Jogo de Máscaras

14 Capítulo 14 - Vista sua máscara de Mentiroso


Notas iniciais
Cap betado pela Nonna ♥ Leiam as notas finais

Mais por costume do que por vontade, Ino havia acordado logo cedo, por volta das cinco ou seis da manhã, embora tivesse ido dormir tarde. A respiração de Gaara contra seu pescoço provocou um arrepio suave e gostoso em sua pele, ela chegou a suspirar graças ao calor que o corpo dele emitia. Com cuidado, desvencilhou-se dos braços em sua cintura e se arrastou para fora cama. Vestiu a camisola, apenas porque não gostava da textura da cadeira onde agora se sentava. Abriu a gaveta de sua escrivaninha, tirou de lá o caderno A4 e alguns lápis, pois demoraria demais pegar o carvão e Gaara poderia acordar no processo.

O quarto estava escuro demais para o que queria fazer. Deixou os objetos sobre a cadeira e foi até a janela abrir sutilmente a cortina, apenas o suficiente para que as luzes da rua e da lua entrassem no ambiente. Sorriu ao visualizar melhor o rosto de Gaara. Sim, perfeito. Voltou rapidamente para a cadeira e se pôs a analisar o modelo.

O lençol estava parcialmente caído, a nudez de Gaara era coberta apenas em algumas partes, mas as pernas, o quadril e os braços ainda se faziam visíveis. Deitado de bruços, com o rosto na direção dela, braços colocados em curvas embaixo do travesseiro. Adormecido, o sorriso convencido e os olhos sedutores não podiam a atingir, mas, ainda assim, o fascínio por ele não desaparecia.

Desenhou-o, com calma e leveza, sentindo o lápis percorrer a folha sem pressa ou obrigação. Aquele desenho não era para seus esboços, para suas pinturas, não... Aquele seria dela, uma lembrança, uma doce e quente lembrança do modelo.

Se fosse sincera com Gaara, lhe diria que seu empresário compartilhava do medo a respeito dos novos quadros. Kakashi estava com os nervos à flor da pele pela sua insistência em retratar logo Gaara, ignorando a profissão dele ou o impacto que isso poderia causar em sua carreira. Mas o que poderia fazer? Já havia tentado outros modelos, e era a imagem de Gaara que vinha a sua mente! Além disso, gostava dele... Quer dizer, era divertido ser provocada, ser tentada... Era ousado. É, ousadia. Era isso que os olhos de Gaara mostravam em sua pintura: ousadia, provocação, sedução, mas com aquela promessa subentendida de ser um amante quente e carinhoso, como ela mesmo havia, há poucas horas, provado.

Ouviu o toque baixo de um celular e pulou, assustada, da cadeira. Levantou-se rapidamente e foi até o criado-mudo, onde estava o telefone de Gaara. Deveria atender? Deveria acordá-lo? Olhou para a tela. “Hina”. Hina? Seria Hinata? Imediatamente, lembrou-se da amiga, que ele enfatizara não ser namorada, e suspirou. Só o que faltava era ele ter mentido.

— Alô?

Alô? É... acho que liguei para o número errado, desculpe — Hinata falou, confusa.

— Hinata?

Ino? O qu...? Ah, esquece. Ele está dormindo?

Sim.

Pode pedir para ele me ligar quando acordar? É importante. Ou então peça a ele que venha o mais rápido possível para Akatsuki.

Certo, eu aviso sim.

Obrigada. Boa sorte com os quadros e boa noite.

Boa noite.

Desligou o celular, aliviada, e o colocou de volta no lugar.

— Que feio... — Ouviu uma risada sonolenta. — Não devia atender o telefone dos outros.

Ino mordeu o lábio inferior enquanto Gaara se sentava sem se importar com o lençol que já não cobria mais nada.

— Que horas são?

— Cedo demais para qualquer um acordar — ela falou, contornando a cama para guardar o desenho que havia feito.

— E por que não estava dormindo? Algum problema? Quer que eu vá embora?

Ino viu o leve arquear da sobrancelha, a sombra da dúvida caindo sobre os olhos verdes e a mínima diminuição do sorriso. Tão sedutor e, ainda assim, tão inseguro. Uma contradição interessante. Já havia notado como, em algumas perguntas, ele parecia investigá-la, testar suas respostas e opiniões, como se quisesse ter certeza de que ela sabia exatamente onde estava pisando, com quem estava saindo e, agora, dormindo. Era como se Gaara quisesse que ela reafirmasse sua escolha a cada momento para, assim, não voltar atrás.

Sabia pouco daquela profissão, não era psicóloga nem nada parecido, mas era artista, captar as emoções nos olhos das pessoas e os temores do coração era o que fazia de suas pinturas tão especiais. E, por isso, tudo em Gaara lhe gritava que alguém já o havia magoado profundamente em, talvez, uma situação muito semelhante com a que viviam.

Ajoelhou-se na cama e estendeu um dos braços. Ele a puxou delicadamente para o colo, onde ela se ajeitou até repousar a cabeça no peito dele. Devia alertá-lo sobre o que Hinata tinha dito, mas não quis. Se falasse, ele iria embora naquele momento, e não desejava perder o calor dos braços dele tão cedo.

— Ir embora? Como um ladrão fugindo no meio da madrugada? — perguntou, indignada. — Nem pensar... Você é um ótimo travesseiro. — Riu suave. — Ah! Tenho uma exposição de arte para ir nessa semana, mas estou sem acompanhante. — comentou ao esfregar os olhos.

Gaara massageou a nuca, um pouco mais relaxado.

— Não trabalho mais como acompanhante para eventos. Eles sempre me cansam.

Ino riu e se afastou até se sentar sobre as pernas dele. Passou os braços ao redor do pescoço, numa postura carinhosa, talvez ousada.

— Estou te convidando, não solicitando seus serviços. — Sorriu divertida. — Queria que fosse comigo, só isso, mas, se não gosta, eu vou com meu empresário. Só achei que seria divertido te mostrar essa exposição. É de um pintor novo que se declarou “meu rival”, por assim dizer.

Gaara recuou inconscientemente e olhou para Ino, surpreso. Os lábios abertos demoraram um pouco para se mexerem e permitirem ao cérebro raciocinar. Era um convite, então podia recusar, contudo, de certa forma, a pequena felicidade por estar sendo convidado e não contratado o fazia querer ir.

— Sim? Vamos? — Ela beijou-lhe o rosto em diversos lugares enquanto repetia: — Vai ser divertido. Vou poder falar mal dele para alguém e rir um pouco. Vamos? Admita, você não recusaria minha esplêndida companhia, recusaria?

Gaara riu de leve com ela.

— Vai ter imprensa lá, não vai? — ele perguntou, temeroso.

— Ah, quem liga? — Revirou os olhos. — Por favor... Depois, podemos ir onde quiser e nem vou reclamar, e você sabe como eu gosto de reclamar, né? É uma oportunidade única essa, eu não deixaria passar se fosse você.

Gaara dedilhou as coxas expostas pela camisola curta e, depois, sentiu a textura da seda clara que cobria a cintura de Ino. Os cabelos loiros estavam bagunçados, caíam sobre os ombros e chegavam a tocar seus dedos. Acompanhou o comprimento das mechas e parou uma das mãos na nuca de Ino, assistindo com prazer à pele dela se arrepiar com aquilo.

Não devia ir, não devia se envolver mais do que já estava se envolvendo, não devia estar gostando tanto daquela atenção, nem daquele sorriso que Ino direcionava a ele quando sabia que cederia. Não devia...

— Quando e onde? — perguntou, derrotado.

— Te envio o convite depois. Agora, ainda estou morrendo de sono, podemos dormir?

Gaara concordou em silêncio e ignorou o cérebro que o repreendia pela escolha enquanto deitava e acomodava Ino contra seu peito, como se ali fosse o lugar dela...

* * *

Naruto tentou pedir para ir embora, para Sakura ou Sasuke levá-lo para casa, mas foi impossível. Primeiro, Sasuke não tinha condições nenhuma de dirigir qualquer veículo, por mais simples que fosse. A raiva com a qual ele jogara no carro os objetos pessoais recolhidos da antiga sala já indicava que não era boa hora para abrir a boca. Além disso, Sakura estava tão aflita que dirigiu direto para a casa dele. O silêncio no carro fora horrível. Pelo retrovisor direito, Naruto via a expressão de Sasuke: fechada, séria, irritada. Os olhos estreitos enquanto parecia pensar em botar fogo em cada semáforo em que paravam. Pensara em ligar para Hinata, pedir que ela o buscasse, mas o celular da amiga só dava caixa postal. E, assim, ainda estava ali, na casa de Sasuke, com Pandora deitada em cima do sofá tentando, cada vez mais, chegar mais perto de si enquanto Sasuke se debruçava sobre papéis e notebook espalhados pela mesa.

— Sasuke... Já vimos essa papelada da última vez — Sakura disse ao passar para a sala e entregar um copo d’água a Naruto. — Seu remédio. Já deu o horário.

— Ah, obrigado — Naruto respondeu, surpreso.

Através da janela, Naruto havia visto o dia morrer e a noite se iniciar, bela demais para um clima tão pesado. Por quanto tempo mais iria ficar ali olhando para a televisão ligada em um seriado qualquer? Ergueu-se e se espreguiçou como pode. Pandora apenas ergueu a cabeça e bocejou, ignorando-o completamente. Aproximou-se da mesa e pegou um dos papéis que Sasuke havia acabado de descartar.

— O que está tentando achar, Sasuke?

— O culpado.

— Pela sua demissão?

— Por tudo. A pessoa que mandou invadir minha casa com certeza é a mesma que me fez perder o emprego.

— Está especulando, Sasuke, de novo — Sakura o repreendeu.

— Não estou. — Ele elevou a voz ao jogar os papéis com força na mesa. — Não tem como serem duas pessoas. Nós não estamos achando nem uma que irritei nos últimos meses, como acharíamos duas? É com certeza a mesma pessoa. A invasão seria um aviso, mas eu devo ter continuado a irritar esse cretino, então agora Pain me demitiu. Não há como eu ter me envolvido com duas pessoas perigosas ao mesmo tempo, Sakura!

Naruto massageou a têmpora e viu, ao lado do computador, um papel com uma lista de nomes. Pegou-o e, então, virou-se a Sasuke:

— O que significa?

— Políticos e empresários que citei nos últimos seis meses.

Naruto arregalou os olhos e voltou a ler cuidadosamente a grande lista em mãos. Conhecia alguns nomes... eram visitantes assíduos da Akatsuki, pelo menos na época das eleições. De outros, ele nunca ouvira falar, mas apostava que Hinata saberia dizer corretamente de quais partidos eram ou com que trabalhavam, em que escândalos eram suspeitos, etc. Mas, ali, bem no finalzinho da lista, estavam os nomes que já sabia que leria: Neji Hyuga e, em seguida, o governador, Hiashi Hyuga.

Sasuke estava sim atacando Neji em suas últimas matérias, mas nada que fizesse Neji reagir. Aliás, Neji não reagiria daquela forma. Imaginava que, se ele precisasse calar algum jornalista, recorreria a um método mais discreto do que uma invasão, tentaria um suborno, uma conversa, uma intimidação... Bem, isso se Neji estivesse metido em algo e se Sasuke tivesse descoberto! Muitos “se” em uma frase.

Ouviu o barulho do notebook se fechando com força e suspirou ao se sentar ao lado de Sasuke.

— Esses políticos aqui, consegue agrupá-los por escândalos ou suspeitas recentes? — perguntou. — Seria mais fácil para ver a importância de cada um. Políticos pequenos não mandariam alguém te atacar.

Sasuke revirou os olhos e puxou uma folha em branco. Olhou a lista e, com a ajuda de Sakura, anotou os últimos casos de desvio de verbas, superfaturamento, dentre outras infrações, e os correlacionou aos políticos da lista. Depois, circulou os de maior importância, com mais dinheiro, mais influência, mais contatos.

— Neji não entra nesse círculo? — Naruto franziu o cenho.

— Não. Neji Hyuga, apesar de ser nosso prefeito, é pequeno ainda. Ele é um político que depende dos outros para ser erguido e o dinheiro que possui é de herança, não de golpes — Sakura respondeu antes que Sasuke começasse a falar, novamente, de suas suspeitas quanto a Neji. — Mas Hiashi é alguém que merece destaque. Ele está listado como suspeito de uns quinze esquemas de superfaturamento. É claro que ninguém conseguiu provar, e as delações em que o nome dele aparece são todas de peixes pequenos. Por isso, ele desfila até hoje como o bom samaritano. Acredita que, na cidade de onde ele veio, as pessoas acham que ele é um pregador da moral e dos bons costumes? Hipócrita...

Hiashi... Naruto se lembrava dele. Nunca o tinha encontrado, mas Neji sempre falava e reclamava do tio e de como ele agia. Ah, sem contar no bilhete nada amistoso que recebera para se afastar de Neji durante aquelas eleições. Pensando bem, a suspeita de Hinata de que fora Hiashi que encomendara a surra que recebera era bem válida. Pelo que Neji falava do tio, acreditaria que ele fosse capaz de algo do tipo. Tudo para proteger o sobrinho e sua preciosa chance de ascensão política. Mas ele não faria mal a Sasuke, faria? Um jornalista? Em pleno século XXI? Não, Hiashi não se arriscaria tanto.

Voltou a analisar a lista. Sasuke havia descartado muitos dos nomes e só se concentrava agora nos circulados em vermelho.

— Sasuke — Sakura o chamou e pendurou a bolsa no ombro. — Eu preciso ir para casa, mas me prometa que não fará nada por hoje. Espere Itachi chegar, por favor.

Naruto estranhou a cena. Viu Sasuke assentir, sem reação, concentrado no que fazia e na tela do notebook que voltara a usar, mas, ao perceber que Sakura ainda estava ao seu lado, esperando por uma resposta, viu-o colocar as mãos sob a mesa e apertar com força o tecido da calça jeans enquanto a expressão de seu rosto se suavizava.

— Não se preocupe, Sakura, pode ir para casa — ele falou, tranquilo, como se toda a raiva já não existisse. — Não farei nada estúpido, prometo.

É claro que ela o olhou desconfiada, é claro que sabia que era mentira, mas era uma tão boa que os ombros dela se abaixaram, relaxando, antes de se inclinar para beijar-lhe a face e, assim, sair pela porta. Feito isso, Naruto viu a expressão de Sasuke voltar à antiga irritação, e as mãos a digitarem rapidamente.

— Não devia mentir para ela, ela está preocupada com você — comentou, incomodado.

— Sakura vive preocupada comigo; se eu não mentir, ela não dorme.

Naruto arqueou a sobrancelha e não pode dizer que gostou ao ver Sasuke sorrir de canto ao anotar rapidamente alguma coisa em um pedaço de papel. Por que tinha a impressão de que ele não demoraria a quebrar a promessa que acabara de fazer?

— Pode ver se o carro dela já saiu?

Levantou-se e foi à janela.

— Já.

— Ótimo — Sasuke falou e consultou o relógio.

Oito e meia. Teria pouco tempo até Itachi chegar. Mirou Naruto. O certo seria deixá-lo em casa antes de fazer o que queria, mas ele morava na direção oposta à que teria que ir. Também não podia deixá-lo sozinho na casa, mas duvidava que ele pudesse ir consigo na moto.

— Consegue se segurar em mim na moto? — perguntou a contragosto.

— Sakura fal-

— Vou sozinho então — interrompeu-o e não esperou a resposta para pegar as chaves da moto e sair em direção da porta.

— Hey! Aonde você pensa que vai a essa hora? — Arregalou os olhos e o seguiu. — Sakura pediu para você esperar seu namorado chegar, então espere! Não vai fazer diferença esperar mais um pouco.

— O quê? — Sasuke se virou confuso de repente.

— Aonde você quer ir? Não pode ir amanhã?

— Não vou poder ir verificar o que quero quando Itachi chegar, ele não vai permitir. E então, você vem ou não?

Naruto olhou para o capacete que lhe era estendido e depois para Sasuke que já montava na moto. Péssima ideia, péssima ideia, sabia disso, mas seria ainda pior se o deixasse ir sozinho, não é? Assim, retirou a tipoia do braço e subiu na moto, segurando-se de forma precária em Sasuke enquanto ele acelerava a moto.

Em outra situação, podia até dizer que abraçar Sasuke enquanto as luzes da cidade piscavam ao seu redor e a brisa noturna tocava seu rosto era agradável, porém não era o caso. Reconheceu rapidamente o bairro onde entravam. Akatsuki não ficava muito longe, e a moto os permitia cortar o trânsito. Respirou aliviado quando Sasuke simplesmente passou reto por aquele lugar, mas, quando a moto finalmente parou, não escondeu a confusão ao se ver na parte de trás de um restaurante fino. Conhecia aquele lugar, era perto da Akatsuki, um dos melhores restaurantes dali, muitos clientes já o haviam levado para um jantar antes de algum evento importante.

— O que viemos fazer aqui? — perguntou baixo, enquanto Sasuke retirava o capacete, ajeitava as roupas e o cabelo.

— Colher informações.

— O quê? Vai entrar lá e interrogar um político assim na cara dura?

Sasuke arqueou a sobrancelha e consultou o relógio mais uma vez. Quatro minutos. Batia o pé no chão, impaciente, apenas esperando o tempo passar e vendo Naruto andar de um lado para o outro. Só de pensar que toda aquela confusão estava lhe roubando o tempo que queria passar com ele fazia sua raiva aumentar, contudo, era até que engraçado vê-lo se preocupando tanto consigo.

— Sasuke, vamos embora, está tarde já... O que viemos fazer aqui?

Nesse instante, a porta dos fundos do restaurante se abriu e uma mulher saiu por ela massageando o pescoço, soltando suspiros cansados. Naruto a analisou rapidamente e não demorou a concluir que era uma das garçonetes do lugar.

— Boa noite, Karin — Sasuke falou, assustando-a.

Ruiva, de vermelho vibrante, alta, óculos um tanto quanto chamativos e postura arrogante. Ela se virou para Sasuke, surpresa e, depois, emburrada.

— Ora se não é o cara que se esqueceu de que tinha marcado um encontro comigo. Lembrou agora foi? Está dois meses atrasado, Katsu.

— Vai ter que me desculpar por isso, Karin... mas eu disse que talvez viajasse, não disse? — Sorriu sedutor. — E você também não pareceu se importar na época. Eu tentei ligar.

— Não tentou! — ela rebateu enfática.

— Tentei sim, até achei que você tinha mudado o número.

Naruto piscou, incrédulo. Katsu? Viagem? Número perdido? Sasuke estava mesmo mentindo para aquela garota? “Colher informações”... Ah, não, ele não podia estar enganando aquela garota para aquilo, podia? De repente, não sentiu mais vontade alguma de ficar ali. Era óbvio que a garota estava perdidamente apaixonada por ele e duplamente óbvio que Sasuke não ligava para aquilo, que atuava muito bem enquanto fazia perguntas sobre os jantares dos últimos meses.

De repente, todo o discurso de Hinata vinha com peso em sua mente. Podia ser como Karin, uma fonte de informação, alguém a quem Sasuke estava pacientemente enganando para poder fazer aquele mesmo interrogatório. O quanto conhecia do jornalista para acreditar nele? Nada. Ele podia estar fingindo aquele tempo todo que não seria capaz de detectar uma única mentira.

O coração acelerado fez o sangue ir para todo o corpo com força, seus ferimentos doeram um pouco, e Naruto engoliu a decepção enquanto ouvia a conversa.

— Você ouviu alguma coisa sobre os últimos escândalos? — Sasuke questionou enquanto tirava o cigarro dos lábios dela e o jogava no lixo. Pousou uma mão na cintura dela e continuou a olhá-la fixamente até ela começar a falar sem saber exatamente o quanto aquilo valia para o jornalista.

— Você sabe, Katsu, depois que tiraram uma foto aqui de alguns políticos almoçando, eles diminuíram os encontros. Agora, só de vez em quando. A última que ouvi foi sobre as bocas de urna que organizariam e que algumas cabeças estão rolando por causa do desvio do hospital. Eles estão bem preocupados com esse hospital aliás... Disseram que tinham que abafar logo o caso antes que todos os nomes surgissem. Não entendo por que eles roubam tanto, sabe? Toda vez que vêm aqui, gastam horrores, desfilam em suas roupas caríssimas e fazem questão de mostrar o quão bem de vida são. Ontem mesmo três vieram aqui para jantar, bem tarde aliás. Dois de ternos importados e um que se vestia como uma estrela de cinema.

— Ouviu do que falavam?

— Não muito, me dispensaram rápido e sempre se calavam quando me aproximava, mas pareciam contentes, como se comemorassem, pediram o champanhe mais caro do restaurante.

— Sabe quem são?

— Apenas um... Orochimaru se não me engano.

— Orochimaru? — Sasuke se afastou, intrigado. — Aquela cobra nojenta acusada de desviar dinheiro pro tráfico?

— É, soube que os jornais não perdoaram ele por essa... Infernizaram tanto ele por essa suspeita que ele teve que renunciar a prefeitura e agora pretende se candidatar de novo. Ah, droga, já deu meu horário! — ela falou olhando para o relógio de Sasuke. Estalou a língua no céu da boca e colocou a mão no bolso de trás da calça dele para pegar o celular. — Pronto. Digitei meu número. Vai precisar de uma desculpa melhor do que a de hoje na próxima, Katsu.

Sasuke sorriu e pegou de volta o celular, não se importando com o breve selar de lábios que Karin lhe roubou antes de entrar novamente no restaurante.

Orochimaru estava de volta ao jogo então... Tinha passado dois anos fazendo de tudo que podia para incriminar o antigo prefeito e não o poupou em suas colunas e matérias. Até tinha convencidos jornalistas de outras mídias a espalharem as notícias que conseguia, chegou a insinuar boatos, mesmo que falsos. Tinha convicção de que Orochimaru era um dos principais políticos que ajudava o tráfico cada vez maior das periferias e, por isso, só descansou quando o tinha derrubado de vez do cargo. É claro que foi nessa época que seu carro tinha sido queimado também...

Bem, pelo menos, já sabia onde Orochimaru morava. Será que conseguiria invadir a casa dele em busca de algum documento? Improvável, mas, desempregado, tinha tempo para essas coisas agora, só precisava se organizar com calma e evitar que Itachi descobrisse.

— Pronto. Viu? Nada perigoso — Sasuke debochou ao pegar as chaves da moto. O problema? É que falou para ninguém ouvir. — Naruto?

Olhou ao redor e acelerou a moto para ir em direção à rua. Avistou rapidamente os cabelos loiros de Naruto e cortou o trânsito para alcançá-lo.

— Onde está indo? — perguntou, confuso.

— Akatsuki, é perto daqui. Pode ir para casa, Katsu. Agradeço por ter me ajudado ontem, não precisa mais se preocupar, se é que se preocupou em algum momento.

Sasuke parou a moto, sem entender, e voltou a acelerar, invadiu a calçada e parou a moto na frente de Naruto.

— Seus documentos e roupas estão na minha casa, meu nome é Sasuke e da onde veio essa acusação sem sentido de que não me preocupei?

Naruto bagunçou os cabelos em um gesto de frustração e tencionou desviar da moto, mas Sasuke não permitiu.

— Sobe, vamos para casa e conversamos lá.

— Para quê? Para começar a perguntar o que sei de Neji ou de qualquer outro político? Não, obrigado, não vai me usar como fez com aquela garota apaixonada daquele restaurante.

Sasuke passou de confusão à indiferença e, então, ao riso antes de olhar Naruto, entediado.

— Eu não te fiz nenhuma pergunta até agora e, se não percebeu, eu perdi meu emprego, tenho problemas maiores do que Neji Hyuga e seu mau caráter para lidar, o que significa que, mesmo que estivesse na minha casa para ser interrogado, você já não seria tão útil no momento.

Naruto bufou e tentou buscar algo na postura ou nos olhos de Sasuke que indicassem que ele mentia. Em vão. Diferente do que vira na sala da casa dele, Sasuke não estava apertando as mãos, não estava desviando o olhar ou tentando fingir ser quem não era ao falar consigo, ele parecia bem à vontade. Entretanto, ele estava assim com Karin também.

Ah!! Já não sabia o que fazer! Pegou o celular e tentou ligar novamente para Hinata enquanto dava as costas a Sasuke. Nada. Evento, com certeza ela estava trabalhando, só assim não o atenderia.

— Naruto... Vamos, te explico sobre Karin em casa.

Mordeu o lábio, indeciso embora já pegasse o capacete e subisse na moto. O trânsito não os ajudou dessa vez, e Naruto percebeu a inquietação e Sasuke quando não conseguia cortar os carros ou pegar um atalho. Onze horas. Onze e quinze. Onze e quarenta. Conseguiram estacionar quando era onze e cinquenta e sete. Saíram da garagem e não precisaram abrir a porta porque, do outro lado, outra pessoa já a destrancava e abria.

— Merda... — Sasuke sussurrou e, então, o rosto sério de Itachi o recepcionou.

— Entre e é bom ter uma boa justificativa para estar fora de casa a essa hora, otouto.

Naruto permaneceu alguns segundos boquiaberto. Entrou na casa rapidamente, seguindo Sasuke enquanto observava uma cópia mais velha dele trancar a porta. Mais alto, cabelo mais comprido, feições mais adultas e sérias, mas de resto eram muito parecidos: mesmo porte físico, mesmos olhos, mesmo formato do rosto, traços parecidos e marcantes. Lembrava-se de ter visto uma foto dele no quarto de Sasuke.

— Por que não atendeu o celular, Sasuke?

— Esqueci em casa — ele respondeu indo à mesa para recolher os papéis.

— Pode deixar tudo aí. Já li a maioria e já verifiquei seu computador também.

— Itachi! — Sasuke o repreendeu. — Eu não vasculho suas coisas!

— Eu não me envolvo com pessoas perigosas, nem perco meu emprego por as atacar. Agora onde você foi? Sakura me ligou quando saiu daqui e disse que você não sairia.

Itachi... Itachi... Naruto olhava de Sasuke para Itachi e, embora não fosse o momento para isso, suspirava aliviado por descobrir que Itachi era o irmão de Sasuke. Desviou, quase caindo, de Pandora que corria na direção de Itachi com um pequeno urso de pelúcia na boca.

— Fui ver uma amiga. Só isso — Sasuke respondeu evasivo e olhou para Naruto. — As toalhas estão na segunda porta do guarda-roupa. Pode ir tomando banho primeiro, se quiser.

Era sua deixa. Sasuke provavelmente queria conversar com o irmão a sós, e Naruto entendeu isso. Apesar de querer ouvir a conversa, foi ao quarto e trancou a porta do banheiro para tomar um banho. Droga... Deveria ter ligado para Gaara, ele saberia o que fazer naquela situação, ou melhor, ele nunca se colocaria naquela situação. Talvez o amigo tivesse razão ao dizer que era muito impulsivo. Já até imaginava a bronca que levaria por ainda estar na casa de Sasuke, quando tudo ao seu redor sinalizava para ir embora, antes que se envolvesse demais. Mas por que não conseguia?

Tá, não era muito difícil admitir que o jornalista o intrigava e, com toda certeza, o fascinava. Na verdade, gostava muito da companhia dele e do modo como pareciam se entender, principalmente durante as noites na Akatsuki. Mas valia a pena? Se envolver com aquela tempestade chamada Sasuke valia mesmo a pena? Devia voltar para casa, para seu trabalho, só tinha que esperar os machucados pararem de doer e o roxo em seu rosto desaparecer.

Ao terminar o banho se vestiu com cuidado e voltou a colocar a tipoia no braço. Olhou-se no espelho e praguejou baixo por ter molhado o curativo do rosto. Saiu do quarto e estranhou o silêncio da casa. Itachi estava na sala, sentado à mesa enquanto mexia no notebook de Sasuke e lia a lista que antes haviam feito. Quando se aproximou, percebeu os olhos negros o observarem com curiosidade.

— Sasuke está no banho — Itachi informou e se levantou, até parar na frente de Naruto. — Vai precisar refazer esse curativo. Sente-se, vou pegar o kit de primeiros socorros.

— Não precisa... — Naruto disse, mas Itachi o ignorou e foi até o quarto buscar a maleta.

Sentou-se como havia sido pedido e observou Itachi se sentar ao seu lado, enquanto separava o material.

Atentamente, Itachi retirou o curativo antigo e analisou o ferimento que já dava sinais de melhora.

— Quem é você? — perguntou ao molhar a gaze para higienizar o local.

— Naruto.

— Devo supor que você é o motivo de Sasuke ter quase entrado numa briga?

— Desculpe — Naruto pediu, sem saber exatamente o motivo. Ora essa! Não havia sido o motivo de nada! Sasuke entraria na briga por conta própria, não havia pedido a ajuda dele!

— Sem problemas, ele é inconsequente mesmo, não pensa muito antes de agir — Itachi disse mais suave ao rasgar um pedaço de esparadrapo. — Conhece meu irmão há muito tempo?

— Algumas semanas — respondeu simplório, e Itachi estreitou os olhos, como se estivesse confuso com a informação.

Ficaram em silêncio novamente. “Algumas semanas”, Itachi repetia em sua mente. Sasuke não era de levar estranhos para casa, aliás, Sasuke não era de levar nem mesmo seus amigos para casa. Sakura era a única que conseguia tal façanha por ser, nas palavras do irmão mais novo, irritante demais para tentar convencê-la do contrário. Assim, a presença do homem à sua frente era realmente algo notável.

— Pode me dizer onde ele foi essa noite, Naruto?

Deveria dizer. Estavam todos preocupados com Sasuke, então deveria contar a verdade e impedi-lo de fazer uma loucura, contudo, não se sentiu à vontade para isso. Se Sasuke estivesse sendo sincero consigo, se fosse a pessoa que Naruto achava que era, ele não merecia perder o emprego e ser perseguido daquela forma por quem quer que fosse e, portanto, Naruto o ajudaria a achar o culpado.

Epa! Ajudaria? Como chegara nessa conclusão? Estava querendo ir embora e agora o queria ajudar? Desviou o olhar do de Itachi e esperou que ele se afastasse para guardar a maleta.

— Ele realmente foi ver uma amiga — respondeu enfim quando Itachi voltou do quarto.

Mentira, Itachi nem precisou de muito tempo para saber que aquela não era a verdade, mas preferiu não insistir ao ouvir o estômago do outro roncar audivelmente.

— Vocês não jantaram, não é? — perguntou, exausto.

— Não — disse, sem graça. — Acho que nem almoçamos para falar a verdade.

Itachi deixou a cabeça cair nas mãos e se dirigiu a cozinha, resmungando consigo mesmo.

Sasuke demorou a sair do banho. Com a toalha no cabelo e devidamente vestido foi até a sala e encontrou Naruto dormindo sentado no sofá e Itachi preparando alguma coisa em sua cozinha.

— Podíamos ter pedido algo, não precisava cozinhar — falou, mas se calou com o olhar irritado que o irmão mais velho lhe dirigiu.

— Não acredito que está o dia todo sem comer, Sasuke, você sabe que não pode ficar sem se alimentar direito. Aposto que voltou a comer porcarias.

— Sem drama, nii-san, ainda estou de pé, não estou?

— Não teste a minha paciência, otouto — falou ríspido e até seria assustador se não empunhasse uma colher na direção de Sasuke. — Agora, quem é aquele ali?

— Naruto?

— Tem outro aqui? Agora sim fiquei realmente surpreso. É claro que é Naruto, Sasuke, não me enrole, que vocês já conseguiram acabar com meu humor.

Sasuke olhou entediado para o irmão e se apoiou na pia da cozinha enquanto pensava na melhor resposta, ou seja, na que não faria Itachi surtar ou investigar a vida de Naruto.

— Lembra que eu disse que estava saindo com um cara?

— Sim. É ele? — perguntou ainda que já soubesse a resposta. — E já está na sua casa? Algum motivo para isso?

Sasuke desviou o olhar e o fixou no teto enquanto fingia não notar o tom usado pelo irmão. Se Itachi viesse de novo com a história de “exceção” ou coisa parecida, o expulsaria da casa.

— Não. Só deu vontade.

Itachi riu baixo e desligou o fogo das panelas. Virou-se para Sasuke e cruzou os braços, divertido. Às vezes, Sasuke se esquecia de que máscara nenhuma funcionava com ele, pois o conhecia tão bem.

— Aham... Imagino que não haja nenhuma segunda intenção nessa vontade, não é? Está interessado nele ou o usando, otouto?

— Não estou usando Naruto! — rebateu irritado. — Ele até tem conexão com um dos políticos que investigo, mas, como eu acabei de dizer a ele, não é minha prioridade comprar briga com Neji Hyuga nesse momento. Estou desempregado se não percebeu.

Itachi não se moveu ou falou nada enquanto Sasuke arrumava a mesa para jantarem. Esperou que ele pegasse os pratos e os talheres para assistir a ele acordar Naruto com cuidado atípico. A postura dele relaxou à medida que Naruto acordava, e ele tocou o curativo novo como se o analisasse. O sorriso nos lábios foi quase imperceptível e Itachi não notaria se não estivesse atento à cena. Se não conhecesse o irmão, diria até que ele se abaixaria e beijaria o outro como se fossem um casal apaixonado; em vez disso, Sasuke deslizou a mão pelo rosto de Naruto em uma carícia simples que fez o outro corar e sussurrar alguma coisa em resposta. É, Sasuke estava, definitivamente, interessado no homem que lhe sorria tão abertamente. Devia estar feliz por aquilo, entretanto, durante o jantar, o modo como Naruto simplesmente não conseguia lhe encarar ou responder devidamente suas perguntas deixava Itachi com a estranha sensação de que seu irmão estava se envolvendo, mais uma vez, em problema.

* * *

Hinata xingou Jiraya pela vigésima vez naquele dia. Havia ficado, praticamente, a noite toda ocupada com os documentos da Akatsuki e, agora, ainda tinha que aguentar um dia inteiro em um evento de caridade, seguido de um jantar de negócios.

Ao chegar em casa, cansada demais até mesmo para tirar a maquiagem, pegou o celular e viu as chamadas de Naruto. Consultou o horário e decidiu que ligaria pela manhã para perguntar se estava tudo bem. Diferente de Gaara, Naruto não acordaria com o toque do celular na madrugada. Retirou as sandálias na sala e as deixou pelo caminho. Abriu a porta do quarto e quis rir ao ver Gaara sentado na cama, concentrado, com o notebook aberto.

— Você demorou — ele disse, sem desviar os olhos da tela.

Hinata suspirou e se jogou na cama, arrastando-se até o amigo sem a classe que a roupa que vestia pedia. Ele riu baixo, passando um dos braços pelos ombros dela e a acomodando em si.

— Dia puxado?

— Uhum...

— Sono?

— Uhum...

Ele riu e beijou-lhe o topo da cabeça.

— O que está fazendo? — ela perguntou, sonolenta, ao ver um site de uma galeria de arte aberto. — Achei que não gostasse de arte moderna.

— Não gosto — respondeu batendo os dedos na lateral do notebook enquanto mordia o lábio inferior. — Mas Ino me convidou para ir na exposição desse cara e acabei aceitando.

Hinata assentiu e sorriu ao beijar-lhe o rosto.

— Ela não te contratou para isso, não é?

— Não.

— Então — Ela pegou o computador do colo dele e o fechou. —, não precisa impressioná-la fazendo uma pesquisa antes, Gaara. Aposto que ela vai se divertir te falando sobre os quadros.

Gaara concordou, convencido mais uma vez pela doçura dos olhos perolados.

— Onde está Naruto? Não tive sinal dele o dia todo — comentou quando Hinata sentou na cama, de costas para si, para que abrisse o vestido.

— Ah, é... Como você não retornou minha ligação, esqueci de te avisar. Naruto havia recebido um bilhete de Hiashi Hyuga para se afastar de Neji e, anteontem, à noite, depois que você ligou para que ele fosse à Akatsuki, alguns homens o cercaram e bateram nele.

— O quê? — Gaara perguntou, sem acreditar.

Hinata se levantou e entrou no banheiro do quarto para retirar o vestido e colocar a camisola de coelhinhos coloridos antes de voltar.

— Sim. O cara que estava no encontro com ele, Sasuke, o socorreu e levou para o hospital. Não aconteceu nada de grave, não se preocupe. Ele teve alta, mas, por algum motivo, talvez por falta de bom senso, Naruto resolveu ir para a casa de Sasuke depois.

— Ok, espera. Você tá me dizendo que Naruto levou uma surra por se envolver com Neji?

— Isso e também que ele está saindo com um jornalista que está investigando Neji.

Gaara piscou três vezes, com a boca aberta, em choque.

— Eu vou matar o Naruto! Eu disse que se envolver com Neji daria merda! Cansei de repetir isso! Aí, quando ele decide me ouvir, se envolve com a porra do jornalista que quer ferrar o ex? Sou eu ou é ele que não entende que está sendo o informante da vez?

— Tentei dizer isso, mas ele...

— ... é o Naruto... — Gaara completou ao apertar os olhos contra os dedos. — Ok, vamos esquecer isso por enquanto, resolveremos amanhã. Não vale a pena se estressar agora. Amanhã, falamos com Naruto sobre o jornalista e sobre o ataque de Hiashi.

— Pode não ter sido ele também...

— Ah, foi. Eu tenho certeza que foi porque o cara que tava na Akatsuki querendo que Naruto fosse para lá fora do horário era Hiashi Hyuga. Eu o vi conversando com Jiraya antes de começar a trabalhar.

Hinata coçou os olhos e entrou debaixo da coberta enquanto Gaara fazia o mesmo e resmungava. Quis contar também que tinha encontrado Sakura, que havia conseguido o telefone dela com Sasuke, quis até mesmo contar que tinham marcado de se encontrar naquela semana, mas o sono não lhe deixou muito escolha. Assim dormiu sem perceber. Tudo o que Gaara pode fazer a respeito foi apagar a luz do quarto e fechar os olhos também.

Notas finais
Hey, povo amado! Eu sei que demorei, mas, como disse no face, agora que Ao som do Piano acabou, espero atualizar com mais frequência. Quem curtiu o Itachi na fic? Amo demais esse cara ♥ Quem quiser noticias das fics, pedir novas fics, conversar comigo e imagens fofinhas do OTP, link da page aqui: https://www.facebook.com/mypieceofdream/ Até próximo cap ♥