Jogos Justos
8 VII - Sem Saída
Notas iniciais
Boa Leitura! x)
Seis horas da manhã eu acordei, preguiçosa, fazendo a higiene diária e tentando tirar todos aqueles grampos do meu cabelo no banho, porque no seco não tinha funcionado. Prendi meu cabelo no típico rabo de cavalo baixo sem qualquer mexa fora do lugar e respirei fundo com o meu reflexo no espelho, bem visível e límpido – uma Artemis mais arrumada, mas idêntica aquela adolescente marrenta da Zona Sete. No dia seguinte os Jogos seriam iniciados e eu não queria saber por onde começaríamos, porque eu simplesmente ainda não conseguia enxergar o amanhã.
Justamente agora a dor de barriga de nervosissismo começou a se manifestar e não foi nada bem-vinda. Coloquei o uniforme preto e verde que Helena me fez e deixei meu quarto, indo diretamente para a sala de jantar integrada a sala de estar onde Dinah e Oliver tomavam café quase como zumbis. Dinah ainda estava mais apresentável, mas Oliver escondia suas olheiras atrás de óculos de sol.
-Eu perdi a festa? – perguntei mexendo com eles. Nenhum sinal de Roy.
-Helena trouxe tequila depois que você foi dormir. – Dinah explicou massageando as têmporas não maquiladas e eu sentia que aquele olhar sonolento do meu tutor para a comida era de quem estava batendo um papo muito sério com ela.
-Ressaca... – assoviei baixo e me sentei num lado da mesa, me servindo com toda aquela comida maravilhosa e sempre a minha disposição fresquinha. Tinha que aproveitar meus últimos dias.
-Roy não vem comer? – eu perguntei distraída, enfiando um pão com geléia na boca, muito bom por sinal. A dupla tentou trocar olhares, mas não conseguiram por causa da dor de cabeça, deduzi. Eles simplesmente respiraram fundo e eu supri uma risada.
Aquilo ali estava muito engraçado para uma pessoa só.
-Ele disse que queria treinar sozinho. – Dinah falou alto o suficiente para que somente nós três escutássemos. Meus olhos lançaram-se para cima e eu me vi encarando os olhos verdes por trás das lentes de Oliver.
Ele suspirou e empurrou o prato para o lado, pegando um pouco de café em sua xícara nada sutil – Acontece normalmente. O tributo fica insatisfeito com seu desempenho e acha que é perda de tempo ficar atrapalhando o treinamento do outro. – ele parecia chateado com aquilo e Dinah também.
-Ele está desistindo?! – minhas sobrancelhas fincaram-se e Dinah negou com a cabeça.
-Artemis, não são todos que conseguem se habituar com essa pressão de treinamento diário e preparação psicológica escassa. Roy é muito centrado... Até centrado demais. Ele deve ter pedido para treinar sozinho pra preparar estratégicas que ele acha que vai dar certo. – se a intenção de Dinah foi aliviar a barra do Roy, não deu certo.
-Ele está montando estratégias sozinho para agir sozinho...? – não entendi se eu tinha feito uma pergunta ou alegado algo. No final de contas, Oliver respondeu de uma forma simples, curta e grossa o suficiente para acabar com as minhas duvidas:
-Ele quer ter um plano B caso a parceria de vocês vá por água abaixo.
Eu cerrei meu punho e olhei irritado para os dois a minha frente – Ótimo! O que faremos agora?! Roy desistiu de mim e está planejando se virar sozinho; eu mal sei se vai valer a pena ou não o treino de hoje!
-Vai valer a pena, Artemis! – a mão suave de Dinah tocou a minha e eu olhei seu rosto delicado, sorrindo para mim – Treinar com seu mentor é bem melhor que treinar sozinha. Vai por mim. Tudo vai se esclarecer.
-Não tem nada esclarecido agora! – eu rebati nervosa, enfiando bacon com ovos em minha boca.
-Não, não tem. – ela respondeu e eu juro poder sentir o carinho em sua voz – Mas terá.
-Chega disso! Já curei minha ressaca! – Oliver levantou cambaleante de sua cadeira e acariciou o ombro de Dinah antes de me puxar pelo braço – Temos que esperar na fila antes de treinarmos, mocinha. Vamos, vamos!
-Até mais tarde!
Dinah acenou para nós e eu só vi a porta de nosso andar ser fechada pelos guardas então. Oliver tinha me arrastado para fora e eu o seguia contrariada, ainda me lembrando de Roy. Pegamos o elevador e descemos até o nível do salão de treinamento, ficando em uma de suas salas avulsas ao redor. Na nossa sala o numero escrito na porta era 12 e o número que pendia de um telão dizendo a equipe que estava treinando era a número 1 ainda.
Dessa vez, não era por ordem de zona, mas sim por ordem de chegada, e os tributos podiam vir treinar sozinhos contanto que aguardassem como os outros que eram acompanhados por seus mentores. Tive pena de que ficou depois de mim – estava já morrendo de dó de mim mesma.
-Nervosa? – Oliver me pergunta meus olhos vidrados no telão a nossa frente, eu dei passos para frente e para trás na sala enorme com apenas um banco duplo de móvel.
-Não! Claro que não... – disse meio sem jeito com a acusação dele. Olhei em seus orbes e vi um risinho em seus lábios. Corei com a mentira – Ta. Um pouco...
-Muito. – ele insistiu e eu revirei meus olhos.
-É que está demorando muito. – reclamei me jogando no assento ao lado dele.
-Você está ansiosa. – fiquei inconformada – Apesar de demorar, demora mais ainda quando estamos com só isso na cabeça.
-Já admiti que estou um pouco nervosa.
-Certo. Não quero te deixar mais nervosa. – ele disse, mas tinha um brilho diferente em seus olhos. Ele parecia triste – Acha que está pronta? – ele disse depois de uma longa pausa.
-Pra que? – eu estava distraída com o telão que tinha aumentado um numero.
-Pros Jogos. – ele disse quase impaciente, mas se controlou o suficiente. Eu me ajeitei na cadeira antes de responder, entretanto não sabia a resposta para aquela pergunta tão complexa.
-Espero. – suspirei confusa, agora sim, estudando o nada a minha frente.
-É. Acho que podemos trabalhar com esperança. – eu senti uma cotovelada e voltei a encarar o loiro de trinta e poucos anos, a barba e bigodes tão claras quanto o tom amarelo de seus pelos olhos verdes e límpidos que sorriam carinhosamente para mim.
Acho que foi a primeira vez em minha vida que vi Oliver sentir carinho realmente. Apesar de receber abraços constantes depois que ganhei nota dez, não esperava por tanto sentimento e ele não deveria fazer uma coisa dessas. Não é profissional e definitivamente não faz bem para um cara que treinar crianças para morrer ficar apegado a elas de repente – quer dizer, ele não me treinou para morrer. Porém... É a vida que vivemos.
-Espero que Roy também esteja assim. – ele mencionou inseguro e eu tremi.
Roy esperançoso é algo que eu não vejo há décadas. A última vez, foi no fim de semana antes de Jade ser morta. Ele foi em casa como ele fazia de costume, passar o domingo comigo e com a minha mãe vendo minha irmã e falando sobre os eventos semanais. Meu pai ficava rabugento e dizendo tudo de ruim sobre todas as coisas, Roy tentava meramente segurar seu gênio para não arranjar briga com o sogro dele. Ele sorria quando Jade aparecia e os comentários a seu respeito eram bons, ele ria comigo e com a minha mãe a respeito de coisas tolas e dizia que Jade ia voltar pra casa sim, que ele ia recebê-la com os braços abertos e uma aliança de casamento – ele estava trabalhando sem fim para poder comprar o belo anel de noivado que a moça do mercado estava oferecendo; por esse motivo ele não vinha durante a semana em casa nos ver.
Entretanto, no fim de semana que Jade foi morta, ele estava trabalhando em hora extra porque ele ainda não tinha conseguido o que lhe faltava para comprar o anel e ela provavelmente estaria em casa até quarta-feira. Ele tinha que ter algo para ela.
Então, ela se foi e ele nunca mais apareceu depois de seu enterro.
-Imagino o quanto deve ser difícil para Roy estar no mesmo lugar que sua irmã morreu. – Oliver sussurra, apoiando as costas na parede fria e me olhando de soslaio. Eu aceno que sim com a cabeça porque eu simplesmente acho muito estranho – Não que você não esteja se sentindo estranha com isso, mas amor entre irmãos e completamente diferente do amor entre amantes. – e ele falou daquilo como se soubesse bem.
Fiquei receosa e não iria dizer nada, entretanto minha curiosidade despertou a minha inconveniência: — Ficou tão pensativo de repente... – ele virou o pescoço para mim e deu um sorrisinho só dele.
-Eu não posso dizer que já estive no mesmo lugar que ele, mas eu sei o que é perder um grande amor por uma causa ridícula. – ele murmurou e eu queria saber mais. Ele entortou o nariz e voltou o rosto para o telão, olhar distante e suspirou – Eu também tinha uma namorada depois que voltei dos jogos. Ela era uma fã que foi para a escola comigo e eu precisava de uma empregada na minha casa nova, apesar de não usar quase nenhum cômodo dela. Então, quando a Capital me pediu para vir, alguns anos atrás, e eu rejeitei porque eu tinha me ajeitado por ali e outros vencedores da nossa zona podiam ser usados novamente, eles pegaram a única coisa que me apegava ali. – meu interesse tinha se tornado assustador – Nunca mais a vi.
-O que aconteceu?! – opa. Saiu sem querer.
-Muitos meses depois eu fui até a Capital para pedir que eles a deixassem vir pra casa, eu trocaria tudo por ela, eles me disseram que ela tinha falecido num acidente de trabalho e eu era o culpado por aquilo. – eu arregalei meus olhos e tampei minha boca. Eles eram piores do que eu pensava – É. Bem... Eu a perdi e me isolei do mundo novamente, só sendo intimidado para ser mentor esse ano.
-Minhas condolências. – eu disse baixo para ele e Oliver afagou meu ombro de leve.
-Relaxa. Já foi faz tempo.
Quando menos esperava, o número doze estava brilhando no telão e nossa porta se abriu.
-Vamos lá, esquentadinha. Ta na hora de ver o que você ainda não sabe fazer. – ele brincou comigo e o segui, sabendo que aquele seu sorriso era falso e que seu interior estava desmoronando.
Ele tinha se apegado a mim e a Roy.
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Não nos aquecemos porque Oliver queria que eu sentisse a coisa quase real, queria que eu soubesse que não ia dar tempo de alongar os músculos antes que um ser letal viesse atrás de mim com bolas de fogo ou raios ou usando facas e flechas, que eu ia ter que me virar sem estar preparada para a coisa começar a feder e que, uma hora ou outra, eu teria de matar alguém. E, do nada, ele começou a correr absurdamente rápido atrás de mim, estupidamente rápido. Eu não sabia o que fazer e saí correndo, mas ele me pegou por trás e me jogou no chão com uma força meio bruta demais para mim. Eu considerei aquilo como um simulado realista.
-Você quer morrer assim?! – ele me repreendeu saindo de cima de mim e dando não com a cabeça – Artemis, você não está mais em condições de pensar antes de agir!
Eu aceitei a bronca calada. Então ele parou de gritar e voltou a vir atrás de mim, com a mesma velocidade. Eu dei no pé, mas ele me pegou novamente. Dessa vez, eu apliquei alguns golpes e o derrubei de cima de mim antes que pudesse ser atacada e me ergui o vendo no chão, me fazendo cara feia novamente. Eu franzia o cenho.
-O que?
-Errou! – ele negou com a cabeça e eu bufei.
-Você me disse pra correr!
-Eu disse pra você correr com tudo o que tem! Imagina se eu tivesse super força e com raiva! Você teria morrido de uma das formas mais dolorosas e lentas! – eu cruzei os braços e fiz bico, calando minha boca – Quando decidir correr, criatura, corra até superar a dor de seus músculos latejando; Quando decidir lutar, encare o seu inimigo!
-Ok. Entendi. – respondi.
-Artemis eles não vão esperar você entender. Aliás, vão preferir que seja completamente tonta!
-Já entendi!
Ele não disse nada. Respirou fundo e caminhou até uma mesa com várias facas sobre ela que jazia a alguns bons metros daqui. Eu olhei seu movimento. Algum tempo depois ele estava jogando-as em mim e me forçando devia-las – claro que ela não eram laminadas nem nada, mas iriam me machucar se eu acabasse na mira de uma. Acho que ninguém tinha testado meus reflexos até então.
-Mais rápido! Preveja o movimento! Use toda sua força de vontade.
-Eu vou ser melhor na Arena!
-Não vai ser o bastante assim! – ele acabou com as facas e voltou a correr em minha direção, mas eu não iria correr.
Quando chegou perto de mim, preparando um soco bem intenso eu me inclinei para trás, vendo seu punho passar a alguns milímetros acima de mim. Eu me ajoelhei e parti para uma rasteira que forçou o velho a fazer uma ponte para trás e cair em seus pés. Eu me assustei com a flexibilidade dele, entretanto ele não me deu muito tempo para me preocupar com aquilo: logo um chute vinha na minha face e eu fui para trás, me equilibrando em meus pés. Uma cotovelada estava próxima, mas eu rolei para o lado e dei espaço suficiente para chutar sua face.
Ele parou um pouco e massageou o maxilar. Eu respirei um pouco ofegante.
-Tem que ser mais forte. – ele me avisou cuspindo sangue no chão e estrelando o pescoço.
-Ei! Eu te machuquei! – fiquei brava por não ser reconhecida novamente.
-Eu não preciso ser machucado Artemis! Você tem que deixar seu inimigo sem capacidade de se mexer! Não tem poderes, não vai estar sempre armada; tem que saber usar sua força com maior intensidade!
Meu pai foi o único que exigiu mais de mim que superou o treinamento de Oliver depois de hoje. Nem a dura semana que passei com os outros tributos e os instrutores foi tão forte quanto hoje. Eu tinha alguns roxos espelhados por meu corpo e ele estava doendo, sem falar que eu estava muito cansada depois de apanhar tanto de Oliver.
Nosso treinamento durou uma hora e meia e eu cheguei varada de fome em nossos aposentos. Roy não estava por lá ainda, mas Dinah estava conversando ao telefone com algum patrocinador porque ela prometia coisas meio impossíveis a respeito de mim. Eu estava tão detonada, que nem liguei. Oliver riu quando eu ataquei o banquete do almoço como um urso antes de hibernar e Helena deu risada do meu estado físico.
-Eu não posso ir assim para lá amanhã. – eu cobrei de Oliver, sabendo que não tinha respostas para as dores no meu corpo – Como que eu vou fazer?
-Não se preocupe. Coma mais e recupere suas energias. – ela me mandou, mas acho que não cabia mais nada no meu estomago.
-Não vai querer desperdiçar seu ultimo dia comendo esse banquete maravilhoso! – Helena me incentivou sentada ao meu lado, suas subordinadas conversando paralelamente a respeito do inicio dos Jogos amanhã.
-É. E vou te levar pra um lugar depois daqui. – Oliver me disse, a noite já caia lá fora e eu ainda almoçando.
-Pra onde? – eu perguntei muito mais curiosa e revoltada. Eu estava detonada e tinha que dormir para me recuperar. Ele ainda quer me levar para dar uma volta?!
-Informação confidencial. – um sorriso pousou em seus lábios e eu arfei minhas narinas – Mas garanto a você que vai te deixar em seu melhor estado e é bom você ver tudo o que quer antes de dar a hora de irmos.
-O que raios é isso?! – o questionei novamente e ele jogou batata frita na minha boca. Meus reflexos me forçaram a comê-la.
Estranhamente, Dinah começou a se despedir de mim, me desejando boa sorte e que ela estaria me esperando aqui do lado de fora quando eu voltasse dos Jogos. Eu perguntei para ela se isso era uma etiqueta da Capital, rindo, entretanto ela somente acarinhou minha bochecha e beijou minha testa. Eu entendi que isso era dela e a personalidade doce dela tinha que ser controlada pela Capital, mas ela realmente desejava o meu melhor como ela também desejava o de Roy.
Helena me disse que de manhã ela me veria, antes de Oliver me levar até o embarque para a Arena; teríamos muito a conversar nesse meio tempo. Mas ela me abraçou fortemente mesmo assim. Suas subordinadas me disseram para ter cuidado e que elas estariam acompanhando tudo – para eu parar de encrencar com o Roy porque ele era muito lindo. Eu assenti e revirei meus olhos.
E cadê Roy nesse meio tempo? Ele não aparecia e estava ficando tarde.
Respirei fundo e fui para a janela de nossos aposentos, completa de vidro para que ninguém pensasse em se suicidar dali. A lua brilhava lindamente no céu de Metrópoles e as estrelas cantavam um som mudo com os poucos cometas que choviam no azul escuro. Eu nem tinha tomado banho e meu corpo todo estava se contraindo no azulejo gélido, mas eu não estava nem aí. Pelo jeito, Oliver me levaria a enfermaria e isso seria muito bom.
Vi as luzes da cidade um pouco ao longe, vi as arvores na escuridão, vi o domo dali e outras coisas que me chamaram a atenção, mas o mar foi a mais deliciosa visão que tive. As ondas contrastando com o brilho do céu, quebrando na areia branca e a espuma se espalhando; o horizonte numa linha e eu perdida em pensamento enquanto via aquilo. Jade, minha mãe, meu pai, Bette, Helena, Dinah, Oliver, Roy... Agora estava começando a ficar preocupada. Eu queria falar com ele. Com certeza mal teríamos tempo de nos comunicar antes que nos jogassem em plataformas diferentes.
-Já viu? – Oliver me perguntou, depois que saiu de seu banho, a toalha molhada em mão e a roupa decente trajada.
-Já. – assenti e aceitei sua mão para me levantar, tudo doendo – Cadê Roy?
-Não se preocupe. Ele está bem. Está ocupado agora. – ele estava mais relaxado.
-Você o viu? – ele me puxava, também exausto, em direção a saída do apartamento e os guardas abriram a porta para que pudéssemos ir para qualquer lugar que Oliver estava para me levar.
-Não.
-Como assim?!
-Dinah me disse que ele está bem então eu confio. Não se preocupe.
-Mas eu quero falar com ele! – insisti e nós pegamos o elevador que nos guiou até um andar subterrâneo.
-Não vai dar. Amanhã cada tributo por si, você vai ficar longe dele. – ele me avisou e eu continuei.
-Por isso mesmo que quero falar com ele hoje!
-Você o verá, Artemis. Isso é o suficiente. – ele disse meio indelicado e senti um sinal para ficar quieta.
Pelo jeito, a coisa era bem séria mesmo.
Não sei por quanto tempo os guardas caminharam conosco até uma sala cuja porta tinha escrito RECUPERAÇÃO: B-07. Só sei que as solas dos meus sapatos foram bem gastas e que eu estava quase dormindo a esse ponto.
Um médico da Capital apareceu então quando esperávamos e liberou nossa invasão na sala misteriosa, que me deixou sem palavras. Ela tinha parafernálias em três de suas quatro paredes, todas albinas com botões e aparelhos coloridos chamando atenção e era enorme! Três outros profissionais se encontravam ali e eu me senti sem jeito, toda nojenta do jeito que eu estava ali. Eu nunca tinha ido num hospital na minha vida, aquilo tudo era muito novo para mim.
O cheiro era diferente comparado a poeira da minha zona e o perfume do apartamento; ele era tão limpo que não conseguia explicar aquela sensação. Limpo demais, tudo muito bem cuidado e brilhante, reluzente. A porta se trancou atrás de nós e Oliver falou qualquer coisa para o homem que nos tinha recepcionado, dizendo que tudo ocorreria bem e ele faria todos os procedimentos como precaução. Eu tremi porque já os imaginei colocando tubos em minhas vias respiratórias e injetando coisas estranhas em mim.
Eu continuei reparando nas coisas ao redor e me deparei com uma cama em formato cilíndrico com um selo escrito CADMUS em seu armamento de metal que parecia ser leve, mas deveria pesar duas toneladas. O analisei por alguns instantes e ouvi o barulho da porta sendo fechada novamente. Virei para trás e só os quatro profissionais estavam na sala comigo, dois vindo até mim e me mandando tirar as roupas e colocar um avental branco.
-Oliver! – chamei por ele, mas o médico responsável por mim esticou as palmas da mão para frente como se para eu me acalmar.
-Boa noite, Artemis. Nós somos sua equipe médica e vamos deixar seu corpo completamente descansado, preparado e curado para o evento dos Jogos. – o homem me avisou, seus olhos castanhos por baixo dos óculos de lente fundo de garrafa, cabelos castanhos presos num rabo de cavalo frouxo.
Eu continuei receosa e com medo. Não queria me despir na frente de todos aqueles homens.
-Por favor, só preste atenção aos seguintes procedimentos, está certo? – eu engoli em seco, hesitante, mas acabei cedendo depois que ouvi um deles perguntar se não era melhor me sedar e eles mesmos me despirem.
Eu comecei a tirar a roupa toda, envergonhada até a ponta dos fios de meus cabelos; via roxos espalhados por mim e senti que estava meio fedorenta. Os médicos novos, entre seus vinte e poucos anos, nem tremeram quando pegaram a roupa do chão e recolheram minha roupa de baixo; eu me cobria atrás de minhas mãos em vão.
-Relaxa. – o homem mandou e eu respirei fundo. Um médico veio por trás de mim e puxou o meu prendedor de cabelo que tinha um negócio de metal, eu fiquei tensa de novo – Você vai vestir o avental e deitar naquela cama ali atrás.
Mas eu nem me mexi, então o doutorzinho colocou o avental em tornou de mim e o fechou por trás, comentando algo sobre me deixar menos aterrorizada. Eu não falei nada ainda, entretanto soltei minhas mãos e ele me guiou até a cama. Me deitei, com meu cabelo enorme sobre o travesseiro e sentia meus olhos notando todos os detalhes de tudo.
Outro médico veio e colocou uma máscara sobre mim, depois de eu recuar e fazer cara de bicho do mato, ele me explicou que aquilo era um calmante e que tudo ficaria bem. Eu não me mexi mais, desde então, porque ele prendeu em meu rosto a máscara e amarrou meu pé a uma tornozeleira meio gelada, mas que me fez ouvir o barulho de meus batimentos cardíacos nas outras três paredes repletas de maquinário médico.
Depois disso, um ar com cheiro doce invadiu o meu nariz e a minha boca, dando voltas em meu pulmão e me forçando a fechar meus olhos lentamente porque o sono tinha, finalmente, voltado a mim. Eu só sei que um vidro apareceu descendo com a outra metade cilíndrica da cama e ela estava sendo invadida por água, muita água até eu não poder escutar mais o que os doutores diziam.
A cama começou a se erguer e eu dormi.
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-Bom dia, bela adormecida. – a voz rouca de Oliver chamou por mim e assim que eu abri meus olhos, eu estava de volta ao meu quarto nos aposentos da Zona 7. Estava em meus pijamas e não tinha sequer qualquer seqüela da noite passada.
Senti que estava limpa, seca e completamente bem disposta. O que era aquilo que eles tinham feito comigo?
-O que houve? – eu perguntei ainda confusa e ele estava sorrindo abertamente.
-Você acabou de passar pelo melhor tratamento médico da sua vida. – ele me disse – Você foi mergulhada num liquido que penetrou sua pele, limpou seus machucados e tudo aquilo que te atrapalha. É, praticamente, a cura do câncer. – ele brincou e eu me levantei.
-Roy passou pela recuperação também? – ele assentiu.
-Só que ele foi mais cedo e por isso ele não está mais aqui. Dinah já o levou para o embarque e Helena está esperando por você na área de preparo, depois do embarque. – Oliver me se levantou e parou no meio do meu quarto – Hoje você vai poder vestir o que quiser, mas trate de levar algo útil e confortável.
Eu assenti e lembrei que era hoje. Ele saiu do meu quarto e eu abri o guarda-roupa, pensando no que vestir, porque não tinha mais nada de errado comigo. Até meus dentes estavam brilhando limpos. Eles tinham feito a limpa em mim mesmo!
Pelo menos uma coisa boa na Capital.
No meu armário, roupas de todos os gostos, de todas as cores e tecidos porque Helena seria Helena Bertinelli em qualquer momento de sua vida, ela simplesmente tinha largado várias peças ali porque estava entediada de me esperar treinar enchendo o bandulho de comida com Oliver e Dinah. Mas eu peguei uma roupa bem prática e que fazia bem o gosto da minha estilista, então eu não a decepcionaria. No mínimo, morreria bem vestida como ela tinha brincado comigo uma vez.
A blusa verde de elastano com uma seta apontado para minha face na altura do buço, gola na metade do meu pescoço e sem mangas; a calça do mesmo tom de verde grama com tiras laterais pretas, também de elastano, acentuava bem as curvas, como Helena gosta, mas tinha lá suas vantagens. Era mais fácil eu chutar alguém com algo que me deixe esticar a perna do que com uma calça jeans. Na sapateira, aquela bota de exercito que ela tinha amado, preta de couro caro e resistente, com vários lugares para esconder coisas e com amortecedor na sola, minha cara. Eu peguei o par de luvas que só cobria a palma porque ele era muito legal e o cinto preto com detalhes verdes também que era favorito da minha Estilista também.
Respirei fundo e fui terminar de me arrumar prendendo os meus cabelos, me encarando no espelho antes de partir com Oliver, porque nem fome mais eu tive depois daquele belo tratamento; e fiquei surpreso com a visão de uma pessoa que aparentava ser forte dura na queda e tinha tudo que me descrevia. Tudo ali era a minha cara e eu não tinha reclamações a fazer daquilo tudo ali.
Finalmente, tinha chegado o dia.
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Oliver e eu fomos guiados de carro até um heliporto enorme que tinha por ali no complexo dos tributos, o sol brilhando alto no céu e as pessoas trabalhadores dali acenando quando passávamos por elas. Eu respirava meio sem jeito com aquilo, meu coração um pouco acelerado e Oliver ao meu lado, olhando ao seu redor um pouco mais calmo que eu.
Chegamos ao lugar aberto, com o chão de concreto armado belíssimo, limpíssimo, e uma aeronave três vezes maior que um helicóptero, só que num estilo de uma nave espacial e que parecia aguardar somente por mim. Oliver ainda tinha direto a mais uma instrução antes de me mandar seguir em frente.
-Não desista. – ele pediu sussurrando e eu fiz que sim com a cabeça – Você vai conseguir! – ele insistiu e eu sorri zombando, mas decidi não tornar aquilo muito sério – Vou fazer de tudo por você lá. – ele me contou e eu confiei em seus orbes verdes – Então mostre tudo que tem e arrebenta. – eu sorri e agradeci, ele me deu abraço leve e o guarda me intimou a subir na aeronave.
Assim que embarquei, vi alguns tributos sentados lado nas paredes do corredor largo central. Guardas dos dois lados e espalhados por aí. A mulher me mandou sentar ao lado da garota veloz da Zona Oito e uma proteção de segurança abaixou em mim, pesando. Ela me mandou esticar meu braço assim que o portão fora fechado, injetando um rastreador em meu organismo. Eu já me senti nervosa com aquilo brilhando sobre a minha pele.
Eu não olhei na cara de ninguém que estava no vôo comigo, somente pensando no que aguardava por mim e aceitando a morte, que eu já tinha vivido tudo que alguém da minha idade deveria querer e que eu tinha que respirar fundo; que haviam todos os tipos de possibilidades iminentes a acontecer e eu mal esperava para eliminar essa enorme quantidade. Infelizmente, as coisas não são como a gente quer.
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Nem notei quando pousamos numa base subterrânea e o teto fechou sobre nossas cabeças. Acho que, realmente, não tem mais volta. Descemos do vôo organizados, seis de um lado e seis de outros; eu olhava para qualquer lugar que não as pessoas ao meu lado porque eu tinha que me concentrar. Quando eu tentei fazer isso em algum momento do vôo, eu tinha visto a cara de Jade sorrindo para mim e desaparecendo como o Lince, e eu não queria ter outra alucinação de novo – pelo menos não no mesmo dia.
Dois guardas armados até o cabelo para cada tributo e eles me acompanharam pelo corredor redondo até outra sala com a porta escondida na parede. Eles me forçaram a entrar ali, batendo a porta com força e fazendo o som ecoar na sala até eu ficar com aquela dorzinha chata de ouvido. Mas a ficha ainda não tinha caído.
Helena estava naquela sala, no entanto, e ela me abraçou fortemente, com um sorriso cheio de compaixão em seus lábios rubros e nos orbes azuis turquesas. Não trocamos uma palavra, só ficamos ali abraçados por um bom tempo: ela tentando me acalmar e meu coração quase saindo pela minha boca.
Respirei fundo e me concentrei. Ela me largou e caminhou comigo até o outro lado da sala, nem sei o que aquilo parecia de tão macabro que era. O quarto era composto de uma maca, um sofá e um tubo de vidro num canto que seguia até o teto o maior que a espessura daquele teto. Ele era largo o bastante para uma pessoa só e eu já sabia como eu chegaria a Arena.
Outro disparar de batimentos cardíacos.
Helena pegou de cima da maca o casaco que me esquentaria pouco, mas que me protegeria da chuva, ele preto e ela decidiu que faria uma trança no meu cabelo porque não seria fácil lidar com ele tão vulnerável assim. Eu somente concordei.
-Agora não tem volta. – murmurei para ela, mas ela gesticulou silêncio.
-Sempre há. – ela sorriu meio chorosa e eu senti a emoção em mim também.
-Aviso: todos os tributos devem estar nos tubos em 10, 9, 8... – eu respirei fundo novamente e Helena fez com a cabeça para eu entrar no tubo.
Minhas pernas estavam pesadas, mas aos poucos eu consegui entrar no tubo e quando a mulher parou de anunciar a contagem regressiva, uma porta de vidro extra fechou a entrada e outra se abriu a cima de minha cabeça, com uma luz do sol tão vibrante quanto aquelas de neon da cidade.
Realmente, estávamos sem saída.
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Aquela coisa que eu sempre via pela televisão acontecendo comigo, eu nunca esperava isso por vir, realmente. Deveria, mas não era possível. Não tem palavras para descrever imaginação com realidade e aquela era tão palpável quando o solo abaixo de meus pés. Eu estava numa plataforma acima do nível da grama, numa campina ampla e verde, ao seu redor os milhares de árvores de copas altas e perigosas, pássaros voando ao redor e, por fim, no centro da campina, no formato de um falcão gigante e esculpido em ouro maciço, o ponto de início e término dos Jogos Justos: a cabana onde todos os equipamentos, quites de sobrevivência, armas e comida estavam expostos. Um pouco acima da cobertura da cabana enorme, o telão com a contagem regressiva rodando nos vinte e cinco segundos restantes; eu só tinha tempo o bastante para analisar quem estava ao meu lado e me virar para correr assim que o alarme fosse disparado de início dos Jogos, porque eu não queria morrer numa explosão causada pelas minas ao redor de cada plataforma, prontas para destruir o tributo que pensasse em roubar um pouco do tempo.
Vinte e quatro posições espalhadas à frente do falcão, em espalhadas entre si e um pouco distantes do poço de tentação perigoso. Meu coração disparou com a disposição das pessoas.
Roy estava na ponta mais distante enquanto eu fiquei dividindo o centro com a menina simpática da Zona Cinco que estava com os orbes azuis preocupados. Do lado dela Klarion limpando as unhas cumpridas na blusa negra que não era nada prática, seguido por Dick, a garota da Zona Dez, a menina verde, a menina da Zona Doze, o garoto da Três, o gêmeo da Quatro, a garota de cabelo rosa, Tula, Wally e Roy.
Já, do meu lado, o buraco era mais embaixo: o garoto verde estava entre eu e Kaldur que olhava constantemente para Tula do outro lado do mundo, praticamente; a garota da Zona Oito, Babs, o garoto novinho da Zona Cinco, o garoto bonito da Zona Doze, a menina de gelo, a idiota da gêmea da Quatro, o cara da Dez, Cameron e Zatanna por último.
Eu voltei a olhar para frente depois de trocar rapidamente olhar com Roy do outro lado da campina, procurando o que tinha de interessante ali para mim – quer dizer, essencial, porque muita coisa me interessava. Assim que o relógio começara a marcar os dez segundos faltando, eu avistei o arco e a aljava cromados apoiados do lado de fora das caixas de mantimentos, meu corpo coçando para que eu fosse até eles. Com certeza haviam outros arcos por ali, mas aquele estava visível e não ia demorar mais que uma boa corrida até lá e volta para que eu o pegasse. Tudo daria certo.
Cinco
Eu voltei a ver Roy e ele negava com a cabeça, mas eu engoli em seco.
Quatro
Todos estavam se abaixando já e preparando-se para correr, a menina ao meu lado tremia e eu também.
Três
Meu coração foi a boca e todos estavam muito quietos, só o som dos pássaros e dos animais ao fundo. Se eu me concentrasse bem eu poderia ouvir o córrego ao sul.
Dois
Decidi que aquele arco a mostra seria meu. Só meu e me agachei para preparar a partida.
Um
O som do alarme foi tão alto e agudo que todo o resto do silêncio foi perturbado pela poluição sonora dos calçados batendo bruscamente contra o chão de grama, eu podia ouvir meu nome no fundo por Roy, mas eu não olhei para trás uma vez que comecei a correr, que nem Oliver me ensinou; eu disparei em direção ao arco e flecha, mas uma mistura de gelo e água e grito e fumaça começou a devido a batalha entre os super poderosos. A menina da Cinco estava socando a garota baixa de cabelos cor-de-rosa para um lugar bem longe da clareira e Klarion continuava passava entre aquela zona como um modelo na passarela.
Quase perco meu pescoço enquanto corro e olho para o lado, me deparando com raios vermelhos lasers lançados dos orbes azuis da bela moça da Zona Doze que lutava contra a menina da Dois, lançado rajadas congelantes nela. Parei um pouco antes do calor me decapitar e me agachei, tentando ir ao máximo protegida até o arco e flecha. Nesse movimento, ouço um canhão e a primeira pessoa já era, caindo justamente ao meu lado com uma mochila em mãos: os cabelos curtos e rubros da garota de pele de sardas do litoral jazia com a lateral da face no chão, os orbes azuis com lágrimas quentes ainda, a boca semi aberta deixando todo aquele sangue sair, e a causa da sua morte fora um rombo enorme em seu torso que atravessara seu corpo e era possível ver o restante de seus órgãos jorrando o restante dos litros de sangue de seu pequeno corpo.
A ficha caiu, então, e desespero começou a me atrapalhar, me fazendo olhar ao meu redor, as pessoas não eram pessoas naquele lugar, todos enfrentavam uns aos outros sem piedade e a primeira vitima fora Tula, que morrera ao meu lado, com dor, e seus pais não devem ter nem notado-a nesse meio horrível de fumaça, gelo e fogo.
Eu enxuguei uma lágrima insistente e me ergui, furtando de suas mãos imóveis o material resistente a água e me preparei para continuar a pegar o arco e flecha. Entretanto uma faca voou na direção do meu braço e rasgou a manga do meu casaco, junto com a minha pele. Eu dei um berro e olhei para trás, antes de continuar a correr: a menina da Zona Dez sorria mostrando sua língua para mim, e tacando outra faca em seguida, que eu desviei sem piscar. Assim que a poeira diminuiu, eu fui capaz de ver um monstro vestindo as roupas da Zona Dez que tinha em sua mão direita ossos, pele e órgãos, derrubando-os ao chão lentamente.
Eu arregalei meus olhos já esperando que ele viesse em minha direção, mas antes que o mutante da Zona Dez pulasse em mim e me entregasse o mesmo destino que aplicara em Tula, Kaldur tinha chegado, com algumas mochilas em seus braços musculosos exibindo as tatuagens, e derrubando a garota da Dez, mirando me mim e, então, no sangue espalhado ao chão do lado de meus pés.
-TULA! – ódio penetrou seus olhos assim que voltou a me ver, lágrimas escorrendo por sua pele morena já suada e suja da poeira, até que ele ver o monstro atrás de mim. Colocando terror em todos os outros.
Kaldur era pura fúria e ele largou suas mochilas no chão assim que isso aconteceu, puxando de trás a arma que ele tinha pego e que continha de um poder mágico, fazendo seus braços brilharem azuis e transmitindo o mana pelas bainhas formando chicotes de presença exotérica. Os orbes prateados miraram atrás de mim e eu somente me joguei no chão, cobrindo minha cabeça, novamente.
Após um grito de guerra, Kaldur balançou o objeto perigoso que se esticou até o monstro, como duas enguias enormes e, assim que o alcançou, cortando seu corpo completo de estrias e da pele amarronzada, músculos a mostra e cara desfigurada; ele penetrou as enguias por ali e aplicou um choque no monstro que urrou de dor, até cheiro de pele queimada se espalhar no ar e chamar a atenção dos outros tributos em batalha.
Assim que eu olhei para trás, já que o monstro estava a poucos metros de mim, o menino da Zona Dez começou a ter pequenas implosões em seu corpo até que o choque subiu a sua cabeça e a explodiu, miolos indo ao chão e sangue em tudo e todos que estavam por perto, inclusive eu.
Mais um canhão disparado.
-Tula! – agora foi um grito desesperador e Kaldur fora ao chão, vendo a menina morta ao meu lado, sem energia para fazer qualquer coisa que não chorar depois de vingar sua morte.
Acho que a sensação não foi de agrado. Lágrimas e lágrimas começaram a escorrer de seu rosto másculo e eu me comovi, mas a menina da Zona Dez atrás de Kaldur já tinha se levantado e ela tinha ódio em seus orbes.
-VOCÊ MATOU MEU IRMÃO! – e assim ela pegou uma de suas facas, pronta para eliminar Kaldur – VOCÊ MATOU MEU IRMÃO!
Eu não poderia deixar Kaldur morrer, não depois daquilo! Não! Ele não iria morrer! Não mesmo! Ele tinha me salvado, eu tinha que ajudá-lo. Procurei naquele chão a faca que a menina tinha me atirado e achei uma das duas, me erguendo novamente para vê-la preparando o objeto letal no pescoço do moreno, com a mente perdida.
Eu mirei em por dois segundo no orbe azul que era seu olho esquerdo e peguei impulso por trás, atirando a faca que nem meu pai fizera com um lagarto na parede de casa uma vez. A faca girou verticalmente até que atingiu em cheio quando ela cortava a primeira cama de tecido de Kaldur e a menina caiu morta no chão, não se via mais a lâmina da faca.
Eu não lembro bem o que aconteceu depois daquilo, porque eu fiquei em transe assim que eu matei a menina da Zona Dois. Os gritos e a zona ao meu redor, o quarto som do canhão ao meu redor, porque, aparentemente, outro já tinha morrido e eu nem sabia quem era. Eu só sabia que eu tinha matado uma pessoa e eu queria vomitar, aquele fedor de sangue sobre mim, o grotesco dos órgãos de Tula ao meu lado e o corpo enorme sem cabeça mais a minha frente, entre mim e meu arco e aljava. Eu respirei fundo e quando menos esperava, um zumbido passou por mim, ajeitando a minha postura troncha.
-ARTEMIS! BORA PRA FRENTE! – os olhos de maçã verde a minha frente e as sardas perdidas na sujeira lembravam-me do cabelo de cenoura – Já era! Vamos! Vamos! – ele me sacudiu e eu senti minha pele perder o tom.
-LARGA ELA! – uma rajada congelante atingiu o ombro de Wally e ele gemeu, se virando de costas para Cameron que regenerava seu rosto com sem alguns pedaços de gelo.
Wally olhou para mim antes de me ajeitar de novo tremeu seu ombro até transformar o gelo em água. Ele correu depois disso e eu não o vi mais. Eu estava prestes a cair no chão quando braços gélidos me seguraram.
-Você está perdendo muito sangue! Artemis! – então é por isso que eu estou assim. O meu sangue escorria dentro e fora da manga do casaco de Helena.
Depois disso, eu só lembro meus olhos se fecharem.
Notas finais
Zona 3 Mikron OJeneus
Zona 6 Tula
Zona 10 Mamute e Shimmer
Dramático! Nem te conto, negada! Passei a madrugada de 23 pra 24 de Dezembro escrevendo isso! Amei! :) Meu capítulo orgulho! Muita ação agora, violência, sangue, morte, draminha, intereção, tudo!
Agora a porra ficou séria!
Artemis perdeu muito sangue e desmaiou, e ficou sem arco. kkk' Mas okay, o que vale é salvar a vida do Kaldur.
Agora, fodeu! Literalmente!
OFICIALMENTE FORAM DECLARADOS O INÍCIO DOS JOGOS JUSTOS! ATÉ O PROXIMO CAPÍTULO QUE, espero, ESCREVER ANTES DO ANO NOVO! :3
Beijos meus amores e que Papai Noel tenham seus nominhos em seu braço esquerdo, porque a lista do braço direito não ganha presente não! Perguntem para o Jack Frost! xP
♥
PS: a Origem dos Guardiões é minha nova obsessão. Vou escrever muitas fics de Jack e Sophie ainda! ASSISTAM AO FILME QUE EU VOU LER O LIVRO E CONTO SE É BOM!
PSS: Estou lendo Sangue Quente (Warm Bodies)! :) Muito fumado, mas muito bom. :F Quem gosta de romances com zumbis carinhosos, que sentem feels e gostam de meninas humanas com cheiro de comida, vão amar! :D
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