Johnny... O bom detetive

5 Parte 02: Natureza cruel // Capítulo 03: Afrodisíaco


Um vislumbre do passado

Fortaleza, Ceará, 2006

Lucas Souza era um bom filho, bom aluno e bom nos esportes. Apesar de ser ainda jovem, 14 anos, destacava-se por sua altura um tanto acima da média. Filho de uma médica branca com um deputado negro, o moreno sempre enfrentou uma dificuldade de se encaixar no meio de tantos alunos caucasianos nas escolas particulares que frequentou. Apesar de nunca ter sofrido preconceito, era incômodo ele ser o único aluno de cor na sala.

Havia alguém que ele sempre admirou. Um estudante dois anos acima dele. Quando entrou para a escola, isso no sétimo ano, conheceu um aluno bastante popular. Era o Johnny do nono ano. Tudo nele era perfeito e as pessoas sempre se aglomeravam perto dele.

O jovem Johnny era o filho do contribuinte mais rico da escola. Os seus pais eram empresários e de família europeia. Uma boa vida, moravam numa mansão luxuosa no bairro Dunas. Porém o jovem Johnny era tão humilde, tão simples, tão atencioso que chamou a atenção do Lucas. Nem parecia ser filho de pessoas tão ricas e poderosas.

Um dia, Lucas precisou carregar algumas caixas com materiais para a feira de ciência quando uma pessoa se ofereceu. Johnny sorriu para Lucas e ajudou-o a carregar algumas caixas. Aquilo fez com que o coração acalorado do moreno batesse mais forte mesmo ele não sabendo do que se tratava aquilo. Isso foi quando o moreno estava no oitavo ano.

Conversa vai, conversa vem, os dois decidiram se tornar amigos. Entretanto, dada as circunstâncias, os dois ainda não eram tão próximos. Como Johnny era dois anos mais velho, ficou difícil para que eles conversassem por mais tempo. Tarefas, trabalhos, a vida diferenciada de suas famílias... tudo era conspirado para que essa amizade não fluísse como deveria ser. Até que um dia Lucas convidou o seu amigo para ir à sua casa, um apartamento num bairro nobre.

— Bom, não é como a mansão onde mora, mas aqui tem muito espaço.

— Eu gostei da sua varanda. O vento bate aqui, parece que estou no topo do mundo. Parece até que estou em liberdade.

— Como assim?

— Lá em casa apesar de ter ventania, não posso ver a paisagem de fora. O muro e os seguranças impedem isso. Aqui você tem uma visão privilegiada. Dá até pra ver um pouco o mar.

Naquele dia os dois se conheceram melhor e tornaram-se amigos. Lucas ficou corado ao lado do Johnny, porém permaneceu quieto. O caucasiano apenas se interessava em jogar com o amigo.

A amizade esfriou a partir do momento que Lucas entrou para o ensino médio. Ambos ficaram em turnos diferentes. Ele ficou pela manhã e Johnny à tarde. Naquele ano, 2006, o futuro do jovem Zawaski era traçado por um forte acontecimento que mudaria as suas vidas completamente.

Em 2006 houve um grande torneio chamado Interclasse. Todos os alunos puderam participar, mas somente alguns conseguiram ir até o final. Por fim o 2º ano da manhã venceu o torneio. O Intercolegial iniciou e alguns dos melhores alunos de diferentes séries puderam integrar ao 2º ano. No jogo destacaram-se Lucas e Johnny, os melhores jogadores de futebol da escola.

No último minuto, Johnny passou a bola para Lucas. O gol foi marcado e o desempate. A escola deles, a anfitriã, ganhou o troféu. Foi uma grande festa.

— Está se sentindo bem, Johnny? Parece que vai derreter como manteiga — disse um dos colegas. De fato o adolescente não se sentia bem.

— Estou bem. Só estou com calor. Vou no banheiro e volto rápido.

Ele deu uma olhada para Lucas. Sorriu ao vê-lo comemorar a vitória. No caminho para o banheiro ficou pensativo. Os seus pais não puderam ir assisti-lo. Isso sempre aconteceu desde que era novo, porque a vida de empresário os impedia de terem uma vida normal. Sempre achou essa vida um saco.

— Vocês viram o Johnny? — perguntou Lucas.

— Foi ao banheiro. Disse que não se sentia bem.

No banheiro, o rapaz ficou na frente do espelho. Seu rosto ficou quente como se uma febre repentina o acometesse ali mesmo. Sua respiração agora era pesada, ofegante. Um estranho calor surgiu pelo seu corpo, fazendo-o desabotoar os dois botões da farda — era uma camisa polo.

— Que merda. O que está acontecendo comigo? Logo agora que todos estão comemorando.

Três rapazes entraram no banheiro. Johnny continuou a lavar o rosto enquanto olhava de relance aquele trio. Eram alunos da escola perdedora. Não queria assunto com eles.

— Você deve ser o Johnny Zawaski, não é? Aquele drible foi sensacional. Você sabe jogar de bola melhor do que eu.

— O-obrigado.

Um cheiro saiu do suor de Johnny. Os alunos sentiram e se aproximaram dele. O que parecia ser o líder daquele trio segurou o rapaz pelo pulso e perguntou de onde vinha o odor. Johnny não conseguiu responder e apenas pediu para soltá-lo... com um rosto bastante lascivo. O sujeito se recusou e cheirou a nuca do rapaz.

— Você é um ômega. Gente, esse cara é um maldito ômega.

— Mentira. Ele me parecia tão alfa. Ele é mais másculo do que eu que sou beta.

— Será que existem ômegas com aparência de alfas?

— Me solta! Não sei do que vocês falam.

O líder puxou Johnny pelos cabelos e empurrou-o contra a parede. Explicou que aquele aroma afrodisíaco era de um ômega.

— Sei disso porque sou um alfa. Meus dois amigos são betas. Biologicamente consigo distinguir esses cheiros. — Ele começou a desfivelar o cinto. — Melhor tirar a roupa agora.

Aquilo deixou Johnny perplexo. Começou a socar os três, mas seus golpes eram lentos e fracos. Ele não entendia o porquê de estar fraco ali. Os dois betas socaram-lhe seu rosto até ele cair no chão. O alfa pediu que os dois retirassem a sua calça para assim abusá-lo sexualmente.

— Mas que porra é essa? — Lucas apareceu no banheiro e viu os três arrancando as calças de Johnny.

Sem entender muito, Lucas deu um chute no rosto do abusador que quebrou o nariz dele. Os três fugiram.

— Você está bem?