Johnny... O bom detetive

87 Parte 07: Zawaski // Capítulo 09: Selvagem


Uma canoa passava pelo meio do rio quando o avião passou centenas de metros acima e caiu mais à frente. Nela havia duas pessoas, um homem e um menino. Eles remaram quase 1 quilômetro até chegarem perto do avião.

O adulto era um morador de uma aldeia local. Com o rosto pintado, era certo que se tratava de um índio.

O avião começou a afundar. Dentro da aeronave, o piloto, co-piloto e a aeromoça morreram com o impacto da queda. Hugo, porém, recebeu um impacto na cabeça e a perna esquerda fraturada. Aos poucos ele desmaiava enquanto a água subia de nível.

A criança pediu para o adulto olhar se havia um sobrevivente. Logo uma procura feita pelo índio começou. Ele conseguiu entrar no avião pelo vidro da frente na cabine, nadando até a parte traseira. Os corpos boiavam na água enquanto Hugo se afogava preso pelo cinto de segurança. Logo o índio cortou com a faca e puxou Zawaski para fora, salvando-o de uma morte por afogamento.

A mata era fechada naquele ponto do rio, mas os índios decidiram fazer uma fogueira com um isqueiro dado por um grupo de indigenistas que visitaram a aldeia. E enquanto tentavam acender a fogueira, Hugo estava deitado numa cama de folhas e tratado com um chá de plantas locais. Ele continuava inconsciente.

O índio adulto preparou uma espécie de cabana com galhos e folhas de palmeiras. Não era algo bem feito, mas ali era o local mais seguro contra a chuva, formigas e tarântulas.

— Papai, o que faremos com o homem branco?

— Ele tá sendo tratado com o chá de barbatimão. A perna dele tá quebrada e tem uma ferida na cabeça.

O menino se aproximou de Hugo e passou a mão em sua testa.

— Tá quente!

— Ele precisa ser forte. O remédio vai dar efeito. Pela manhã vai ficar melhor.

Os dois retiraram alguns peixes da canoa que haviam pescado no rio naquele dia. Fincaram em galhos e assaram na fogueira.

— Irapuã.

— Sim, papai?

— Se quiser dormir na barraca, pode ir. Eu ficarei aqui fora vigiando.

O menino entrou na barraca, deitando-se nas folhas. O homem observava Hugo enquanto descascava uma fruta.

...

Ainda em Fortaleza, à noite, Jacques terminou o serviço e retirou-se ao seu quarto. Johnny e Lucas aproveitaram para tomarem um bom banho juntos dentro da banheira.

Lucas prestou atenção na nuca do ômega e deu um beijo. Ainda não estava apto para mordê-lo pois selar alguém que sempre amou era uma atitude a ser feita depois do casamento.

— Pode esfregar minhas costas? Sinto uma tensão.

— Posso fazer uma pergunta? — Disse Lucas enquanto massageava as costas do detetive.

— Já fez. Desculpa, é brincadeira. Pergunte.

— Você pretende se casar outra vez?

Johnny se virou e olhou bem de perto o alfa. Sabia que o assunto era crucial para ambos.

— Eu pretendo aproveitar o meu tempo como divorciado. Depois eu penso em algo como matrimônio. Está interessado em pedir a minha mão?

Lucas não respondeu verbalmente, mas com um aceno positivo com a cabeça. Enfim, o ômega beijou o seu alfa e ambos iniciaram uma preliminar dentro da banheira.

O pênis do alfa endureceu ao máximo. Johnny sorriu e saiu dali.

— Odeio transar na água. Vamos para a cama. — Puxou Lucas pelo órgão genital rígido.

— E-espera. Não me puxa assim.

O ômega praticamente jogou o moreno e ficou por cima dele.

— Não era isso que você queria, Luquinhas? Não se faça de sonso. Você está louco para penetrar em mim o mais profundo possível.

Ao ouvir isso, Lucas ficou por cima de Johnny. Iniciou uma sessão de chupões em toda a pele branca do seu companheiro.

A noite era uma criança para o casal de detetives.

Enquanto isso, o carro de Bia parou em frente a um bar da periferia. Um rapaz moreno chamado Bira estava sentado à mesa quando o veículo buzinou.

— Você que é o Bira?

— Sou eu mesmo, madame. Quer comprar algum papelote?

— Vamos para outro lugar.

Ela estacionou o carro às margens de um lago. Retirou um envelope do porta-luvas e deu ao criminoso.

— Que isso? Dando grana de graça?

— A sua coleguinha prostituta me garantiu que você é eficiente. Nesse envelope tem dois mil adiantados.

— Se não é droga...

— Não é droga. Estou lhe oferecendo quatro mil para sequestrar uma pessoa. Adiantei dois mil. Após o sequestro eu te darei o resto.

O traficante aceitou na hora. Bia pediu para ambos trocarem números de telefone. Ele tinha que aguardar o dia exato para o crime.

...

No seu apartamento, Júlia lia um livro na cama quando a campainha tocou. Ela se levantou e foi atender. Reconheceu a voz de Patrick e abriu a porta. O secretário estava aturdido.

— O que foi, rapaz? Por que veio a essa hora?

— Senhora Zawaski, aconteceu algo estranho com o senhor Hugo.

— Diga o que houve?

— Ele viajou para a Colômbia à tarde e ainda não chegou no aeroporto de Bogotá. Ninguém viu o avião dele pousar na pista.

— Pode ser que houve um atraso ou fez escala em outro lugar. Já tentou ligar pra ele?

— Estranho que ele me ligou agora à noite e pediu para saber o número do celular do Johnny. Depois escutei um barulho muito forte e a ligação encerrou. Senhora, será que o avião caiu?

Aquelas palavras deixaram Júlia desesperada. Zoraide pediu calma a ela e a ajudou a sentar no sofá.

...

Irapuã dormiu tranquilamente dentro das folhas enquanto o seu pai vigiava Hugo se recuperar dos ferimentos. A perna fraturada ainda estava inchada, mas pouco menos do que antes.

Os insetos começaram a aparecer, sobretudo os mosquitos. A planta medicinal também era eficaz contra a malária. Ele pegou a seiva de uma árvore e passou em si, em Hugo e no seu filho como se fosse um repelente.

O empresário balbuciava algumas palavras desconexas enquanto o índio comia mais um peixe.

— O que disse?

— Sed...

O índio foi até a canoa pegar um tipo de garrafa feita de barro quando ouviu o som de uma onça-pintada.