Jogo de Máscaras
33 Capítulo 33 - Vista sua máscara de precaução
Notas iniciais
Sasuke terminou de mandar o último e-mail que precisava e apertou os olhos, cansado. Itachi havia saído, uma consulta de emergência a alguém que ele nem quisera lhe dizer quem era. Óbvio que era suspeito, ainda mais naquele dia, a noite anterior à exposição de Ino, logo quando estavam prestes a desmascarar Hiashi! Contudo, não insistiu, sabia que o irmão precisava esfriar a cabeça, convencer-se de que ele, Sasuke, não sairia mais do que prejudicado daquilo tudo.
De qualquer forma, Sasuke já havia preparado o terreno para o depois. Tinha chamado vários colegas e contatos de outros jornais, revistas ou sites para a exposição do dia seguinte, prometendo-lhes uma notícia mais que satisfatória. Em troca, pediu apenas algumas indicações e créditos, uma boa forma de facilitar sua busca e a de Sakura por emprego após aquilo tudo.
Levantou-se, desligou o notebook e o deixou no sofá. Ainda estava cedo, o relógio marcava um pouco mais de oito horas e, embora tivessem jantado há apenas duas horas, conhecendo Naruto, ele já devia estar fome.
Buscou no armário da cozinha os doces que Itachi lhe comprava, mas que nunca comia, e levou para o quarto onde Naruto resmungava sobre a cama diante de alguns livros abertos.
Naruto não ergueu os olhos quando Sasuke entrou, mordia a tampa da caneta enquanto virava com certa raiva as páginas de um livro tão grosso que poderia ser usado como arma se alguém invadisse aquela casa novamente. O celular estava sobre o teclado do notebook aberto, tocando insistentemente pelas várias mensagens recebidas, e tudo isso junto das rugas de dúvida é frustração de Naruto davam o diagnóstico clássico para o que estava acontecendo: época de provas da faculdade.
Sasuke se sentou próximo a ele, sem amassar os rascunhos espalhados ou os livros. Ofereceu a caixa de chocolates a Naruto e percebeu a gratidão e a felicidade nos olhos azuis quando ele abriu a primeira embalagem e devorou com audível satisfação aquela quantidade absurda de açúcar.
— Aqueles malditos… Aquela diretora filha da puta colocou todas as provas que perdi por culpa de Hiashi no mesmo dia... eles querem me reprovar, mas você vai ver, vou fazê-los engolir cada nota — resmungou baixo de boca cheia.
Sasuke não respondeu, e Naruto enfim pegou o celular para conferir as mensagens que recebia.
— Ótimo! Alguém conseguiu a última prova antiga com respostas! Como eu amo a minha turma! — Ele sorriu abertamente, fechando o livro à sua frente e soltando a caneta.
— Isso quer dizer que não precisa mais estudar? — Sasuke riu.
— Quer dizer — Naruto se ajoelhou animado na cama, segurando o rosto do outro entre as mãos. — que não preciso estudar mais tanto, já to me matando demais esses últimos dias... E você? Terminou o que estava fazendo? — perguntou, deixando leves selinhos nos lábios de Sasuke.
— Sim — respondeu com a mão na cintura de Naruto, pronto para puxá-lo para seu colo. Contudo…
— Ótimo… então… — Naruto mordeu os lábios, desviando o olhar. — A gente pode conversar?
Sasuke franziu o cenho e viu Naruto se afastar para recolher seus papéis e livros, deixando-os empilhados sobre a cômoda.
— Algum problema? É sobre amanhã?
Naruto trocou o peso de uma perna para a outra e cruzou os braços ao se virar para Sasuke. Apoiou as costas no guarda-roupa e coçou a nuca, sem jeito. As dúvidas que Itachi tinha levantado em sua mente persistiam, como uma música ruim em que você vicia e se vê cantando mesmo quando não quer. Foi difícil ignorá-las enquanto estudava, ainda mais estando na casa de Sasuke, vendo-o todo dia e se perguntando se Itachi tinha mesmo razão ou não. Quer dizer, ok, Itachi tinha sim razão e não havia lhe contatado nada de novo, ele havia lhe explicado o que já sabia, fazendo-o enfim compreender alguns detalhes a que não tinha dado atenção. E, Deus, como não havia dado atenção?
— Não, nada disso… é… são dúvidas que eu tenho.
Sasuke assentiu e sinalizou para que Naruto continuasse.
— Quando você foi na Akatsuki… — Naruto respirou fundo, ainda sem olhar o outro. — Na vez que transamos… você pediu para que fosse violento. — Engoliu em seco. — Você se machucou e não pareceu se importar…
Sasuke disfarçou a surpresa pelo assunto repentino. Naruto não estava constrangido por falar daquele assunto, ele estava desconfortável, preocupado, como se pisasse em ovos. Soltou o ar de seus pulmões, ciente de onde o outro estava querendo chegar, afinal, não era difícil de ler nas expressões dele o que o perturbava.
— Não é porque gosto de sexo violento que vou me machucar ou pensar em me matar, Naruto — falou com certa impaciência. — Gosto de sentir dor enquanto fodo, gosto de sentir cada parte do meu corpo responder a isso, gosto de me sentir vivo.
— Não se sentiu vivo aquele dia no carro? — Naruto perguntou um pouco mais baixo do que gostaria. — Depois de dizer o que sentia, o que fizemos não te fez se sentir vivo?
Sasuke estalou a língua no céu da boca, ignorando o rubor no rosto e a nota de mágoa na voz do outro. É claro que tinha se sentido vivo! Naquele dia tudo estava tão mais intenso, tão mais quente em sua pele, que não chegou nem mesmo uma vez a duvidar que o coração batia contra o peito. Mas precisava admitir isso? Já havia sido confuso o suficiente saber que tinha conseguido aproveitar e gostar do ato sem ter que apelas para dor, apenas sentindo a respiração acelerada de Naruto e a forma intensa e irracional com a qual se buscavam, tocavam, beijavam...
— Situações diferentes — respondeu contrariado.
— Gosta de sentir dor?
— Gosto de ir ao meu limite — Sasuke rebateu, desconfortável com a seriedade com que Naruto estava levando aquilo. — Você andou falando de novo com Itachi, não foi? — concluiu, irritado.
— Ele falou que você se metia em brigas antes porque a dor te lembrava que estava vivo… e que transferiu isso para o sexo.
— Ah, puta que pariu! — Sasuke bufou, levantando-se. — Naruto, de neurótico já me basta o meu irmão, pare com isso, eu já disse que estou bem!
— Não adianta gritar comigo, Sasuke, eu só quero te entender — Naruto suspirou, não gostando de ver o modo como todo o bom humor do outro havia ido embora só com aquela breve conversa.
— Entender o quê? Eu tentei me matar há mais de dez anos, dez anos! Já foi, acabou, vida segue! Não preciso que fique achando que qualquer coisa que faço possa ser um indício de que tentarei de novo!
— Eu não disse isso! — Aproximou-se do outro, segurando-o pelos ombros e encarando o olhar raivoso que recebia. — Mas, droga, Sasuke, não me fale que é saudável ou um bom sinal você só se sentir vivo quando está sentindo seu corpo gritar de dor! Isso é diferente de sentir prazer na dor, é buscar sentido nela! — gritou sem perceber e, então, fechou os olhos.
— Naruto — Sasuke começou, cansado, querendo terminar aquela discussão que não os levaria a lugar algum. Estava tudo bem, então por que Naruto tinha que inventar de complicar as coisas?
— Não, espere, me deixe falar. — Naruto respirou fundo e diminuiu a distância dos corpos enquanto os dedos da mão direita acariciavam o rosto de Sasuke lentamente. Sorriu minimamente ao abrir os olhos e observar os traços que davam a Sasuke aquele ar arrogante e belo… — Eu quero que se sinta vivo comigo… quero que se sinta assim toda vez que eu te beijar, que eu te tocar… quero que se sinta vivo como eu me sinto sempre que estou perto de você, com cada pequeno gesto, cada detalhe… estou apaixonado por você… — Riu, sem graça. — e queria que só de ouvir isso você se sentisse vivo como eu me senti quando falou essas palavras para mim… Entende? — sussurrou, e Sasuke piscou, sem reação. — Se eu pudesse, se tivesse como... queria substituir essa dor a que você recorre, entendeu? Há uma diferença entre sexo violento e essa dor que você busca, e eu não quero que se machuque, eu não quero te machucar...
Sasuke não percebeu que tinha prendido o ar até que os pulmões exigissem que o soltasse e voltasse a respirar normalmente. Piscou, aturdido, e buscou uma forma de responder a aquilo, mas, se comparado à uma máquina, poderia dizer que seu sistema central de comandos havia entrado em choque, paralisado, enquanto que seu gerador, o que lhe dava energia, atuava em alta potência, sobrecarregando o sistema por inteiro.
Sentia o calor da mão de Naruto em seu rosto, a respiração dele tão próxima a sua lhe causava cócegas, os olhos azuis que o miravam de forma decidida e carinhosa o faziam querer se afastar para recobrar a razão ao mesmo tempo em que formavam uma barreira poderosa que o impedia de fugir.
Tinha que responder a aquilo? Quer dizer, Naruto já sabia do que sentia, então, não estava esperando uma resposta, não é? Afinal, o que era tudo aquilo? Do que estavam falando para início de conversa?
— Sasuke? — Naruto arqueou a sobrancelha, visivelmente confuso.
— Você se preocupa demais com coisas inúteis — sussurrou, recompondo-se. — Eu já disse que estou bem.
— Sasuke...
— Não — cortou-o, a voz baixa, um sorriso mínimo aparecendo nos lábios, a contragosto, enquanto segurava a nuca do outro e se aproximava para selar os lábios levemente. — Você mesmo disse, não me machucou nem nada do tipo naquele carro, não é? Devia tirar suas próprias conclusões a partir disso e não ficar ouvindo as preocupações de Itachi sobre meu bem-estar. Ele é médico e meu irmão mais velho, Naruto, qualquer tosse minha e ele vai pensar logo que é uma pneumonia ou um câncer em estágio terminal — debochou com humor.
— Então, isso quer dizer que te faço se sentir vivo? — Naruto perguntou, o sorriso no rosto crescendo gradativamente com a percepção do que aquilo significava de fato.
Sasuke corou e estalou a língua no céu da boca antes de empurrar o outro, sem força, para longe e lhe dar as costas para se afastar e fugir daquela pergunta.
— Ah, não, Sasuke! — Naruto mordeu o lábio, risonho. — Vem cá! Me responde vai, quero ouvir!
— Vai à merda, Naruto! — resmungou ao sentir o outro lhe abraçar pelas costas. — Volta a estudar que você ganha mais!
Naruto riu audivelmente, virou Sasuke em seus braços e o encostou na porta do quarto enquanto repousava a testa na dele. Os olhos, dos dois, fecharam-se, as vozes calaram-se, as respirações pareciam se encontrar entre as faces e se abraçar, forçando como ímãs que os rostos se aproximassem, e as bocas desenharam por um breve momento um sorriso cúmplice e discreto antes de se unirem de forma lenta e profunda.
Sasuke relaxou, cada parte do seu corpo pareceu ceder a aquele toque macio dos lábios de Naruto, e, diferente da dor que o fazia ter todas as suas células ativas para o famoso processo de fuga ou luta, o beijo de Naruto as calava, suprimia, apagando uma a uma como as luzes de uma casa quando todos dormem, e, então, apenas o coração permanecia desperto, apenas ele concentrava toda aquela energia, apenas ele vibrava em alegria, batendo com tamanha intendida que era impossível negar, impossível ignorar, impossível não reconhecer que Naruto o fazia se sentir vivo de uma forma única e muito melhor do que qualquer dor já havia feito.
* * *
Ino tinha passado os dias anteriores à exposição fora, com Sakura, Hinata e Gaara ao seu lado. À disposição no local do evento, alguns funcionários e a empresa de marketing NewEye que Ino sempre utilizava os ajudaram a organizar a disposição dos quadros. Shikamaru, representante da NewEye, tinha acompanhado toda a idealização daquela exposição, tendo sido o responsável pela coordenação do projeto como um todo: design dos convites, publicidade em veículos de cultura, entrevistas que Ino havia dado e a forma gradual com que elas eram soltas ao público, e agora a organização do espaço.
Ino tinha explicado o que queria. Precisava de uma exposição em fases, ascendente. E não podia ter ficado mais feliz com o resultado. Além disso, por conta de tudo que sua exposição envolveria, Shikamaru já estava mais do contratado para lidar com sua imagem pessoal após a chegada da tempestade.
— Será uma troca, está ciente disso? — Shikamaru lhe perguntou quando estavam apenas os dois na sala de planejamentos. — O dano vai ser o mesmo, a diferença é que você receberá, querendo ou não, uma publicidade positiva com isso.
— E alguns inimigos também. — Ela arqueou a sobrancelha, mas sem demonstrar incômodo.
— Todo mundo ama um artista engajado em causas políticas, Ino — ele comentou com seriedade. — E, depois, é só dar um tempo, ficar na sua sem chamar muita atenção para esse lado. É de política que estamos falando, ninguém nunca lembra nem em quem votou, é só dar um tempo que todos esquecem o que aconteceu, não se preocupe.
Não estava preocupada. Por algum motivo, aquilo tudo lhe soava até que divertido. Seu ex empresário tentara sabotar sua exposição, fazer com que as críticas descessem pesadas sobre ela. Ah, como gostaria de ver a cara dele quando soubesse de tudo o que aconteceria naquela noite... Como gostaria de estar ao lado dele quando ele enfim percebesse que a falta de dois ou três quadros na exposição seria a última coisa de que falariam!
— Está tudo pronto — Gaara falou de repente ao seu lado.
Ino virou-se e deu uma boa olhada no que Shikamaru havia preparado. Melhor impossível. Sorriu, abertamente, sem conter a animação. Sakura observou o ambiente, mandou uma mensagem para Sasuke, assegurando-lhe sobre os preparativos, rindo internamente por se lembrar de que ele próprio só não estava ali porque Naruto o havia arrastado para comprar “uma roupa decente” para uma noite que prometia muito...
* * *
Hiashi massageou as têmporas e fechou o jornal que lia. Estavam a um mês das eleições e, se tudo continuasse bem, era quase certo que Neji se reelegeria. Tinha que dar alguns dos créditos a Ten-Ten… a suposta gravidez e as aparições públicas em serviços sociais tanto durante o mandato quanto especialmente naqueles meses finais haviam feito diferença. Não era difícil manipular as massas. A gravidez dela, se é que realmente estava grávida, havia conferido ao sobrinho um bônus, um adjetivo a mais no nome que o aproximaria de mais um grupo de eleitores.
Ainda assim, estava incomodado. Não era tolo para pensar que Ten-Ten não desconfiaria de seus planos para encurralar o sobrinho, ela com certeza tinha entendido o que havia feito ao convidar Neji para um esquema com tão poucas chances de sucesso. Ardilosa, ela já deveria estar ou pensando numa forma de defesa ou, pior, de vingança. Além disso, começava a achar que suas táticas para a intimidar haviam tido o efeito contrário... Talvez, houvesse passado dos limites e pressionado demais... Sentia, infelizmente, que tinha dado o nó na própria forca, cercado demais um animal selvagem que, em vez de recuar, preferia lutar até a morte, atacá-lo! Precipitara-se, deixara que a raiva por Neji tê-lo traído ao apoiar a fuga de um amante qualquer o cegasse.
Não podia subestimar Ten-Ten, Neji era um mero cavalo a disposição de uma rainha para cercar o rei inimigo em um tabuleiro de xadrez. Conversara com Orochimaru, talvez fosse mais sábio apoiar a eleição dele e não a de Neji, alternando a posse do cargo para dar tempo dos ânimos dentro de sua própria família se acalmarem. Ou talvez não... Não sabia se ter ou não Neji na prefeitura iria lhe ser benéfico. Antes, contava com certeza com o apoio do sobrinho e para se reeleger como governador, mas agora... talvez o sobrinho precisasse esfriar a cabeça antes de se precipitar e acabar o atacando em vez de ajudá-lo.
Bem, ainda tinha um mês para decidir, tempo o suficiente para se reconciliar com Ten-Ten e fazê-la convencer Neji do que seria melhor para todos, afinal, se não podia derrotá-los, era muito melhor continuar a tê-los como aliados.
Olhou-se no espelho. Ajustou a gravata e arrumou o cabelo antes de alisar o terno caro e colocar o relógio no punho esquerdo.
— Prepare o carro — ordenou a Sai e, então, conferiu o horário. Aproveitaria o evento para conversar com Orochimaru sem levantar suspeitas e, talvez, quem sabe, conseguisse até mesmo uma leve reconciliação com Ten-Ten, uma vez que o convite para a exposição tinha saído por parte da mãe dela.
A senadora o havia convidado em um telefone bastante amistoso, provavelmente já ciente de que a filha rebelde estava querendo ou cogitando romper relações com ele e, como sempre acontecia, quando algo desagradava à senadora, ela logo intervinha. Sim, aproveitaria o evento para fortalecer suas ligações, uma vez que ele sabia que um lobo separado da matilha já é considerado um lobo morto.
* * *
Neji e Ten-Ten foram, certamente, as figuras públicas que primeiro chegaram à tão esperada exposição. Claro que, antes mesmo do local abrir, Ten-Ten havia conferido cada detalhe do que seria exposto, até porque não dava para confiar em seus “aliados”, eles podiam muito bem naquele momento final mudar as regras do jogo e decidir expor Neji também. Felizmente, tudo estava dentro dos conformes.
Logo na recepção, ao entregarem seus convites, receberam duas máscaras. Neji balançou a cabeça em descrença pela ideia ousada da artista, mas logo vestiu a máscara branca que lhe era entregue assim como Ten-Ten e os demais convidados. A iluminação do ambiente era baixa, sem uma cor específica, apenas deixando o ambiente levemente escurecido para que os quadros bem posicionados chamassem logo a atenção por receberem luz branca pelas molduras. Além disso, as paredes negras e vermelhas, a música baixa, tudo dar ao local um ar muito similar ao que Neji já estava certamente acostumado: Ino imitara a Akatsuki.
A exposição contava com quatro salões e uma sala de vídeo onde seria mostrado algumas etapas da produção e planejamento das obras, entrevistas com a artista e um leve discorrer sobre a arte na atualidade. Cada salão possuía uma disposição específica dos quatros, mas era possível ver nitidamente que a mesma sequência de temas nas pinturas era seguida. Entre cada obra, trechos de músicas, poemas, citações famosas sobre desejo e êxtase estavam escritos nas paredes.
Muitos se demoravam nos quadros, o choque e o fascínio em conflito, mas devidamente escondidos pelas máscaras. E Ino sabia daquilo. Ao observar, do andar superior, a forma como as pessoas andavam por entre suas pinturas, deixou uma risada irônica escapar. Shikamaru tinha mesmo razão, todos os julgamentos caem quando se está bem escondido, quando ninguém sabe quem é você. As máscaras e a iluminação traziam segurança a qualquer um que quisesse realmente parar e olhar seus quadros, sem o peso social, moral, familiar ou qualquer outro. As frases, os poemas, as músicas e as pinturas eram mais do que prova de que o tema desejo não deveria ser um tabu, já estava presente há séculos, relatado por artistas consagrados e renomados!
Sorriu, satisfeita. Irônico pensar que, para derrubar máscaras imaginárias, bastava ofertar uma física.
Kakashi tinha comparecido, como ela sabia que ele faria. Bem no início, ele havia lhe procurado para um pequeno momento de provocações veladas. Alguns poucos jornalistas aproveitaram para fazer perguntas a ambos, questionando o motivo também do fim da parceria.
— Temos uma visão de mundo diferente — foi o que Kakashi respondeu.
— Certamente — ela concordou. — Alguns veem o mundo como ele é, outros precisam de óculos para enxergá-lo de fato, e há ainda aqueles que preferem se cegar para não o encarar. — Ela riu, suave, diante do espanto dos jornalistas e, antes que Kakashi respondesse, emendou: — Espero que apreciem a exposição. Como está no cronograma, às vinte e uma horas teremos uma surpresa imperdível!
Depois disso, a breve cessão de depoimentos findou, e Ino se retirou por um tempo, como Shikamaru havia lhe orientado, para observar como as pessoas reagiam à sua exposição sem sua presença ali para “intimidá-las”.
—Acho que já podemos descer, não? — Gaara a abraçou por trás e beijou-lhe a nuca exposta pelo penteado que usava. — Vamos?
Ele estava lindo, uma pena que a máscara branca cobria parte da face. Pegou a que ele lhe dava e a vestiu com diversão.
— Hinata já está aqui. Sakura e Deidara também. Sasuke, Naruto e Itachi não, nem Hiashi — ele falou baixo enquanto desciam as escadas.
— Ótimo. Temos que esperar o horário para prosseguirmos.
Alguns notaram quando a artista apareceu. Muitos dos fotógrafos credenciados se aproximaram rapidamente, e Ino permitiu-se ser fotografada com Gaara para denunciar sua identidade, assim financiadores, possíveis clientes e novos contatos poderiam se aproximar dela com facilidade ao decorrer do evento.
Sakura estava junto de Hinata e Deidara. Hinata tinha visto o momento em que Neji chegara e já havia avisado Naruto, contudo, não precisou esperar muito.
Naruto apareceu em pouco menos de trinta minutos com Sasuke. Pegaram suas máscaras na recepção, e Naruto não conseguiu conter o discreto suspiro ao ver o outro mais uma vez com aquele pequeno enfeite.
— Vamos precisar jogar de novo para eu arrancar essa máscara, S? — provocou, baixo, ao entrarem.
Sasuke sorriu e o olhou pelo canto de olho sem responder. Observou o local, tentando localizar Sakura e os demais, mas desistiu. Verificou o celular e franziu o cenho com a mensagem de Itachi avisando que já havia chegado e lhe falando onde exatamente estava. Caminhou com Naruto entre as pessoas, sem dar atenção de fato aos quadros. Avistou o que deveria ser o irmão, conversando com duas outras pessoas em um dos salões e se dirigiu até lá enquanto Naruto se afastava para procurar por Hinata.
— Itachi? — chamou, discretamente, e ficou aliviado por reconhecer a fisionomia do irmão por detrás da máscara.
— Sasuke. — Ele sorriu, educado, e Sasuke reconheceu de imediato aquele tom de voz. Olhou para as pessoas com quem o irmão conversava, sem as reconhecer, mas sabia que eram importantes, Itachi estava formal, postura perfeita, tom amigável, um sorriso construído no rosto. — Deixem-me lhes apresentar meu irmão mais novo, Sasuke.
— Ah, o famoso Sasuke! Seu irmão fala muito de você, garoto — uma mulher comentou, tirando um riso abafado do homem que a acompanhava.
— Não é para tanto, Kurenai. Sou um irmão coruja, isso ainda não é crime, é? — Riu, falso, acompanhado pelos demais.
Kurenai. Sasuke encarou a Ministra e depois o irmão mais velho. Itachi tinha convidado a Ministra, e ele sabia bem o motivo.
— Não, ainda não é — ela falou, tranquila. — Ainda mais tendo um irmão tão barulhento quanto o seu. Devo admitir, Sasuke, que não acreditei no que você estava se metendo até ver com meus próprios olhos. Hiashi Hyuga não é um homem com quem muitos querem se meter.
— Mas alguém tem que fazer, não é? — respondeu, frio, mantendo a irritação guardada para quando estivesse a sós com o irmã.
— Sim, sim — ela concordou. — Alguém finalmente tinha que fazer algo. E não poderia vir em hora melhor.
— O que quer dizer? — Sasuke inquiriu, curioso ao ver que a postura de Itachi mudara minimamente. Seu irmão estava desconfortável, provavelmente não gostava do assunto que Kurenai trazia à conversa.
— Ora, as eleições estão aí. Primeiro para prefeito, depois para governador. Vai ser um alívio não ter Hiashi novamente como candidato. Ah, olha, a artista enfim está vindo para cá! Se me dão licença, eu e meu marido queremos muito cumprimentá-la.
— Claro. — Itachi sorriu, e Sasuke esperou que o casal se afastasse.
— Itachi...
— Calado — cortou-o, seco, sem a falsa educação. — Kurenai quer Hiashi fora do jogo para o marido dela concorrer ao cargo pelo mesmo partido. Ela ficou bem grata quando contei que ele iria cair.
— E o que em troca? — Sasuke sussurrou, nervoso.
— Ela ofereceu um emprego para você em um jornal grande e proteção contra o que Hiashi possa fazer.
Sasuke bufou, incrédulo.
— Não vou aceitar emprego por favores políticos, Itachi!
— Você perdeu o seu por causa de problemas políticos!
Sasuke passou a mão pelo cabelo, bagunçando-o, e percebeu Naruto parado a alguns metros, esperando-o.
— Falamos depois disso, mas não vou aceitar o emprego — ditou, firme, e saiu, deixando o irmão para trás.
Naruto percebeu os passos duros do outro e esperou que ele se aproximasse para perguntar:
— Tudo bem?
— Itachi sendo ele mesmo mais uma vez. Deixa, depois me resolvo com ele. Alguma novidade?
Naruto sorriu e concordou, apontando para uma direção com a cabeça.
— Hiashi e Orochimaru chegaram.
Sasuke virou-se para observar o local indicado e conferiu o relógio no pulso.
— Ino já sabe? — perguntou, e Naruto assentiu. — É... está na hora então.
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