Jogo da Verdade

1 Capítulo 1


- Aaah, eu tô com sono, me deixa dormir! — Reclamou ela, quando eu cutuquei-a outra vez.

- Sei não, viu? Você dormiu o trajeto inteiro!

- Mas ainda falta muito tempo para chegarmos! — Ela se virou, dando as costas a mim. Nevava lá fora, e naquele vagão parecia que os aquecedores haviam quebrado. Até concordava com a Jô, já que era tão monótono naquele vagão. Sacudi seus ombros e a fiz se virar para mim.

- Tive uma ideia, que tal jogarmos o jogo da verdade?

- Free! Dormir é melhor! — Seus olhos cor de mel encontraram os meus, que de certa forma, era um olhar pidão. O jogo da verdade consistia apenas em responder a verdade. Um jogo tolo talvez. Ela suspirou e mostrou-me os dentes em um sorriso. — Tá, me convenceu. Quem começa?

- Pode ser você. — Podíamos ver nosso ar quente saindo pela nossa boca, esfregávamos as mãos uma na outra para que esquentassem, porém não estava fazendo efeito.

— Aah, por que você não me deixa dormir?

— Porque se você dormir, eu vou dormir junto e aí perderíamos a parada. — Ajeitei a touca que ela usava. — Você só pensa em dormir?

— Não.

— Pensa no que mais? — Ela começara a rir.

- Nem vem, minha vez... — Ficamos nesse jogo, eu ás vezes pulando a vez dela. Ia tudo nos conformes até que veio uma das perguntas mais temidas por lésbicas apaixonadas pela garota que pergunta: — De quem você gosta?

— Ahn... — Ela observava cada movimento que eu fazia. Desviei os meus olhos dos dela, olhando pro teto do vagão. Eu refletia se contava a verdade, aproveitando aquela oportunidade. Ou se eu mentiria, dizendo o nome de um garoto qualquer. Mas afinal, era o jogo da verdade, mas eu poderia inventar uma verdade que não fosse verdade. Mas teria que arcar com as consequências. Devo ter ficado pensativa por um bom tempo.

- Dormiu de olhos abertos? — ela sorria para mim. Fiquei ruborizada, porque eu havia percebido que seu sorriso estava perto demais. — Ou está pensando em inventar algo? — Ora eu olhava em seus olhos, ora para o seu sorriso. Eu não poderia mentir para ela. Me conhecia demais. Porém, apenas um mínimo detalhe ela não conhecia que poderia ou não fazer a diferença: gostar de garotas. Seria tão mais fácil ela perguntar o nome do garoto. Seria um simples não, mas ela não havia especificado sexo.

- S-sim... — ela se afastou ainda sorrindo. Ficamos em silencio durante alguns minutos e só então percebi que era minha vez de perguntar. — Ah, o que quer ganhar de aniversário?

- A declaração de quem eu amo. — Riu-se divertida, com certeza pelo fato de eu ter ficado um pouco vermelha.

- Tá, que eu posso dar de presente pra você.

- Nem, minha vez. — ia protestar mas ela começou primeiro. — Quem é esse alguém? — Eu poderia sentir a curiosidade em seu tom de voz, mas não levei exatamente como apenas curiosidade, havia um pouco de ansiedade? Eu estava muito nervosa, deveria ou não deveria responder?

- Ahn, dá pra pular não? Amanhã você faz aniversario e ainda nem pensei no que te dar.

- Responde logo! Sabe que há regras nesse jogo!

- Ah, mas sei lá, vai que você não goste da resposta.

- Sou neutra, responde Free!

- ... — Suspirei, juntando o pouco da coragem que eu tinha. Abri a minha boca para falar várias vezes, mas saíam sons inaudíveis.

- Quem? — ela se aproximou mais, fazendo biquinho. — fala logo! Não gosto de suspense.

- Você. — Sussurrei e quase por um impulso, segurei seu rosto e levei os lábios aos dela. Um beijo suave e carinhoso. Ela não retribuiu, mas também não recusou. Nos separamos, ela com os dedos tocando os lábios encostada na janela do trem. Eu com o rosto vermelho e me repreendendo mentalmente por ter feito aquilo.

- Deus... — Seus olhos estavam arregalados.

- Me desculpa... Jô, eu... Não devia ter fei... — ela selou meus lábios com outro beijo, um pouco mais safado que o outro, mas ainda assim, carinhoso.

- Você me deu dois presentes adiantados... — eu estava sorrindo. Um sorriso bobo, gostinho de quero mais nos lábios. Logo nos beijávamos novamente, depois dela dar permissão, adentrei seus lábios com a língua. Nossas mãos passeavam por nossos corpos, a fim de conhece-los melhor. Nos separamos pela urgência de ar.

- Eu te amo. — Ela mordiscou meus lábios e entrelaçamos nossos dedos.

- Eu também te amo Free. Mas, posso dizer uma coisa? — Seu sorriso se extinguiu, ela ficara séria. — Promete não ficar brava, nem gritar comigo?

- Pode e prometo. — Sorri, colocando uma de suas mechas loiras, atras de suas orelhas. O que era tão sério assim? Por um instante fiquei preocupada.

- A gente tinha que descer na outra estação — disse e apontou para trás. Bati a cabeça no ferro que estava a minha frente. Como eu pude esquecer?

- Ao menos, foi por uma boa causa. — Beijei-lhe mais uma vez os lábios de Jô, trazendo seu corpo frio para perto do meu.

Notas finais
OW, eu quero review, mereço ? Claro, sempre dedicado à você Nee =3 Te amo <3
Mas ainda quero review x3 - O que isso tem a ver? xD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!