Johnny... O bom detetive

108 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 08: Lei da selva


— Essa direção é para a fábrica! — Surpreendeu-se Johnny.

— Claro, anta. Sou réu, mas ainda tenho sobrenome Foster. Não podia ir para a fazenda com a minha irmã lá. Ainda tenho poder na fábrica.

O carro parou na frente do portão. O segurança da guarita reconheceu Olavo, deixou-o entrar sem problema nenhum.

— Há quanto tempo eu não vinha para cá. Aposto que você também sente saudade desse lugar. Tem alguma lembrança boa daqui?

— Não, claro que não — Johnny ruborizou.

Eles pararam na frente da entrada. Sem nenhum pudor, Olavo puxou Francisco pelo braço e encostou o cano da arma em suas costas.

— Andando.

O recepcionista também reconheceu o seu antigo chefe e deixou passar. Foster assumiu que todos esses empregados que dão passagem livre foram ajudados por ele no passado. Era uma retribuição de favor.

O elevador subiu à área administrativa. Um segurança tentou impedi-los, mas foi alvejado na perna por Olavo. As pesdoas que trabalhavam no andar correram em pânico.

— Você é um maldito louco.

— Oh detetive. Não devia parecer fraco. Sei que o senhor já viu coisa pior. — Pegou a arma do segurança. — Vamos. Tenho pouco tempo.

A senha de acesso à sala presidencial mudou, obrigando Foster a arrombar com tiros.

— Senhor Foster. Estou aqui — disse um sujeito barbudo. Era o advogado. Johnny percebeu a sua mediocridade na própria vestimenta. O sujeito suava bastante, usava um paletó barato e uma gravata mal feita não combinando nada com nada, cheirava a perfume misturado com cigarro. Todos entraram na sala.

— Não temos muito tempo, senhor. — Avisou o segurança, olhando pela janela.

— Sei disso. Provavelmente o máximo de vinte minutos. O suficiente. Trouxe os documentos?

— Sim, seu Foster. — Respondeu o advogado.

Os trâmites para a transferência da herança estava para começar. Johnny não tinha muito o que fazer, exceto esperar alguém salvá-lo guiado pelo localizador instalado no seu relógio de pulso.

— Vamos começar. Onde estão as testemunhas?

— Johnny e eu. Meu segurança será o meu laranja enquanto Francisco passará a herança a ele.

...

Lucas foi barrado na frente da fábrica. De nenhuma maneira o segurança deixava entrar.

— O que faremos?

— Calma. Deve haver algum jeito de entrar sem ser por aqui.

Ele dirigiu por uma rua ao lado. Era estreita, porém sem carros para atrapalhar.

Durante o trajeto, a cerca de dez metros que circundava a fábrica mudou para um muro bem mais baixo. Havia uma mangueira com galhos baixos, perfeita para escalar.

Estacionou o veículo ao lado do tronco e usou o capô como plataforma para alcançar o galho.

— Sinto muito ao Rodrigo. É vida ou morte. Vem, Jacques.

— Não sei se posso, senhor Lucas. Tenho medo.

— Calma, meu bom velho. Eu sou forte.

Receoso, Jacques subiu no carro e alcançou o braço do alfa. Conseguiu subir no galho da árvore frondosa. Arrastaram-se pela extensão até finalmente passarem ao outro lado. Lucas deu um pulo bem alto, parando agachado.

— Vem. Eu te seguro.

— Sou um idoso e ômega. Meu corpo não é anormal como o seu. Não sei se sobrevivo de uma queda daqui.

— Vem logo. Eu te seguro.

O velho se atirou. Lucas segurou com bastante segurança.

— Viu.

— Obrigado, meu filho. Obrigado.

— De nada. Jacques, tu mais parece uma criança de colo que precisa ser cuidada. Eu gosto muito do senhor.

Jacques riu.

Enquanto isso, as viaturas policiais foram para a fábrica. Numa delas estava Renan, além de Rodrigo e Fredd.

— Como pude ser tão desatento! Espero que nada ruim aconteça.

Atrás Rodrigo lacrimejava numa mistura de tristeza e raiva. Fredd tentou dar ânimo ao namorado, mas nada no mundo tirava-o daquele estado depressivo.

— Sei como foi difícil para você. Não é qualquer dia em que percebemos que parte da nossa vida é uma mentira. — Disse Renan.

Mas o beta não quis conversar. Apenas chegar à fábrica e evitar a tragédia seria suficiente.

...

Olavo puxou Francisco pelo braço de uma maneira brusca, sentou-o na cadeira e colocou uma caneta em sua mão.

— Agora assina, velho.

Johnny suava frio. O segurança não tirava o olho dele, além do fato de estar com o bebê. Era certeza que morreria assim que Francisco assinar.

— E-espera. Não me deu garantia que sairemos ilesos disso.

— Assina.

— Não assino. Você vai nos matar se eu assinar.

Olavo apontou o cano da pistola na cabeça da criança. Aquilo fez o ômega tremer.

— Pela última vez. Assina.

Francisco começou a primeira letra do nome.
Dois tiros foram diparados.

Johnny observou Olavo ser alvejado no peito de maneira precisa. Não deu tempo de reação. Foster caiu de joelhos.

O mais impressionante foi a pessoa que atirou. Usava luvas pretas e uma pistola com silenciador. Apontou na cabeça de Olavo e atirou, espalhando um pouco de massa encefálica pelo carpete.

— Você? — indagou Johnny estupefato.

Os policiais continuaram pela rodovia.

Na viatura, Rodrigo ficou mais calmo. Sua vontade de chorar passou, sobrando apenas o sentimento de raiva por sentir-se traído.

Momentos antes na delegacia, Lucas ligara ao celular de Rodrigo para informar sobre a localização de Johnny. Nesse ínterim, o jovem beta ficou de queixo caído ao ver o retrato falado nas mãos do delegado.

— Essa pessoa comprou substâncias tóxicas. As mesmas encontradas nas duas vítimas. Sei que você está chocado, mas preciso que me fale se tem algum paradeiro dele.

— Ah não.

A pessoa misteriosa passou despercebido por todos. Ninguém notou a sua presença no caso. E pôde transformar a vida de muitos um inferno.

Fábrica Foster

O cadáver de Olavo se banhou no próprio sangue. No entanto, o que mais chamava a atenção de Johnny e Francisco era a pessoa.

— Você?

Por trás das luvas pretas... Jacques da Silveira. O mordomo foi responsável por matar Olavo a sangue frio.

— O plano saiu como combinamos. Vamos nos beneficiar com o dinheiro — disse o segurança.

— Obrigado pelo seu serviço — atirou no peito esquerdo do cúmplice. O segurança não entendeu a traição. Morreu.

— Espera. Jacques? O que tá fazendo aqui? — indagou Johnny.

O idoso colocou a arma sobre a mesa, acendeu um cigarro e revelou ser o verdadeiro assassino de Beatriz e Marion.