Jogos do Coração.
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Foi uma visita, apenas uma visita para vida de Susan mudar completamente, ela estava observando os pacificadores, eles eram em grande número no distrito aquele dia e ela achou estranho, ela estava em uma espécie de ponte de madeira que flutuava acima da agua, ali no canal as aguas eram mais tranquilas e havia muitas pontes, então para ela era apenas mais um dia tranquilo levando mariscos de um lado para o outro, em alguns dias seria a colheita, a última de sua vida, ela tinha 18 anos e era sozinha no mundo, estava considerando seriamente se voluntariar, afinal era difícil viver sozinha no distrito, ela geralmente dormia em locais diferentes longe dos homens, com medo constante de ser abusada, foi quando ela parou de andar e escutou um grito assustado, ela se virou olhando, uma criança, crianças tinham medo dos abalos da ponte flutuante era normal. Coriolanus Snow apareceu de surpresa para uma visita no distrito quatro, ele estava andando a beira do canal quando ouviram um grito infantil, os soldados empunharam armas, mas ele ergueu a mão, era apenas um grito, ele seguiu com o olhar, uma criança assustada na ponta flutuante, foi quando alguém gritou tubarão que as coisas ficaram imensamente interessantes na sua visão. Susan largou o seu cesto e começou a correr quando viu uma barbatana, era um tubarão, por isso a criança gritava, ela gritou para um barqueiro que jogou a lança, ela pegou no ar continuando a correr na ponte, chegaria mais rápido que qualquer um. Snow continuou andando apressado, seus olhos focados na jovem correndo na ponte, mesmo instável a seus pés ela conseguia atingir velocidade, após pegar a lança no ar, ela correu mais alguns metros e então pulou na água com um mergulho, ele parou observando uma mancha escarlate na água momentos depois, a criança gritava e chorava, ele esperou e foi recompensado, no meio da mancha vermelha, a jovem que havia mergulhado surgiu e nadou subindo na ponte com a lança em mãos:
— Tragam-na. – disse ele continuando seu passeio.
Susan tossiu um pouco e olhou a criança, um homem já estava amparando o menino chorando, então ela sentiu os passos na ponte e olhou, eram pacificadores, ela largou a lança e se levantou erguendo as mãos, eles pararam na sua frente:
— Acompanhe. – disse um se virando e andando de volta.
Ela começou a andar e percebeu que o outro ficou atrás dela, ela não infligiu lei nenhuma usando a lança para matar o tubarão, mas ela os seguiu, era uma ordem direta, não se desobedecia essas ordens, ela saiu da ponte de madeira e andou por terra firme, estavam levando ela ao aglomerado maior de soldados e homens da cidade, ela foi passando por inúmeros deles e parou atrás do soltado que de repente saiu da sua frente, havia espaço, nesse espaço estava o presidente Snow, então era isso o alvoroço? Ela olhou o chão quando percebeu que estava encarando:
— Venha. – disse ele. – Mais perto.
O soldado atrás empurrou levemente, ela seguiu em frente e parou a distância, então ele veio até ela, ele estava de preto e ela podia ver luvas, ele a segurou pelos ombros:
— Está encharcada. – Declarou ele. – Vamos.
Ela não olhou para o lado dele, não olhou para ele e não olhou ao seu redor, apenas o chão, ela por instinto sabia que estava em alguma casa agora da vila dos vitoriosos, também sabia que estavam sozinhos, ele continuou andando e a levou até um banheiro:
— Tome um banho quente, pedirei por roupas. – disse ele calmamente.
— Senhor...
— Sem discutir. – Interrompeu ele.
Susan se viu sozinha no banheiro e então olhou ao redor, havia produtos claramente a Capital ali, ela esperou e ouviu uma batida na porta, logo o presidente entrou, ele a olhou ainda do mesmo jeito que ela estava e deu um pequeno sorriso:
— Isso é uma roupa deste distrito? – perguntou ele mostrando as roupas.
— Sim, senhor presidente.
— Ótimo, temos toalhas e roupas, tome um banho, esperarei na sala. – Ele saiu do banheiro. – Não demore.
Era um alerta, ele não seria tão paciente novamente, então ela tomou o banho rápido e se enxugou, vestiu-se e reparou, tinha roupas, mas não as de baixo, ela ignorou isso e desceu as escadas, não se passaram nem sete minutos, ele estava com um livro no sofá e a olhou cerrando os olhos levemente:
— Sente-se por favor. – pediu ele, observando a jovem sentar-se. – Sabe ler?
— Sim, senhor presidente. – respondeu ela.
— Quantos anos tem? – perguntou ele entregando um livro para ela, que ela segurou.
— Dezoito. – Ela olhou o livro. – Vou me voluntariar esse ano.
— Mesmo? Não quer ver se a sorte a impede de competir? – perguntou ele curioso.
— Não existe sorte. – respondeu ela sem querer e abaixando a cabeça.
— Interessante. – Ele sorriu apenas e observou em silencio.
Foram alguns minutos de silencio, ela ficou olhando a capa do livro, ele estava em pé, o presidente a chamou por algum motivo, ele não iria se apiedar da garota que se jogou no mar para matar um tubarão, então ele sentou ao seu lado, ela permaneceu em silencio onde estava, com medo de se mover agora e tomar uma pena de morte, mesmo que morrer não fosse o real problema, como era a morte era o problema, então ele pegou sua mão:
— Espero conhecê-la melhor. – disse ele calmamente. – Talvez você seja a escolha perfeita. – Murmurou ele chegando mais perto, ele a viu tremer quando ele chegou com a boca perto da orelha dela. – Não se voluntarie.
— E se eu o fizer? – perguntou ela então se distanciando levemente apenas para virar e o olhar.
— Só tornará as coisas interessantes e perturbadoras para mim. – Ele a olhou bem nos olhos. – Pretendo me casar e talvez você seja a noiva perfeita.
— Eu? – ela quase riu. – Desculpe senhor presidente, alguém da Capital seria o melhor para o senhor.
— Será? – ele indicou o livro. – Pode ficar com ele, nos veremos em breve.
Essa foi a deixa e ela saiu da casa. Snow foi deixado no sofá, ela era uma pessoa que gostava de desafiar um pouco, mas não saia do seu lugar, ela o conhecia melhor que ninguém aparentemente, ele coçou a barba distraidamente, casar-se com um tributo? Talvez fosse uma boa escolha, havia rumores de rebeldes, se ele mudasse o modo de tratamento, se ele se casasse com um tributo, com uma campeã? Ele sorriu mais, só tornaria tudo muito mais interessante realmente, uma melhor visão, o presidente de Panem, um relacionamento longe da Capital, ele uniria a força distrital um pouco, mostrando que ele aos poucos podia melhorar os distritos, bem devagar e nunca melhorando de fato.
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