Johnny... O bom detetive
32 Parte 04: Predestinados // Capítulo 03: Sentimento de culpa
Notas iniciais
Lucas segurou Johnny no braço, pediu a Rodrigo pegar a arma do chão e levá-los escondidos para fora da fábrica. Prometeu explicar tudo no carro.
Um caminho alternativo foi pego, eles saíram por uma porta adjascente. Foram para onde o carro estava parado. Rodrigo pediu ao empregado para não comentar sobre o que viu, nem mesmo a polícia poderia saber. O homem prometeu.
— Vamos embora. — Rodrigo deu a partida. Saiu da fábrica rapidamente.
Na parte de trás, Lucas mantinha a cabeça de Johnny em suas pernas e o resto do corpo deitado no assento.
— Agora você vai me explicar o motivo de eu encontrá-los nesse estado.
— Ele e eu fizemos.
O beta se assustou.
— Fizeram sexo? — Lucas assentiu. — Eu sabia que essa história de um ômega e um alfa serem amigões do peito e estarem num local fechado não ia dar certo. Obviamente foi o ciclo de calor de vocês, não foi?
— Sim.
— Então presumo que não há amor envolvido, pelo menos não da parte dele. Eu entendo que você esteja, mas não esqueça que ele é casado e pode dar um rolo dos infernos pra ti.
O rosto do moreno ficou depressivo. Compreendia exatamente o que Foster queria dizer. O momento foi bom, porém o cio que fez todo o trabalho. O Johnny que conhecia jamais faria tudo aquilo.
— Não pegue o retorno.
— Por quê? Não vamos voltar para Guaramiranga? Eu não dormi, mas ainda estou sóbrio.
— Não é isso. Precisamos ir para um hospital primeiro. Ele sangrou pois fiz quatro vezes.
— Quatro vezes!? Caramba, você quis mesmo arrombar esse cu virgem. Como sempre os alfas são verdadeiros monstros insaciáveis. Enfim, vamos para uma clínica particular que eu sempre vou. Vai demorar um pouquinho já que fica perto da praia.
Era por volta das cinco da manhã quando o carro parou numa clínica para tratamento de ciclos de calor. Depois de estacionar, os três saíram com o moreno ainda segurando o detetive no braço. Entraram pela porta de vidro e falaram com os recepcionistas.
Johnny foi levado para a sala de UTI. O médico conversou com os dois e pediu as devidas explicações. Lucas explicou tudo.
— Você é parceiro dele?
— Não, doutor. Sou apenas amigo.
O médico entrou na sala, colocou as luvas, a máscara e examinou a parte traseira do paciente. De fato era uma hemorragia.
Os dois ficaram no corredor aguardando.
— Não devíamos falar com a família dele?
— Eu estou com o celular dele, mas tá bloqueado. No meu está o número da casa dele. Posso ligar, mas você atende.
— Eu?!
— Por favor. Não quero falar com a esposa dele. Não tenho cara para enfrentá-la.
— Realmente só tem tamanho. Tudo bem. Ache o número e eu falo.
O moreno entregou o celular para Rodrigo. A chamada demorou para ser atendida. Depois da terceira tentativa, Bia atendeu.
Enquanto Rodrigo conversava com Bia, o médico explicou a situação do paciente.
— Ele teve uma síncope de tanto feromônio que recebeu. Está dormindo tranquilamente, e só levantará horas mais à frente. Mas o que me preocupou mesmo foi o estado do seu ânus. Rompeu-se os músculos do reto, causando a quebra de vasos sanguíneos da região e originando a hemorragia. Você tem ideia de que foi perigoso fazer muitas vezes num ômega virgem?
— Sim, doutor. Eu me arrependo muito.
— Tudo bem. Eu apliquei supressor na veia dele e uma pomada em seu ânus para que cicatrize a ferida mais rápido.
Após a ligação, Rodrigo explicou que a esposa dele viria rapidamente. Viu o sentimento de culpa do alfa. Tentou consolá-lo.
— Doutor, ele pode entrar no quarto? — Perguntou o beta.
— Vamos levar o paciente para uma outra sala. Ele vai tomar soro na veia e lá poderá vê-lo.
Johnny foi levado na maca por um enfermeiro até um outro recinto. Lucas ficou sentado ao seu lado enquanto o ômega permanecia dormindo. Desculpou-se por ter perdido a razão.
Bia Zawaski entrou rapidamente. Viu Rodrigo aproximar-se dela.
— E você é...?
— Sou Rodrigo Foster. Amigo do seu esposo. Fui eu quem trouxe ele para cá e quem ligou.
— Onde ele está agora?
— Venha comigo, por favor.
O rapaz levou a senhora Zawaski para o quarto onde o marido permanecia dormindo. Ela viu Lucas segurar a mão de Johnny.
— O que você faz aqui?
— Espera. Posso explicar.
— Você não é nada dele, Lucas. Saia já.
A enfermeira pediu para o homem sair e deixar o lugar para a esposa.
— Já vai?
— Preciso voltar. Antes vou para o meu apartamento aqui na capital mesmo para descansar e à tarde volto para a serra. Mantenha-me informado, okay?
— Tudo bem.
Um tempo passou e o dia começou a amanhecer na capital. Depois de passar alguns minutos ao lado do esposo, Bia foi conversar com o médico responsável. Durante o diálogo, ela soube de tudo o que Lucas falou para o doutor.
Perto de uma máquina de bebidas, Lucas colocou dinheiro no encaixe e pegou uma lata de refrigerante. Foi para a cantina da clínica. Sentou-se à mesa, abriu a latinha e tomou o conteúdo. Pensou no momento do sexo entre si e Johnny. Ficou corado só de pensar no rosto lascivo do colega. Será que ele fez essa cara alguma vez para a esposa?
— Posso me juntar a ti?
— Bia? Pode.
Ela bebia café num copo descartável. Informou sobre a ligação que fez para os pais de Johnny pouco depois de falar com o médico.
— Como ele está?
— Dormindo tranquilamente.
— Que bom.
A mulher assoprava o café enquanto observava o rosto explicitamente triste do homem ao seu lado. Deu um discreto sorriso de canto.
— E aquele moço? Ele quem me ligou. Por quê?
— O Rodrigo é o nosso amigo. Ele foi de grande ajuda.
— Não quero saber se ele é o amigão do coração de vocês. O que quero saber é o porquê ele ligar, e você não?
Lucas hesitou por alguns segundos.
— Eu não pude, desculpa. Preferi ficar com o Johnny.
— Bela desculpa, não é? O que achou de estuprar o meu marido? Olha pra mim quando falo!
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