Johnny... O bom detetive

3 Parte 02: Natureza cruel // Capítulo 01: Dominatrix


— Amor, viu a bolsa com os meus comprimidos? Será que a empregada outra vez guardou em outro lugar?

— Não, querido. Dessa vez fui eu. Está aqui no quarto.

Ela tirou a bolsa de dentro da gaveta de uma cômoda e entregou ao marido. Johnny retirou uma cartela com mais dois comprimidos restantes. Pôs um na boca e bebeu água. Bia ficou satisfeita por ele dessa vez ter se lembrado de tomar o remédio no horário certo.

— Acho que uma cartela com quinze comprimidos será o suficiente. Afinal, acho eu que não ficaremos mais do que duas semanas lá.

Ele deu um último beijo na esposa, pegou uma bolsa de guardar bagagem, documentos, chave do carro e o seu revólver. Foi ao subsolo do prédio, entrou no carro e foi para Messejana buscar o seu parceiro detetive.

Ana Bia ficou sentada no sofá quando alguém manda uma mensagem pelo celular. Era uma pessoa que ela conhecia há anos e que recentemente chegou na cidade depois de muito tempo fora. Ela pediu para que os dois se encontrassem mais tarde, que Johny tão cedo voltaria para casa. O seu contato concordou. Era um homem.

...

A viagem de carro de Fortaleza para Guaramiranga levaria quase duas horas. Zawaski parou no condomínio em que Lucas morava e buzinou. O moreno colocou a sua bagagem na porta-malas e entrou no veículo. Johnny perguntou a ele se levava alguma roupa de frio, pois para os padrões cearenses 20 graus era quase ártico. Lucas assentiu. Ambos levavam uma roupa para o frio da serra.

— Mas o Rodrigo mora lá em cima da serra?

— Não. Ele tem uma fazenda na cidade vizinha. Acontece que é em Guaramiranga que a família dele possui uma pousada. Vamos nos hospedar lá e criar uma base de operações nesse lugar. Depois a gente passa na fazenda.

— Por que ele pediu para irmos à pousada primeiro?

— Parece que hoje é o funeral do pai dele e a família está toda reunida na fazenda, por isso achamos melhor que a investigação de fato iniciasse quando menos pessoas estiverem lá. Até mesmo por respeito com a família — disse Johnny enquanto dirigia.

Lucas preferiu ficar calado uma boa parte do trajeto. Ficou olhando a paisagem da estrada. Um flash veio à sua mente. Um sonho que ele acabou de lembrar. Um sonho da noite anterior. Ele e outra pessoa fazendo sexo, mas não via o rosto dessa pessoa.

— Que foi? Tão calado.

— Posso te confessar algo?

— Fala.

— Eu quero acabar com o meu namoro com a Silvia. — Johnny olhou para o amigo e revirou os olhos. — Não me olha com essa cara. Você sabe que eu sou um cara que gosta de viver a vida de solteiro. Sou bem diferente de você que decidiu juntar os panos com a Bia antes dos trinta.

— Você pelo menos vai dar satisfação para a moça?

— Vou ligar para ela hoje. Muito complicado, ela só quer saber da faculdade. Assim fica difícil achar um jeito de namorar sem ter medo de ser substituído por livros.

— Sabe do que eu acho, não é? Você tem esse ar de cafajeste, mesmo assim algumas moças se apaixonam por esse seu jeito. Não seja muito arrogante ou um dia você se dará mal. Apenas dispense a moça e diga para ela ser feliz em outro lugar. Não dê esperança para ela de algum retorno.

— Se esse for o caso então sem problemas. Eu não quero namorar tão cedo. Vou aproveitar a solteirice.

E continuaram pela estrada.

...

A senhora Zawaski estacionou o carro perto da calçada de um prédio, pegou a bolsa e saiu do veículo. Falou ao porteiro o seu nome, subiu pelo elevador até o quinto andar. Tocou a campainha. Um homem atendeu.

— Então você veio. Finalmente.

O homem era da mesma estatura que Johnny, porém mais moreno, um pouco calvo na cabeça — que ele raspava para ficar careca. Era bem atlético, usava uma jaqueta de couro preta, brinco alargador nas duas orelhas. Mesmo com uma beleza facial inferior a de Johnny, ele tornou-se o verdadeiro homem que Bia sentia atração sexual.

— Safado. — Ela deu um pulo sobre ele e ficou em seu braço. Ambos se beijaram tão intensamente que não houve ali um momento para conversa.

Sim, Ana Beatriz Zawaski era uma mulher infiel. Casada há quatro anos com Johnny e o trai com um amigo da antiga faculdade. Foram para o quarto dele e fecharam a porta. Dali em diante fizeram sexo selvagem.

Depois de quarenta minutos os dois terminaram. Ela vestiu a lingerie vermelha e ficou seminua sentada na beirada da cama enquanto o amante a admirava.

— Você continua uma dominatrix. Coitado do corno do teu marido.

— Não fala assim dele. Afinal de contas eu ainda tenho um apreço por ele. Apesar de que ultimamente não estamos fazendo sexo. Mas eu não estou preocupada com isso. Paulie, desde quando está na cidade? Te vi ontem na praia.

— Eu desfiz a banda. Estou cantando solo agora. Por conta disso eu saí do Rio e voltei pra cá. Está feliz em me ver?

— Claro que sim.

— Pensa em se separar do corno?

— Claro que não. A família do Johnny é de bom status social. Quero me manter "fiel" ao meu maridinho e continuar vivendo como rica.

— Quer dizer que eu sirvo apenas como o aperitivo, não é? Larga dele. Somos iguais. Somos seres humanos dominantes. O corno do teu marido é um ser humano que nasceu para ser dominado.

Ela beijou Paulie.

— Não há discussão. Vivi até agora como uma esposa tradicional. Respeitei ele ao máximo como marido. Mas percebi que tem um outro dominador rondando ele, por isso terei que marcar o Johnny para sempre. Assim mesmo eu traindo mil vezes, ele nunca vai me deixar.

— Como você é cruel.

— Não jogo limpo. Sou como uma loba que marca território. Aquele Lucas também é dominante. Vive grudado com o Johnny. Apesar de eles nunca terem se atraído por homens, a natureza dos seus corpos vai agir mais cedo ou mais tarde.