Johnny... O bom detetive
51 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 06: Cassino Pt 2
Durante a compra das fichas, um cliente se revoltou no salão de apostas, ameaçando brigar com outro homem. Johnny prestou atenção na discussão, notando a presença de seguranças tão altos quanto Lucas. Eles pediram com educação para o sujeito se retirar do cassino, porém ele sequer ouvia. O segurança imobilizou-o rapidamente e levou-o à força para fora.
— Isso sempre acontece nos cassinos. — Disse Rodrigo.
As fichas foram entregues e o quarteto se encaminhou para os jogos. Havia muitas pessoas importantes que usavam máscara que tampava apenas o olho.
— Perdão. O que são essas máscaras? — Johnny perguntou ao crupiê.
— Elas não fazem parte do clube. Acontece que há alguns clientes que são importantes como empresários e políticos, por isso eles trazem essas máscaras.
O mundo dos ricaços era torpe e estranho. Definitivamente Hugo era o mais normal dentre os adinheirados.
— Vou no pôquer. Vem, amor. — Rodrigo arrastou Fredd.
— Ele já se esqueceu do motivo de estar aqui.
— Deixe-os, Lucas. Preciso de uma máscara daquela. Parece-me que elas são usadas exclusivamente pelos clientes mais importantes daqui. Acho que se eu conseguir, posso ter passagem livre aos andares superiores.
Eles se aproximaram da roleta. As apostas foram feitas. Mais uma vez Zawaski perdeu no jogo. Ele sequer estava entusiasmado, apenas observando os clientes mascarados. Um homem de meia-idade, baixo e calvo era um dos mascarados. Seu rosto estava avermelhado por causa da bebida que o prostituto havia oferecido. Johnny observou o prostituto, concluiu que era o seu acompanhante. Pegou algo parecido com um pequeno controle remoto e apertou um botão. Do outro lado, Rodrigo sentiu a vibração no bolso do seu terno. O brinquedo sexual, dentro do bolso interno do paletó, vibrou.
Horas antes...
— É o seguinte, a segurança lá é alta, portanto, mesmo se levarmos os nossos celulares, eles vão confiscar. Não confiscam na boate, mas soube que eles o fazem no segundo andar. — Avisou Rodrigo.
Johnny ficou pensativo.
— Então precisamos de algo que possamos nos comunicar sem chamarmos a atenção. Com certeza há câmeras de vigilância, portanto qualquer movimento suspeito nosso poderá ser a falha total da nossa operação.
Rodrigo sorriu com satisfação. Retirou da bolsa o vibrador pessoal. A cara de Johnny e Lucas era de vergonha.
— Fredd e eu ainda usamos isso no sexo hehehe. E então? Vamos usar o brinquedinho como um tipo de comunicador?
Sem alternativa, Johnny assentiu.
Rodrigo pediu ao Fredd para se preparar. O alemão saiu de perto, pegou um copo de bebida e caminhou pelo salão. Lucas saiu de perto da roleta e cruzou o caminho do loiro.
— Desculpe, senhor — disse Lucas após esbarrar em Fredd.
— Tudo bem.
— O ômega ao lado do gordo, careca e mascarado na roleta.
Após Fredd ouvir a informação, aproximou-se do ômega, fingiu tropeçar e derramou a bebida nele. Como o rapaz usava camisa social branca, manchou.
— Você não tem olhos não, gringo? — Reclamou o velho.
— I'm sorry...
— E você vá se limpar. Está sujando de bebida o chão!
— Sim, senhor.
O acompanhante saiu do salão, indo para o banheiro masculino. Retirou a camisa e tentou lavar na pia.
— Gordo filho da puta.
A porta do banheiro foi fechada por Lucas. O ômega viu o moreno se aproximar com os feromônios de alfa dominante.
— O que quer?
O moreno passou a mão no rosto do delicado ômega amedrontado. Seu corpo era marcado com hematomas.
— Eu te vi na roleta. Soube imediatamente que a sua relação com aquele velho era abusiva. Diga-me, eu sou melhor do que aquele coroa beta?
O banheiro foi interditado pela placa de limpeza colocada por Fredd.
Dentro, o moreno seduziu o ômega a ponto de se beijarem dentro da cabine. Ambos ficaram nos beijos e abraços até que o acompanhante tentou abrir o zíper da calça do alfa.
— Espera...
— Quero chupá-lo.
— Só um momento. Se eu te pedir um favor e você fizer, eu te dou a honra de chupar o meu pau.
— Pode me dizer, gostoso.
— O seu cliente. Quero a máscara que ele está usando. Você tem raiva dele, não é?
O ômega assentiu e concordou com tudo o que Lucas pediu, afinal o velho era beta, por isso não sentiria os feromônios. Ainda estava embriagado com a essência.
— Chegou tarde. Perdi muito dinheiro. Estou tão cansado dessa merda.
— Senhor, podemos ir para o quarto andar. Estou ficando quente.
— Hum... claro que sim.
Johnny prestou atenção ao homem. Continuou no jogo.
O andar superior era somente de corredores com paredes vermelhas, tapetes pelo chão, lustres no teto e quadros nas paredes. Havia bustos de gesso e outras obras de arte. As portas dos quartos eram numeradas. O velho pegou a sua chave, parecida com um pendrive, e encaixou na porta. A luz vermelha ficou verde, destrancando a porta.
— Vou tomar banho...
— Que banho o quê? Quero foder assim mesmo.
— Antes bebamos mais — o ômega suportou os beijos do careca, mas conseguiu oferecer um copo de conhaque.
Em pouco tempo, o homem desmaiou de tão ébrio. O jovem pegou a máscara, a chave e a pulseira. Por fim tirou uma foto do velho, que era um vereador.
De volta ao banheiro do terceiro andar, entregou os objetos ao Lucas.
— Agora que fiz o que me pediu, vamos nos parear. Quero ser o seu parceiro. Amanhã mesmo vou expô-lo nas redes sociais.
O rapaz tentou beijar Lucas de todas as formas. Johnny surgiu por trás, golpeando-o na nuca.
— Só em seus sonhos. Por que está sorrindo? Não fiquei com ciúme.
— Uhum, acredito.
Ele pegou a câmera do bolso da calça do acompanhante, viu a foto do velho sem a máscara.
— Sei quem é esse homem. Um hipócrita moralista. Merece ser expulso da vida pública. Quando o nosso amiguinho despertar, acabará com mais um político corrupto. — Pôs a câmera de volta no bolso do desmaiado.
Lucas beijou Johnny antes de deixá-lo subir ao andar superior. Pediu um favor a ser feito no primeiro andar.
— Se eu demorar mais que meia-hora, por favor, faça. — Entregou um isqueiro.
— Sim, Johnny. Farei. Boa sorte.
Beijaram-se antes de se separarem.
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