Johnny... O bom detetive
86 Parte 07: Zawaski // Capítulo 08: Queda do orgulhoso Zawaski
A inesperada visita de Hugo pegou Lucas de surpresa de tal forma que ele sequer conseguia falar.
— Vai ficar parado aí, rapaz?
— Senhor Hugo, o Johnny não está. Mas entra. Ele logo voltará das compras.
O empresário observou o apartamento e perguntou o valor do imóvel. Lucas preferiu não revelar uma informação importante sem a presença do namorado. Sem a resposta que queria, o mais velho apenas se sentou no sofá.
— Quer alguma coisa?
— Tem uísque? Quero um dedo, por favor.
— Jacques, pode servir o senhor Hugo.
O mordomo deu a bebida ao homem. Este bebeu num gole e se levantou.
— Vamos falar sem falsidade, rapaz. Eu nunca aprovei a sua amizade com o meu filho, tampouco um namoro. Sempre que lhe vejo, vejo a figura desonesta do seu pai.
— Eu sempre me perguntei o motivo de te dar tanta raiva, senhor. Chegou até me mandar para a prisão. Sinceramente não perdoei o senhor pelo que fez, mas tento compreender o seu ponto de vista.
— Ótimo. Quanto você quer para sair da vida do meu filho? Posso assinar um cheque bem gordo agora só para te mandar para fora da vida dele.
A proposta estremeceu Lucas de um jeito que até mesmo Jacques sentiu. Era uma humilhação sem precedentes. O moreno se segurou ao máximo que podia para não perder a compostura.
— Não importa o quão poderoso o senhor seja. Eu nunca vou me desfazer do meu amor. Amo o seu filho desde a escola, e tive que esperar por anos para que finalmente pudesse tê-lo ao meu lado. Senhor Hugo, têm alguém nesse mundo que o senhor realmente ama? Alguém que está disposto a conquistar para dizer um "eu te amo" e acordar toda manhã ao lado dessa pessoa? O senhor me desculpe, mas eu não enxergo algo assim vindo de uma pessoa tão amargurada e egocêntrica como você. No final perderá tudo e morrerá sozinho. Não importa o quanto o senhor se ache perfeito, vai morrer um dia e será enterrado como qualquer outra pessoa. Se não está disposto a compreender o que eu digo, melhor sair daqui e poupar o Johnny de mais um aborrecimento.
Como uma espada, as palavras de Lucas atravessaram Hugo. Ele não teve reação ou resposta adequada. Apenas se foi sem dizer nada.
...
Enquanto isso, Johnny fazia as compras no supermercado mais próximo. Encheu pelo menos dois carrinhos com produtos. Aguardou na fila do caixa.
Uma bola de tênis bateu na perna dele. O menininho foi correndo para pegar o seu objeto. Logo um rapaz menor do que Johnny segurou a criança no braço. Soube-se que o rapaz era a mãe da criança e que criava-o só.
Conversa vai e vem, ambos se despediram. Johnny entrou no carro, retirando três comprimidos do porta-luvas. Tais comprimidos eram contraceptivos para o aborto que o ginecologista o dera no dia da visita. Segundo o médico, era para tomar um comprimido a cada três dias antes do procedimento. Tudo isso por baixo dos panos, sem avisar Lucas sobre tal procedimento.
— Droga — disse encostando a cabeça no volante.
Ao chegar em casa, eles guardaram todos os produtos comprados. Lucas preferiu não dizer sobre a visita de Hugo para não irritar o namorado.
— Estou exausto. Logo as nossas férias acabarão e voltaremos ao trabalho.
— É bom passar o tempo contigo em casa. Eu nunca tive isso. Nem com as minhas antigas namoradas.
Eles se beijaram e Johnny foi ao banheiro. Deixou a bolsa sobre a pia e foi para o box. Estava com a consciência pesada.
— É claro que não quero nada com o meu ex, Paulo. Não se preocupe. A conversa que eu tive com ele no restaurante foi puramente para falar sobre o nosso acordo. Portanto, não se preocupe. Johnny jamais voltaria comigo. — Desligou o celular.
Bia retirou da bolsa uma quantia de duzentos reais e pagou a uma garota de programa ômega.
— Vai embora e fale para o seu colega para entrar em contato comigo. Eu tenho um serviço e pago muito bem.
— Sim, senhora.
A intenção dela era justamente o seu ex-marido.
...
Algumas horas se passaram, o avião particular atravessava o estado do Pará. Era um jatinho de propriedade de Hugo.
O empresário conversava pelo telefone com Diógenes e Patrick simultaneamente. Era os preparativos para um grande empreendimento hoteleiro no litoral da Colômbia. A sorte era que Zawaski conhecia empresários do país e não recorreram ao caixa dois para firmarem o acordo.
— Ligo depois.
O seu último contato era com o assistente. Desabrochou a gravata enquanto era servido pela aeromoça.
Subiu a persiana da janela, vendo as nuvens escuras da noite. Olhar o vazio escuro era tudo o que ele tinha agora.
O senhor se preocupar comigo? De todas as pessoas do mundo é a que menos se importou. Seu jeito não combina comigo.
Eu deixei bem claro quando passei a viver sem o seu dinheiro.
Recuso a ficar na mesma casa que a pessoa que tratou tão mal o meu filho.
Mas isso não é motivo para odiar o Johnny a esse ponto. A história da sua família é trágica, mas não lhe dá o direito de tratar o seu próprio filho como se fosse o causador da sua tragédia.
Senhor Hugo, têm alguém nesse mundo que o senhor realmente ama? Alguém que está disposto a conquistar para dizer um "eu te amo" e acordar toda manhã ao lado dessa pessoa? O senhor me desculpe, mas eu não enxergo algo assim vindo de uma pessoa tão amargurada e egocêntrica como você. No final perderá tudo e morrerá sozinho.
— Tem razão. Sou o culpado.
Hugo pegou o telefone a fim de ligar para o seu secretário. Ele pediu ao homem para descobrir o número do celular de Johnny. Entrento, antes de completar a ligação, o avião sofreu um forte tremor.
O piloto pediu calma e para que colocasse o cinto. Havia um dano na fuselagem. Logo o piloto e o co-piloto fizeram uma aterrissagem de emergência num rio no meio da floresta amazônica.
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