Johnson
1 Johnson
Notas iniciais
Angelina Johnson cresceu ouvindo historias sobre princesas em apuros e príncipes –que aparecia magicamente em sua vida –pronta para resgatá-la. Sua mãe costumava contar essas historias para ela dormir, contando sobre os perigos que as princesas se metiam e de quão corajosos eram os príncipes, que enfrentavam de tudo, para salvá-las. Com seus seis, sete anos, Angelina achava essas historias um máximo.
Aos nove anos, ela já não conseguia mais ver da mesma forma. Enquanto os garotos, da sua rua, brincavam com vassouras, exploravam o mundo ( a pequena floresta que cercava a vila), e imaginavam lutas contra dragões e Arpéus ,ela, e as outras garotas, brincavam de casinha, de fazer compras imaginarias e de esperar por um príncipe. Bancar a princesa indefesa a espera do tal príncipe de armadura reluzente, já não era tão legal assim.
Aos onze, em seu primeiro ano em Hogwatrs, ela viu as garotas mais velhas fazerem de tudo por um pouco de atenção dos rapazes. Viu meninas chorando, depois de terem seus corações partidos, e viu meninas sendo descartadas pelos seus “príncipes”. Aquela altura, Angelina conseguia perceber que aquela parte – a do choro, coração partido e da espera pelo improvável – as historias não mostravam.
Aos treze, quando consegui sua vaga no time, notou que o mundo não estava preparado para uma “princesa” que não precisava de um salvador. Muitos não aprovaram a participação de Angelina no time, mesmo ela sendo muito boa jogadora,esperando que ela desistisse. Eles queriam que ela ficasse nas arquibancadas, com o rosto pitado e gritando por um segundo de atenção de algum jogador. E mesmo depois de provar seu valor, havia aqueles idiotas –sempre havia –que diziam que ela jogava apenas pelos garotos.
Aos quinze, quando conseguiu seu primeiro namorado, Angelina percebeu que ter um príncipe talvez não tenha tantas vantagens assim. Edu Carmichael, corvinal, um garoto legal, com uma educação requintada, quase um príncipe real. Mas, havia aquelas desvantagens que assombravam Angelina. Do ponto de vista de Edu,Angelina devia ser mais “feminina”. Quadribol? Não, garotas não deviam jogar algo tão violento assim. Cerveja amanteigada? Garotas não deviam beber. Festas secretas? Não, boas garotas não quebram as regras. Nos dois meses de relacionamento, Angelina notou que talvez não houvesse nascido para ter um príncipe.
Aos dezessete, Angelina aceitou que, oficialmente, não havia nascido para ter um príncipe, talvez um escudeiro, mas não um príncipe. Estavam num tempo difícil em Hogwatrs, com a sapa rosa perseguindo os alunos e o ministério atrás de Dumbledore, Angelina tinha começado um relacionamento com Fred Weasley, e decidido participar da A.D, mas Fred tinha seu medo. Todos sabiam que era perigoso ir contra as regras da sapa, mas Angelina era uma garota determinada, ela estava disposta a correr o risco. Fred contestou, tentou impedi-la, mas no fim se rendeu. Fred entendeu que, se quisesse continuar com Angelina, precisaria estar ao seu lado e não a sua frente tentando protegê-la.
Entre os vinte, vinte e um, Angelina era uma guerreira bruxa disposta a enfrentar seus dragões em vez de esperar um príncipe. Mesmo com a revolta dos pais, por ela não ter um marido, ela conseguiu uma solida carreira no Quadribol, lutou por sua independência financeira e construiu seu futuro. Até quando a guerra chegou, ela lutou com bravura e coragem ao lado de seus amigos, ela não se escondeu e nem fugiu, já tinha adquirido sua própria armadura reluzente.
E depois, quando a calmaria chegou, Angelina ainda não estava pronta para ter um príncipe. Enquanto ninava Fred Weasley II, ela repensou em cada dragão que enfrentou, cada batalha e suor, e não conseguia imaginar nada diferente. E mesmo sendo mãe de duas crianças, tendo um marido e uma casa, ela ainda não estava pronta para deixar sua armadura de lado. Enquanto muitos criticavam sua escolha de trabalhar, em vez de cuidar da casa, ela seguia em frente, sendo sua própria princesa encantada.
George Weasley entendia que jamais seria seu príncipe, talvez seu escudeiro, mas príncipe? Não. Angelina Johnson não precisava de um príncipe encantado.
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