Johnny... O bom detetive
91 Parte 07: Zawaski // Capítulo 13: A tríplice do mal
— Você se sente mal? — perguntou Paulo de maneira cínica.
— Você... você me drogou...?
Johnny aos poucos ficou tonto por causa da droga que havia na taça. O garçom percebeu algo de errado, tentou ajudar, porém Paulo decidiu levar o ômega para o banheiro masculino.
O detetive tentou de tudo para se desvencilhar, mas não conseguia ficar em pé. Logo foi carregado por Paulo.
Patrick saiu do elevador com a pasta com os documentos. Aproveitou para ir ao restaurante e entregar ao detetive. Perguntou para a recepcionista onde o homem havia se sentado. O garçom — que conhecia o secretário — avisou sobre o incidente com o Johnny poucos minutos.
— Onde ele está?
— No banheiro.
Minutos antes, Paulo levou o detetive ate o banheiro masculino e sentou-o sobre o vaso sanitário. Desabotoou a camisa social dele.
— Seu corpo é perfeito. Por que você não me escolhe, hein? Com as nossas fortunas, seremos uma família próspera e bastante rica.
Mas Johnny arranjou forças para cuspir no rosto do seu algoz. Aquilo irritou o CEO de um jeito que quis violá-lo ali mesmo.
Patrick e o garçom entraram no banheiro. Viram Paulo lavando as mãos enquanto mostrava Johnny desmaiado no vaso sanitário.
— O que houve?
— Tentei ajudá-lo a recobrar os sentidos, mas parece que ele desmaiou. Você pode ajudar o senhor Zawaski?
O secretário sequer esperou o empresário terminar de falar e verificou o ômega. Estava apenas desmaiado. Levou nos braços até o seu carro.
— Carinho, você sabe onde ele mora?
— Claro que sim. Por sorte não é muito longe daqui. — Colocou Johnny no banco traseiro.
Enquanto isso, Paulo ficou ansioso. Ligou para a sua mãe a fim de pedir conselho, mas ela sequer atendia as suas ligações. Sentiu ter ido longe demais.
...
Amanheceu. Johnny acordou com a sua mãe ao lado da sua cama. Levou um susto ao relembrar do que passou na noite anterior. Júlia pediu ao filho para se acalmar.
— Não levante tão abruptamente. Pode fazer mal ao bebê.
— Mamãe? O que houve?
— Não sei. Você passou mal e o Patrick te achou desmaiado no banheiro do restaurante.
A memória acerca do jantar com Paulo Loyola veio à tona. Ele começou a se tremer e a passar mal. Não se lembrou exatamente dos acontecimentos, mas apenas algumas lembranças que passou naquele banheiro.
— O que houve? Quer vomitar?
— Sim...
O ômega não aguentou e foi ao banheiro vomitar.
— Preciso confessar algo, mamãe.
— O quê?
Ele revelou tudo sobre a sua ida ao ginecologista e a tentativa de aborto, sobre a chantagem de Bia, a conversa que teve com Marion e o que passou no restaurante do hotel. Todas essas coisas passaram com o seu filho sem que ele pedisse ajuda.
— Estou enojada desse homem. Você precisa falar com Lucas sobre isso. Esse tal Paulo não pode ficar impune.
— Calma. Não quero prejudicar o trabalho do Lucas. Deixa ele focado na investigação. Eu preciso pensar num jeito de me livrar disso.
— Começando ao contar a verdade ao seu namorado. Filho, sabe como são os chantagistas. Eles não vão parar. Agora com a suposta morte do seu pai, esses ratos começarão a te cercar.
— Eu sei. Não penso pagar um real a mais para aquela pistoleira. Mas mesmo assim a sombra da Bia vai sempre me cercar. Mamãe, eu só vou ter sossego com ela morta.
— Certo, mas se acalme. — Ela pegou a bolsa e preçarou-se para sair. — Você ficará bem?
— O mordomo toma conta de mim. Aonde vai?
— Tirar satisfação com a Marion. Isso não pode ficar assim, meu filho.
...
Marion entrou na suíte do filho. Ele se arrumava para ir embora do Ceará. Sentiu ter passado dos limites e quase abusou de Johnny no banheiro. No entanto, a mulher pediu ao filho que ficasse no estado e continuasse com o plano de conquistar o herdeiro Zawaski.
— A senhora não me escutou? Eu não posso ficar aqui. Houve testemunhas de que eu estava naquele banheiro.
— Meu filho, pare de melodrama. Nem parece o filho que nasceu de mim. Esse medo é anormal para um Loyola.
— Não começa. Eu não tenho tempo para os seus sermões. Me envolver com os Zawaski foi pura perda de tempo.
— Ainda acho que você precisa ficar para conquistar o Johnny.
A campainha soou. Paulo perguntou quem apertava o botão, uma camareira respondeu. Assim que abriu a porta, viu Bia empurrar a camareira e entrar no apartamento.
— O que faz aqui? Quantas vezes eu já lhe disse para não voltar?
Ela pagou cem reais à camareira e logo sentou-se no sofá.
— Aonde vai?
— Não é do seu interesse. Pode sair?
— Você é muito chato.
— Escuta aqui, garota. Não vou mais cair no seu jogo. Cancelemos o nosso acordo. Pode dizer a quem quiser que nós fomos cúmplices. Hoje mesmo voltarei para São Paulo e esquecer que tudo isso passou.
Marion ficou apenas olhando.
— Vai fugir feito um rato. Uma pena. Eu tenho provas suficientes de que você drogou Johnny e abusou dele no banheiro do restaurante.
Paulo segurou Bia pelo braço e exigiu que ela contasse a verdade. Ela revelou que havia gravado a conversa dela com Marion e que logo depois seguiu Johnny até o hotel.
— Sabe, fiz parte da família dos donos do hotel. Consequentemente alguns funcionários do restaurante me conhecem. Apenas subornei um deles para que abrisse a boca e me contasse sobre o desmaio que Johnny sofreu no teu encontro. Segui os dois até o banheiro e me escondi ao lado da cabine em que vocês estavam. Depois Patrick e um garçom apareceram. Tudo gravado.
O homem pensou em dar uma bofetada em Bia, mas Marion pediu calma. Ela quis fazer um acordo.
— Tolinho. Não sabia que Johnny está grávido? — Mãe e filho ficaram surpressos. — O pai é o Lucas. Você acha que ainda tem chance?
O alfa se sentou depois da revelação de Bia.
— O que você quer? — perguntou Paulo.
— Um milhão de dólares até amanhã na minha conta. Em breve farei com que Johnny perca o seu filho, abrindo caminho para você conquistar ele.
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