Johnny... O bom detetive

46 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 01: Mudanças


— Não fique tão felizinho com isso. Será por enquanto até eu achar um lugar para morar.

— Você pode morar aqui. Qual é o problema?

— Fala sério. Esse apartamento é um ovo de pequeno. Preciso de espaço para respirar.

Lucas ficou cabisbaixo.

— Claro que aqui vai ser pequeno para alguém que morou num duplex e os pais numa mansão.

— Bobinho. Eu sei que começamos um relacionamento e que a partir de agora vamos aproveitar cada momento. Mas, eu preciso resolver muitas coisas na minha vida antes de partir para um outro relacionamento sério. Tem a questão do divórcio, sobre onde vou morar, meu problema com o meu pai... É muita coisa. Depois que essa investigação terminar eu vou alugar um hotel. Você pode ir morar comigo.

— Desculpa por ser apressado. Não levei em conta os seus problemas pessoais. Se você me convida para morar contigo, eu vou.

Eles se beijaram e foram comer o café da manhã.

Por volta das dez da manhã, logo após o café, Johnny lembrou ter perdido o celular na fábrica. Entretanto, Lucas devolveu aparelho, alegando ter guardado e que entregaria por correio quando chegasse em Cuiabá.

— Ligando pra quem?

— Rodrigo. — Saiu da presença de Lucas.

...

Guaramiranga

Nathália trabalhava no gabinete da fazenda quando ouviu o som do helicóptero. Era Olavo chegando depois de passar mais de um dia desaparecido.

— Onde está o Leandro?

— Ele não apareceu hoje, senhor.

— Era só o que me faltava. Não posso me ausenta um pouco que essa fazenda vira um caos.

Ele entrou na casa, dando de cara com a sua esposa e irmã. Pediu para Jacques ajudá-lo, mas era o dia de folga dele.

— Essas mulheres inquisidoras. Estou com medo.

— Onde você estava? — perguntou a esposa.

— Num encontro de negócios. Precisei sair da cidade para me encontrar com agricultores no interior do estado. Não precisamos dessa cena, não é? Vou tomar um banho.

Nathália sorriu e consolou a cunhada.

— Pobrezinha.

Enquanto isso, Rodrigo mexia no seu notebook quando o celular tocou. Era o número de Johnny. Percebendo que Fredd estava tomando banho, atendeu.

— Até que enfim ligou para mim com o seu número. O que passou realmente contigo?

— Uma longa história. Posso falar com o teu namorado?

— Não, ele está no banho. Mas se o assunto é sobre o Francisco, pode falar comigo. Fredd me contou tudo.

— A gravaçáo foi um sucesso?

— Sim, eu ouvi perfeitamente.

— Maravilha. Uma outra coisa. Conhece essa sigla BBV? Quando procurei evidências no escritório do seu pai, achei um papel com essas letras e um número. Tenho uma vaga lembrança de ter visto isso em algum lugar.

— Agora não sei dizer. Pode ser tanta coisa. Tentarei dar uma olhada aqui.

...

Momentos depois, Johnny voltou para a cozinha. Lucas limpava o que sujaram.

— O que ele disse?

— Vai me ajudar a decifrar o que tem neste papel.

— Conseguiu preservar o papel? Meus parabéns.

— Quase perco. Bom, o Rodrigo me disse para não se preocupar em voltar. Agora é hora de testarmos a fidelidade daqueles dois.

— Então não voltaremos para a serra?

— Por enquanto não.

— Seu carro, suas roupas, notebook e a arma estão lá.

— Tudo vai ser devolvido. O Rodrigo vem dirigindo o carro dele e o Fredd o meu. Já dei o endereço daqui.

Johnny percebeu que Lucas estava ansioso por alguma coisa. Perguntou o que era.

— Como foi ontem?

— Quer que eu dê detalhes? Fiquei em cárcere privado pelo meu pai, briguei feio com ele, tentei fugir, descobrimos que Bia me traiu e dei uma cuspida na cara dele antes de ir te buscar no aeroporto. Foi isso.

— Sua mãe deve tá arrasada.

— Ela é mais forte do que aparenta ser. Foi contra o meu pai depois de tantos anos abaixando a cabeça para as loucuras dele. Não sei o que pode acontecer a partir de agora, espero que meu pai pague por tudo o que ele fez. Cada jogo de manipulação que ele fez custará bem caro.

— Não sei por que o seu pai me odeia. Nunca fiz algo errado para ele.

— Soube que ele tem um desentendimento com o teu pai. Quando ele se candidatou pra deputado a maior parte dos fundos veio do meu pai. Mas parece que o seu resolveu mudar de políticas e traiu o que ambos acordaram.

— Só por isso ele me odeia? Que culpa tenho eu se o meu pai foi um traíra?

Johnny parecia distante em seus pensamentos.

— Agora é que eu penso o quão longe a Bia foi para se casar comigo. A falta de escrúpulos dela veio desde o primeiro momento que eu a conheci. Eu tinha um namorado alfa na época da faculdade, peguei ele com outro ômega no alojamento do campus.

— Você já me disse dessa traição.

— E se não foi traição? Eu sequer dei a chance dele de se explicar. Penso agora que tudo foi armação dela pra ficar comigo. Penso agora que ela fará de tudo para nos separar.

Lucas abraçou Johnny por trás e jurou nunca traí-lo.

...

Mansão Zawaski

Depois de uma sexta-feira cansativa e com muitas emoções, Hugo Zawaski por fim dormiu sozinho em sua suíte. Pela primeira vez desde que se casou, dormiu sem uma companhia ao lado. Sentiu falta do calor da esposa, porém o seu orgulho falou mais alto, portanto tomou café sozinho na mesa como se nada ocorrera.

— A Júlia não vai descer? — perguntou para a empregada.

— Ela disse que vai tomar o café no quarto. Eu a chamo?

— Quanta teimosia dessa mulher. Já enfrentamos crises piores do que essa. Mas deixe-a. Logo ela esquece e volta ao normal.

Após o café, ele se arrumou para ir ao trabalho em pleno sábado. Escutou alguns barulhos pela casa, saiu da sala de jantar e viu o segurança levando uma mala para fora.

— O que é isso? Quem mandou carregar essa mala?

— A senhora Zawaski.

Ele subiu imediatamente e viu a esposa e a sogra mexendo no closet, guardando as peças de roupas nas malas.

— O que é isso, Júlia?

— Eu decidi me mudar. Vou sair de casa.