Johnny... O bom detetive

26 Parte 03: Investigação // Capítulo 20: Fugitivo


— Meu pai é muito influente na política alemã e é um dos maiores doadores do país. Ele sempre manejou a sua empresa em paralelo com o negócios escusos. Eu por algum tempo trabalhei para ele como agiota quando houve a morte da filha de um senador. Ela foi abusada sexualmente porque era ômega dominante, e o seu abusador era o meu irmão mais velho e herdeiro direto da empresa e da máfia. Quando o governo pretendia fazer uma investigação formal, meu pai pagou propina para enterrar o caso e me usou como bode expiatório, alegando que eu a havia violado, mas que a morte dela foi um suicídio por excesso de calmantes. De fato ela estava na festa do meu irmão, eu também, bebemos, curtimos, cheguei até beijá-la e fizemos sexo. Depois saí do quarto com ela dormindo na cama e, minutos depois, vi o meu irmão entrar. Eu apenas saí do apartamento e segui o meu caminho. No dia seguinte acordei com a notícia da morte dela e que o meu pai cogitava me acusar para livrar a barra do primogênito. Fiquei em choque pois eu seria taxado de maníaco sexual homicida. Então eu fugi. Fugi do país, fugi da minha família, da máfia e daquela sujeirada toda. Obviamente meu nome ficou sujo e cheguei a ser procurado pela Interpol. Mas conseguiram provas para acusar o meu irmão de estupro e que em seguida ela cometeu suicídio. Desde então fui procurado pela máfia, correndo risco de vida, porque nunca fui um filho correto aos olhos do meu pai. Emigrei para a América em 2017 e utilizei o nome do meu ex-empregado para despistar os homens mafiosos. Vivi em Las Vegas e trabalhei como crupiê durante alguns meses quando conheci o Rodrigo.

— Foi amor à primeira vista. Viajei para os Estados Unidos depois de uma discussão com o meu pai. Tranquei a faculdade e fui me divertir em Nova York, Orlando, Miami, Los Angeles até chegar em Las Vegas. Foi no cassino que eu o vi com o uniforme. Paguei para ele me satisfazer no quarto do hotel e foi aí que começamos o nosso relacionamento. Temos tanto em comum.

Mais uma pessoa possuía algo em comum. Johnny não quis se expor ao contar que a sua vida parecia tanto com a do Rodrigo e Fred.

— Não sei o que pensar. Ainda me custa a acreditar dessa vez. Deviam ter me dito logo antes.

— Perdoe Rodrigo por me defender, senhor detetive. Ele não fez por mal.

— E o resto da história?

Rodrigo suspirou.

— Eu o trouxe para o Brasil pois achei que a sua segurança era maior aqui. Foi quando eu apresentei o Fred como Germaine Henkel ao meu pai. A princípio ele pensou que éramos amigos, por isso deu trabalho a ele na fábrica e até o promoveu a diretor. Quando soube que nós éramos namorados, ficou furioso já que ele pretendia me casar com a filha do colega dele. Essa história já te contamos.

— E sobre essa vaga de diretor que você preencheu? Eu soube que estava na fábrica no exato momento que Nestor morreu.

Fred tomou a palavra.

— Eu trabalhava normalmente mesmo depois de brigar com o pai do Rodrigo. Era para eu ter sido demitido, mas Rodrigo me defendeu.

— O que você fez entre 10 e 11 da noite?

Fred ficou envergonhado e começou a corar. Rodrigo também parecia com vergonha, mas ele decidiu contar ao detetive.

— Eu fui para a fábrica ver meu pai. Falei com ele e saí do seu escritório. Desci para a área de depósito de carga e vi Fred trabalhando. Saímos daquele ambiente e fomos ao banheiro masculino ali perto. Fizemos sexo dentro da cabine do banheiro.

A cara de Johnny foi de espanto com incredulidade. Nunca passou pela sua cabeça um ato de sexo num local público.

— Juro que Fred agora se chama Germaine Henkel e que essa é toda a verdade.

— Ainda não sei se confio nos dois.

— Então posso reparar o meu erro, senhor Johnny. Se quer ir para fábrica agora mesmo, te ajudarei levando-o até lá.

O alemão achou perigoso Rodrigo descer a serra quase dez horas da noite, mas Foster resolveu se redimir ajudando o detetive em qualquer coisa.

Enquanto isso, Lucas se enxugou e vestiu-se com calça e camisa social todas pretas. Para entrar à noite na fábrica precisará de uma vestimenta escura e que não chamasse atenção. Lembrou do momento que se masturbou pensando no rosto do seu parceiro, porém utilizou a razão para esquecer tais pensamentos lascivos.

— Chefe? Eles vão também?

— Apenas o Rodrigo. Já sei de toda a verdade, acho eu. Você faça o que eu pedi. Quero ver se eu apostei essa segunda chance nas pessoas certas.

— Pode deixar comigo — Respondeu Fred para a surpresa do moreno que escutou um português fluente.

Os três saíram do hotel no carro de Rodrigo Foster e rumaram para a fábrica de enlatados numa visita extra oficial.

Exatamente às 10h23m eles pegaram a BR e foram direto para o seu destino. Johnny aproveitou para dar uma olhada na sua pistola, no cartucho extra dentro da sua jaqueta e no canivete que normalmente escondia no tornozelo.

— Vejo que é um homem preparado, senhor Johnny.

— Sempre fui precavido. Não posso dar um vacilo nessa vida.

Ao mesmo tempo que conversava com Rodrigo, ele observava Lucas estranhamente calado no banco traseiro. Desde que saíram de Fortaleza o moreno agia estranho.

— Melhorou da febre?

— Um pouco. Eu me sinto melhor agora.

— Acho bom. Precisa ficar esperto quando entrarmos na fábrica. Nosso destino é a presidência.

Rodrigo chamou a atenção dos dois para algo que ocorreu na frente. Uma batida entre um carro e uma moto fez com que o trânsito diminuísse o ritmo. O pior era que a polícia rodoviária federal fazia uma blitz ali mesmo.

— Vai estar tudo bem se eles verem a sua arma?

— Não, porque ela não tem documento.

— Não acredito que é de numeração raspada? — indagou Rodrigo.

Os policiais se aproximavam do veículo. E agora?