Johnny... O bom detetive
7 Parte 03: Investigação // Capítulo 01: Rodrigo Foster

Fazenda da Família Foster — FFF
Havia uma comoção entre amigos e parentes com a morte do influente fazendeiro Nestor Foster. Cerca de oitenta pessoas assistiam ao velório com direito a um padre fazendo preces pelo homem morto. Na sala da casa um caixão adornado por flores brancas e vermelhas, uma grande cruz e candelabros. Os visitantes vestiam preto e cochichavam o porquê da ausência do filho do defunto.
Ainda na fazenda, no andar superior, sobretudo no quarto do filho, uma cama rangia. Rodrigo, de quatro, era invadido pelo pênis rijo do seu namorado alemão. As investidas começaram vagarosamente, não havia pressa, o velório que lutasse para tê-lo por lá. Os movimentos do quadril do rapaz loiro aumentaram à medida que os segundos foram passando. Rodrigo sentia dor mas também era masturbado pelo namorado alfa.
— Urgh...droga. Vou gozar.
— Mas já?
— Que culpa eu tenho se tua mão é forte e calorosa.
O carro apareceu na entrada da fazenda. Os seguranças abriram já sabendo de quem se tratava. As duas pessoas chamadas pelo filho do falecido.
Uma estrada asfaltada dentro da propriedade direcionou o veículo até a entrada da casa. O número de pessoas ali chamava a atenção.
— Chegamos.
Os dois saíram do veículo. Respiraram o ar fresco do campo. Viram que pastavam ali avestruzes. Muito diferente do que se podia imaginar na capital.
Lucas ficou quieto o trajeto todo e manteve-se da mesma maneira assim que pôs os pés para fora. Johnny, apesar de incólume por fora, por dentro incomodou-se com a atitude suspeita do colega.
Um velho da cabeça branca, trajado num terno preto, apareceu diante dos detetives. Apresentou-se como o Jacques da Silveira, o mordomo da família. Ambos cumprimentaram o septuagenário, que chamou-os para a entrada do vestíbulo.
— Não estou nada confortável com essa gente reunida aqui.
— Acalme-se, Lucas. Sei como é desconfortável, mas saiba que Nestor era um homem da alta sociedade cearense. Claro que numa situação dessa os urubus aparecem. — Sussurrou para logo depois sorrir diante dos convidados.
A sala da casa era vasta. Havia um lustre de cristal bem no topo. A escada toda trabalhada em madeira mogno se dividia em duas a partir do meio. Provavelmente cada escada dava para um lado da fazenda.
Os convidados foram se achegando ao limite permitido para se aproximarem do caixão: 50 centímetros. O senhor Silveira, com suas luvas brancas, utilizou de gatimonhas para chamá-los à biblioteca.
Pouca gente ali. Algumas crianças até. O mordomo pediu que saíssem por ordem da família Foster. Fechou a porta.
— Já me sentia sufocado.
— Não dê ouvidos ao que meu colega disse — cutucou o Lucas. — Parece que o senhor Foster era um homem de grande coração, não? Deduzo assim pois há uma aglomeração fantástica para apenas um velório. Para quem ver de longe poderia ser até um casamento.
O mordomo ficou em pé na biblioteca enquanto os dois sentaram nas poltronas. O idoso seriamente respondeu que o ex-patrão era um homem com muitas ambições. Para ele, alguém que se irritou com o senhor Foster fez isso. Argumentou que o dono da fazenda jamais lançou alguma medida severa aos funcionário da propriedade, no entanto possuía ligações escusas.
— Nesse ramo do poder, encontrar um inimigo é muito fácil. Creio que haja algum desafortunado que odiava o meu ex-patrão.
Johnny segurou uma caderneta e uma caneta. Anotou tudo o que o mordomo dizia.
— Ele ser fazendeiro todo mundo já sabe , mas além disso era o que mais?
— Deixe que eu mesmo respondo isso ao senhor, detetive Zawaski. — Rodrigo apareceu por trás. Vestido num roupão branco, contrastando com o negro das roupas de luto dos convidados. O rapaz sentou na própria mesa. — Meu pai era empresário. Ele não só trabalhava no ramo do plantio e agricultura, mas uma fábrica em Fortaleza no ramo alimentício. Uma fábrica de enlatados.
O franzino pegou um cigarro, acendeu e iniciou o fumo. Pediu que o seu mordomo saísse o quanto antes dali.
— E o que tem a ver isso com o caso? — indagou Johnny.
— Meses atrás pedi ao meu pai que empregasse uma pessoa em meu nome. Um estrangeiro alemão. Tenho uma leve impressão de que esse cara matou o velho.
— Você sabe quem é? — perguntou Lucas.
Rodrigo chamou a dupla para o andar superior, contudo a sua passagem por ali não foi nada discreta. Os convidados cochichavam acerca da falta de respeito do filho mais novo do falecido.
Foster abriu o seu quarto, convidando os detetives a entrarem ali. Ele sequer confiava nos empregados da casa. O recinto era espaçoso, arejado, uma janela grande aberta fazia com que o vento entrasse ali. Johnny observava tudo.
— Você não mora aqui. — Johnny disse diretamente.
— Incrível como as coisas que falam sobre o senhor é verdade. Sim, moro em Fortaleza e venho aqui de vez em quando. Como notou só batendo olho?
— Exatamente. Seu quarto mais parece um quarto de hotel. Eu já fui com a minha esposa para Niterói e um dia encontrei... embalagem de camisinha debaixo da cama.
Lucas ficou confuso. Esperava que o seu parceiro fosse responder outra coisa. Escutou a gargalhada de Rodrigo.
— Você é hilário, cara! Por acaso é um alfa?
Aquela pergunta pegou Johnny de surpresa. Não esperava que ele fosse ser tão informal, sequer esperava uma pergunta tão pessoal como aquela.
— Desculpe o que este beta inconsequente fala. Eu sempre pergunto isso a quem acabo de conhecer. Enfim, eu não tinha uma relação boa com o meu pai. Ele queria que eu namorasse uma guria filha de um empresário colega dele, mas eu disse "não vai rolar". Sou viado demais para gostar de uma pepeca hahaha.
Ele foi à porta do banheiro conjugado e pegou alguém pelo braço. Um homem alto, loiro e forte surgiu diante deles. Não parecia ser um brasileiro. O rosto rosado, cabelos quase oxigenados e o sotaque revelaram ser um estrangeiro.
Lucas e Johnny se olharam confusos.
— E quem é esse? — indagou Lucas.
— Este lindo e gostoso alfa é o Henkel. O alemão que eu disse... e o meu namorado.
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