Johnny... O bom detetive

102 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 02: Morrendo pela boca


O impacto da péssima notícia da traição deixou Júlia enjoada e com a pressão baixa. Foi preciso a empregada trazer um pouco de sal para ela colocar debaixo da língua. Sentiu uma náusea diferente de todas que sentiu. Essa era uma vontade de vomitar não por uma comida estragada ou por estar grávida, mas uma vontade de colocar pra fora junto com a esperança que tinha de retomar o seu casamento. Bateu a tristeza. Traição era demais. Trair com a pior pessoa da sua vida era ainda mais ridículo.

— Sabe... a minha vontade é de pegar uma tesoura e enfiar no teu pescoço só pra esguichar teu sangue nesse piso. E não me importaria se eu fosse presa.

— Não quero me justificar. Quando nos separamos, eu me sentia sozinho...

— E por isso ficou saindo com a Bia ou qualquer mulher que via, não é?

— Não. Isso nunca. Sim, eu fiquei sozinho e senti uma tremenda solidão. Porém sempre fui fiel ao meu casamento. Só que o pior aconteceu. Um dia eu fiquei ébrio demais e uma mulher irreconhecível apareceu. Só no dia que ela morreu que eu soube que era aquela Bia. Não posso ser totalmente culpado.

— Você se encontrou com ela de novo?

— Não! Eu fui trabalhar no dia do crime. Ela me ajudou a caminhar, disfarçada com uma peruca. Simplesmente entrou no meu carro e me ameaçou. Ela fez fotos comigo na cama, desmaiado. Juro que eu não me lembro de nada. Eu estava completamente embriagado.

Mas as palavras de Hugo não convenceram a mulher. Sentia-se enojada, furiosa, entristecida. Logo quando pensava em voltar à mansão.

— Você tem que acreditar em mim.

— Não. Você era amante da sua nora. A mesma que eu vi você expulsando a pontapés.

— Não fomos amantes! Ouça o que eu digo. Foi apenas uma vez e comigo bêbado. Não tinha...

— O quê? Não teve culpa? E aí você a matou antes de a traição chegar a mim.

— Espera. Você acha mesmo que eu matei aquela mulher?

— Por quê? É o mais óbvio, não é? A Bia sempre nos fez mal até aquele dia e nunca morreu. Bastou apenas ela te chantagear pra ocorrer.

Hugo suspirou. Era difícil convencer Júlia.

— Eu não a matei!

— Não matou? E aonde você foi? Diz logo!

— Eu não posso dizer! Não posso revelar aonde fui. Por causa da chantagem dela eu tive que juntar 1 milhão de dólares. Isso é ilegal porque era dinheiro sem imposto. Tive que fazer para garantir que aquela víbora me deixasse em paz. Depois eu levei a maleta para casa, arrependendo-me de ter aceitado a chantagem. Mas eu nunca combinei com ela e nem nos encontramos mais. Eu me arrependi pois chantagista gosta do que faz e chantageia de novo. Por isso pensei melhor em não dar o dinheiro. Eu não conseguiria viver com paz mental sabendo que compactuei com aquela Bia. Por conta disso eu vim aqui contar tudo a você.

Ela se tremia. Não quis mais olhar na cara do marido. E o pior aconteceu.

— Quero o divórcio. Não dá mais. Não tem condições de continuarmos com isso sabendo que você transou com a mulher que foi o pior câncer na vida do meu filho. Nem imagino como Johnny reagiria se soubesse. Melhor resguardá-lo de uma notícia assim. Adeus, Hugo.

Ele não resistiu. Preferiu respeitar a vontade dela. Saiu do apartamento enquanto ela chorava no sofá.

...

Na manhã seguinte, Jacques voltou ao apartamento depois de passar na delegacia. O delegado Renan havia chamado para depor as pessoas próximas dos suspeitos. Foram inclusive Patrick, a secretária do grupo, a governanta da mansão, dona Zoraide e Cecília e pessoas que trabalhavam com Paulo. Nenhum depoimento revelou algo significativo.

— Fiquei um pouco assustado. Aqueles policiais eram assustadores.

Lucas riu. Estava abraçado com Johnny no sofá da sala enquanto assistiam a Netflix.

— Não se preocupe. Isso é praxe na polícia. Você respondeu direito?

— Sim, senhor Johnny.

Lucas foi até a cozinha para mostrar algo que ganhara de Hugo. Uma garrafa de vinho tinto de 70 anos. Ele queria celebrar acerca do seu filho.

— Eu quero.

— Você pode beber?

— Claro que posso. Estou grávido, não dirigindo.

Jacques lavava as louças quando Johnny apareceu por trás dele, pedindo para acompanhá-lo até o mercado a fim de comprarem morangos e outras frutas.

— A gente chega logo. Vamos, Jacques.

O moreno ficou sozinho até alguém tocar a campainha. Pensou ser Jacques que havia esquecido a chave, porém era outra pessoa.

— A senhora é...?

— Podemos conversar? Eu sou a mãe de Paulo Loyola, e você deve ser Lucas. Podemos conversar?

— Eu não sei o que a senhora e eu temos em comum. Não a conheço, não conheço o seu filho, encontramo-nos uma vez só e foi para me avisar da Bia. O seu filho fez de tudo para me separar do Johnny.

Ela pediu licença para entrar. Lucas ofereceu água ou suco. Marion preferiu tomar um pouco do vinho tinto que estava sobre a mesa de centro.

— Se não for incômodo...

— Claro que não. — Pegou uma taça e pôs a bebida. — Aqui.

— Obrigada. — Ela bebeu. — Uma delícia. Parece que você tem condição de comprar uma bebida da safra siciliana. Mas eu vim para outra coisa. Quero que se separe do Johnny e em troca eu te ofereço dez milhões de dólares para sair da vida dele. O que vai ser?

Lucas riu dela. A proposta era um absurdo. Pediu que ela fosse embora.

— Tudo bem, eu vou. Não esqueça que propostas assim não aparecem todos os dias.

Ela se preparou para sair quando parou no meio do caminho. Olhou para Lucas, apreensiva. Ficou desesperada ao sentir falta de ar. Cambaleante, caiu sobre o chão da sala.

Muito desesperado, Lucas tentou socorrê-la. Marion aos poucos foi perdendo a consciência.

Imediatamente ligou para o socorro e assim chamar uma ambulância. Escutou a mulher falar de maneira fraca que ele era assassino.

Minutos depois os socorristas chegaram e tentaram massagem cardíaca nela, porém era tarde demais. Marion morreu de um ataque cardíaco fulminante.