Johnny... O bom detetive

15 Parte 03: Investigação // Capítulo 09: Apenas amigos?


— Você me ama?

Lucas foi pego de surpresa pela pergunta direta. Aquilo foi tão repentino que ele ficou alguns segundos sem falar. Obviamente Johnny pediu para o amigo acordar para a vida.

— Que tipo de pergunta é essa do nada, chefe? — ficou visivelmente corado.

Johnny observou.

— É uma pergunta simples para uma resposta simples. Não seria um bicho de sete cabeças um alfa se apaixonar por um ômega.

— Mas nós somos...

— Espera um pouco. É a Bia ligando. Preciso atender. Vai pensando na resposta.

O homem se distanciou um pouco para falar ao celular. Lucas colocou a mão no rosto, envergonhado. Nunca imaginou que Johnny pudesse perguntar algo assim e de forma tão direta. Viu-o sorrindo enquanto conversava com a esposa. Sempre guardou esse amor de forma unilateral desde o tempo da escola. Seu mundo desabou quando soube do casamento anos depois.

— Nunca tive uma chance, não é? — disse a si mesmo.
Pensou na resposta. Não queria ser fura olho, talarico, amante ou pivô de alguma separação. Johnny já tinha a sua alfa.

— Como foi?

— Falamos brevemente. Mas eu não mencionei sobre o remédio.

— Chefe, por que fez isso? Não foi você mesmo que disse para ela trazer o supressor?

Johnny terminou de fumar, pôs a bituca na lata do lixo.

— Eu deixei claro para a empregada falar sobre isso. Bia sequer mencionou. Ou a dona Lúcia se esqueceu desde ontem ou aconteceu outra coisa. E sinceramente estou de saco cheio disso. E então? Já pensou na sua resposta?

Lucas suou frio.

— Pensei...

— E então?

— Chefe, eu não o amo. Não da maneira romântica, entende? Eu gosto de você como meu melhor amigo e colega de trabalho.

— Hahaha. Viu como não foi difícil responder. Suponho que tudo o que você disse ontem à noite foi por causa do seu cio, hã?

— Si-sim.

— Okay. A gente nesses momentos fala coisas insensatas. Ainda bem que tudo foi esclarecido. — Johnny se espreguiçou. — Perdemos um precioso tempo. A terça já está perdida, mas amanhã trabalharemos com tudo. Vamos voltar. Está fazendo frio.

Pensando na resposta que deu, Lucas sentiu a consciência pesada por mentir. Seu desejo era se confessar sem medir as consequências, contudo a realidade era decepcionante.

Johnny caminhou na frente. Seu semblante era de tristeza. Talvez aguardasse uma outra resposta?

...

Fortaleza, lugar desconhecido

Na periferia da capital, um carro parou em frente a um terreno baldio. Saiu do automóvel, Sebastian. Foi recepcionado por uns membros da facção. Todos portavam revólveres.

O caminho erra de mais ou menos uns cinquenta metros. Havia matagal nesse terreno. Por fim chegaram a uma casa abandonada. Destrancaram.

— Podem tirar o saco.

Amarrado numa cadeira estava Paulie. Fora sequestrado horas antes. Um dos membros retirou o saco preto da sua cabeça. Tiraram a mordaça da sua boca.

— Onde estou? Quem são vocês?

— Cavalheiros, deixem-me sozinho com o alvo.

Sebastian colocou uma bolsa de ferramentas sobre uma mesa ao lado, pegou uma cadeira plástica e sentou-se na frente da vítima.

— Seu nome é João Paulo, certo? Pseudônimo Paulie. Soube que tocava numa banda no Rio de Janeiro.

— Como soube? Quem é você? Foi a Bia, não foi? Pois diga àquela vagabunda que vou entregar tudo ao corno do marido hehehe.

O pistoleiro retirou o paletó e pôs sobre a mesa, arregaçou as mangas e tirou a gravata.

— Não me interessa os podres das pessoas. Tudo o que me importa é fazer o meu trabalho direito. A roda do capitalismo gira em torno do dinheiro, não? Se me pagam para algo, faço isso até o fim.

Um prego de 10 centímetros foi enfiado no pé esquerdo de Paulie. Os gritos do homem não puderam ser ouvidos. Outro prego para o pé direito. A tortura continuou com choques, marteladas, unhas e dentes arrancados e furando os dois olhos.

Quarta-feira pela manhã encontraram o corpo de Paulie boiando numa lagoa.

...

Naquela manhã, Johnny acordou cedo e bastante disposto. Acordou Lucas e Rodrigo em seus respectivos quartos.

— Porra. Ainda são sete da madrugada. Que houve? — Rodrigo protestou, sendo agarrado por trás pelo seu parceiro.

— Hoje será o dia da queda dos seus irmãos, senhor Foster. Tome um banho, arrume-se pois você também será uma peça-chave.

Francisco preparou um café da manhã aos quatro.

— Chefe acordou muito disposto hoje — o moreno sentou à mesa.

— Tenho que tirar todo o atraso do dia anterior. A polícia empacou. Não consegue investigar direito, por isso a minha pressa.

Lucas viu Johnny trabalhar arduamente. As coisas voltaram à estaca zero. Será que perdeu a chance de se confessar?

— Que cara é essa, senhor Foster?

— Cale a boca. Sabe que odeio acordar cedo. Depois do vexame que deu na segunda à noite, de repente acorda como se não sentisse nada. Eu prefiria você dormindo.

— Rodrigo, vai me agradecer depois. Tudo isso é para sobrepujar os seus irmãos. Eles acham que vão sair por cima, mas esquecem que sou um Zawaski. Posso não ter uma boa relação com o meu pai, mas ainda sou herdeiro de Hugo Zawaski.

Lulia trouxe lanches aos quatro antes de abrir o restaurante.

— Vamos aproveitar que nós cinco estamos a sós para brindarmos. Hoje vamos dar mais um passo à nossa investigação, portanto quero agradecer a todos que foram peças fundamentais nesse jogo.

Horas depois, já com hóspedes no restaurante, Johnny digitou uma missiva com quase dois mil caracteres e mandou via fax para um corretor. Depois com o texto corrigido, pediu a Lucas que ligasse para dez pessoas selecionadas, e que enviaria a missiva ao email dessas pessoas.

— Chefe, o senador está na linha.

— Boa tarde senador... como vai?

E o plano continuou com Zawaski mandando Lucas e Rodrigo para Fortaleza se encontrarem com uma pessoa do ministério público e da OAB.

Por volta das dezenove, Johnny, Lucas e Rodrigo confrontaram Olavo e Nathália na sala de estar da fazenda.

— Eu aceito a sua proposta, senhorita Foster.

Todos olharam surpresos.

— Você é igual a todos os ômegas. — Olavo riu.

— Eu estou surpresa. O que o fez mudar de ideia tão rápido?

— Eu tenho uma contraproposta.