Johnny... O bom detetive

90 Parte 07: Zawaski // Capítulo 12: Armadilha de mãe e filho


Uma semana passou desde o desaparecimento de Hugo, cinco dias desde a ida de Lucas ao norte. A vida de Johnny não mudou muito e ele continuou a trabalhar na agência como de costume.

Entretanto, Paulo tornou-se obsessivo desde o rechaço do detetive. Ele não quis acreditar que um ômega fosse capaz de dar um fora. Era inconcebível. Por isso que dias depois ele esperou Johnny no estacionamento da agência, e todas as vezes não surgiu uma chance.

Alterado, bêbado, chegou no hotel e dormiu assim que entrou na suíte. No dia seguinte perdeu o horário de uma reunião no grupo. Uma ligação de Patrick pegou-o de surpresa.

— Senhor Loyola. A que horas o senhor virá para a reunião? Os acionistas estão esperando...

O paulista desligou na cara do secretário e voltou a dormir.

Algum tempo depois a campainha tocou. Ele saiu do banho com o roupão e foi atender.

— Mamãe?

— É a primeira vez que eu soube que perdeu um dia de trabalho — Marion entrou e colocou a bolsa sobre o sofá. — O assistente do morto entrou em contato comigo. O que houve?

O CEO suspirou e sentou na poltrona. Explicou sobre a sua bebedeira na noite anterior e os rechaços que teve de Johnny. Marion, que acabara de chegar de São Paulo, repreendeu o filho veementemente.

— Você é muito fraco, querido. Não posso me ausentar um dia sequer. Mais uma vez eu terei que consertar a sua vida.

— O que a senhora quer que eu faça? Simplesmente não posso obrigá-lo a ficar comigo.

Marion foi até o bar e preparou um martini. Pôs a azeitona dentro da bebida.

— Obrigar. Talvez não seja tão absurdo assim. Eu quero saber qual o nível do seu envolvimento com Bia Zawaski.

— Mamãe, o que planeja?

Tempo depois, Bia e Marion se encontraram num restaurante. A megera estava disposta a tudo para saber algo sobre o detetive.

— Quanto você quer para me dizer algo de relevante do seu ex? — Ela pegou o talão de cheque.

— Eu já tenho um acordo com o seu filho. Não preciso do seu dinheiro.

— É uma pena. Pensei que você fosse mais gananciosa. Era apenas uma simples informação.

Ela preencheu o cheque e mostrou o valor para Bia. Cerca de cem mil dólares por apenas uma informação para ajudar Paulo a conquistar Johnny.

— A senhora tem sorte de eu estar de bom humor.

— Quero que me conte agora algum podre para eu usar contra o tal Johnny.

...

Mais um dia de trabalho concluído. Selma deu boa noite ao chefe e foi embora de uber. Enquanto isso, Johnny foi buscar o seu carro quando viu Marion parada ali perto. Ele a viu pela primeira vez, não dando conta de que era a mãe do seu perseguidor.

— Perdão. Você é o Johnny?

— Sim.

— Marion Loyola. Sou mãe do Paulo. Vim aqui em nome do meu filho. Podemos conversar?

— Não, senhora. Escute. Não quero namorar o seu filho. Em hipótese alguma farei isso. Possuo meu próprio parceiro e não pretendo traí-lo. Agora pode me dar licença?

Ela saiu da frente, permitindo o rapaz entrar no carro.

— Oh, querido. Não teme pelo bem-estar do seu parceiro? Talvez o seu relacionamento não é tão saudável assim pois você esconde dele que está grávido e que quase abortou.

Johnny perguntou à megera como soube da informação. Sem rodeios, ela explicou que comprou a informação de Bia Zawaski, mentindo que Paulo não estava envolvido.

— Como a senhora pode se rebaixar tanto? Procurar uma bandida como aquela?

— Pela lei brasileira, aborto é crime. Portanto, você também é criminoso. Sou só uma mãe querendo o melhor para o seu filho.

— Faça o que quiser. Não tenho tempo para vocês.

— Mesmo que a vida do seu namorado esteja correndo risco? Soube que ele está no Amazonas investigando a queda do avião do Hugo. A minha sorte é que eu possuo contato com gente em Manaus.

Johnny saiu do carro. Ele avisou para ela não ameaçar ninguém da sua família e que ele era livre para prendê-la ali mesmo. No entanto, Marion não retrocedeu e pediu para ele se encontrar com Paulo ainda naquela noite.

— Você gravou a nossa conversa? Não. Portanto será inútil me acusar de algo. Apenas quero que tenha um jantar com o meu filho, hoje e no restaurante do hotel.

Ela foi embora. Johnny sequer respondeu à altura.

...

Por volta das 21 horas, Johnny entrou no hotel. Esbarrou com Patrick no lobby. Ambos eram amigos e fazia tempo que não conversavam.

O alfa apresentou um rapaz franzino, de pele bronzeada, brinco na orelha e usando uma camisa floral. Era o seu parceiro ômega. Johnny conversou com o jovem e descobriu que era um surfista do Rio Grande do Norte.

— Acabamos de jantar. Vai se encontrar com alguém? — perguntou o secretário.

— Sim. Eu preciso ir agora, amigo. Depois a gente marca um jantar. Nós quatro.

— Certo. Boa noite, Johnny. Vamos, bebê.

O namorado de Patrick achou o detetive bastante abatido e perguntou o motivo. O secretário deduziu ser o desaparecimento do Hugo a causa disso.

— Vamos, bebê. Estou morrendo de vontade de chegar logo em casa — disse Patrick, abraçando o outro por trás.

No entanto, antes de voltarem ao carro, Patrick se lembrou de algo. Esqueceu um documento da herança de Johnny na sua mesa.

— É tão importante assim?

— Sim. Vou aproveitar que ele tá aí para entregar logo. Volto já.

Paulo esperou Johnny na mesa da parte superior do restaurante. Sem delongas, o detetive perguntou a motivação daquele encontro.

— Peço que tenha paciência.

— Você tem cinco minutos para falar o que tem para falar. Não tenho interesse ao seus joguinhos.

O garçom trouxe o melhor vinho e pôs nas taças que já estavam sobre a mesa. Loyola pediu a Johnny que ao menos bebesse.

— Dirige?

— Não, vim de táxi.

— Então qual é o problema? Vamos falar do nosso futuro relacionamento.

— Um futuro de merda, isso sim.

Segundos após beber o vinho, Johnny passou mal. A sua visão ficou turva e logo começou a sentir tontura.