Johnny... O bom detetive

42 Parte 04: Predestinados // Capítulo 13: Reencontro


— Eu vou falar o que tá entalado na minha garganta! Vocês deviam me agradecer por aturar um homem impotente como o seu filho. Deviam me pagar por cada dia que aguentei esse acordo de não ser a dominante. Eu passava os dias cansada de ser rechaçada por ele, por causa do seu cansaço físico. Nosso casamento foi só de aparências.

Ana Beatriz mostrou a sua verdadeira face diante de todos. O mais impactado foi Johnny.

— Como pode me trair, Bia? O que eu fiz para ter merecido isso?

— Você é ômega, meu bem. Ser brilhante é algo que está longe da sua natureza. Sim, eu traí. TRAÍ! E traía de novo, assim como eu fiz com esse homem do vídeo. Traí! Fiz com vários, dezenas, alfas, ômegas e betas. Homens e mulheres. Traí sim, e fazia outra vez, sabe por quê? Porque vocês, apesar de serem adinheirados, são mais burros do que um poste. Brilhantismo nunca foi a marca registrada dessa família. Consegui enganar a todos durante muito tempo desde a época da faculdade.

Ela levou outro tapa de Hugo.

— Cachorra. Seu lugar é na sarjeta! Vou chamar o segurança para arrastá-la para fora.

— Chama, sogrinho. Mas saiba que você é o meu cúmplice na prisão do Lucas. Sim. Eu droguei a bebida dele horas antes de entrar no cio. Lembra quando vocês foram lá em casa?

— A febre dele...

Johnny não quis mais ouvir, saiu correndo escada acima. Júlia seguiu o filho.

— Solta! Não preciso que me arrastem até a saída. Eu sei o caminho.

Ela foi arrastada pelo braço para fora da mansão. Hugo a jogou contra o seu carro.

— Sai da minha casa. Eu confiei em você todos esses anos. Fiz planos para você, e me apunhala pelas costas? Não vou te perdoar nunca.

— Olha quem fala. Aposto que perdão é algo que você não terá da sua família. Adeus, velho.

Ela entrou no carro e deu a partida. Foi tão rápida que quase bateu no portão.

— Todos eles me pagam.

No quarto, Johnny entrou no closet e pegou algumas peças de roupa. Vestiu uma jaqueta e calça da Adidas pretas, calçou botas, pegou a chave da moto e desceu.

— Aonde você vai? — perguntou Júlia.

— Atrás do Lucas. Não vou ficar aqui esperando enquanto ele vai embora.

Ele desceu as escadas e saiu na direção da garagem. Com um controle, abriu a porta e pegou uma moto esportiva azul.

Os guardas ficaram de prontidão na saída e impediram Johnny de sair com a moto.

— Saiam do meu caminho.

— Desculpe, senhor. Ordens do seu pai. Não pode deixar a mansão — avisou o chefe da segurança.

O rapaz levou a moto até perto do portão quando um segurança segurou-o pelo braço. Imediatamente o rapaz usou uma técnica de luta para se defender e assim derrubar o homem no chão. Esticou o braço dele enquanto deitou-o de bruços.

— Se não querem que eu quebre o braço dele, saiam da frente. Pode não parecer, mas eu sou faixa preta no judô. Querem arriscar?

Eles saíram da frente e Johnny pode soltar o segurança.

— Você não sai daqui! — Gritou Hugo enquanto segurava-o pelo braço. — Vai se encontrar com aquele vagabundo. Não tem vergonha nessa sua cara?

— Não é da sua conta. Eu vou viver longe do senhor e da sua influência.

Hugo tentou segurar o filho à força, porém levou uma cuspida na cara. Johnny empurrou o pai, colocou o capacete e saiu com a moto.

— Não acredito que ele fez isso comigo!

Aeroporto Internacional de Fortaleza

O taxista desceu do carro, abriu o bagageiro e ajudou a tirar as bolsas. Lucas agradeceu a ajuda e seguiu para dentro do aeroporto.

No relógio de pulso as horas marcavam 21:11. Sem demora caminhou pelo lobby do aeroporto.

Enquanto isso, Johnny parou num sinal vermelho de uma movimentada avenida. Não queria esperar, porém havia muitos radares naquele trecho.

Ainda na mansão...

— Bom, então vou embora. Fiz o meu dever. — Selma saiu da propriedade e foi embora em seu carro.

Cecília ligou para o marido, avisando do atraso em chegar em casa.

— Vou para o quarto de hóspede. Não quero me aborrecer durante o meu sono.

— Espera. Notou a merda que fez mais cedo? Por sua culpa o nosso filho voltará com aquele tal Lucas.

— Que sejam felizes. Se me der licença, tenho sono. Deitarei no quarto de hóspede hoje.

Hugo ficou sozinho na sala.

Em Messejana, a moto parou em frente ao prédio em que Lucas morava. Tocou várias vezes o interfone, sem sucesso. O vigia idoso se aproximou do portão.

— Eu já vi o senhor por aqui antes.

— Sim, sou amigo do Lucas.

— Não conheço as pessoas pelo nome. Sou velho, meu filho.

— Ele alto, moreno escuro, tem o cabelo raspado, musculoso e tatuagem.

— Ah. Eu o vi mais cedo levando duas bagagens e colocando dentro de um táxi. Ele se foi há um bom pedaço.

Sem perder tempo, Johnny voltou para a moto e saiu imediatamente.

A direção da casa dos Zawaski até a casa de Lucas era uma légua de distância. De Messejana até o Aeroporto, porém, não era tão longe.

Na fila do check-in, Lucas pensou várias vezes em desistir e lutar contra a correnteza. Não foi fácil tomar a decisão.

— Próximo. — Falou a atendente.

Um assobio ecoou naquele local, chamando a atenção das pessoas.

— Lucas!

O moreno olhou para trás. As pessoas abriram caminho para o homem.

— Que lindo.

— É algum artista?

Johnny praticamente desfilou com sua jaqueta e óculos escuro.

— Chefe? O que faz aqui?

— Quem mandou você tomar essa decisão de ir embora sem me avisar? Isso não importa — Colocou a mão no ombro do alfa. — Vem com teu chefe. Vamos voltar para a nossa investigação.

A atendente achou emocionante.

— Mas... o seu pai...

— Não liga para aquele velho. E também não ligue para o meu casamento fracassado. — Ajoelhou-se. — Lucas Mendonça de Souza. Quer ser a minha esposa?

Algumas pessoas tiravam fotos, outras aplaudiam. A atendente incentivou. E o que sobrou foi somente a vergonha alheia.