Jogo de sedução
3 Capítulo 2 - Segredo
Notas iniciais
– Tente me seduzir, Lola. – pediu Bryan.
– Você é gay, Bryan, não vai funcionar. – retruquei fitando o teto de meu quarto.
Havíamos chegado a pouco mais de uma hora na universidade com várias sacolas de compras dos diversos produtos que compramos. Quase chorei ao ver que havia gastado quase todo meu dinheiro conseguido na sexta com as mercadorias. Não sou pão duro, mas eu já tinha o pensamento sempre fixado em usar o que eu ganhava para pagar a faculdade e, se houvesse excedente, mandar metade para minha família.
– Se eu ficar minimamente satisfeito com seu desempenho prometo me animar um pouco. – afirmou dando um sorrisinho de canto.
Dei um suspiro pesado. Não acredito que terei que tentar seduziu meu amigo gay, pensei. Que decadência, Lola. Levantei-me da cama olhando de modo descrente para ele que tentava a todo custo manter sua expressão séria e compenetrada.
– Você vai é me zoar eternamente se eu fizer isso, seu idiota! – exclamei rindo.
– Mas é claro que não, acha mesmo que eu faria uma coisa dessas? – perguntou.
Ele lançou um falso olhar magoado em minha direção, mas logo começou a gargalhar. Parece que ganhar a aposta vai ver mais difícil do que eu imaginei no princípio.
– O que você sabe sobre conquistar homens, Lola? – questionou-me.
– Acho que li em alguma revista ou na internet que as mulheres têm que ser misteriosas. – respondi tentando me lembrar de outras coisas – Ah! E também é bom provocar o cara.
Percebi, pela expressão no rosto de Bryan que ele tentava a todo custo não rir da minha ignorância nesses assuntos. Ele sabia que eu só havia namorado três pessoas em toda minha vida e ainda achava que eu saberia tudo sobre a arte de sedução só por trabalhar em uma boate masculina? Para ser sincera, comecei a minha vida amorosa há dois anos, quando eu estava com dezenove anos de idade, pois meus pais eram muito rigorosos com meus estudos e não admitiam nada que distraísse minha educação. Foi um custo convencê-los a me deixar fazer aulas de dança, ganhei a discussão com o argumento de que isso aliviaria minha mente e me faria ter mais concentração. Éramos muito mais pobres do que hoje e, por isso, sempre almejei uma vida melhor e, mesmo que eu consiga pagar a mensalidade de mil e setecentos dólares com meu trabalho na Desire – às vezes com excedente -, sinto que ainda posso evoluir mais ainda. Eu trabalhava em uma boate masculina e era um pouco inexperiente com homens. Ironia, não?
– Francamente Lolita, como espera ganhar a aposta? – perguntou divertindo-se.
– Ah Bryan os homens já não se sentem naturalmente atraídos por qualquer coisa que use saia? Então, é só usar isso a meu favor. – expliquei.
Ele fez um olhar de descrença e começou a gargalhar segurando a barriga com o braço.
– Seu argumento não funciona para os escoceses. – afirmou ainda tentando recuperar o fôlego, mas logo começou a rir novamente.
Parecia que eu tinha contado a melhor piada do mundo e vê-lo rindo da minha ignorância nesse assunto, senti uma imensa raiva. Cruzei os braços diante do corpo e bufei irritada.
– Ah! Caia fora Bryan, se não quer me ajudar pelo menos pare de rir! – esbravejei.
Alguns segundos depois de minha explosão de indignação, ele consegui parar de rir e limpou as lágrimas que haviam se formado em seus olhos com os dedos. Deu um suspiro satisfeito e olhou dentro de meus olhos.
– Existem milhões de outros rabos de saia mais fáceis que você, o que a faz pensar que conseguirá uma atenção exclusiva dele durante um mês? – perguntou com tom zombador.
– Oras, é fácil. Já li dezenas de livros em que o badboy fica curioso com a garota diferente e não dá atenção a nenhuma outra porque fica fascinado com ela. Então, ele muda completamente por ela e eles ficam felizes e juntos. – expliquei colocando as mãos na cintura.
Eu não acreditava realmente em felizes para sempre. Entretanto, meus pais se casaram por amor e foram raras as vezes que os vi discutindo. O casamento deles já tem mais de quarenta anos e ambos continuam apaixonados um pelo outro, então por que isso não poderia acontecer comigo? Se ainda houvesse um por cento de chance de eu terminar igual a eles, lutaria por ela até o fim.
– Isso não acontece na vida real. O cara mau pode até ficar fascinado pela garota, mas você realmente acha que ele vai ficar em abstinência por causa dela? É mais provável que leve outras para cama a fim de imaginar a garota no lugar delas. – retrucou dando um sorriso de canto.
Bufei mais nervosa ainda.
– Se há tantas histórias assim por que não pode ser verdade? Talvez até mesmo eu consiga mudar o Logan. – falei zombeteira.
– Porque, Lola, essa é a vida real. Personalidades adquiridas com anos não mudam de uma hora para a outra. – afirmou com a expressão séria, que logo relaxou – Mas, querida, antes de falarmos de você colocar uma coleira nele, primeiro tem que mostrar o osso a fim de atraí-lo.
– Não entendi sua comparação. O que seria o osso? – perguntei franzindo o cenho.
– Você tem que chamar a atenção dele, dã. – respondeu como se fosse óbvio.
– Mas eu já tenho a atenção dele. – falei sorrindo.
Diante do olhar confuso do moreno, pulei da cama e abri uma caixinha rosa dentro do guarda-roupa. Eu a usava pra guardar minhas bijuterias, mas havia uma coisa ali que destoava dos acessórios. Retirei a nota, que estava dobrada, e estendi-a para Bryan com um sentimento vitorioso. Eu havia conseguido ganhar a atenção de Logan sem a ajuda dele! Há! Parece que eu não sou tão ignorante nesse assunto, pensei sorridente.
– Parabéns. Mas isso não será suficiente. Ele só passou o número para vocês marcarem de sair e fazer sexo casual, a maioria dos homens acha que as dançarinas da Desire são quase prostitutas e, por isso, tem uma grande chance de irem para a cama com elas. E Logan não é uma exceção. – disse pensativo acabando com minha alegria.
– Como você sabe isso? Sem ofensa, mas você é gay, não deveria saber mais sobre os novos bofes escândalos do que sobre os pensamentos héteros dos homens? – perguntei incerta arrancando uma risada gostosa de Bryan.
– Exatamente por isso, Lolita. Eu passo muito tempo observando o sexo masculino e ajo como homem, afinal. Saber disso é o de menos. – retrucou mandando uma piscadela em minha direção.
– Ok então, senhor expert em homens. – afirmei arrancando risadas dele – O que devo fazer?
Bryan me olhou de um modo que deu medo até em mim. Ele só estava me ajudando porque sabia que eu não iria ganhar nossa aposta e, definitivamente, eu irei fazê-lo engolir esses pensamentos errôneos.
~ ♥ ~
A aula de arquitetura francesa havia começado a não mais do que dez minutos, mas já estava maçante. Eu tentava a todo custo prestar atenção naquele estilo de construção, pois eu não conseguia dominá-lo muito bem. O professor, Miguel, estava de costas para a turma escrevendo a matéria em um quadro branco com uma caneta que fazia um barulho irritante e o silêncio reinava na sala. Seu nome não combinava com sua personalidade explosiva, era como chamar um pitbull de fofinho.
Apesar do homem já estar na casa dos sessenta anos, ter uma barriga proeminente, possuir pouco cabelo na cabeça e ser baixinho, sua voz tinha a intensidade de um trovão. Quando ficava zangado – coisa que acontecia com muita frequência – seu rosto ficava vermelho e ele começava a elevar o tom de voz, impondo medo em todos nós. Apesar disso, era um professor excelente e uma pessoa bem divertida nos seus dias de bom humor.
O som de alguém batendo na porta de madeira ecoou por todo o ambiente, quebrando a quietude que encobria o lugar. Logo, todos os olhares – inclusive o meu – se voltaram para o desconhecido que acabara de abrir a porta. O professor grunhiu irritado, ele odiava quando interrompiam sua aula.
Meus olhos se fixaram no homem que estava escorado no batente observando toda a sala e o papel em sua mão e minha boca quase abriu formando um perfeito ‘‘o’’. Ele possuía o cabelo loiro com mechas castanhas, seus olhos eram cor mel e ele possuía todo um ar de ‘‘eu poderia ser mau, mas escolhi não ser’’. Ele usava uma camisa xadrez azul marinha e branca por cima de uma preta, sua calça era cinza e seu sapato, branco. Nos lábios exibia um sorriso meio envergonhado e meio de desculpas.
– Desculpe-me pela demora, não consegui encontrar a sala correta logo de primeira. É meu primeiro dia aqui. – falou entregando alguns papéis para Miguel.
Notei seu sotaque que prolongava a letra ‘‘r’’ e percebi no mesmo instante que ele não era americano. Da Europa, talvez? Vi o professor analisar as folhas com o cenho franzido, mas logo sua expressão se iluminou e ele deu um de seus raros sorrisos ao rapaz.
– Seja bem vindo a minha turma de arquitetura francesa, Alexander. – saudou falando o nome do homem como se fosse Alekxander – Há um local vago ao lado da senhorita Lola, por favor sente-se para que eu possa dar continuidade à aula.
Como ele era novato não deveria fazer a menor ideia de quem eu era, então para facilitar levantei meu braço direito para que ele soubesse quem era a ‘‘senhorita Lola’’. Ele ajeitou a mochila nos ombros e caminhou na minha direção olhando-me fixamente. Ouvi alguns cochichos, mas não consegui distinguir as palavras trocadas.
– Bom dia, Lola. – cumprimentou-me exibindo um sorriso maravilhoso.
Seu perfume era forte e delicioso. Fiquei com uma imensa vontade de aproximar meu rosto de seu pescoço para inalar mais o aroma, entretanto contentei-me em estender minha mão para apertar a dele que estava estendida em minha direção. Porém, ao invés dele apertá-la, ele segurou-a depositando um rápido beijo nela. Surpreendi-me com sua atitude e o ouvi rir do meu sobressalto. Um cavalheiro. Definitivamente ele não era americano.
– Bom dia, Alexander. – retruquei com um sorriso nos lábios – Você é de onde? Percebi que, pelo seu sotaque, você não é daqui.
– Je suis français. Cheguei aqui no final de semana. Estou participando do programa de intercâmbio e, por isso, comecei o curso com duas semanas de atraso. Por favor, não me deixe levar pau na primeira prova, empreste-me suas anotações e salve a minha vida! – exclamou com um olhar pidão.
Comecei a rir de seu desespero e de sua dramaticidade, mas o professor me encarou bravo. Seu rosto estava começando a ficar vermelho e, mesmo da terceira fileira, eu conseguia ver seu nervosismo pelo meu ataque de riso. Oh, oh.
– Senhorita Lola! – repreendeu-me, com sua voz grossa ecoando por toda a sala.
– Desculpe-me professor, isso não irá se repetir! – respondi envergonhada encolhendo-me na cadeira.
Tanto eu quanto Alexander voltamos a prestar atenção na matéria e não trocamos mais nenhuma palavra pelo resto da manhã. No período da tarde não teríamos aula e, antes que eu o chamasse para almoçar comigo e com Bryan, os meninos populares saíram quase arrastando-o para fora com eles.
Juntei meu material do curso e coloquei-o em minha mochila preta de pano. Joguei-a em meu ombro e caminhei em direção ao refeitório da faculdade. Entretanto, antes que eu pudesse sequer cogitar a ideia de procurar Bryan, ele apareceu na minha frente como se tivesse se materializado ali. Levei um susto e dei um passo para trás levando minha mão direita a meu coração acelerado.
– Que susto, menino! – exclamei.
– Você viu aquele intercambista francês gostoso? – perguntou com um sorriso enorme no rosto.
– Ele está na minha sala de arquitetura francesa e, graças ao professor, sentou do meu lado. Você sentiu o perfume dele? Meu Deus! A teoria de que os franceses são cheirosos acabou de ser super comprovada! – exclamei rindo.
– Desculpe senhorita Eu-sentei-do-lado-do-novato-gostosão, mas não pude me aproximar muito dele, por mais que eu quisesse pular no pescoço dele e não largar nunca mais. – falou brincando.
– Disso eu não duvido. – retruquei rindo junto com ele.
Fui em direção à cantina e comprei dois sanduíches naturais e um refrigerante. Esperei Bryan pegar seu hambúrguer e nos sentamos em uma mesa vazia que havia ali. Corri os olhos pelo refeitório e encontrei Alexander sentado ao lado de Logan. O loiro estava conversando animadamente com várias pessoas que haviam se reunido ao seu redor para ouvir suas histórias francesas.
Logan estava usando uma regata branca que evidenciava seus músculos definidos e uma calça preta. Seu cabelo estava rebelde, e ele mantinha a expressão séria, apesar de às vezes dar um sorriso de canto com o que o francês contava.
– Pare de encarar ele, eu sei que está ansiosa para pôr o plano em prática, mas ele vai acabar olhando para cá. Você não pode chamar atenção dele na faculdade, se ele perceber a semelhança sua com a Lira já era. Mais cem pratas para mim. – falou Bryan.
Era verdade, eu estava muito nervosa. Se algo desse errado eu nem saberia onde enfiar minha cabeça para esconder a vergonha. Ficar tão perto dele e ainda fazer o que meu amigo havia sugerido demandaria muita confiança. Não por eu ter medo de me apaixonar por ele, porque fala sério ele é um babaca, mas sim por ter um enorme pavor de ele me reconhecer.
– Vamos repassar o plano? – perguntou-me em voz baixa.
Assenti positivamente com a cabeça. Como quase todos os alunos estavam ao redor da mesa em que Alexander estava, não havia risco de ninguém nos ouvir. Entretanto, isso não impediu que eu ficasse ainda mais apavorada coma ideia. Pelo menos no final valeria a pena, não é todo dia que eu consigo cem pratas e o poder de me vangloriar desse feito para o resto de minha vida.
~ ♥ ~
Eram nove e vinte da noite e Lauren estava dançando no palco. Se o plano de Bryan não funcionar vou socar aquela cara linda dele! Eu estava na Desire para realizarmos o plano e, como manda o figurino, já estava com a peruca vermelha e uma maquiagem forte no rosto. Mas ao invés da roupa de palco, eu vestia uma comum: um short preto de tamanho normal, salto vermelho escuro e uma camiseta branca. Tamborilei nervosamente os dedos sobre o balcão do bar lançando um olhar furioso a todos os homens que tentavam se aproximar com suas cantadas baratas. Depois do segundo eu já havia perdido completamente a paciência.
– A moça está bebendo sozinha? – perguntou uma voz atrás de mim.
– Por acaso tem alguém com um copo de bebida do meu lado? É claro que estou, idiota. E, já respondendo a sua próxima pergunta: não, obrigada. – retruquei virando na direção do homem.
E, para minha surpresa era Logan que estava sorrindo de um modo sexy com um copo de whisky encostado nos lábios. Seu cabelo estava rebelde como sempre e ele usava uma blusa social preta com os dois botões de cima abertos e uma calça jeans preta. Seus olhos azuis pareciam mais escuros e ele soltou uma risada nasal com a minha resposta irritada.
– Parece que alguém não está tendo um bom dia. – falou sentando-se ao meu lado.
– Todos nós temos dias bons e dias ruins. E eu queria aproveitar o meu péssimo dia sozinha. – retruquei bebericando minha vodka.
O álcool queimava minha garganta a medida que descia e, como eu não estava acostumada a beber, senti vontade de tossir, mas não o fiz. Mantive a compostura e fixei meu olhar nas garrafas expostas atrás do balcão do bar. Ponto para mim.
– Eu gosto muito das suas apresentações e, inclusive, deixei meu telefone para você na sexta-feira. – comentou.
Virei para ele, fingindo analisá-lo e fingi uma expressão de reconhecimento.
– Ah! Você é o garoto que vem aqui toda madrugada. – disse – Você não tem aula cedo não?
‘‘Finja que é mais velha do que ele. Homens gostam de mulheres mais maduras e isso também evitaria que ele logo a reconhecesse, pois as pessoas só veem o que querem. Se ele te ver como uma mulher mais velha e que não dá bola para pirralhos, não irá associar sua imagem à Lola normal.’’ Lembrei-me da dica de Bryan e sorri internamente ao ver que ela estava funcionando.
– Me chame de Logan. É sério, me chame. – falou estendendo a mão em minha direção.
– Lira. – respondi apertando-a.
Olhei para o relógio e percebi que faltava apenas vinte minutos para que meu turno começasse. Dei um sorriso de alívio interno e levantei-me da cadeira redonda típica de bares e sorri para Christian, o barman.
– Depois eu acerto com você. – falei e virei para Logan que acompanhava meus movimentos com o olhar – Minha apresentação começará daqui a pouco, tenho que ir.
Dei as costas para o homem, mas ele segurou meu pulso. Virei a cabeça, confusa com sua reação.
– Você ainda tem meu telefone? – questionou.
– Provavelmente. – respondi franzindo o cenho.
– Então se precisar de alguma coisa me ligue. – afirmou sorrindo.
Ou seja: me ligue para que possamos nos divertir em uma cama. Não, Logan, obrigada. Não respondi e caminhei para o camarim limpando minhas mãos úmidas no short. Ele não me reconheceu! Sorri confiante e logo me troquei.
Ao invés de enfermeira, a profissão da vez seria professora. Entrei no vestiário e comecei a me vestir. Coloquei a blusa social branca que possuía três botões a menos, permitindo que fosse possível ver meu sutiã vermelho. A saia preta e colada ficava apenas quatro dedos abaixo de minha bunda e pus os óculos para completar o visual. Suspirei pesadamente e retoquei a maquiagem que ressaltava meus olhos com uma cor escura nas pálpebras. Passei meu batom vermelho e ajeitei minha peruca. Pus meu scarpin preto com salto de dez centímetros. Eu estava pronta.
Fui até o palco mal iluminado e senti a empolgação invadir todas as células do meu corpo. Meus músculos relaxaram e pela primeira vez na noite eu sentia que não precisava me preocupar com nada, a dança exercia esse poder em mim. Ela permitia que eu me libertasse das preocupações cotidianas. Fechei os olhos e respirei fundo. A melodia da música Don’t Cha da Pussycat Dolls soou pelo ambiente e senti meu rosto sendo iluminado por uma luz branca. Abri os olhos e, por um momento, eu estava sozinha na boate masculina. Só eu e a música, mais ninguém.
Entretanto, esse momento especial logo se desfez com os primeiros berros e elogios de animação dos homens sentados um pouco abaixo do nível do palco. Fiz cara séria e caminhei até o meio do palco, onde havia um mastro de pole dance. Segurei firme no metal gelado e comecei uma coreografia mais sexy ao som da provocativa música. Quando ela chegou ao final, olhei fixamente pata o Logan – que, diga-se de passagem, estava quase babando – e sussurrei:
– Don’t cha wish your girlfriend was hot like me?*
Quando ele deu um sorrisinho de canto, mandei uma piscadela em sua direção. Continuei com minha apresentação ao som de várias músicas diferentes, mas todas com o mesmo estilo da primeira. Os homens estavam gostando da fantasia de professora, já que não paravam de estender notas em minha direção para colocá-las em minhas roupas. Porém, quando faltavam apenas cinco minutos para o fim do meu turno e eu dançava a última música, vi um conjunto de rapazes se aproximando do palco e cumprimentando Logan.
Meus olhos se arregalaram rapidamente antes que eu pudesse disfarçar que havia reconhecido os clientes. Eles eram estudantes da minha faculdade! Droga! Entre eles vi o francês já com um copo de bebida na mão encarando-me com o cenho franzido. Continuei dançando como uma boa profissional, mas nem a dança era capaz de me fazer esquecer o olhar de Alexander sobre mim.
Contei os segundos para a música acabar e quando isso aconteceu, peguei rapidamente as notas que haviam caído no palco e andei rapidamente – mas não de modo suspeito – para o camarim. Escorei-me na porta do vestiário com o coração acelerado e com as mãos trêmulas. Ele não podia ter me reconhecido, podia? Alexander não estava aqui na cidade nem há um dia, não era possível que ele se lembrasse perfeitamente de mim. Além disso, minha maquiagem e a iluminação não colaboravam para que ele me visse por completo. Com esses pensamentos minha pulsação passou a ser menos frenética e consegui trocar de roupa sem ter uma crise de pânico.
Já vestida com o short preto, a blusa vermelha e a sapatilha cinza, saí do vestiário ajeitando a peruca vermelha. Peguei minha mochila e saí da Desire pela porta dos fundos e sorri ao encontrar Igor, o taxista, me esperando. Entrei no carro e fomos rapidamente para a faculdade com um silêncio calmo entre nós. Assim que chegamos paguei-o e caminhei em direção ao dormitório feminino tomando cuidado para que eu ficasse o menos perceptível possível. Estava atenta a todos os sons e um em particular me chamou atenção: uma risada abafada.
Travei no lugar e senti minhas mãos começarem a tremer. Um frio passou pela minha coluna e levantei o olhar a tempo de perceber uma figura masculina saindo das sombras da escadaria. Arregalei os olhos e senti como se perdesse o chão ao fitar o homem diante de mim.
– Adorei a apresentação, Lira. Ou devo dizer, Lola. – falou com um tom descontraído e divertido como se tivesse contando uma piada.
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