Johnny... O bom detetive
93 Parte 07: Zawaski // Capítulo 15: Habeas Corpus
Após duas semanas de procura, as autoridades encontraram pedaços do avião por uma região de mil hectares de floresta. Entre eles estava Lucas.
O delegado de Manaus mostrou um mapa e citou que havia um rio sem nome que não estava nele. O moreno pediu para verem o rio, mas o delegado avisou que não estavam prontos para navegarem. Em 24 horas policiais chegariam com lanchas para subirem o tal rio.
Para não voltarem com as mãos abanando, decidiram armar algumas barracas ali próximo.
...
Sábado à noite, Johnny resolveu sair com os amigos que fez no caso Foster. Ridrigo e Fredd aguardavam na barraca de praia quando o detetive chegou.
O herdeiro de Nestor contou a Johnny que a fortuna destinada a seu irmão foi bloqueada e que ele ficou sem direito a herança. Porém, Olavo negociava para conseguir a fortuna e um habeas corpus.
— Tomara que aquele crápula morra na prisão.
— Tá mais pálido. Já contou ao Lucas que ele vai ser pai? — Johnny negou. — Para, velho. Coitado do Lucas. Aparentemente você não está sendo sincero.
— Não é fácil como pensei.
Uma mão apoiou-se por trás do ombro de Johnny. Ele olhou para trás e viu a delegada federal Geane Batista e o policial civil Daniel. Ela foi responsável por investigar a fábrica Foster e ele acompanhou os detetives durante a investigação do caso Nestor.
Era imprescindível aquela reunião de amigos, haja vista fora prometido esse reencontro. E foi aí que Zawaski revelou a sua gravidez aos outros. Todos concordaram ser uma pena o Lucas ainda não saber.
...
Presídio de Itaitinga
Dentro de uma cela, Olavo lia um livro enquanto mantinha-se deitado na cama. Por causa da sua formação universitária, ganhou a regalia de uma cela particular.
O carcereiro chegou na frente da cela e avisou que o juiz aceitou o pedido de habeas corpus. Ele estava temporariamente em liberdade. Olavo, claro, sorriu e fechou o livro na última página.
Fora da penitenciária, o seu advogado aguardava junto com o motorista. Explicou a Olavo que era para ele não sair da cidade, não se aproximar dos irmãos e Francisco e pelo menos uma vez na semana prestar contas ao juiz. Isso valeria até o seu julgamento.
— Outra coisa. A sua esposa está pedindo o divórcio.
— Marque uma reunião com a advogada dela. Concordarei em me divorciar sem litígio.
A fala de Foster deixou até mesmo o advogado sem palavras. Foi muita frieza da parte dele.
Numa casa de repouso, Francisco, sentado numa cadeira de balanço no jardim, amamentava o seu bebê com uma mamadeira. A enfermeira se aproximou dele e avisou que Olavo estava solto.
— Não pode ser.
Ele soltou a mamadeira e o bebê começou a chorar. Tremeu-se só em pensar no que Olavo seria capaz.
A enfermeira segurou o bebê enquanto o ômega sofria de uma crise de pânico. Voltou para o seu quarto repousar.
Um tempo depois, o ex-presidiário saiu do banho com o roupão. Uma tornozeleria eletrônica ficou em sua perna como forma de acordo com o juiz para deixá-lo em liberdade até o seu julgamento. Era rastreado e não poderia sair de Fortaleza.
Ligou para um número desconhecido. Seus contatos secretos eram do mundo do crime, de gângsters e afins.
— Quero que apure a vida particular de uma pessoa. Você ganhará bem se for eficiente.
Olavo terminou a ligação e em seguida ligou para uma agência funerária.
— Quero recomendar uma coroa de flores, por favor.
...
À noite, Hugo tomou a corajosa decisão de tomar o chá de ayahuasca. Segundo o xamã da tribo, a bebida conectava o ser humano com Deus e trazia à tona visões do passado. Aquilo foi ignorado pois até então ele não demonstrava interesse. Entretanto, após as histórias de Txana e ter visto um ômega dar à luz, resolveu enfrentar os seus temores.
— Chegou a minha vez de tomar coragem e saber quem eu sou. Se o chá for isso tudo como disse, eu poderei recuperar a memória.
— Tudo bem, amigo. Logo iniciaremos o ritual.
Txana presidiu o ritual na aldeia. Apenas varões podiam participar nessa noite tão peculiar. As mulheres preparavam as ervas e misturavam num caldeirão que ficava no meio da aldeia. Os homens batucavam e cantavam cânticos incompreensíveis para o forasteiro.
A esposa de Xingô arrumou o curativo da perna de Hugo e ajudou-o a se levantar. Com um tipo de muleta, ele foi até o local em que davam o chá em cabaças — objetos que serviam como copos e tinham o formato da metade de um coco.
O cacique entregou o chá para Hugo beber. Segundo ele, o chá trazia uma conexão com o divino, dava visões, melhorava a vida da pessoa e expelia o que havia de ruim no corpo. Hugo bebeu aos poucos. O gosto não era bom. Era como beber madeira ou terra.
— Vá com calma. Quando sentir que o efeito começou, beba mais um pouco. Aproveite e feche os olhos para melhorar a experiência. — Disse o cacique.
Em minutos, Hugo sentiu os primeiros sintomas do chá alucinógeno. Os seus ouvidos ficaram mais sensíveis e os batuques estrondavam os seus tímpanos. Logo sentou no chão um pouco zonzo. Os índios que participavam também sentiam efeito.
Ele viu o próprio cacique tomar e praticamente estar ileso com o efeito.
— Não se preocupe. Pode beber mais.
O xamã invocava os espíritos da floresta para ajudar a todos os participantes a encontrarem o melhor caminho nessa viagem astral. As palavras proferidas por ele deixaram Hugo desorientado.
— Yancy. Está na hora de se reencontrar consigo mesmo. Ache o seu verdadeiro eu.
— Acho que estou drogado...
Mas o xamã explicou que o ayahuasca não era para ser considerado uma droga feita por homens brancos, e sim um produto da natureza assim como os alimentos, a água, a medicina e os animais. Tudo que vinha da natureza era aproveitado pelos humanos. Um presente divino.
Hugo fechou os olhos. O sintoma ficou mais ativo. Viu passagens da sua vida pré-amnésia, inclusive uma menino familiar chorando no canto de uma parede.
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