Johnny... O bom detetive

68 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 23: Execução


A informação com o nome do hospital e o endereço apareceu no celular de Johnny. Lucas viu a mensagem e relatou ao seu namorado.

— Vamos rezar para aqueles dois ainda estejam na cidade. Será um golpe de sorte se isso acontecer. O que foi? Diz logo.

— Sabemos que Olavo é um bandido que foi capaz de encomendar a morte do próprio pai. Por que deixou escapar dois empregados tão facilmente?

As palavras de Lucas perturbaram a consciência do detetive. A chegada da pessoa suspeita em Fortaleza e a imprensa divulgando tudo em primeira mão poderia ser o estopim para o fazendeiro mudar drasticamente de atitude. Era certo que o desespero bateu à porta de Olavo.

— Preciso agilizar. Chegaremos em Brejo Santo no final da tarde ou à noite.

— Entendo. E o Rodrigo? Como será a sua reação?

— Não sei, Lucas.

Pela graça do seu poder aquisitivo, Johnny passou o seu cartão preto nos locais onde parou. Foram postos de combustíveis, restaurante e lojas de conveniência. Horas na estrada, a viagem continuou tranquila até começar a cair as primeiras gotículas de água. Em minutos uma forte chuva caiu à tarde.

— Quem pensaria numa chuva surpresa. Melhor ter cuidado na estrada.

— Não se preocupe com isso, Lucas. Está comigo é estar com Deus. O que mais me incomoda é essa cidade...

— Brejo Santo.

— Ser tão longe. Que fim de mundo. Numa hora dessa a polícia já fez o seu trabalho.

Duas viaturas policiais pararam na frente da entrada do hospital. Os homens entraram, perguntaram sobre os dois homens. Entretanto, a moça da recepção negou ter tais pessoas hospitalizadas. Insistiram, e ela levou-os para vê-los.

O celular de Johnny tocou. Lucas atendeu, era o delegado.

— O que ele falou?

— A cidade não é Brejo Santo.

— Espera. Não me diga que estamos indo ao local errado? E quanto a informação do ônibus que parou por causa do ômega?

— Parece que o ômega não era o Francisco. Havia outro que, coincidentemente, pegou o ônibus.

— Foi tudo em vão?

— Não. Parece que outro ônibus saiu da rodoviária, pegou a BR por volta das 18:20 com destino também para BH, da mesma empresa Metrópolis. A coincidência não para. Esse ônibus parou por causa de uma ocorrência médica envolvendo um ômega dando à luz. Dessa vez havia alguns outros ômegas.

— Qual foi a cidade?

— Jati.

— Mais longe ainda. Isso é quase na divisa entre o Ceará e Pernambuco. O delegado entrou em contato com a polícia local?

— Ainda não. Parece que não teve nenhuma resposta. Isso que dá tentar alguma comunicação no fim do mundo.

O carro continuou pela estrada mesmo debaixo da chuva. O sol começou a se por, a noite iniciava. O veículo continuou na rodovia.

— Bocejando, Johnny? Melhor trocarmos de posição. Não quero terminar a minha vida no asfalto da rodovia federal.

— Ainda tenho muito pano pra manga, amigo.

O hospital de Jati era simples, mas agradável. Um prédio com três andares, localizado no centro da cidade.

À medida que o sol se punha, as pessoas se preparavam para voltar às suas casas. A vida pacata do interior era simples e ingênua.

Um carro sedan preto parou quarteirões de distância do hospital. Dele saiu um homem vestindo um jaleco e usando óculos de grau. Segurava uma pasta executiva preta.

Enquanto isso, Francisco segurou pela primeira vez o seu filho depois de 48 horas após o parto.

— Vai aonde?

— Eu vou lá em baixo fumar e comprar algo na máquina de refrigerantes.

Leandro deixou-o sozinho no quarto e saiu.

O carro passou com tudo pela cidade de Brejo Santo. Tanto Johnny quanto Lucas estavam há poucos quilômetros do destino.

...

Na frente do hospital, um segurança pediu a identificação do suposto médico. Deixou-o passar.

Funcionários e pacientes sequer desconfiavam do perigo iminente. Sebastian usou o banheiro masculino antes de iniciar qualquer movimento. Sentado em um vaso sanitário, ele retirou uma submetralhadora de dentro da bolsa, montou a arma e pôs o silenciador. Além dessa arma, ele também portava uma pistola com silenciador. Colocou a submetralhadora presa nas costas, sob o jaleco, e a pistola num coldre perto do seu peito esquerdo. Saiu.

— Por gentileza, sou o doutor Gabriel. Médico da família de Francisco Lulia. Posso saber onde ele está? — perguntou à recepcionista.

— Só um momento. Pode me dar a sua identificação, senhor?

— É claro.

— Ele está no terceiro andar. Pode me dar um momento para falar com a médica responsável?

Ela pegou o telefone. Por alguns segundos distanciou seu olhar do homem. Perdeu-o de vista.

O assassino caminhou pelo corredor do hospital. Não havia muitos pacientes, haja vista Jati era uma cidadezinha com pouco mais de oito mil habitantes e poucas ocorrências médicas.

Leandro passou pelo assassino sem desconfiar.

— Com licença — Sebastian bateu na porta do quarto em que os vídeos das câmeras de vigilância eram gravados. Um homem abriu a porta. — Boa noite. Por gentileza, eu perdi o meu celular em algum lugar desse hospital. Posso ver as gravações?

— É claro, doutor.

Finalmente Johnny e Lucas chegaram na cidade. Foram uns 500 quilômetros rodando na estrada.

— Que lugar é esse? Parece que estou em outro planeta.

— Calma, Lucas. Precisamos encontrar algum morador e perguntarmos a localização do hospital.

A cidade era basicamente formada por casas. Havia um arco branco de concreto, uma igreja e uma pracinha no centro. Eles pararam o carro bem no centro e perguntaram acerca do hospital. Uma mulher indicou o local.

— Não vi até agora uma viatura da polícia militar. Isso não é bom. Talvez a gente dependa só de nós mesmos — Falou Johnny enquanto procurava a rua do hospital.

Sebastian saiu da sala, fechando a porta atrás de si. Dentro, o homem morto com um lápis enfiado na garganta.

O segurança perguntou a uma enfermeira sobre o tal médico, mas ela negou ter visto alguém assim. Ele entrou e foi procurá-lo.

Ao sair do banheiro, Sebastian deu de cara com o segurança. Prevendo que o homem descobrira o seu disfarce, encostou o cano da pistola no abdome dele e atirou.