Jogo do amor

1 Quem se apaixonar primeiro é o perdedor!


Notas iniciais
Escrevi essa one-shot com participação da maior shipper deles que existe e capitã do navio okikagu! A Soyo-chan é uma graça, com certeza vou trabalhar com ela mais para frente de novo uwu Espero que gostem!

Kagura e sua parceira de crime, Soyo-chan, brincavam ao céu aberto na mesma praça onde se conheceram. Poucas nuvens cobriam o céu, e o clima era parcialmente agradável, o sol não brilhava tanto hoje e era exatamente esse tipo de dia que Kagura tanto adorava.

Infelizmente, havia uma merda grudada em seu sapato para atrapalhar aquela tarde com sua melhor amiga.

— Não acredito que estou perdendo meu tempo aqui, China. Poderia simplesmente parar de roubar a princesa todos os dias do palácio? É um saco ter que ficar vigiando vocês, eu poderia estar dormin... fazendo uma patrulha. — reclamou com sua cara inexpressiva habitual.

— Heh?! — Kagura virou irritada para o capitão da primeira divisão da Shinsengumi. — Por que está me culpando?! Você é um inútil a maior parte do tempo, idiota. Apenas aceite seu cargo sem valor algum e cumpra seu dever como um bom sadista de merda deveria fazer, sim?

Sougo puxou sua bazuca de sabe-se lá onde e sem que nem mesmo notassem estavam destruindo o patrimônio público de Kabukichou mais uma vez. A outra menina suspirou e tentou intervir naquilo.

— Ah, Kagura-chan! — pareceu lembrar-se de algo. — Esse é aquele ser inferior, lixo da sociedade, ladrão de impostos, sádico, nojento, porco destinado a ser ninguém na vida, que você mencionou alguns dias atrás? — perguntou sorridente. — Ele realmente se parece com o que você disse.

— China, que tipos de palavras que você tem ensinando para a irmã mais nova do Shogun? — parou de atacar para encarar a yato seriamente. — E por que diabos ela só sabe coisas ruins sobre mim?

— Cala boca! Eu tenho que protegê-la do seu plano maligno de transformar todos em masoquistas e fazer das meninas de Edo suas cadelas pessoais! — gritou disparando seu guarda-chuva nele, Soyo continuou apenas observando.

Os dois se fuzilavam com o olhar, quando Hijikata apareceu entre eles com uma expressão nada amigável. Antes mesmo que ele pudesse dizer sequer uma palavra, Okita lhe atacou com a bazuca.

— Morra, Hijikata, seu bastardo!

O vice-comandante do Shinsengumi escapou por pouco, saindo de trás do carro de polícia que usou para se esconder. Levantou-se sentindo uma veia pulsar enquanto batia no uniforme a fim de limpá-lo.

— Mas que porra foi essa? — perguntou nervoso.

— Nem vimos você chegar, Hijikata-san.

— Não me refiro a essa porra, seu cínico, me refiro ao fato de você ter claramente tentado me matar gritando meu nome!

— Ah, é que uma mosca chamada Hijikata pousou no meu nariz.

— Não Sougo, ninguém tentaria atacar uma mosca com uma bazuca! — berrou ainda mais estressado.

— Eu tentaria.

Hijikata segurou-se para não socá-lo ali mesmo, na frente de duas meninas, sendo uma delas a própria irmã do Shogun. Inspirou profundamente, tentando recobrar o pouco de sua razão como um policial digno, e lembrou-se do que havia ido fazer ali.

— Ue-sama permitiu que vocês saíssem por hoje, então Sougo, apenas as deixem em paz e vá patru... — antes mesmo que ele terminasse de lhe falar o que fazer, o policial mais novo já estava na viatura que supostamente deveria ser do viciado em maionese dando partida e acenando para eles ali. Hijikata suspirou, nunca saberia lidar com aquele idiota. — Enfim, Kagura, conto com você para não meter a princesa em confusões que meninas como você se meteria.

Ambas as amigas encararam-se com grandes sorrisos animados. Elas poderiam finalmente aproveitar o dia sozinhas, como desejavam antes de certo sadista aparecer falando sobre guardar a princesa.

Depois de ficarem sozinhas, Soyo Hime sentiu falta da agitação que aquele Okita-san trazia. Quando ele e a Kagura estavam juntos, a princesa tinha um bom entretenimento vendo-os rolar pelo chão enquanto se agrediam verbalmente. Era divertido ver aqueles rivais juntos, mas no momento ela pensava em alguma forma de se aproveitar deles, afinal, também era uma sadista.

— Me diga Kagura-chan, — ela chamou a amiga que brincava com um sukonbu pendurado na boca. — você gostaria de ter aquele seu rival sadista ajoelhado por você enquanto esfrega a cara no chão admitindo sua fraqueza como um porco imundo?

Kagura virou-se para ela um pouco surpresa, mas é claro, não escondia o sorriso maligno e os pensamentos sadistas que passavam por sua mente.

— A resposta é bem óbvia, sim? — ela respondeu animada imaginando o que sua amiga diria.

— De acordo com as regras que eu vi enquanto assistia uma novela, tudo o que você tem que fazer é dar um jeito dele se apaixonar por você antes que você se apaixone por ele, e então você vence o jogo chamado amor! — a morena explicou entusiasmada.

— Então, basicamente eu só tenho que fazer ele se apaixonar por mim e aquele sádico nojento vai se ajoelhar aos meus pés e se tornar meu escravo? Assim venço o jogo?! Huh, por que você não me disse isso antes, Soyo-chan? Vai ser fácil ganhar essa. — Kagura falou convencida deixando que um sorriso diabólico tomasse seus lábios.

— Sim, mas lembre-se, ele tem que ser o que se apaixona primeiro e não você!

Sougo havia pego a viatura de Hijikata e por acaso ele acidentalmente destruiu o carro quando bateu em um poste e depois derrubou-o num rio, era mesmo uma pena. E no meio da parte da sua patrulha em que ele realmente estava patrulhando pelo mesmo parque de mais cedo, avistou outra vez sua rival e a irmã do Shogun. Elas riam com caras suspeitas, pareciam estar tramando algo, entretanto estavam longe demais para que pudesse escutar o que falavam. As duas pareceram notá-lo, a partir daí, aquilo tudo tornou-se muito estranho.

— Kagura-chan, siga minhas instruções e eu tenho certeza que você vai vencer! — Soyo Hime gritou encorajando-a com uma câmera de vídeo em mãos. Kagura agora vinha em direção ao policial.

Sougo piscou algumas vezes, tentando assimilar aquela imagem que seus olhos captaram. A yato tentava falhamente sorrir de uma forma atraente, rebolando a cada passo dado de salto alto enquanto usava o que deveria ser um vestido elegante. O policial franziu a sobrancelha quando notou também que provavelmente ela usava algum sutiã de número maior que o seu. Sem contar a maquiagem colorida em excesso que estava por toda a cara dela. Ele se perguntava se era realmente seguro deixar Kagura arrumar-se sozinha.

— É impressão minha ou temos uma vadia trabalhando em plena luz do dia? — questionou irônico, tentando se acostumar com aquela figura diante de si.

— Então sadista, o quão fofa eu estou? — arriscou-se flertando com ele. — Você está apaixonado, sim?

Okita tentou impedir a si mesmo de não rir, mas falhou miseravelmente naquilo. Ele cuspiu enquanto gargalhava, repetindo aquela pergunta dela mentalmente e apertando sua barriga dolorida de tanto rir. Ele lacrimejava também, fazia quanto tempo que não ouvia uma piada de mau gosto daquelas?

— Não sabia que o circo de horrores estava aqui em Kabukichou, acho que vou ligar para eles e avisar que a atração principal fugiu da jaula! — ainda ria desesperadamente.

Kagura estava prestes a voar no pescoço dele quando virou-se para Soyo-chan que fazia-lhe um sinal negativo, ela deveria continuar com o plano. E então se a primeira tentativa não havia dado certo, tentaria uma segunda vez.

A ruiva sorriu sem graça se aproximando dele, ela encarava o chão como se sua vida dependesse daquilo, agora estava bancando uma heroína de mangá shoujo timidamente fofa. Ele passou a observá-la inexpressivo, vendo-a achegar-se mais perto. Kagura estava mesmo esforçando-se para fazer aquilo parecer o mais realista possível.

Quando sentiu que estavam próximos o suficiente, ela levantou seu olhar azul oceano e passou a encará-lo fixo. Estavam mais juntos do que jamais haviam ficado, contando inclusive aquelas vezes em que rolavam um por cima do outro em brigas casuais.

— Você quer um b-beijo? — não desviou do olhar âmbar dele, sua bochecha corada parecia ter finalmente o atingido.

Ele não imaginou que Kagura chegaria àquele ponto, nunca esperou tal ousadia vinda daquela menina de roupas irritantemente chinesas. Um sentimento incômodo tomou o policial, era desconfortável aquilo, mas ela mesma quem havia oferecido, não seria nada demais. Ele passou a encarar o outro lado, curvando-se lentamente até alcançar a face da menina, selando levemente seus lábios.

— GWAAAAHHHHH! — os dois vomitaram cada um para um lado. Aquilo tornou-se uma cena nojenta para qualquer um que olhasse, as pessoas que estavam na praça passaram a vomitar também, aquele ar repugnante se espalhou rapidamente para todos que sequer se aproximassem.

Kagura arranjou um jeito de puxar seu vestido para cima limpando a cara maquiada e a boca, ainda com náuseas só de lembrar que sua boca e a de seu rival haviam... ela vomitou de novo. Sougo por outro lado colocava tudo para fora sem limites, pensava até em se punir passando uma noite inteira como um M de qualquer S que encontrasse.

Soyo Hime por outro lado permaneceu filmando tudo de longe, rindo do que arquitetara.

— Seu idiota... — Kagura murmurou limpando a boca com a costa das mãos. — Me envergonhando em público! Eu até me arrumei para você, mas tudo bem, tenha certeza que irei fazê-lo pagar por isso e sem sombra de dúvidas irei vencer essa porra de jogo! E quando isso acontecer vou te fazer viver o resto da sua vida no inferno, não esqueça! — levantou-se cambaleando, correndo em direção à princesa.

Não era a intenção de Sougo vomitar, e afinal ela tinha vomitado também, ele deveria sentir-se ofendido com isso. Viu Kagura apenas chamar a amiga e cochichar algo alto o suficiente para ele ouvir sobre um plano B, e logo elas duas tinham sumido.

O policial gostaria de entender o porquê agiu tão repentinamente quando a ruiva estava próxima, ele podia tê-la afastado e tudo estaria bem agora.

— Aquela pirralha... — sussurrou finalmente colocando-se de pé. — acho que ela já venceu esse jogo há muito tempo.

Notas finais
Sugestões e críticas são altamente bem-vindas, deixem um review pra falar disso comigo! Até mais.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!