Johnny... O bom detetive

69 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 24: Ordem para matar


O tiro foi abafado pelo silenciador da arma. Sebastian pegou o segurança pelos braços e arrastou-o para dentro do banheiro antes do sangue se alastrar pelo chão.

A única pessoa que viu o assassinato foi Leandro. Ele aproveitou para fumar no jardim que ficava ao lado dos banheiros — havia uma parte externa do hospital onde havia plantas e alguns bancos. Saiu de trás de um arbusto, correndo para a escada que dava acesso aos andares superiores.

Sem ver a testemunha ocular, Sebastian saiu do banheiro imediatamente. A qualquer momento uma pessoa poderia entrar ali e fazer um escândalo. Caminhou pela escada de acesso.

O carro parou em frente ao hospital. Lucas olhou para o celular, que marcava 19:55. Foram horas na estrada.

— Nunca pensei em ver um prédio numa cidade como essa. — Johnny observou a frente do prédio. — Não há ninguém vigiando o local. Que estranho.

— Espera.

— O que foi?

— Estamos aqui para prender os dois? E se estiverem armados?

Johnny respondeu que não hesitaria usar a sua arma de fogo. Ambos caminharam para dentro do hospital. Havia um portão preto e a fachada do muro se parecia muito com uma escola.

No terceiro andar, Leandro apareceu aos tropeços. Um funcionário pediu para ele não correr no corredor, porém em vão. Abriu imediatamente a porta da sala, assustando Francisco.

— Saiu pra fumar e viu a dona morte de perto? — Francisco dava leite ao filho.

— Literalmente. — Puxou o ômega imediatamente.

— O que diabos está acontecendo? Não me puxa. Não posso correr.

Eles saíram da sala, procuraram outra porta. Entraram segundos antes de Sebastian aparecer no andar.

Na recepção, Johnny pediu para verificar as filmagens das câmeras de segurança. A moça da recepção saiu do lugar, levando-os para o quarto com os monitores. Assim que abriram a porta, viram o cadáver.

— Ligue para a polícia, moça! Tem algo errado, Lucas. Pensei que apenas os dois estavam aqui por casualidade, mas parece-me que há mais uma pessoa.

— O que vamos fazer?

Johnny carregou a sua pistola. Preparou-se para a ação.

No terceiro andar, Sebastian entrou nos quartos de todas as gestantes. Nenhum era o alvo, todas eram mulheres. Caminhou ao lado da incubadora, passando pelos bebês. Abriu cada porta possível até ser abordado pelo faxineiro.

— O chão tá escorregadio, doutor.

— Desculpa...

O homem deu uma leve escorregada. Uma faca de caça caiu no chão, assustando o faxineiro. Este tentou correr, mas foi alvejado nas costas.

— Bando de caipiras.

A médica responsável pelo parto de Francisco viu o homicídio quando estava para sair de uma sala. Ela imediatamente desceu para tentar chamar o reforço.

— Quem é? — perguntou o diretor do hospital ao escutar batidas na porta.

— Boa noite, doutor. — Sebastian estava sem o jaleco, com a sua roupa preta furtiva. — Pode ficar sossegado. Você me é útil.

— O que quer de mim?

Os olhos sem alma de Sebastian miraram o doutor. Respondeu que o intuito era saber onde Francisco Lulia estava internado. O médico usou o seu computador para ver os nomes dos pacientes. Ele respondeu que Lulia estava numa sala específica, porém Sebastian negou tê-lo encontrado lá.

— Se não pode me ajudar, então para que serve? — Atirou na cabeça dele.

Johnny escutou um barulho peculiar. Estavam no segundo andar quando viram Francisco, Leandro e uma médica correrem. A mulher pedia para que todos entrassem nas salas.

— Francisco! Francisco, pare!

Johnny segurou no braço dele e se surpreendeu ao ver o bebê recém-nascido.

— Você está detido por ser cúmplice de Olavo Foster na morte do Nestor Foster.

Leandro tentou explicar a situação, mas Johnny puxava o braço de Francisco. Deram de cara com o assassino. Imediatamente Johnny atirou para fazer Sebastian se esconder atrás da parede da escada.

— Entra! — O detetive chutou uma porta e todos entraram.

Sebastian usou a submetralhadora e atirou por todo o corredor.

— Uma submachine gun com silenciador. Deve ser de fabricação americana e semiautomática. Esse cara é profissional.

— O que faremos, Johnny? — perguntou Lucas. Eles estavam na despensa.

— Continuem aqui. Tentarei ganhar tempo.

Johnny atirou contra o assassino sem olhar para o alvo. Sebastian se escondeu atrás de uma lixeira de concreto.

Apenas uma viatura da polícia chegou com dois policiais militares. Pacientes e trabalhadores ficaram na frente do hospital.

Enquanto isso, Johnny pediu a arma de Lucas e atirou simultaneamente.

Os policiais subiram ao segundo andar, apontaram a arma contra o assassino e pediram para que ele parasse. Obviamente Sebastian se escondeu numa sala e jogou uma bomba de gás lacrimogênio na escada, atingindo os dois oficiais.

...

Fortaleza

Após o incidente com o Francisco e a sua fuga, Jacques deixou de trabalhar na fazenda para então servir exclusivamente a Rodrigo.

À noite, Fredderick era o único no apartamento. Jogava uma partida de game na sala quando viu o velho mordomo aparecer com duas xícaras na mão.

— Podemos conversar?

— Claro. — Parou o jogo por um momento.

— Conheço o jovem Rodrigo desde que nasceu e sei que é o único dos três filhos do doutor Nestor que sempre odiou aquela vida na fazenda.

— Por que o senhor fala comigo assim?

— Porque sei que é o único que ajuda aquele menino nas suas horas mais difíceis. Você é um poço de virtude, meu jovem. Não merecia ser acusado pela senhorita Nathália daquele jeito.

— Ela apenas se equivocou. Não guardo rancor.

Rodrigo entrou no apartamento e viu os dois conversando. O mordomo olhou de soslaio e voltou ao diálogo.

— Também peço desculpa pela atitude do seu Olavo. Foi ele quem armou contra você naquela história da arma com feromônios.

— Espera! O que você tá dizendo, Jacques?! — Indagou Rodrigo. — Eu ouvi tão claro como a água. Meu irmão foi quem armou aquela cilada pro Fredd?

O idoso assentiu.

— Você não devia ter feito isso comigo, Jacques! É essa a devoção que tem? Escondendo essa informação de mim e da polícia? Por culpa do Olavo, Fredd parou na cadeia. Sua omissão quase condenou um inocente.

— Calma — disse Fredd.

— Perdão, jovem Rodrigo. Eu contarei tudo o que eu sei. Por favor, preciso que se acalme.