Jogo Real - Você Contra Seus Amigos!
3 O começo
Notas iniciais
Dois dias atrás...
Iara Thaís (n°09) entrou na sala de aula, e foi se sentar na sua carteira. Sua melhor amiga Thiane (n°03) apareceu para cumprimenta-la.
– Oi, Iara! –diz Thiane, sorridente.
– Oi, Ti! – responde Iara.
– Está ansiosa para o passeio de formatura depois de amanhã?-perguntou Thiane empolgada.
– É... Acho que estou. – fala Iara, não muito animada.
– Qual é? – diz Thiane – Vai ser demais! Mal posso esperar!
Na carteira atrás das duas, Walber, seu amigo de infância estava jogando no celular. Quando seu primo Neto (n°33) senta do seu lado.
– Ei viciado! A galera está planejando uma festa só entre nós quando voltarmos do passeio. Você vai né?
– É, vou! Agora me deixa terminar este jogo... Estou perto de passar de fase.
– Ei, cheguei! – grita Pedro (n°07) entrando na sala. Ele adorava aparecer.
– Cala a boca, Pedro! – fala Micael (n°32), o hacker da turma, no fundo da sala, rindo do garoto.
***
Chegou o dia do passeio. Toda a turma do 3°A estava no ônibus, esperando ansiosamente o início da viagem. Eram 40 alunos, embora a lista de chamada tivesse 43 (uma não frequentava as aulas e dois haviam sido transferidos). O ônibus, como era de se esperar estava bagunçado, principalmente sem a presença de adultos, exceto o motorista. Haviam poucos alunos na frente e uma aglomeração no fundo do ônibus. A galera do fundão ia cantando e dançando músicas divertidas, enquanto os da frente conversavam ou mexiam no celular.
O ônibus partiu rumo ao litoral cearense, onde a turma comemoraria a formatura durante o fim de semana. Era a primeira que todos saiam juntos.
Já fazia uma hora que o ônibus tinha partido. Os alunos estavam reclamando do frio.
– Diminui o ar-condicionado! – pede Iara ao motorista.
– É mesmo! Está frio demais! – reclama Mônica (n°12), a gótica da turma.
– Esse frio está dando é sono... – fala Nathiely (n°15), aluna brilhante, melhor da turma, bocejando.
***
Walber estranha o fato de estar sentindo sono e da turma do fundão ter feito silencio, afinal ainda eram nove da noite. Ele olha para trás e nota que todos dormiam amontoados uns sobre os outros.
– Tem algo errado! – diz Micael.
– Tem mesmo, olha! – diz Carol (n°35), apontando para o motorista ao ver que ele usava uma mascara de oxigênio.
Eles caem no sono também. Ismael (n°27) e Felipe (n°18), os últimos acordados se levantam. Ismael tenta puxar a alavanca de emergência, mas acaba dormindo.
– Droga! – diz Felipe, indo na direção do motorista, mas caindo de sono no chão gelado no ônibus.
***
De volta ao presente...
O general deixa sua pistola sobre uma mesa e faz um sinal com a cabeça para a porta. Dois soldados aparecem trazendo um carrinho com os kits.
– Além da água, da comida e da arma, os kits contêm uma lanterna e um mapa da ilha, já devidamente dividido nos quadrantes. Vou chamar de um por um, de acordo com a lista de chamada e vocês vão saindo. Eu darei apenas um minuto para chamar o próximo, então nada de ficar pelos corredores da escola, a não ser que queiram morrer. Antes de qualquer coisa quero parabenizar nosso colega Yago... Ele entende muito bem desse jogo.
Nesse momento, Iara, Thiane e Thaynara (n°11), que estavam próximas a Yago (n°43) se afastam dele.
– Do que ele está falando, Yago? – pergunta Thiane.
– Ano passado eu fui colocado neste jogo! – responde Yago, com a cabeça baixa – Eu venci, mas me arrependo de ter matado...
Franksuan (n°39) de repente se levanta e corre até a mesa, pegando a pistola do general e apontando para os seguranças.
– Seus desgraçados! – diz o garoto, assustado.
Os seguranças iam atirar, mas o general faz um gesto com a mão e eles baixam as armas.
– Calma! – diz o general – Não queremos aliviar as coisas para nossos competidores, não é? Um aluno a menos já é ruim... Dois então... Agora você, garoto, solte a arma ou serei obrigado a deixar que o matem.
Franksuan obedece.
– Pois vamos começar com a entrega dos kits! Aluna número um: Adriely Silva.
Adriely (n°01) se levanta em dúvida e abraça sua amiga Taline (n°21), em tom de despedida. Ela vai até os soldados e um deles joga uma bolsa militar para ela e sua mochila pessoal. Ela pega e sai correndo.
– E estamos devolvendo também suas mochilas... Quem sabe vocês acham algo útil nelas. – diz o general. Ele olha no relógio, espera um minuto e chama o próximo – Aluna número dois: Samya Moura.
Então Samya (n°02) se levanta apressada, recebe suas bolsas e sai correndo, quase tropeçando.
Quando o general chama Thiane, ela abraça Iara e Walber. Ela ia abraçar Thaynara, mas o general reclama:
– Vamos! Não temos o dia todo!
Thiane foi até os seguranças com os olhos cheios de lágrimas e expressão furiosa. Eles a entregam suas bolsas e ela sai correndo. O general chama Nathalia (n°04), que pega e suas bolsas e sai chamando por Thiane.
– Aluna número cinco: Naiara Milhome.
Naiara levanta chorando e vai até o general. Ela fala:
– Você não tem o direito de fazer isso! – diz ela, com raiva – Eu não assinei nenhum tipo de autorização dizendo que ia participar dessa droga de jogo.
– Bem, mas o governo assinou... – disse o general – Os jovens estavam se tornando rebeldes demais, não concorda garota?
– Claro que não! – responde Naiara – Eu vou processar vocês! – e ela empurra o general com toda a força que tinha.
– Ah! Que se dane! – irritado, o general enfia uma faca na barriga de Naiara. Quando ele tira, ela cai morta.
A turma grita apavorada. Todos ficam perplexos ao ver uma poça de sangue ao redor da amiga morta.
41 alunos restantes.
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