Johnny... O bom detetive

52 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 07: Nilo Maldonado


Johnny colocou a máscara e a pulseira exclusiva dos acompanhantes. Subiu ao quarto andar pela escada sem chamar a atenção.

Abriu a porta, caminhou pelo corredor até aparecer diante de um segurança que guardava o elevador exclusivo do último andar.

— Ei, quem é você? O acesso aqui é restrito?

— Eu só tô... hic... procurando meu acompanhante... hic. Ele passô aqui?

— Merda. Tá completamente bêbado. Sai daqui — Johnny ameaçou abrir a calça e fazer xixi ali mesmo. — Pare já com isso!

O segurança não teve outra alternativa a não ser ajudá-lo a caminhar. Aproveitando da guarda baixa do homem, Johnny aplicou um ippon contra o mesmo, arrastou-o ao elevador e colocou a digital dele no painel. A porta abriu.

O último andar era como a sala principal de uma mansão. Praticamente um office hotel. Na frente do elevador uma sacada que dava para os quartos superiores. Duas escadas, à direita e esquerda, era o único meio de subir ali. No teto um lustre de cristal e uma coloração vermelha predominava o ambiente.

— Espere. Você deve ser o senhor Johnny Zawaski. Eu me chamo Régis, o secretário pessoal do proprietário do clube. — ele apareceu sobre a sacada. Régis era alto, branco, cabelo curto e preto, usava óculos de grau e terno preto.

— Esse lugar está mais silencioso do que deveria. Onde estão os seguranças?

— O proprietário pediu que todos descessem. Bom, ele está esperando por você. Siga-me.

Desconfiado, Johnny subiu pela eacada à sua direita, à esquerda de Régis, e acompanhou o secretário. O amplo corredor possuía menos portas do que o andar de baixo. O homem abriu uma porta dupla de madeira bastante elegante.

— Realmente essa pessoa gosta de ostentação. Tanta excentricidade pode ser considerado brega. A começar com a cor das paredes. Vermelho é uma cor que combina com a prostituição, não com decoração.

— Fique por mais um momento. O chefe está para vê-lo.

O gabinete era enorme. Havia uma estátua realista de um homem no meio. Sofás, poltronas, estante com livros, uma piscina na varanda.
Régis fechou a porta por trás do detetive.

— Que pessoa mais bizarra. Isso não parece um gabinete de negócios.

— É claro que não. — Johnny olhou para a penumbra no canto. — Sou dono de um estabelecimento à parte da lei. O "normal" não existe no meu vocabulário.

A pessoa se levantou da poltrona no canto, caminhando vagarosamente.

— Pode tirar o disfarce, detetive. Sei muito bem quem você é. Só não faço ideia o que veio fazer no meu clube. Enfim, prazer conhecê-lo pessoalmente. Eu me chamo Nilo Maldonado.

Nilo era um homem excêntrico. Com 1,60 de altura, esbanjava luxo com o seu terno branco sob um casaco de plumas vermelhas. Em suas mãos havia luvas pretas, combinando com a gravata, que deixavam à mostra seus dedos e suas unhas grandes e vermelhas. O rosto era andrógino, cabelos longos e loiros, seus lábios eram carnudos e olhos castanhos claros. Realmente uma pessoa extremamente bonita.

— Pensei que o proprietário fosse um homem mais comum. Pelo visto me enganei redondamente.

Nilo se sentou na cadeira presidencial.

— Todos quando me veem não acreditam que sou o dono disso aqui. E apesar da minha aparência ser jovial, faço 35 anos no mês que vem. Estou ficando velho. Enfim, não quer se sentar e aproveitar a conversa?

— Não vim aqui para bater papo, senhor Maldonado. Meu intuito é saber sobre Nestor Foster. Sou o encarregado direto na investigação sobre a morte dele, e achei a conexão dele com o seu clube. Quero respostas.

O proprietário se levantou da cadeira, aproximou-se de Johnny e passou as suas unhas em seu rosto.

— O que eu ganho em troca?

— A consciência limpa.

Nilo riu.

— Sem graça. Sabe, eu também sou ômega. Mas aceito fazer amor contigo em troca de informação.

— Não.

— Ai que chato. Magoei. — Ele apertou o botão do telefone. O secretário apareceu. — Você vem ao clube, invade a minha cobertura, pede algo e não me dá nada em troca? O que você pensava? Não sou a madre Tereza de Calcutá para ajudar sem pedir nada em troca.

— Qualquer coisa menos sexo.

— Agora eu me lembro. Você é filho do Hugo Zawaski, o dono da rede hoteleira. Sabia que o seu pai já veio várias vezes ao clube?

A informação pegou de surpresa Johnny. Nilo percebeu o vacilo do detetive.

— Ele muitas vezes já fez sexo comigo. Por anos enganou a sua mãe. Ficou triste?

— Nem um pouco.

— Mas que filho desnaturado. Pensei que se preocupasse com o papai.

— Meu pai é a última pessoa que eu quero ver nesse momento. Não me importa o que ele fez ou faz. A única que me importa é a minha mãe. E se não vai ajudar, então sairei.

Régis apontou um revólver para a cabeça de Johnny.

— Huhuhu... Pensou que sairia assim? Que tal eu te sequestrar e pedir 30 milhões de dólares ao seu pai? Você não sai daqui, meu querido.

Enquanto isso na boate, Lucas entrou no banheiro, retirou o paletó, rasgou o forro e pegou um saquinho com pólvora. Amontoou o paletó sobre a privada, usou o isqueiro para acender a pólvora e fazer a roupa queimar. A fumaça atingiu o teto, ativando o sistema de incêndio. Os sprinklers da boate ativaram, molhando as pessoas no primeiro andar. O caos foi generalizado. Dezenas saíram correndo pela avenida. Mesmo com os seguranças tentando barrarem, foi impossível segurar tanta gente com medo de incêndio.

Lucas, sem chamar atenção, voltou para o segundo andar pela escada de emergência. Os seguranças sequer notaram a sua presença pois estavam preocupados com o suposto incêndio.

A informação surgiu no rádio que Régis carregava. Nilo foi para o vidro e viu as pessoas saindo com medo. As pessoas no calçadão ficaram sem entender com o desespero generalizado.

— Senhor, a boate é à prova de incêndio.

— Esperto, senhor Johnny. Quem diria que pela primeira vez algo assim ocorre no meu clube?

— Quem vai acreditar que tais pessoas saíram de um culto religioso, senhor Maldonado? Não me subestime. — Johnny riu.