Quando se é criança a gente pensa que vai crescer, sair do castelo, achar o principe encantado e ser feliz para sempre, doce engano. A verdade é que você ainda vai estar no terceiro ano do colegial, sendo zuada pelas mesmas pessoas que sempre te zuaram. A vida é dura e infelizmente a Disney esqueceu de dizer isso.

Foi isso que eu pensei enquanto me arrumava para a excursão da escola, uma viagem estupida que meu novo professor de história inventou, quer dizer deve ser super legal fazer uma viagem para a Escócia, hello lá é o País dos castelos, das saias masculinas e tudo mais, mas tinha que ser justo com a turma? E ainda com garotas que não gostavam de mim? Tudo bem que eu sentia o mesmo por elas, mas a vida estava sendo totalmente injusta comigo.
Respirei fundo, ok eu iria conseguir, ou não. Dei uma olhada em mim mesma no espelho, os cabelos pretos estavam em uma trança comprida que pendia no lado esquerdo do meu corpo, indo do topo da cabeça até a minha cintura. O sweter azul marinho de bolinhas brancas era colado ao meu corpo, modelando as curvas do meu corpo, revirei os olhos para mim mesma no espelho, minha mãe e suas tentativas de me deixar igual as barbies sem cerébro da minha escola. A calça jeans rasgada quebrava um pouco do ar fofo do meu sweter, os meus pés estavam com os lindos e sujos all star preto(porque se você não sabe, all star sujo, é all star com histórias), coloquei a minha mochila preta, o único presente que a minha mãe me deu que eu realmente gostei, ela era de couro mas era preta e tinha uns detalhes legais na frente. Ajeitei os meus óculos de nerd, bem parecidos com a da minha cantora favorita, Taylor Swift. Ajeito a minha touca deixando ela meio caida para trás, respiro fundo e abro a porta. Desço as escadas um pouco com pressa, eu nunca saio de casa então estou um pouco euforica, mesmo sendo uma viagem com a minha turma sem graça. Sou parada pela voz da minha mãe:

- Muriel querida, cuidado irá cair.

Viro minha cabeça e lá está ela, me olhando com um olhar reprovador, seus cabelos lindos cachos loiros caindo pela lateral até a altura de seus seios, com uma simples calça jeans e uma blusa branca, seus salto alto cor de pele, a deixa mais alta do que ela já é.

Minha mãe é totalmente diferente de mim, eu sou pequena, com traços delicados, meus olhos são de um verde agua, enquanto da minha mãe um azul profundo assim como um oceano. Quando eu era criança eu custumava ficar horas me comparando com ela, procurando por qualquer rastro de semelhança entre nós duas, traços que nunca apareceram que seja talvez eu seja igual ao meu pai, na qual eu nunca conheci. Ela sorriu para mim, me tirando das minhas lembranças infantis.

- Desculpa mamãe estava distraida. Sorri

- Oh, eu percebi querida, então ansiosa pela viagem?

Ela me olhou com ternura.

- Sim, um pouco com medo, mas bem.

- Medo? Porque?

Sua mão foi para minha cintura me abraçando de lado e me levando para frente, me fazendo descer com ela as escadas.

- Ah você sabe, garotas más, eu. Elas com certeza irão me atormentar a viagem inteira, tudo bem já estou acostumada.

- Oh querida, eu sinto tanto, eu realmente queria poder fazer algo por ti.

Eu sabia que minha mãe estava sendo sincera, mas a voz dela não me dizia o mesmo.

- Realmente está tudo bem mãe eu e elas não temos nada a ver mesmo.

Ela sorriu, por algum motivo estranho minha mãe gostava de que eu não tivesse muitos amigos e mesmo eu sempre agradecendo aos céus por isso eu achava aquela atitude dela estranha e suspeita, mães geralmente gostam de preparar festas pros amigos de seus filhos, certo?

- Tudo está certo? Sua bagagem, levou seu celular? Qualquer coisa me liga, qualquer coisa, nem que seja uma dor de cabeça. Por favor tenha cuidado.

Sorri e abraçei ela

- Terei mamãe, sim eu te ligo se algo acontecer.

Pude sentir seu sorriso no meu ombro

- Que bom, Akira por favor venha aqui.

Akira estava como sempre, seu uniforme impecável e limpo, assim como seus sapatos na quais estam sempre bem engraxados, seus cabelos pretos penteados para trás e com muito gel. Seus olhos castanhos são gentis e leais, Akira deve ter no maximo uns 45 anos, é bonito, com seus ombros largos e corpo tonificado. Akira sorri para mim e eu sei que ele está me dando bom dia.

- Por favor as malas de Muriel já estam no carro?

- Sim Senhora

- Tudo bem então, daqui a pouco ela irá.

Ele se inclina levemente para nós duas e sorri, logo ele desaparece no extenso corredor que dá para a garagem.

- Já tomou café?

- Sim, logo quando acordei.

- Bom.

Sorri novamente, e ela me dá um abraço apertado

- Sentirei saudades pequena gigante.

- Eu também mamãe.

Ela limpa os olhos que já estam cheio de lagrimas

- Oh, um mês e eu já estou com saudades.

Sorri docemente para ela

- Voltarei logo mamãe e nem terá tempo da senhora ficar com saudades do som do meu violão

A gargalhada dela saiu suave e doce pela grande salão, que a minha mãe chama de hall de entrada. Suas mãos passam carinhosamente pelo meu rosto. Logo ela me dá um breve beijo na minhas bochechas rosadas.

- Vá, e tome cuidado.

Eu sorrio, e saio pelo mesmo corredor em que Akira desapareceu.

A nossa garagem é grande, parece mais um salão de festas do que uma garagem, apesar de ter sido a minha vida inteira uma garota rica, ainda sim não estava acostumada com os luxos que a minha posição me proporcionava, ao contrário de minha mãe que amava aquela vida, eu era simples, gostava de coisas simples, luxos, jantares e festas, não estavam bem na minha descrição de vida feliz. Enquanto Akira passa pelos portões de minha casa, fico imaginando a nossa viagem, vamos para uma cidade da Escócia chamada Glasgow é a cidade mais populosa, e uma das três cidades que dá mais lucro ao Reino Unido, depois nós iremos visitar uma Cidade chamada Inveraray todos nós da turma estamos ansiosos para conhecer essas cidades, sinto meu estomago virar e virar quando penso nessa viagem, meu instinto diz que algo irá acontecer, como se com essa viagem eu irei realmente quem eu sou, balanço a cabeça e sorrio para mim mesma, bobagem eu sei quem eu sou, sou Muriel Gladys Thompson a única filha de Naomi Taylor Thompson, com o qual o marido eu nunca soube quem realmente foi, deste então minha mãe não tem ninguém, a única coisa que sei do meu pai é que ele morreu depois que eu nasci, nunca tive nenhum contato com ele, minha mãe também nunca me disse nada, a não ser essa única informação, de que ele morreu. Olho pelo janela do carro, me sinto um pouco desconfortável ao pensar sobre meu passado, ou meu pai, ou em minha família, talvez seja porque eu não me sinta parte de alguma família, a minha família é minha mãe, meus avos já faleceram e eles só tiveram uma única filha, meu pai morreu, não sei quem são meus avos paternos, suspiro, eu realmente me sinto um peixe fora da agua, não somente como aqui na cidade de São Francisco, como também em casa, ao contrário de todos eu ainda não encontrei o meu lugar no mundo.

Notas finais
Espero que gostem, beijos beijos :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.