Johnny... O bom detetive
77 Parte 06: Flashback // Capítulo 06: Dia M. M de morte
— Ma-matar o senhor Foster? O patrão ficou louco? É o seu pai!
— Silêncio. Mesmo aqui no estábulo precisamos ter cuidado.
— Mas... eu não entendo. Por que não matar o Francisco?
— Porque mesmo assim o velho não vai passar a presidência para o meu nome. Provavelmente ele vai perdoar o Rodrigo e devolver a proposta para ele. Meu pai me odeia. Ele e os seus escrúpulos atrapalham o andamento da fábrica. Está na hora de alguém mais jovem e com uma visão moderna suceder aquela cadeira. Preciso que encontre alguém para fazer o serviço.
— Aquele assassino que eu te indiquei não aceitou?
— Não. Aquele idiota do Sebastian está ocupado trabalhando para a facção. O que me resta são os seus contatos.
E assim Leandro procurou o seu primo e ex-miliciano para falar sobre a proposta. Fernando aceitou com as condiçãos de pagar 100 mil dólares e ajudar com as câmeras de segurança na área administrativa.
— Já faz alguns anos que eu sou supervisor do depósito de cargas. Posso fazer esse serviço muito bem, mas preciso da ajuda do seu Foster para facilitar a minha entrada à noite, apagar as filmagens na parte administrativa e tirar todos daquele local antes das 11 da noite. Esse é o horário que o chefe sai.
Leandro assentiu com as condições do primo.
— Espera. Há trabalhadores na parte da noite. Como vai fazer para passar despercebido por todos eles?
— Tolo. Eu vou pelo depósito de cargas. Lá há pouquíssima gente trabalhando. Há o alemão que trabalha como diretor e o meu amigo Kevin. O alemão eu nem me preocupo, mas o Kevin é bem observador. Fale com o seu Olavo para diminuir o expediente dele nesse dia.
— Certo. Então combinado.
Na quarta-feira, Francisco recebeu a última visita de Nestor sem adivinhar a tragédia. Era como um encontro de despedida em que o fazendeiro passou o dia quase todo no hotel. Lá eles comeram juntos, passearam pela cidade, conversaram sobre o filho e tiveram sexo, apesar da barriga do ômega.
...
Na quinta-feira, Nestor acordou cedo para o trabalho como normalmente fazia. Saiu por volta das 8:30, tomando o helicóptero. Enquanto ainda estava no ar, ligou para o seu advogado e o tabelião para marcar um almoço a fim de mudar a herança.
Às 13 horas, o presidente recebeu o advogado, as testemunhas e o tabelião para a mudança no documento de sucessão. Ficou acordado que 60% do seu dinheiro ficaria dividido entre os três filhos mais velhos. O resto, 40% da fortuna, seria dada a Francisco.
— Seus filhos sabem dessa mudança? — perguntou o advogado.
— Ainda não. Falarei com eles no final de semana. Enfim, pela lei eu tenho o direito de dar a metade do que é meu pra quem quiser.
A fortuna de Nestor era avaliada em 700 milhões de reais. Isso quer dizer que 420 será dividido entre os três e 280 ficará para Francisco e o filho.
— Nós iremos para Guaramiranga e falaremos com o senhor Francisco.
Nestor agradeceu aos dois e avisou ao amante sobre a sua decisão.
Eram 17:50. Nestor passou a tarde em Sobral para um congresso com agricultores cearenses. Retornou à fazenda e às 18:20 saiu à fábrica. Precisava trabalhar à noite.
Nesse meio tempo, o expediente de Fernando terminava. Logo o seu amigo, Kevin Aguiar, lhe sucedeu na supervisão.
— Senhor Aguiar, venha aqui.
— Sim, senhor Olavo.
— Hoje pode sair mais cedo do trabalho. Antes das onze.
— Isso é metade do meu expediente. Por que me manda sair cedo?
— Calma, homem. Você não será punido quanto a isso. Fecharei o depósito de cargas por algumas horas da madrugada para um conserto e preciso que vá embora. Algum problema?
— Não senhor!
O plano de Olavo dava certo. Ele pediu as gravações das câmeras de segurança apenas da área administrativa. O segurança foi muito bem pago para não perguntar ou falar nada. As câmeras foram apagadas. A exceção foram as outras da parte externa, de outras áreas e do depósito de cargas. Apagar tudo chamaria atenção demais.
— Nathália, já vai?
— Eu já. Posso ir de helicóptero?
— Claro. Só sairei lá pela meia-noite.
A filha foi a primeira a sair. Antes, porém, Olavo correu ao heliponto para pedir carona.
— Pensei que ia para a tua casa?
— Hoje vou dormir na fazenda.
Os mais velhos entraram na aeronave. Olavo sentiu que a sua vida mudará no dia seguinte. Sequer se depediu do seu pai.
...
22:15
O único que continuou na fábrica foi Rodrigo. O motivo era o seu namorado diretor. Ambos saíam quase doze horas da noite. Desceu ao depósito de cargas e o viu trabalhar demais, não dava para namorar. Assim teve uma ideia.
— Você!
— Senhor Rodrigo?
— Kevin, não é? Pois bem. Onde está o Henkel?
— No banheiro. Quer que eu o chame?
— Não. Por que não usa o colete?
— Vou sair mais cedo. O senhor Olavo ordenou que saísse pois haverá uma reforma aqui.
— Meu querido, infelizmente você não sairá cedo. Ninguém foi notificado dessa decisão. Olavo não pode mudar o horário de trabalho das pessoas a seu belprazer.
— Isso quer dizer que...
— Que volte ao trabalho.
Kevin não ficou totalmente triste pois era só um dia. Achou estranho o que Olavo disse horas antes.
22:40
Um carro preto estilo sedan entrou na fábrica. O vigia permitiu a entrada pois havia conhecido Fernando. Este parou o veículo no estacionamento perto do depósito, colocou a balaclava preta, saiu carregando uma mochila.
— Papai? Já vem?
— Vou ficar só mais alguns minutos e depois acabo.
Rodrigo foi o último a sair do escritório. Desceu ao depósito de cargas, segurou Fredd pelo braço e levou-o para dentro de um banheiro. Lá ambos fizeram sexo.
O supervisor ficou com o trabalho de Fredd. Conversava com alguém pelo celular e com dois trabalhadores quando viu uma pessoa subir a escada. Achou semelhante a Fernando pois a roupa preta era bastante idêntica com a que usou alguns dias antes.
— O que houve?
— Nada. Ele tá indo lá pra cima.
— Quem?
— Esquece. Acho que vi coisas.
CONTINUA
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