Johnny... O bom detetive

12 Parte 03: Investigação // Capítulo 06: Testemunha ocular


— Você ficou louco? Vem ao meu trabalho para me extorquir. E pensava que você tinha algum sentimento por mim. É por isso que desde que saiu ontem está me ligando, não é? Mas eu desliguei o celular, bebê.

— Não quero arrancar dinheiro. Eu podia ter feito no passado, mas não o fiz por consideração. Acontece que eu devo esse dinheiro a um agiota e preciso pagar nos próximos dias.

— E de repente você pensou que vindo até mim conseguiria o dinheiro. Ah, bebê. Não seja ingênuo. Você gosta de dizer que é um dominador nato, mas esquece que eu também gosto de dominar. Sou uma gata selvagem e independente. Tentar me persuadir a dar o dinheiro seria um trabalho de mestre. — Bia encostou Paulie contra a parede. — Você tem sorte por ser gostoso e eu adorar o seu pênis. Será a primeira e última vez que me pede essa quantia.

— Então vai me dar? Tem o cheque aí?

— Idiota. Eu não posso te dar um cheque nominal. Tenho um ao portador em casa. Isso quer dizer que você terá que passar em casa pra pegar o cheque, entendeu? O cheque.

— Entendi, mas não vai ter ninguém na casa hoje?

— A empregada sai às cinco. Tem uma diarista, mas essa sai antes. Não se preocupe que eu vou dispensá-la pra você entrar. E essa será a sua segunda e última vez na minha casa. Meu marido ou alguém da família dele poderia chegar de surpresa.

— Tudo bem, gata. Às cinco eu já estarei no lobby do prédio.

Ambos se beijaram e cada qual foi para o seu caminho.

...

Da delegacia para a fazenda levaram quase quinze minutos de carro. Foi esse o tempo que Johnny permaneceu calado enquanto dirigia. Ao seu lado um Lucas um pouco preocupado com o bem estar do seu chefe.

— Não faça essa cara de cãozinho covarde. Diga o que te aflige.

— Estou preocupado contigo, chefe. Não posso simplesmente deixá-lo sozinho durante o seu ciclo.

— Lá vem você e suas ideias mirabolantes e protecionistas. Eu compreendo que esteja preocupado com a minha saúde, mas estou bem. Não precisa ficar ansioso com isso — Johnny passou a mão na cabeça de Lucas e fez um carinho. O gesto arrepiou o moreno.

— Chefe, é a sua esposa ligando. Não vai atender?

— Estou dirigindo — o detetive pegou o celular e desligou.

O carro entrou na propriedade da fazenda por volta das onze da manhã. O sol estava escaldante, diferente do dia anterior onde as nuvens deixaram o clima ameno.

Assim que saíram do carro foram recebidos por Jacques. O mordomo explicou que a sua patroa esperava a dupla na biblioteca. No entanto, antes de entrarem, dois cavalos pararam próximos a eles. Olavo montava num, o caseiro em outro.

— Bom dia, detetive. Vejo que hoje está decidido a soltar o assassino do meu pai. Mas se depender de mim ele estará apodrecendo nas grades.

Johnny sentiu o aroma do feromônio de antes. Dessa vez nem mesmo Lucas conseguiu sentir. Vinha de algum canto por perto, e os únicos além deles que estavam ali eram o mordomo, Olavo e o caseiro.

— Que foi? Tem algum problema? — perguntou o moreno.

— Ah sim. Você é o guarda-costas do senhor Zawaski. Sempre estão juntos. Digam-me qual é a probabilidade de um alfa e um ômega andarem juntos sem nenhum tipo de interesse sexual?

— Perdão? — indagou Johnny.

— Nada. Bom dia a vocês. Vamos, Leandro.

— Sim, patrão.

Jacques pediu que os dois fossem ao encontro de Nathália. Assim que entraram na biblioteca, viram-na de camisola e lendo um livro.

— Querem algo para beber? Algo com álcool ou suco?

— Não, senhorita Foster. Viemos com um único interesse. Por que acusou Germaine Henkel?

— Senhor Zawaski, sente-se. — A irmã de Rodrigo era uma mulher aparentemente independente, igual a Beatriz, porém com cabelo preto e curto. — Eu não tenho nada contra ele, mas recebi uma correspondência dos correios. Uma caixa.

— Que tipo de caixa?

— Caixa de papelão. Como se fosse uma caixa de sapato. Havia um revólver com o feromônio daquele homem...

— A gente já sabe dessa parte. O delegado nos contou — Lucas interrompeu.

— A senhorita denunciou uma pessoa com base em provas fracas e superficiais. Qualquer um poderia ter feito uma armadilha para pegar o feromônio e impregnar naquela arma.

— Sim, senhor Johnny, mas há outra prova que eu sequer disse ao delegado. — Ela foi até a parede e abriu um cofre. Retirou um pendrive. Conectou-o no notebook e mostrou a filmagem das câmeras de segurança no dia da morte de Nestor.

— Como você tem acesso a isso se nem mesmo a polícia tem?

— Liguei ao chefe da segurança e pedi que retesse todas as filmagens antes que a polícia pedisse acesso. Quando eles chegaram lá, as filmagens foram todas apagadas. Tenho cerca de 45 horas de gravação. Você quer?

— Aposto que isso terá um preço alto, senhorita Foster.

— Claro. Só preciso ter uma noite de sexo contigo, senhor Johnny.

A proposta pegou os dois de surpresa. Nathália sorriu e disse que nunca teve sexo com um homem ômega antes e que essa seria a sua chance. Lucas, indignado, falou que o parceiro era casado e um homem fiel. Johnny viu o seu amigo sair furiosamente da biblioteca.

— Não farei isso, senhorita.

— Pense bem, pequeno gafanhoto.

...

Por volta das cinco, a empregada Lúcia terminou os seus afazeres e se despediu da patroa. Após descer ao lobby do prédio, cruzou com um homem que entrou no elevador. O tal homem era Paulie.

— Querida, cheguei.

— Pare de gracinhas. Venha.

O dois subiram ao quarto dela. Beatriz entregou o cheque, porém o homem agarrou e começou a beijá-la.

Enquanto isso, Lúcia, no ponto de ônibus, lembrou que esquecera de dizer à patroa sobre a ligação e o remédio. Também esqueceu seu celular no balcão da cozinha. Voltou ao prédio.

— Dona Ana, esqueci de dizer algo. Dona Ana?

Lúcia pegou o celular e subiu ao quarto. Sentiu um forte cheiro de feromônio. Era algo extremamente lascivo. Viu, pela brecha da porta, os dois na cama.