Johnny... O bom detetive
27 Parte 03: Investigação // Capítulo 21: Sombra
— Não acredito que é uma arma de numeração raspada?
— Calma. Tenho um plano. — Johnny entregou duas identidades falsas de policiais civis aos dois homens. — Policial não revisa outro policial.
Rodrigo ficou boquiaberto com a ideia arriscada de Johnny. Lucas riu da ansiedade do beta.
O policial rodoviário chegou perto da janela do motorista e pediu os documentos. Rodrigo, nervoso, entregou a identidade falsa para o homem.
— São de qual departamento?
— Homicídios. 33° DP. Somos subordinados do delegado Jarbas. Estamos num caso de investigação criminal. — Respondeu Johnny de maneira natural.
O policial entregou o distintivo para Rodrigo e pediu para que passassem na frente dos outros carros. O plano deu certo.
— Pensei que seria preso. Quase tive um infarto.
— Viu como foi fácil.
— Chefe, sabe quantos crimes já cometeu hoje?
— Muahuahuahua para com isso. Os meus fins justificam os meus meios. Bom, agora que não temos mais nenhum empecilho, vamos nos concentrar no plano de entrarmos na fábrica. Primeiro, Lucas e eu precisamos entrar escondidos do segurança que fica na guarita do portão principal. Falo isso porque não queremos chamar a atenção dos seus irmãos ou de quem quer que esteja na sala do presidente.
— Isso vai ser relativamente fácil. O meu porta-malas é espaçoso. Se os dois estiverem de acordo, podem entrar sem problemas.
Lucas apenas observava.
— Segundo, precisamos conversar com o supervisor chamado Kevin Aguiar. Ele foi um dos que trabalharam no turno da noite no momento exato da morte de Nestor. Acho que ele será fundamental para nós, por isso precisamos entrar no depósito de cargas sem chamar a atenção.
— Então precisamos achar algum local ermo para que vocês desçam do carro e entrem lá atrás.
O veículo aproximava-se da fábrica quando desviou numa pista e logo entrou numa rua sem movimento. Lucas e Johnny desceram do carro e entraram no porta-malas. Johnny voltou a dirigir e pegou uma saída de volta à BR.
O segurança na guarita viu o farol do carro, identificando ser do seu patrão. Abriu o portão de acesso da avenida. Rodrigo agradeceu com um aceno e entrou.
Dentro do porta-malas, Johnny e Lucas quase espremidos pelo pouco espaço. O moreno praticamente abraçou o seu colega por trás, e Johnny se sentiu estranho com a aproximação. Lembrou do que houve na delegacia. Seu rosto ficou avermelhado só de pensar no beijo.
O jovem Foster parou o seu carro no estacionamento perto do depósito ao lado de um carro preto. Ele abriu o bagageiro.
— Pensei que morreria. — Johnny praticamente saltou imediatamente. Ficou respirando profundo com as duas mãos no joelho.
— Os dois estão bem?
— Sim. É só uma febre passageira. — Explicou Lucas.
— Decidi parar aqui pois deduzi que é o melhor lugar já que foi nesse local que iniciaram a investigação mais cedo. Não sei quem está no trabalho hoje, portanto preciso que não vão para a área administrativa agora.
Zawaski olhou para o relógio de pulso. Quase onze da noite. Passou da hora exata que Nestor morreu, mas o supervisor Kevin Aguiar ainda trabalhava.
— Precisamos conversar com um dos supervisores do depósito de carga. Creio que ele tem algumas coisas para nos contar. — Disse Johnny, caminhando.
Rodrigo, porém, pegou o caminho oposto.
— Aonde vai? — Perguntou Lucas.
— Esqueceram das câmeras de segurança? A nossa sorte é que não existe alguém vendo as gravações. Mesmo assim preciso deletá-las para que os meus irmãos não saibam que estiveram aqui.
Os três se separaram. A dupla pegou o mesmo caminho de mais cedo, Foster caminhou de volta para a entrada da recepção da fábrica.
...
Francisco terminou o jantar, lavou o prato e preparou um chá. Saiu do seu quarto com a caneca quente, agasalhado com um casaco feito de tricô. Caminhou pelo restaurante até chegar no lado de fora.
— Que frio!
Bebeu o chá. Sua barriga era grande o suficiente para ser notada sob as roupas esvoaçantes. Escutou um barulho.
— Tem alguém aí?
Ele caminhou para dentro da varanda do hotel. Olhou cada porta até chegar na do seu chefe. O objeto, entreaberto, chamou a atenção do gerente que abriu vagarosamente. Não havia ninguém lá.
Fazenda Foster
Jacques procurou por Leandro o dia todo, sem sucesso. Pensou que o homem voltaria quando a noite surgisse, entretanto não. O caseiro simplesmente não foi trabalhar naquele dia.
— Não posso acreditar que ele foi se encontrar com a puta do Francisco.
Achou também estranho a ausência de Olavo. Retornou de Fortaleza após um encontro com os seus advogados, e, por volta das 18h44m, saiu sem dar explicações para a esposa que ligou três vezes para a casa.
...
O turno da noite era mais tranquilo e com menos trabalhadores. Na área do depósito de cargas, apenas um supervisor era responsável. Essa pessoa era Kevin, o homem com que Johnny queria tanto conversar.
— Kevin. Kevin Aguiar?
— Quem são vocês? — Era um homem de estatura média e com cabelos grisalhos.
— Sou o detetive Johnny Zawaski e esse é o meu parceiro, Lucas Souza. Estamos trabalhando juntos com a polícia civil na investigação acerca da morte do seu ex-chefe. Pode nos dar um tempinho?
O supervisor pediu aos dois para que acompanhassem-no direto para o gabinete dele. Uma sala modesta com três cadeiras, uma mesa e um armário atrás.
— Sentem-se. A que devo a honra de ter em minha presença uma ilustre presença?
— Conhece-me?
— Obviamente. Você é famoso pela cidade toda. Digamos que é como um Sherlock Holmes brasileiro.
— Não é para tanto.
— Falo sério.
— Tudo bem. Mas os elogios ficam para depois. Só quero fazer uma pergunta: o que fazia ou o que viu entre às dez e às onze da noite da quinta-feira passada?
Era óbvia a expressão apreensiva do homem após a pergunta do Johnny. Ambos detetives se olharam desconfiados.
— O que eu fiz nesse dia? Não lembro.
— O senhor não entendeu a pergunta ou finge demência? Eu perguntei o que o senhor fazia entre 10 e 11 da noite da quinta passada.
— E eu disse que não lembro!
Longe dali, uma sombra misteriosa atrás das caixas observava a porta do gabinete aberta.
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