Johnny... O bom detetive

60 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 15: Amante conhecido


O movimento genial do detetive pegou o anfitrião de surpresa. Nilo sequer imaginou que o veneno do peixe serviria como a sua punição. Segurou a taça com o líquido, suou frio e engoliu em seco. Observou o rosto contente do seu adversário.

— Por que você acha que eu beberia veneno? Ficou louco?

— Vai ter que pagar a punição. Se não fizer, será dado como desistente e a vitória será minha.

O ômega dominante sorriu, jogando a taça com o veneno no chão. Segurou Johnny pela gravata.

— Não me faça rir, queridinho. Quem você pensa que é? Já disse que eu sou o dono do clube, portanto quem faz as regras sou eu. Não aceito perder aqui.

— Vai descumprir as regras, senhor Maldonado? Era para pagar o castigo antes. Sinto muito, mas não vou assinar nenhum documento.

— Não vai? E se eu torturar todos vocês? O que me diz?

Johnny tirou a mão do baixinho de sua gravata, jogou um pequeno microfone de dentro do paletó. Avisou que uma pessoa fora do clube escutou e gravou todo o áudio desde o início.

Dentro do carro, Gileade se surpreendeu ao ser revelado pelo amigo. Desde que as pessoas saíram da boate, o movimento na praia ficou conturbado. Preferiu sair dali antes da polícia aparecer com mais frequência, ficando numa outra rua menos movimentada, dentro do seu carro.

— Esse filho da mãe tem sorte por ser rico. Que sono.

Ele havia gravado o áudio no notebook que estava no assento ao lado.

— Essa pessoa é uma amiga minha que é hacker. Gravou tudo o que falamos desde o nosso primeiro encontro. Se algo acontecer conosco, ele deixará o áudio no lugar certo. Creio que será impossível permanecer esse clube aberto mesmo com os poderosos que te defendem. Eles também cairiam.

— Muito inteligente da sua parte, detetive. Nem em meus sonhos adivinharia que estaria preparado para esse tipo de situação. Mas vou logo avisando que não tenho medo das suas ameaças, portanto nada disso me afeta.

O loiro gargalhou. Puxou o detetive novamente pela gravata, dando-lhe um beijo na boca. Em seguida, pediu para Régis preparar o último tiro.

— Espera! O que está fazendo?

— Provando para ti que nem mesmo você consegue me parar. Atire!

O secretário mirou na cabeça de Lucas e puxou o gatilho. Não houve estrondo, nada. Nilo explicou que não havia bala no último tiro, e que seu intuito não era matar ninguém desde o princípio. Ordenou os seguranças a soltarem todos.

— Levem o rapaz ao meu quarto e tratem as feridas dele. Voltaremos ao andar de baixo.

Ficou decidido que Johnny venceu o jogo por desistência do anfitrião. Desceram ao escritório.

— Lucas...

— Não se preocupe, senhor Johnny. Ele será bem tratado por Régis. Quero que o senhor se sente aí e me ouça.

— Finalmente vai falar sobre Nestor Foster?

— Sim. — Nilo olhou o movimento fora do clube. — Nunca pensei que esse dia chegaria

— Nestor Foster era uma pessoa frequente aqui? Pergunto pois não o conheci pessoalmente por motivos óbvios.

— Sim, o senhor Foster era um cliente costumaz do clube. Conheci ele quando o meu pai ainda era o proprietário em 2005. Lembro-me de estar trabalhando com papai aqui no escritório quando ele apareceu. Aparentemente eram colegas de longa data. Chegou ansioso, parecia ter algum problema. Logo soube que a esposa dele morreu em um acidente.

— Então aquele papelzinho com o nome BBV, o cep da rua e o número era de quatorze anos atrás. Ele devia ter esquecido dentro daquela lista. Isso foi sorte eu ter achado.

— Antes a frequência dele era moderada. Entre 2005 e 2008 ele aparecia uma vez por mês. Mas, por volta de 2009, começou a aparecer uma vez por semana. Não tardou muito ele aparecer todos os dias. Descobri que ele se apaixonou por um prostituto nosso. Nessa época meu pai viajou para Macau a fim de abrir um cassino por lá. Virei dono do clube, e na época o senhor Foster tratou de fazer negócios diretamente comigo. Até então nunca fiquei curioso para saber quem era o ômega que conquistou o coração daquele homem. No entanto, resolvi saber. Era um homem ômega com o nome artístico de Neil. Ele era o mais famoso prostituto do clube. Dançava no Boca de Veludo, era stripper, também trabalhava no cassino como acompanhante. Nestor me pediu para fazer de Neil o seu acompanhante exclusivo.

— Era uma pessoa que deve ter mexido o coração dele. De tantos prostitutos, apenas ele conquistou o agora defunto.

— Mas a parte boa da história é agora. Há sete anos um casal chegou aqui no clube pedindo para falar comigo. Um deles era um senhor de idade dizendo que era o irmão mais velho de Neil. Ele tinha um jeito sério. Neguei porque não quis problema com Nestor, mas soube que foi o próprio que concordou com essa decisão. Apartir desse dia, eu nunca mais vi Neil em minha vida. Não sei onde ele está, nem o que o senhor Foster fez com ele.

Johnny perguntou se Nilo sabia o nome dessa pessoa, haja vista apenas o nome verdadeiro era a chave para encontrar esse ômega que Foster era apaixonado. O loiro negou saber do nome. Então ligou para o secretário de recursos humanos no andar térreo e pediu para averiguar as pastas com os nomes dos ex-funcionários.

— Mesmo que sejamos um clube metade ilegal, guardamos o histórico de admissão dos empregados. Atualmente usamos o computador para isso, mas em 2005 usávamos papel à moda antiga. Vai demorar um pouco.

— Eu espero.

Um homem entrou no escritório com uma pasta na mão. Nilo agradeceu. Abriu, olhou os papéis até achar a foto e o nome do tal Neil.

No documento havia a foto do prostituto. Não parecia ser um jovem de 20 e poucos anos, e sim um homem mais velho. Seu rosto era familiar. Viu o nome.

— Que foi? — Perguntou Nilo ao vê-lo se levantar abruptamente.

— Neil era o nome de guerra de Francisco Lulia da Silveira. Eu conheço esse homem!