Jogo de Máscaras

12 Capítulo 12 - Vista sua máscara de enfermeiro


Notas iniciais
Ae!! Consegui atualizar bonitinho dessa vez ♥

Sasuke olhou para as notas na mesa e remexeu-se inquieto. Sinalizou para um dos funcionários do bar e deixou mais algumas na mão dele antes de sair do local.

O que está fazendo, Sasuke? Sua mente lhe perguntava. Bem, ele não sabia, mas não tinha ido para até ali para sair sem nenhuma informação de Neji ou sem um segundo encontro marcado. Isso não faz sentido, Sasuke. Não, não fazia, era mesmo uma desculpa esfarrapada que estava contando a si mesmo. Então, por que está procurando ele? Não tinha ideia. A única coisa que Sasuke sabia era que estava insatisfeito por ter passado tanto pouco tempo na companhia de uma das únicas pessoas que lhe pareceram... interessantes. Estava tão acostumado a não sentir nada e a permanecer alheio ao mundo que agora, quando havia encontrado alguém, além da própria família, capaz de fazê-lo querer interagir um pouco mais, o maldito simplesmente o atiçava e ia embora sem nem ao menos dar uma explicação!

Olhou para os lados, sem saber por onde Naruto havia ido. Optou pela esquerda. Naruto não podia estar tão longe assim.

O que dirá a ele? Não importa. O que fará? Não importa.

O celular vibrou no bolso. Atendeu sem verificar quem era.

— Onde você está? To ligando na sua casa e ninguém atende — Itachi resmungou, e Sasuke percebeu o tom de irritação na voz dele.

— Não é uma boa hora, Itachi.

— Onde você está? Se eu souber que está invadindo algum lugar para fazer uma matéria, você sabe que...

— Não é nada disso, Itachi! Relaxa, ok? — exaltou-se, desviando das pessoas aglomeradas na rua.

— Tá em um bar? — Itachi questionou ao ouvir a música e as vozes.

— Passando por eles. Fala logo, vai. O que você quer?

— Sasuke... Você está nervoso. — Itachi fez uma pausa. — Você nunca fica nervoso. Onde você está e o que está acontecendo?

Sasuke revirou os olhos e respirou fundo. Tudo do que menos precisava era andar na rua, com o celular na mão, enquanto seu irmão o enchia de perguntas e, para piorar, enquanto não achava quem queria.

— Aniki, lembra o cara com quem sai? To procurando ele nesse momento. Pode me ligar depois?

— Você... Sasuke, você está atrás daquele cara do último encontro? — O espanto na voz era palpável. —Está interessado nele?

— Não, Itachi, só to procurando ele para botar o papo em dia... — ironizou. — É claro que estou. Por que outro motivo eu estaria indo atrás dele?

— Otouto, você acha que ele...

— Ah, nem começa com essa história! — cortou-o depressa. — Você me conhece, não? Foi uma ótima foda, e eu quero repetir. Só isso. Não é você que diz que sou exigente depois de eu ter dado um fora no seu amigo?

Sasuke bufou. Já havia andando mais do que planejara. Naruto já havia ido embora com certeza. Não iria andar muito mais. Parou no semáforo, esperando que o fluxo de carros parasse enquanto Itachi recitava novamente o mesmo sermão para tomar cuidado, não passar dos limites, etc, etc, etc. Não desviou os olhos dos números acima do semáforo, que indicavam quando ele iria se abrir para os pedestres. Bagunçou os cabelos, balançando a cabeça enquanto afastava o celular do ouvido sem querer ouvir o que o irmão tinha a dizer.

Quando o sinal ficou verde, quando colocou o pé na rua, quando olhou para o lado apenas para se certificar de que os carros haviam parado para que atravessasse, notou um casaco laranja jogado no meio da calçada, perto de uma das vielas que tanto caracterizavam aquele lugar.

Ele vestia um moletom laranja. Sua mente o alertou ao lhe bombardear com as imagens de Naruto quando entrou no bar. Franziu o cenho e recuou um passo. As chances daquele moletom ser de Naruto eram tão mínimas que se sentiu um idiota ao se desviar de seu caminho para ir checá-lo. Mas não é como se pudesse evitar. Ver aquele moletom ali, enquanto não comprovasse que não era de Naruto, fazia seu mundo ficar preto e branco, destacando apenas o tecido jogado na rua, esquecido talvez por alguém.

— Sasuke? Você está me ouvindo? — A voz de Itachi gritou do outro lado do telefone.

— Sim — respondeu no automático e, ao chegar perto do moletom e pegá-lo, reconheceu-o rapidamente. Ergueu a cabeça para olhar a viela, quase um beco para dizer a verdade, e o preto e branco ganhou, além do laranja, tons de vermelho, vermelho sangue. — Aniki — interrompeu Itachi e, assim, atraiu a atenção dos homens que seguravam Naruto.

— Isso não é da sua conta, cara! — um deles gritou, gesticulando para que saísse dali.

Naruto se forçou a erguer a cabeça. Os olhos azuis miraram Sasuke, embora a vista estivesse turva pelo sangue que escorria do corte no supercilio.

— Sasuke? O que está havendo?

— Foi mal, Itachi — Suspirou e soltou o moletom no chão. —, mas vou entrar em outra briga. Te ligo ao chegar em casa.

— O quê? Sasuke, nem pense nisso!

— Vaza, cara, isso não é da sua conta! Sai, o garoto aqui quer dar uma de valente. O chefe vai se importar se dermos uma lição nele?

Sasuke viu o homem a frente de Naruto, o que o segurava pelo cabelo, desviar a atenção dele para si com certo tédio.

— Nossas ordens foram só para esse aqui — Sai respondeu, endireitando-se e retirando as luvas que vestia. — Vamos embora antes que chamem a polícia. Nosso trabalho já está feito de qualquer forma.

Sasuke cerrou os punhos enquanto Sai se afastava para o lado da rua. Os que seguravam Naruto o soltaram, e a queda ao chão, sem resistência alguma, só mostrava a Sasuke o quanto o outro devia estar machucado. Começou a andar mesmo que o grupo não tivesse se afastado de Naruto e, ao vê-los dobrar a esquina, viu-se correndo até o outro.

Virou-o com esforço a fim de colocá-lo de costas no chão. As roupas amassadas, o rosto inchado no lado direito, sangue manchando a face.

— Está me ouvindo? — perguntou e tocou-lhe o rosto. — Naruto, está me ouvindo? Preciso te levar para o hospital. Vem, apoie-se em mim, vamos Naruto!

Nada.

Sasuke arregalou os olhos quando percebeu que o outro já não o respondia e que, dificilmente, conseguiria tirá-lo dali sozinho. O pior de tudo era que estava de moto, não havia como dirigir com Naruto naquele estado. Tateou os bolsos deles, mas, como era de se esperar, não achou nem chaves do carro nem carteira nem celular.

— Hey, acordado! Fique acordado! — mandou quando os olhos azuis tencionaram se fechar. Discou com uma única mão o número de Sakura enquanto a outra segurava o rosto de Naruto e o obrigava a permanecer com a atenção em si. — Sakura! Onde você está? Ótimo! Pegue um carro e venha me buscar. Pegue o carro do seu pai, sua mãe, não importa, só venha! Agora! Estou perto do bar do Chouji. Em um beco de uma das travessas. Vá ao bar, vire à esquerda e conte cinco travessas. Preciso ir ao hospital, não demore!

Naruto piscou várias vezes sem conseguir manter direito o foco. Conseguia enxergar Sasuke e ouvia-o gritar alguma coisa, mas não tinha muito certeza. Seu corpo doía. Nossa, há quanto tempo ele não levava uma surra como aquela? Talvez a última tivesse sido na escola ainda. Nem se lembrava. Contudo, o que o intrigava era o motivo daquilo. Não reconhecera nenhum dos homens, eles não aceitaram seu dinheiro, não citaram nomes, só o bateram enquanto o xingavam. Podia jurar que os havia ouvido citar o nome de Neji.

Com esforço, ergueu o braço para tocar o de Sasuke. Precisava avisar Gaara ou Hinata. Precisava de um deles já que estava sem documentos.

Sasuke percebeu a movimentação e entendeu quando Naruto tentou pegar seu celular.

— Fale o número — pediu e se inclinou, aproximando o ouvido da boca dele.

As palavras vieram fracas e roucas, seguidas por tosse, mas Sasuke pensou ter entendido.

A pessoa que o atendera era uma mulher, e foi só falar no nome “Naruto” que Sasuke conseguiu a atenção dela. Explicou o que tinha acontecido, pelo menos a parte que sabia, e garantiu que levaria o outro para o hospital, informando qual seria para ela. Desligou o celular e quinze, talvez vinte, minutos se passaram até ouvir a voz de Sakura gritar seu nome. Olhou para trás. O carro do amiga estava parado no meio da rua, e ela corria até onde estava.

— Sasuke, você quer me matar do... Meu Deus, o que houve? ¬— perguntou ao ver Naruto.

Sasuke gesticulou para que se aproximasse e passou o braço por baixo do tronco de Naruto. Com a ajuda de Sakura, conseguiu o erguer.

— O que aconteceu aqui? — ela perguntou enquanto caminhavam até o carro.

— É uma ótima pergunta — Sasuke respondeu entre dentes. — Abra a porta. Eu vou atrás com ele. Dirija para o hospital mais próximo — falou rápido enquanto ajeitava Naruto, deitado, no banco de trás, e contornava o carro. — Tá esperando o quê? Vamos logo, Sakura!

Ela assentiu e entrou no carro. Esperou Sasuke bater a porta do carro e, assim, deu partida. Pelo retrovisor, viu o amigo apoiar a cabeça do outro no colo e balançou a cabeça, incrédula.

Sasuke tirou o celular do bolso e suspirou com a quantidade de mensagens de Itachi. Respondeu rapidamente que estava bem e desligou o aparelho. Quando chegaram no hospital, na emergência, apoiou Naruto em si. Sakura correu na frente e, assim que voltou, trazia uma cadeira de rodas junto com o segurança do local. Sentou Naruto e, inconscientemente, recusou a ajuda do segurança para empurrar a cadeira até a parte de dentro do hospital.

Não prestou atenção no ambiente. Tudo o que percebeu foi uma equipe se aproximando para levar Naruto a uma sala e, consequentemente, afastando-o.

— Com licença, com licença... Você, Sasuke, não é?

Virou-se ao ouvir seu nome. Uma mulher de cabelos longos e azulados estava perto de si, a feição preocupada enquanto os braços se mantinham na frente do corpo, segurando uma pequena bolsa. Ela estava de salto, um vestido longo, petróleo, que acentuava os seios, a cintura fina e o quadril mediano. A maquiagem era leve, mas o suficiente para ressaltar os olhos claros e os lábios carmins.

— Sou Hinata. Você me ligou sobre Naruto. — Ela estendeu a mão. — Já o levaram?

Sasuke estreitou o olhar, apertando a mão dela.

— Já.

— Foi você? — ela perguntou séria.

Sasuke a olhou indignado, mas a postura rígida dela, o semblante preocupado e os olhos acusadores só demonstravam que ela realmente se importava com Naruto. Assim, ignorou a acusação descabida e contou até dez antes de responder:

— Se tivesse sido eu, por que o traria para um hospital?

— Eu sei quem você é. Você foi a Akatsuki duas vezes e pagou caro por ele as duas vezes. Clientes que pagam quantias assim tendem a ignorar as regras e a achar que podem fazer o que bem querem. Você não seria o primeiro a perder o controle e a bater em um dos nossos para então se arrepender e aparecer de novo com presentes e promessas idiotas. Por isso, vou perguntar de novo: foi você? Ele tinha me dito que ia se encontrar com você e agora está aqui. O que quer que eu pense?

— Fomos a um bar. Ele recebeu uma ligação pedindo que voltasse para a Akatsuki e foi embora. Fui atrás dele e achei cinco homens batendo nele. Esse é a história. Pergunte a ele!

— Sasuke — Sakura tocou o ombro do amigo. —, Itachi está atrás de você. Já conversei com ele, mas, por favor, tranquilize seu irmão antes de ele achar que é você que está no hospital.

Hinata deixou a cabeça pender para o lado ao olhar a cena. Aquela era Sakura. Sim, tinha certeza que era, e o olhar chocado da outra ao olhá-la também lhe confirmava que tinha sido reconhecida. Se Sakura estava ali, então o Sasuke de quem ela falava no dia em que se encontraram era o mesmo Sasuke que pagara por Naruto. Não... Ele não havia pago. Um jornalista não pagaria aquele absurdo por seu amigo.

Suborno.

Queria ligar para Gaara e avisá-lo, mas sabia que, se o fizesse, o amigo sairia correndo para ir até eles, e não podia fazer isso naquele dia. Já tinha avisado Jiraya do ocorrido, e o político que ela acompanhava em um jantar do partido tinha sido até que compreensível ao deixá-la ali no hospital. Contudo, Jiraya deixara claro que ela teria que ajudá-lo com a administração do estabelecimento pela madrugada para compensar o ocorrido.

Quando o nome de Naruto foi anunciado no balcão de recepção, aproximou-se. Informou os dados de Naruto e, então, sentou-se na sala de espera.

— Você não precisa ficar aqui — falou ao ver Sasuke de pernas e braços cruzados. — Sua amiga...

— Já foi embora. Ela vai trazer minha moto. Quando souber do estado daquele Dobe, eu vou embora — respondeu ríspido. — Da onde conhece Sakura?

Hinata ergueu um pouco o vestido para não pisar na barra enquanto ia se sentar. Cruzou as pernas e massageou a nuca. Tinha que ter cuidado com as palavras, não podia simplesmente conversar com um jornalista sem achar que nada seria usado depois em mais uma matéria sem noção. Podia comprometer Naruto... Isso se o amigo já não tivesse caído naquela armadilha e dado o nó da própria forca.

— Ela te cobriu em uma coletiva. Nos encontramos lá e tomamos um café. Por que está saindo com Naruto?

— É proibido por acaso? — ironizou.

— Se for para usá-lo, é sim.

Sasuke não respondeu. Os ponteiros do relógio pareciam caçoar de si. Sakura já havia voltado para o informar que a moto estava no estacionamento. A amiga estava nervosa, era notável, mas não tinha cabeça para perguntar a ela o que estava havendo. Aliás, não se importava muito, e a máscara de amigo não estava muito acessível no momento. Agradeceu, sincero, quando ela se voluntariou para passar na casa dele e verificar como Pandora estava, e a viu desaparecer tão rápido quanto da última vez. Não soube quanto tempo se passara até que um médico se aproximasse da recepção e deixasse alguns papéis com uma mulher.

— Algum parente ou acompanhante de Naruto Uzumaki?

Sasuke viu Hinata se levantar rapidamente. Os passos dela eram rápidos, e o andar gracioso contradizia a agonia que os olhos deixavam transparecer. A recepcionista apontou para um corredor, e Hinata nem ao menos olhou para trás antes de desaparecer por ele.

Alguns minutos depois, ela reapareceu e o chamou com um aceno de cabeça. Levantou-se e a seguiu até um dos quartos sem dizer nada. Assim que entrou, viu Naruto acordado, lotado de curativos, com o lado direito do rosto ainda um pouco inchado e uma tipoia no braço esquerdo.

— Você está péssimo — caçoou ao se aproximar.

— Três costelas quebradas, fraturas no braço, supercílio cortado, rosto inchado e um monte de marcas roxas pelo corpo — Naruto enumerou e gemeu de dor ao tentar se ajeitar na cama.

— Pelo menos com os roxos no corpo você já devia estar acostumado, não?

Naruto riu enquanto Hinata se aproximava para ajudá-lo a se sentar corretamente na cama. Sasuke viu a delicadeza com que ela ajeitou os travesseiros antes de se sentar ao lado do outro.

— O que aconteceu? — perguntou para Naruto, sério. — Quem era Sai?

Naruto deu de ombros.

— Não faço ideia. Nunca vi aquele grupo. Eu estava indo pegar o meu carro, e eles surgiram. Quando vi, já estavam me socando enquanto repetiam que a culpa era minha por me envolver com Ne-.... com quem não devia.

Sasuke se aproximou e arqueou a sobrancelha enquanto Hinata censurava Naruto com o olhar.

— Está me dizendo que tudo isso foi porque está saindo com Neji Hyuga?

— Não responda — Hinata pediu rapidamente. — Ele é jornalista. Você sabe muito bem onde isso vai dar, Naruto.

— Eu sei que ele é jornalista, Hina, mas foi ele que me socorreu, não? — Ele colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. — Um agradecimento seria muito mais adequado agora do que esse seu olhar desconfiado. Vamos, está parecendo o Gaara dessa forma...

Hinata sorriu de leve antes de voltar sua atenção a Sasuke e balançar a cabeça, sem jeito.

— Desculpe por não ter agradecido pelo que fez — falou, sincera. — Obrigada por tê-lo trazido para cá. Bem, vou deixá-los sozinhos e ver se você já pode ir para casa, Naruto. Cuidado com que fala...

— Pode deixar, obrigado — Naruto agradeceu quando ela desceu da cama e, depois, saiu do quarto. — Como me achou?

— Mal pressentimento? — Arqueou a sobrancelha.

— Bom, parece que nosso encontro não saiu muito dentro do planejado, não é mesmo?

— Considerando que você não para de me surpreender toda vez que nos vemos, seria entediante se tudo ocorresse exatamente de acordo com o plano.

— Ah é? E qual era o seu plano? — Naruto riu.

— Hum... Na melhor das hipóteses, você também terminaria numa cama, mas acredite que não em uma de hospital — Sasuke sorriu de canto.

— Não vejo como isso pode ser entediante, S.

Sasuke riu baixo ao ouvir a inicial do nome, como no primeiro encontro.

— Irá daqui para casa?

— Não. Minha vó não pode nem sonhar que estou nesse estado. Provavelmente, irei para a de Hinata. Se ela não for trabalhar hoje, terei direito a uma enfermeira particular e a uma comida deliciosa! — Sorriu abertamente.

— Dessa forma não dá para competir com ela, não é? Se quiser, pode ficar na minha casa hoje. Assim, evita que eu fique ligando para saber como está.

Naruto corou e forçou o riso para disfarçar o rubor, porém Sasuke havia notado já.

— Não acho que estou muito... apto para qualquer coisa hoje ou pelos próximos dias, e você com certeza tem coisas mais importantes para fazer do que cuidar de um desconhecido ferrado.

Sasuke descruzou os braços e ficou sério enquanto se aproximava da cama. Seus dedos percorreram a lateral da cama e brincaram com o lençol antes de subirem pela pele de Naruto e alcançarem o queixo dele.

— Em primeiro lugar, Dobe, não é como se fôssemos desconhecidos — ditou ao se inclinar na direção dele. — Em segundo lugar, não te propus sexo, propus que ficasse hoje em minha casa. Não sou idiota para não saber o significado da palavra "limite". Em terceiro lugar — Deslizou o polegar pelos lábios de Naruto enquanto não conseguia parar de encarar os olhos azuis e as maçãs avermelhadas do rosto. —, quero passar um tempo com você. Ou então não teria te chamado para sair. Se você não quiser esse tipo de aproximação, basta me dizer que me afasto — mentiu forçado.

— Você sabe que trabalho como modelo e, como dizem, garoto de programa, não sabe? — Naruto recuou minimamente, e a voz pareceu mais baixa aos ouvidos de Sasuke.

— O que que tem? — Sasuke franziu o cenho.

Naruto riu da expressão confusa do outro.

— Não é muito comum as pessoas quererem começar qualquer coisa a não ser sexo com um puto.

Sasuke pareceu pensar, e a resposta veio tão fácil e verdadeira que sorriu sincero ao responder:

— Digamos que estou um pouco por fora das convenções sociais. E, então, vem comigo? Aposto que a sua amiga deve estar cansada... Ela trabalhou hoje e ainda veio correndo para cá, ficou horas te esperando, deve estar querendo dormir e descansar.

Naruto suspirou quando o rosto de Sasuke se aproximou do seu. Sentiu a respiração dele mesclar-se com a sua, e um arrepio percorreu a espinha quando os lábios deslizaram lentamente um sobre o outro. Sorriu minimamente, segurando com as duas mãos a camisa de Sasuke sem que percebesse.

— Você sabe jogar...

— Gosto de jogos, e você de jogadores, lembra-se? Me disse isso da primeira vez.

Naruto assentiu, fechando os olhos e prendendo o lábio inferior do outro entre os dentes.

Convencer Hinata foi um pouco mais difícil, mas Naruto não precisou se justificar muito. Apesar de contrariada, ela teria que voltar à Akatsuki e não queria deixá-lo sozinho. Não confiava em Sasuke, no entanto. Ele podia ter socorrido Naruto, mas não era por isso que deveria apostar todas as suas fichas nele. Enquanto ele ia de moto, ela estava com Naruto no carro rumo à casa do jornalista.

— Naruto... você tem certeza do que está fazendo? Ele é o jornalista que mais ataca Neji nos últimos tempos, e você claramente é uma ponte entre os dois.

— Por algum estúpido motivo, não consigo me convencer de que ele está me usando — sussurrou com o olhar fixo na luz traseira da moto de Sasuke.

— O mesmo estúpido motivo pelo qual ainda sai com Neji quando, claramente, ele está mentindo para você e te pondo em perigo? — Ela apertou o volante com mais força.

— Hinata, já falamos sobre isso...

— E vamos falar de novo e quantas vezes for necessário para você entender — ela sussurrou pesarosa. — Ele que os problemas dele não te atingiriam, e você acabou de sair de um hospital logo depois de receber um aviso pedindo para que se afastasse dele!

Naruto não respondeu. Observou a mato de Sasuke parar na frente de uma garagem enquanto o portão se elevava. Hinata parou o carro e o olhou preocupa. Ele sorriu de leve e soltou o cinto antes de se aproximar dela e beijar-lhe a face.

— Naruto, não há lógica nenhuma em você ficar aqui — tentou uma última vez.

— Eu sei. Para ser sincero, me sinto um idiota fazendo isso, mas é o que eu quero.

— Vou avisar Gaara sobre isso — ela resmungou.

— Eu sei. Fique tranquila que mando mensagem pela manhã ou se acontecer alguma coisa.

Hinata suspirou e concordou, mas não antes de fazer questão de anotar tanto o número de celular quanto o número do telefone da casa do jornalista e se despedir com um claro olhar de advertência.

Sasuke permaneceu parado em frente ao portão da garagem. Naruto caminhava tão devagar que mordeu a parte interna da bochecha ao imaginar a dor que ele sentiria quando os analgésicos parassem de fazer efeito. Apoiou uma mão nas costas dele e o guiou para dentro. Destrancou a porta que ligava a garagem à casa assim que o portão se fechou.

O som das patas arranhando a porta do outro lado o fez sorrir minimamente e colocar o corpo na frente de Naruto.

— Cachorro?

— Sim. Mas não se preocupe. Ela não irá te atacar. O máximo que pode fazer é ficar pulando em você ou roubar sua comida.

Naruto recuou um passo desconfiado quando a porta se abriu e um cão da raça pitbull apareceu do outro lado. Olhou alarmado para Sasuke, mas ele não parecia compartilhar de seu medo. Viu-o se abaixar, impedindo que o cachorro com um abajur em volta da cabeça pulasse.

— Venha, Pandora, temos um convidado hoje.

E só isso foi o suficiente para que a cachorra notasse Naruto. O latido veio forte enquanto as patas recuavam. Sasuke riu ao vê-la ir até a sala para, então, voltar a latir à distância.

— Corajosa, não? — ironizou e deixou Naruto entrar de vez na casa para trancar a porta. — Fique tranquilo, ela já irá se acostumar com você. Só não a deixe pular, ela fez uma cirurgia recentemente e não pode fazer muitos movimentos bruscos.

Naruto assentiu, os olhos continuaram fixos na cachorra que, embora tentasse se esconder, ainda o deixava um tanto quanto receoso de estar ali.

— Vamos. Não está com medo, está? — Sasuke riu de lado. — Gatinho medroso — falou baixo, mais para si do que para o outro.

— Não é todo mundo que tem coragem de enfrentar um monstro como aquele ali. — Apontou, indignado para a cachorra.

Sasuke revirou os olhos e bateu dois dedos nas costelas de Naruto propositalmente, fazendo-o gemer de dor.

— Claro... Olha lá que monstro. Um filhote, machucado, com o rabo entre as pernas tentando se esconder atrás do meu sofá. De fato, muito perigosa.

Afastou-se de Naruto para caminhar até um dos armários da cozinha. Pegou um saco de ração e o balançou para fazer barulho. Pelo canto do olho, viu as orelhas de Pandora se erguerem e a cabeça dela pender para os lados, curiosa. Assobiou enquanto caminhava até o pote de ração e se abaixava.

Naruto permaneceu parado enquanto a cachorra saía do esconderijo e caminhava. De fato, rabo entre as pernas, olhar desconfiado, corpo curvado de medo. Ela andava até Sasuke, olhando para si com medo de que ele, Naruto, fosse lhe fazer mal e não o contrário. Ouviu Sasuke assobiar de novo e estender a mão para ela.

— Pronto, pronto. Aquela irritante da Sakura nem colocou comida para você, não é? — Acariciou a cabeça da cachorra antes de ela começar a comer.

Enquanto ela se alimentava, Sasuke aproveitou para se inclinar um pouco e levantar-lhe uma das patas traseiras para verificar os pontos na ferida do abdômen. Suspirou mais calmo quando percebeu que não havia infecionado ou aberto nenhum deles.

— O que aconteceu com ela? — Naruto perguntou ao ver o machucado.

— Lembra-se de quando tive que sair correndo da Akatsuki porque invadiram minha casa? Atiraram nela. Felizmente, minha amiga estava aqui e conseguiu socorrê-la a tempo.

— Já descobriu por que fizeram isso?

— Não. Mas estou no caminho — disse ao se levantar. — Pode ter certeza que quem fez isso vai pagar. Enfim, você deve estar querendo tomar um banho, não? Venha, vou te mostrar o banheiro enquanto pego uma toalha e algumas roupas para você. Os médicos disseram quando poderá tomar outro remédio para dor?

— Só daqui umas duas horas, porém me pediram para tomar só se realmente sentisse dor.

Sasuke parou no meio do caminho e olhou para Naruto, entediado.

— Você já se olhou no espelho? Quando esse remédio aí parar de fazer efeito, você só não vai sentir dor se estiver morto.

Naruto deu de ombros e voltou a segui-lo. O quarto do jornalista era simples. Não havia muitos detalhes pessoais e era difícil tirar qualquer ideia da personalidade dele apenas pelos tons frios da parede ou pelos móveis em tons sóbrios e cortes retos. Havia apenas quatro porta-retratos sobre uma cômoda e, quando notou, sua curiosidade já o havia levado até ali enquanto Sasuke abria e fechava os armários.

Reconheceu a garota de cabelos rosas em duas dela, havia sido ela que o havia resgatado junto de Sasuke. Ela sorria em uma das fotos, abraçando por trás um Sasuke sentado e tirando uma selfie um tanto quanto torta, ainda que bonita. Na outra, havia mais um homem loiro de cabelos compridos que não soube quem era, mas tinha certeza de já tê-lo visto em algum lugar. As outras duas eram mais bonitas, talvez por Sasuke estar sorrindo mais abertamente nelas... Uma era ele deitado com a filhote de pitbull, talvez quando a tivesse ganhado, sobre o peito, quase lambendo o rosto dele. E a outra era...

— Meu irmão. — Ouviu Sasuke dizer ao seu lado.

— Ele se parece bastante com você — Naruto comentou ao colocar a foto de volta no lugar.

— Acho que aqui tem tudo do que você precisa. — Entregou as roupas e a toalha, dobradas. — O banheiro é ali. Se precisar de ajuda — Sorriu de canto. —, não vou me importar em te ver nu.

Naruto riu e pegou as roupas antes de dar as costas a Sasuke e entrar no banheiro. Pôde ouvi-lo conversar com alguém, provavelmente pelo celular. Retirou as roupas com certa dificuldade e sentiu vergonha por deixá-las jogadas no chão ao notar a organização do banheiro. Tomou banho com extremo cuidado, sem deixar os curativos do rosto molharem e sentindo os arranhões e hematomas do corpo doerem com a pressão da água. Assim, saiu rapidamente e se secou enquanto amaldiçoava a própria sorte.

Ao sair do banheiro e do quarto, um cheiro agradável de comida foi sentido. Seu estômago se manifestou e só então percebeu que horas eram, quase meia-noite. Coçou os olhos enquanto a exaustão começava a diminuir a velocidade de seus passos. Quando chegou à sala de jantar, sentou-se em uma das cadeiras por não conseguir andar mais até a cozinha. Gemeu dolorido e, com isso, percebeu que a cachorra de Sasuke erguia a cabeça e as orelhas para analisa-lo. Ela se levantou e caminhou lentamente, como se estivesse preparada para recuar e sair correndo ao menor sinal de perigo. Viu-a entrar debaixo da mesa e a ideia de retirar os pés dali veio automaticamente, mas a dor não deixava. Com isso, permaneceu ali, desconfiado, assistindo-a deitar-se aos seus pés com aquele abajur enorme.

Tá, era até que fofo...

Sorriu minimamente e sentiu dor ao rir quando as lambidas em seus pés descalços começaram. Sasuke era mais alto que ele e, por isso, a calça que vestia era um pouco mais longa do que deveria e, por isso, a barra que sobrava logo foi alvo da boca e das patas de Pandora.

— Um tremendo monstro, não é?

Naruto se assustou ao ouvir a voz de Sasuke atrás de si.

— Coma, deve estar morrendo de fome. Fiz lámen se não se importa.

— Eu amo lámen. — Os olhos de Naruto brilharam.

E não era mentira. Sasuke pegou Pandora com cuidado no colo enquanto a via cochilar no chão. Levantou-se e carregou-a até o quarto. Colocou-a, com cuidado, na cama para cães que ela nunca usava e pegou a pequena caixa de primeiros socorros que deixava debaixo da cama. Separou os pacotes fechados de gaze e os esparadrapos assim como o remédio que o veterinário havia recomendado. Deitou Pandora de lado, retirou os esparadrapos antigos e colocou as gazes usadas em uma sacola. Depois, com cuidado, higienizou as mãos com álcool para separar as novas e molhá-las no remédio.

— Nem me olhe assim — resmungou quando a cachorra tentou se afastar. — Vai ser rápido, prometo.

— Quer ajuda?

Sasuke olhou para o lado ao ouvir Naruto.

— Já comeu?

— Eu disse que amava lámen. — Deu de ombros e sorriu. — Quer ajuda?

— Se não for te aterrorizar muito, segure a cabeça dela. É só distraí-la enquanto eu troco o curativo.

— Sabe fazer isso? — Naruto perguntou ao se ajoelhar e, relutante, deslizar os dedos sobre a cabeça da pitbull.

— Meu irmão é médico. Ele me ensinou a limpar e fazer curativos. Digamos que é uma prática recorrente para mim devido certos... — Sorriu malicioso. — gostos...

Naruto corou ao entender a que ele se referia.

Sasuke posicionou as gazes limpas banhadas de remédio, e Naruto segurou, com o braço bom, o abajur de Pandora enquanto Sasuke finalizava o curativo com os esparadrapos.

— Pronto. Pode soltá-la.

— Ela não parece muito contente. — Bocejou.

— Ela odeia esse abajur, mas também é teimosa demais para ficar sem. Pode dormir na cama se quiser, Naruto, eu vou trabalhar um pouco ainda.

— Não está cansado?

— Estou, mas tenho que garantir que ela durma aqui e que você durma ali. Sem contar que você deve acordar daqui uma ou duas horas com dor. Depois que te der o remédio, eu durmo.

Naruto piscou, incrédulo. Sasuke falava aquilo com naturalidade, como se fosse normal aquela situação quando, na verdade, certamente não era. Para que tanta consideração com alguém que nem conhecia direito?

— Não precisa ficar acordado por causa do remédio, Sasuke, eu poss-

— Acredite que, se eu dormir agora, e você me acordar por causa dele, vou ficar com um humor péssimo de manhã — Sasuke o cortou. — É sério. Durma. Você precisa mesmo descansar depois da surra que levou.

— Você trabalha amanhã. Também precisa descansar.

— Ao que parece, meu chefe está me colocando de castigo.

— Como assim?

— Ele me retirou do meu cargo, me rebaixou por assim dizer. Não preciso aparecer lá todos os dias. Por isso o tempo livre para pesquisar a invasão à minha casa.

— Sinto muito.

Sasuke deu de ombros enquanto Pandora começava a cochilar novamente.

— Pronto. Uma já foi. Quer que eu te coloque na cama também, Dobe?

Naruto riu, sem graça, e se levantou com um pouco de dificuldade. Mordeu o lábio inferior ao se sentar na cama sob o olhar de Sasuke. Podia ver o desejo com que era observado, porém também era capaz de afirmar, com todas as letras, que Sasuke o fitava com a mesma preocupação que havia demonstrado com o filhote que agora dormia.

Deitou-se de lado, inquieto, curioso, olhando para o homem sentado no chão sem conseguir desviar a atenção.

— Não te entendo — sussurrou.

Sasuke concordou com a cabeça e se levantou para pegar o notebook no criado mudo e, então, se sentar na cama ao lado de Naruto.

— Se entendesse, seria o segundo a conseguir tal façanha — respondeu.

Naruto não entendeu, mas não questionou. Estava mesmo com sono e não demorou a dormir. Realmente, como Sasuke havia o alertado, acordou com dor. Mal abriu a boca para reclamar e viu um comprido e um copo de água sendo estendidos em sua direção. Enquanto bebia, fechando os olhos com força pelos machucados que latejavam, Sasuke fechou o computador e entrou debaixo das cobertas. Pegou o copo de Naruto, deixou-o no criado mudo e, então, deitou-se. As mãos foram mais rápidas que o cérebro e tocaram, com cuidado, a cintura do outro e, como se a mensagem fosse clara, um Naruto extremamente sonolento se aproximou e apoiou a cabeça em seu peito.

Não quis afastá-lo. Não quis soltá-lo. Não quis fazer absolutamente nada a não ser fechar os olhos e também dormir. E isso era estranho... Estranho porque, apesar de não entender muito bem, ou se importar, como seu próprio mundo funcionava, conseguia reconhecer que aquelas decisões, ações e sentimentos eram, no mínimo, fora do comum até mesmo para ele.

***

Gaara abriu os olhos enquanto a música ainda o fazia mover-se sensualmente. A mulher que dançava consigo era nova ali, dava para notar na insegurança com a qual rebolava ou pelo modo assustado com que olhava para as janelas que se acendiam. Se fosse em um dia normal, teria paciência com ela, tentaria acalmá-la, mas não era um dia normal, e ele, definitivamente, não estava de bom humor.

Puxou a mulher pela cintura. Os olhos se encontraram, e pode ver que ela queria lhe pedir algo, ajuda talvez.

— Só dance comigo. Ignore-os — falou, um pouco mais ríspido do que a situação pedia.

Não esperou muito tempo para que a mulher assimilasse suas palavras. As mãos já estavam na cintura dela, forçando-a contra seu corpo enquanto a perna se encaixa entre as delas para elevar minimamente o corpo feminino. Dessa forma, ela ficou na ponta dos pés, e as mãos dele desceram aos quadris dela para garantir que ela rebolasse descentemente consigo. Sentiu-a se segurar em seu pescoço, e ela seguiu cada movimento como se ele fosse o dançarino e ela apenas uma boneca de pano.

Girou-a. Tudo no automático e sem muita paciência. Era horrível admitir que preferia estar parado naquela bagunça que Ino chamava de ateliê do que ali para presenciar ou um monte de playboy gastando dinheiro dos pais ou políticos recebendo parte do agrado dos "aliados".

A luz vermelha mais uma vez se acendeu. Olhou na direção da janela que parecia tanto disputá-lo e sorriu forçado. Tudo parte de um grande show. Infelizmente, como era óbvio que muitos políticos transitavam na Akatsuki naqueles dias, as luzes das janelas estavam mais fracas para impedir que um político reconhecesse o outro e, assim, Gaara também não conseguia ver os prováveis clientes.

Os segundos passavam, e, quando viu que nenhum outro lance foi feito, parou de dançar. Afastou-se da mulher que o acompanhava e até lhe dirigiu um olhar de pena por deixá-la ali sozinha. Caminhou até a porta que se destrancava e massageou a nuca antes de apoiar a mão na maçaneta e girá-la.

Ouviu o barulho da janela se fechando e piscou um pouco incomodado com a luminosidade que o quarto começava a ganhar. Assim que fechou a porta e entrou de vez no quarto, olhou para a cadeira onde o cliente esperava e não pode esconder a surpresa ao ver Ino.

Ino, sentada com as pernas cruzadas sobre a cadeira, com um caderno A5 sobre o colo e os dedos e uma parte do queixo sujos de carvão.

Riu. Apoiou-se na parede atrás de si e riu com gosto enquanto levava os braços à barriga e balançava a cabeça sem acreditar na situação.

— Espero que esteja rindo de felicidade. — Ino bufou. — Aposto que sou uma companhia muito mais agradável que aqueles velhos ou as peruas dos outros quartos.

Gaara se endireitou e passou a mão pelo rosto enquanto se aproximava de Ino. Apoiou as mãos nos braços da cadeira e se inclinou na direção da artista enquanto ela se afastava surpresa. O rubor no rosto dela era realmente uma graça e contrastava em muito com o desenho sensual, quase erótico, que ela estava esboçando no caderno.

— Ficou com saudade? — provocou.

Ela não respondeu de imediato. Viu-a morder o lábio inferior e franzir o cenho. Os olhos azuis mostravam certa dúvida, talvez curiosidade, e tudo fez um pouco de sentido quando caíram sobre sua boca. Umedeceu os lábios de propósito, apenas para ter certeza da ideia absurda que parecia estar passando pela mente de Ino. A confirmação foi, no mínimo, satisfatória. Aproximou-se ainda mais, a ponto de sentir o perfume que ela usava e a respiração dela em sua face.

— Veio me desenhar ou veio atrás de algo a mais, Ino? — perguntou rouco.

Tocou o rosto dela com a mão, passando os dedos pela mancha de carvão no queixo dela e sorrindo de canto quando os lábios dela se abriram e fecharam sem uma resposta. Ah, como desejava aquela mulher... Queria tanto Ino que ficaria realmente desapontado, para dizer o mínimo, caso ela o rejeitasse naquela noite.

— Que tal os dois? — propôs e beijou-lhe o rosto onde antes estava sujo. — Você disse que tinha três etapas na sua exposição, mas eu acho que falta uma quarta...

— Quarta? — ela sussurrou ao fechar os olhos e soltar o pedaço de carvão.

— Poderia fazer uma fase pós-sexo. — Riu ao vê-la se arrepiar e, então, beijou lentamente o pescoço dela. — Assim, o começo e o fim da sua exposição seria eu relaxado, um ciclo. E sabe qual seria a melhor parte? — perguntou ao ouvido dela.

— Qual? — Ino virou o rosto minimamente.

Gaara sorriu de canto, deixando a boca próxima da dela, tocando-a suavemente enquanto falava:

— Poderia fazer seu primeiro esboço hoje mesmo, Ino...

Notas finais
Reviews? Recomendações? Críticas? Gente, a 1ª edição do meu livro Doce Veneno já tá acabando! Para quem quiser, ainda tem exemplares no site da Editora: http://editoradelphi.com/index.php?route=product/product&product_id=50