Johnny... O bom detetive

101 Parte Final: Um omegaverso qualquer // Capítulo 01: Suspeitos


— A perícia constatou que a vítima morreu de overdose de medicamentos. Ao lado do corpo foram achados a bolsa, dentro dela um revólver carregado, dinheiro e a identidade dela. Também foi encontrado uma seringa.

O delegado Renan Breno resumiu o caso para os seus subordinados.

— Mas não encontramos celular perto da vítima. Ou ela andava por aí sem celular ou o assassino levou. Digo assassino porque uma pessoa comum não vai injetar droga no pescoço. O objetivo dela era provavelmente ameaçar o detetive Zawaski e o seu namorado.

O policial civil levantou a mão. Perguntou se havia uma relação entre ela e Johnny.

— Os dois já foram casados. Descobrimos que terminaram o matrimônio de uma maneira... litigiosa. Enfim, trabalharemos com a hipótese do celular ter sido roubado pelo assassino. Isso quer dizer que a vítima provavelmente ligou ou recebeu uma ligação do criminoso. Mais alguma pergunta?

Os policiais que estavam na sala de conferência não se manifestaram. A reunião terminou.

Passou-se uma semana desde a morte de Beatriz. Todos os envolvidos com ela foram chamados para depor e todos não mostraram álibis que corroborassem a não participação do crime.

Johnny Zawaski. Disse que trabalhou na sua agência até as 17 horas. Normalmente fecha às 18. Segundo ele, a sua intenção era ir para casa, mas recebeu a ligação de um amigo. Mudou o caminho para se encontrar com o tal amigo que nunca foi à delegacia prestar depoimento e servir como àlibi.

Lucas Souza. O almoço da agência ocorreu entre 12:00 e 13:20. Ninguém do trabalho viu almoçando, restando Johnny como álibi. Passou a tarde toda fora. Ele disse que havia um problema familiar a se resolver. Não especificou.

Júlia Zawaski. Passou o dia todo fora de casa. Em seu depoimento, falou que precisava sair. Contou acerca da declaração de Paulo, e que Bia tinha intenções de matar Johnny. Foi atrás de um amigo advogado para esclarecer os próximos passos a fim de acusar a vítima. De fato o tal advogado serviu de álibi pela manhã, mas à tarde ela saiu outra vez. Desconversou e não mostrou um álibi confiável.

Marion Loyola. Disse que havia decidido sair para ver uns amigos. Nenhum deles confirmou. O delegado soube por meio de empregados do hotel Marina que tanto ela quanto Bia já foram vistas juntas. Marion falou que as duas se conheciam há muito tempo.

Paulo Loyola. O que respondeu menos perguntas. Disse sobre as ameaças da vítima, que avisou aos familiares de Johnny. À tarde falou que encontrara um amigo empresário, mas este nunca foi achado para servir de prova.

Hugo Zawaski. Era o principal suspeito. Com o advogado ao lado, confessou ter sido chantageado por ela no caso envolvendo as fotos comprometedoras. Respondeu subjetivamente as perguntas do delegado. Não mostrou provas da sua ida ao banco. Seu álibi também era fraco.

Pouco tempo depois, Renan foi até o seu gabinete falar com os principais canais de televisão local como TV Verdes Mares, afiliada da Globo, TV Cidade, afiliada da Record, TV Jangadeiro e TV Diário.

— E isso foi tudo. Esses são os seis suspeitos principais da morte de Ana Beatriz Lemos. Não temos certeza quem diz a verdade ou quem mente — Resumiu enquanto falava com a imprensa.

Os repórteres voltaram a fazer alguns questionamentos até que o tempo com a mídia acabou.

...

— Estou exausto. O dia de hoje foi o pior da minha vida — disse o delegado ao inspetor.

— E esses rascunhos em sua mão?

— São os pontos principais desse caso. Quer olhar?

Ele anotou tudo de uma forma simples e prática.

1 — A vítima morreu entre 19:00 e 19:30;

2 — A vítima foi achada no elevador, no subsolo do prédio onde o ex-marido mora com o atual companheiro;

3 — Provavelmente a vítima pensava em fazer algum mal ao ex ou a arma foi colocada para desviar a atenção da polícia;

4 — O assassino usou luvas para não deixar impressões digitais no local;

5 — A vítima morreu de overdose de uma mistura de medicamentos que estava dentro da seringa;

6 — Não há câmera no elevador;

7 — As câmeras do subsolo estão em manutenção. No dia do crime não funcionavam;

8 — Provavelmente ela levou celular, e o assassino roubou.

9 — Ela provavelmente ligou para o assassino ou recebeu a ligação dele perto do seu assassinato;

10 — Cada suspeito teve algum tipo de relação conflituosa com a vítima antes do dia da sua morte.

— Ainda não está completo. Falta entendermos muitas outras coisas, além do exame de balística. Amanhã ouviremos as pessoas mais próximas do suspeito. — Concluiu o delegado.

...

A polícia civil proibiu a viagem de Paulo e a sua mãe de volta para o sudeste antes do fim da investigação. Isso deixou o CEO cada vez mais preocupado pois havia ligado para Bia pouco antes dela morrer.

— Eu não sei quem é mais burro. Seu pai por falir duas vezes ou você por ligar para ela antes da sua morte. O que você teve na sua cabeça, meu filho?

— Ah, mamãe. CALA A BOCA! Estou com dor de cabeça. Quer saber por que eu liguei pra ela? Eu liguei para atraí-la até um local e matá-la. Tava tudo esquematizado com um pistoleiro.

Marion ficou de queixo caído. Praticamente gritou com o filho.

— E você queria que eu fizesse o quê? Aquela piranha chantagista na nossa cola? Eu dei dinheiro, tentei dar garantias e não conquistei o Johnny. Você também não é santinha.

— Respeite-me!

— Sei muito bem aonde você foi naquele dia. Agora estamos presos nessa cidade de merda. Bando de paraibanos.

...

A campainha tocou. A empregada atendeu. Era Hugo.

— O que está fazendo aqui? — perguntou Júlia.

— Podemos conversar?

Sem entender a visita repentina do marido, ela o convidou para entrar. Hugo aparentava estar ansioso.

— Ouça-me. Eu conversei com a minha mãe sobre a possibilidade de voltar...

— Eu lhe traí.

Júlia sequer terminou de falar. Ouviu da boca do esposo que fora traída. Que a mulher que fora para cama com ele fora a Beatriz.