante, tentando decifrar suas palavras e o significado por trás delas. A parte de você que se importa com ele, que ainda sente uma conexão especial, deseja acreditar nele e perdoá-lo. No entanto, a ferida causada pela sua ação ainda está fresca e é difícil deixá-la de lado completamente.
— Posso fumar aqui?__Ele pergunta, quebrando o silêncio que se estabeleceu.
— Sim, fique à vontade.__Você responde.
Joji caminha em direção à janela da sua sala, acende um cigarro e começa a fumar enquanto observa a rua movimentada de Brooklyn. Enquanto ele fuma, você aproveita o momento para se recompor emocionalmente. Você vai até o banheiro para lavar o rosto e arrumar o cabelo, tentando recuperar uma aparência mais apresentável. Ao voltar para a sala, você percebe que Joji ainda está lá, fumando pacificamente como se tudo estivesse bem. Talvez para ele, esse seja apenas um momento de pausa e reflexão, mas para você, é um lembrete constante da complicada situação em que se encontram. Você se senta no sofá, observando-o enquanto tenta organizar seus próprios pensamentos. A fumaça do cigarro paira no ar, criando uma atmosfera um tanto densa e melancólica. Enquanto o tempo passa, a fumaça do cigarro diminui gradualmente, enchendo o espaço com um cheiro amargo e persistente. Você se pergunta se o cheiro do cigarro também se impregnará em suas memórias desse momento conturbado.
— Porque você me puxou pra perto de você?__Você pergunta enquanto o observa-a.
Joji baixa o cigarro, encarando-o por um momento antes de responder.
— Eu... Eu não sei ao certo. Foi tudo tão confuso. Eu estava bêbado, você também, e... eu.__Joji coloca a mão na cabeça tentando encontrar as palavra certas.
— Você viu ela em mim?__Você reuni coragem pra perguntar isso, entretanto você se arrepende mas agora já era tarde.
Joji suspira antes de falar.
— Eu não posso negar que houve um momento em que vi traços dela em você. A forma como seu cabelo cai sobre o rosto, seu sorriso tímido... Parecia que ela estava ali, mesmo que por um breve instante...__Joji diz virando o rosto para evitar contato visual com você.
As palavras de Joji cortam como uma lâmina afiada, atingindo diretamente seu coração. Você sente uma mistura de tristeza e frustração, questionando-se se é possível superar esse sentimento ruim em seu coração.
— Entendo...__Você responde, tentando disfarçar a decepção em sua voz.
— Eu não sei... Foi tudo confuso. Eu estava embriagado, você também estava... Somos adultos, um homem e uma mulher — diz Joji, com um tom de desculpas em sua voz.
As palavras de Joji atingem você como uma ferida aberta. Uma mistura de raiva e decepção se acumula dentro de você. Como ele pode tratar esse assunto tão levianamente? Sua irritação aumenta à medida que você se aproxima dele, mostrando seu descontentamento.
— Então quer dizer que, se você estivesse em um relacionamento, trairia sua namorada só porque estava bêbado e viu uma mulher na sua frente? — você questiona Joji com um olhar de desafio, enquanto seus passos firmes ecoam pelo cômodo.
— Eu não faria isso, essa situação foi totalmente diferente. Por que você está complicando as coisas?__Diz Joji, com um tom de frustração, enquanto solta a fumaça do cigarro.
— Porque eu complico as coisas?__Você olha diretamente nos olhos de Joji, deixando sua irritação transparecer.— Talvez porque eu tenha sentimentos por você, Joji! Talvez porque tudo o que aconteceu naquela noite mexeu comigo de uma maneira que eu não esperava. E agora eu me vejo aqui, tentando entender o que isso significa e como lidar com esses sentimentos.
Joji parece surpreso com sua resposta e solta o cigarro, esmagando-o no cinzeiro.
— Sentimentos?__Ele murmura, quase para si mesmo. — Eu não sabia... Eu não tinha ideia de que você sentia algo assim.
Você se arrepende amargamente de ter expressado seus sentimentos daquela maneira. No calor do momento, a raiva e a frustração tomaram conta de você, levando-a a desabafar de forma impulsiva. Agora, olhando para Joji, você se sente envergonhada e exposta. Você tenta conter as lágrimas que começam a se formar em seus olhos. Não era assim que as coisas deveriam ter acontecido. Você não queria revelar seus sentimentos de uma maneira tão descontrolada.
Você observa o choque estampado no rosto de Joji e percebe que suas palavras o pegaram de surpresa. O silêncio paira no ar, enquanto você espera por sua resposta. Joji parece estar processando a revelação que acabou de ouvir. Depois de um breve momento de reflexão, Joji finalmente encontra palavras para expressar sua surpresa e perplexidade.
— Eu... eu sinto muito por não perceber. Nunca quis te machucar ou confundir as coisas.__Diz Joji se aproximando de você.
As palavras de Joji penetram em sua dor, mas você está se protegendo da possível decepção. Se afastando, você vira o rosto para evitar encará-lo diretamente.
— Por favor, apenas vá embora. Eu preciso de um tempo sozinha.__Você diz com a voz trêmula, lutando para controlar a emoção.
— Não, eu precisa entender que sentimentos são esses.__Disse Joji se aproximando de você.
Joji expressa seu desejo de conversar e permanece próximo a você, o que te deixa desconfortável. O aroma da mistura de álcool, café, cigarro e sua colônia envolvem o ar, deixando-a tonta, e você percebe que ama o cheiro dele. O coração dispara e uma mistura de sentimentos contraditórios toma conta de você. Por um lado, o desejo de afastar-se e preservar sua saúde mental, mas por outro lado, há uma parte de você que é atraída por sua presença e pelo cheiro que é tão caracteristicamente dele.
A situação se torna ainda mais desafiadora, pois a proximidade física e o cheiro familiar ativam memórias e sentimentos intensos. Você é transportado de volta aos momentos compartilhados, às risadas, às conversas profundas e à conexão emocional que experimentaram juntos.
No entanto, esse turbilhão de emoções se mistura com a raiva e a confusão que surgiram da revelação anterior. O conflito interno é avassalador, e você se sente dividido entre ceder à atração que sente por Joji e a necessidade de proteger-se.
Com uma voz trêmula, você expressa seu desconforto:
— Saia! Apenas vá embora!__Você grita com a voz cheia de frustração e mágoa. As lágrimas finalmente começam a cair livremente pelo seu rosto.
Joji arregalou os olhos e deu um passo para trás assim que ouviu seu grito ecoar pelo apartamento, ele obedece ao seu pedido. Ele se vira, sem olhar para trás, e sai do seu apartamento, deixando o seu cheiro para trás.
O silêncio agora preenche o ambiente, e você se encolhe em uma bola no chão, deixando as lágrimas fluírem livremente. As palavras que foram ditas não podem ser desfeitas, e você se sente arrependida por ter deixado suas emoções tomarem conta de você de maneira tão explosiva. Você se sente completamente sozinha em meio ao turbilhão de emoções que te consome. As lágrimas continuam a rolar pelo seu rosto, e você se sente impotente diante da situação. Aos poucos, sua respiração começa a se acalmar e você tenta recompor-se. Levanta-se do chão e caminha até o sofá, onde se senta, abraçando a si mesma em busca de conforto.
— Aqui estou eu, dividida em mil formas e dobras...
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