Johnny... O bom detetive

13 Parte 03: Investigação // Capítulo 07: Luxúria de um ômega


Lúcia quase caiu para trás ao ver Ana Beatriz na cama com outro homem, e liberando feromônias sexuais tão fortes. A cena era inacreditável, e a empregada já desistira do seu propósito ali. A única coisa que veio à mente era pegar o celular e gravar o ato para servir como prova da infidelidade da patroa.

Durante o ato, a mulher terminou de beijar o amante e retirou a blusa, ficando de sutiã e calcinha. Paulie a pôs para baixo e beijou sua barriga até descer às suas coxas. Os dois já estavam seminus. Nesse ínterim, Lúcia gravava quase um minuto de vídeo quando uma notificação a pegou de surpresa.

— Quem tá aí? — Bia se levantou de supetão.

— O que foi, gata?

— Tem alguém atrás da porta. Levanta!

Ela correu até a porta, porém não viu ninguém. Desceu as escadas. Percebeu que a porta da entrada ficou aberta.

— Olha o que eu achei no chão — Paulie mostrou um chaveiro.

— É da empregada. Vai atrás dela, seu incompetente!

O homem correu pelo corredor do andar até chegar ao elevador, mas a porta se fechou. Pegou as escadas. Lúcia, por sua vez, aguardou ansiosa até o lobby. Correu imediatamente e pediu ao porteiro que abrisse para ela. Paulie quase a pegou, mas a viu pegar um táxi ali próximo.

— Estou arruinada. A empregada sabe que estou traindo o meu marido. Tenho que pensar num plano para impedi-la de dizer a verdade.

— Podemos sequestrá-la.

— Não seria uma má ideia se não fosse tão arriscado. Primeiro tenho que descobrir onde ela vive.

O homem se despediu de Bia, afirmando que o problema não era dele. A atitude covarde não surpreendeu a mulher.

— Sai daqui. Pega o seu cheque e desapareça da minha vida.

...

Guaramiranga

Rodrigo gritou de emoção ao ver Henkel sair do carro junto com os detetives e a advogada. Todos foram para o hotel onde Johnny se hospedou.

— Baby, eu tava morrendo de saudade — disse o beta pulando nos braços do outro.

— Eu também.

— Até parece. Passaram apenas algumas horas desde que ele foi preso. O que acha dessa cena, chefe? — Mas Lucas não obteve resposta. Viu, porém, Johnny bastante calado.

O senhor Francisco Lulia deu as boas-vindas ao alemão. Rodrigo ordenou a ele que preparasse um quarto imediatamente.

Algum tempo depois, a advogada explicou tudo sobre os direitos do alemão, incluindo a ordem de não sair da cidade até o término das investigações. O rapaz agradeceu e a acompanhou até o carro.

No restaurante, Lulia preparou uma mesa para quatro pessoas. Johnny revisou todos os depoimento. O acordo proposto por Nathália foi logo rechaçado, mas Johnny lamentou não ter podido ficar com o pendrive.

— Isso é um absurdo. Gente, eu tô de queixo caído com o que a minha irmã propôs. Desculpe-me, senhor Johnny.

— Não se desculpe por algo que não fez. Bem, eu vou fumar.

Lucas observou o chefe sair desanimado. Seu desejo era ficar tanto com ele, mas decidiu dar um tempo.

Do lado de fora, perto dos carros, sentado num banco de pedra, Johnny fumava enquanto pensava nas coisas que ocorreram nos últimos dias. Olavo descobrindo o seu gênero, o feromônio que sentiu no restaurante, Bia incomunicável, excitar-se ao ver Lucas desnudo e agora a proposta de Nathália. Sempre lamentou o fato de ser ômega, sentir todas as mazelas do seu corpo e os efeitos colaterais do remédio.

— Droga... — Ainda fumando percebeu que o caseiro chegou num jipe e foi diretamente ao restaurante.

Lulia atendia aos clientes quando Leandro, o caseiro, chegou e pediu para conversar. O gerente do hotel pediu licença aos três.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Sim, senhor Foster.

— Você gosta do Johnny, né?

Aquilo surpreendeu o moreno.

Passava das seis da tarde, o clima caiu para uns 22°C. Mesmo assim o detetive sentiu o seu corpo febril, portanto decidiu recolher-se mais cedo.

— Você está bem? — perguntou Lucas segurando seus ombros.

— Vou dormir um pouco antes de jantar. — Desvencilhou.

Dentro do recinto, Johnny sentiu algo escorrer pela nádega. Era a secreção que saía da sua retovagina e que caracterizava quando o ômega ficava no cio. Imediatamente foi ao banheiro, abaixou a calça e percebeu a cueca melada. Pegou o papel higiênico para poder limpar, sentindo uma contração que o fez perder as forças nas pernas.

— Não pode ser.

As contrações se intensificaram. Era uma sensação parecida como algo antes de um orgasmo. Enfim, não aguentou. O detetive se despiu, entrou na banheira e começou a masturbar-se pelo ânus. Enfiou o dedo do meio para tentar se estimular.

— Isso de novo... merda.

Outras vezes aconteceram, mas logo passaram. Dessa vez foi forte. Logo Johnny lembrou de Lucas e o seu corpo sarado.

— O que tá acontecendo? Por que estou tendo pensamentos pervertidos... ahh...

Lucas também ia se recolher quando recebeu uma notificação pelo celular. Era Johnny. Despediu-se de Rodrigo e Henkel e foi até a porta do quarto.

— Chefe. Que foi?

A porta abriu. Uma onda de feromônio engoliu o alfa. Johnny puxou o colega pela camisa, jogou-o contra a cama e trancou o quarto.

— Meu Deus... você tá no cio?

O semblante de Johnny era de muita luxúria.

...

Por volta das oito da noite, Bia saiu de carro para um restaurante na praia. Um homem de meia-idade e vestido socialmente acenou a ela.

— Recebi a sua ligação enquanto estava por perto. Sorte sua, minha querida. O que a sua ilustre presença quer comigo?

— Sebastian, soube que trabalha como pistoleiro para o PCC. Talvez precise de um trabalho extra para sair da rotina.

O homem terminou de fumar.

— A quem tenho que matar?

— Duas pessoas. Aqui estão as suas fotos. Uma eu conheço há bastante tempo e é uma bomba relógio de segredos, a outra é a minha empregada.

— Um Zé Ninguém e uma empregada. Vai ser fácil. Cinquenta mil por cabeça.

— Fechado. Se você tiver sorte e pegar esse cara ainda com um cheque de vinte mil, ele é todo seu.

Os dois se cumprimentaram e Bia saiu de perto. O assassino pediu mais um drinque.