Pov Felicity

— O que faço com você Laurel? Quando eu te mandei para aquela reunião, eu rezei para que não dormisse com ninguém. Mas você tem o dom de se fazer tudo ao contrário._ Joguei minha caneta em cima dela. Eu e Laurel resolvemos passar nosso sábado fazendo compras, com isso fofocar sobre tudo. Era o décimo vestido que ela colocava e nenhum na visão dela estava bom, enquanto para mim estavam maravilhosos.


— Eu não fiz nada!!!_ Gritou no momento que saiu do provador com um vestido preto, de alcinha que se alongava até abaixo do joelho porém apertado dando a Laurel um ar sensual e o decote ajudava bastante. Minha irmã era linda, cada uma que ela vestiu a deixava mais perfeita, ela puxou a beleza de nossa vó paterna, enquanto eu e as outras puxamos Donna, todas igualmente loiras e de olhos claros, mas Laurel era morena, cabelos castanhos e olhos cor de mel. Injustiça? Total! — Ficou bom Lis?


— Claro que não fez nada, só perseguiu o coitado do Ray até ele aceitar dormir com você e depois deu um fora nele! Sua sem coração, só quis usar dele. E sim esse vestido é o melhor e usar com aquele salto vermelho que Meg te deu de aniversário com aquele colar de diamantes que ganhou da mamãe de 15 anos, vai matar qualquer um só de olhar._ Primeiro a repreendi e depois dei um conselho, uma grande irmã eu sou.

— Como consegue ser tão boa em escolher meus looks e se vestir assim?_ Disse apontando para meu vestido rosa rodado e meu salto igualmente rosa, não consigo entender isso que minhas irmãs tem contra como me visto e nem me importo. Dei língua para ela, muito infantil eu sei. — E ah, eu não persegui ele, eu queria aquela carne, consegui, saboreei, me saciei e fui embora. Ponto e só dei um fora nele quando ficou me ligando, quem liga para um contato de foda ? Se eu fui embora antes dele acordar era nítido que não queria mais o ver. Odeio homem grudento, desteto.

— Você é sem coração, pensa se isso fosse com você, caramba!_ Resmunguei. Enquanto ela voltava para o provador para retirar o vestido.

— E eu pensei, hoje a noite, vou deixar uma mensagem para o nerdzinho me encontrar naquele restaurante que gosto, fazer ele me admirar com o look que você escolheu e depois irei usar e abusar daquele corpo._ Pus a mão na cabeça, como eu consigo ser irmã dela? Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

— Pera, você nunca dorme com ninguém uma segunda vez e nem vai a jantares, Laurel Smoak Lance! Você se interessou no Ray!_ Corri para dentro do provador e a encontrei apenas de calcinha e sutiã.

— Claro que não, Lis você acabou de me dizer que sou sem coração, não é um encontro e nem o chamei ainda, só quero ter ele dentro de mim de novo. _ Disse enquanto se vestia e sem tirar seu sorriso do rosto. Pensa que me engana.

— Sei. Unrum. Se fosse só isso apareceria pelada na cama dele, mas não, me fez acordar cedo em uma sábado para vir comprar roupas, vai levar ele em um encontro, quer se redimir do fora que deu nele ontem, está sentindo falta de Ray, parece que eu mesmo sem querer e estar odiando isso, fui a cupido. Parabéns Felicity você merece._ Eu ri e ela fechou a cara, tentei correr? Sim. Mas minha querida irmã megera me alcançou, segurando-me pelos cabelos, maldito rabo de cavalo, maldita altura mediana, porque sou tão pequena com pernas tão curtas? Merda.

— Retira o que disse agora! Sou sua irmã mais velha e exijo que para de dizer asneiras._ Falou.

— Nãooooooooo, você gostou do Ray e quer repetir_ Cantarolei, senti meus cabelos sendo puxados com mais forças. — Ai, vai me deixar careca._ Reclamei.

Quando pensei que ela me xingaria de todas as maneiras, seu celular tocou e ela me soltou, amém, agradeço a Deus, ao celular e a quem estava ligando, quase perdi meus lindos e sedosos fios loiros.

Sai do provador enquanto ela falava no celular, com a voz baixa, deveria ser algo sério pela forma que seu maxilar trincou diversas vezes. Peguei todos os vestidos que ela experimentou e levei ao caixa, eu levaria todos, paguei uma pequena fortuna e em minutos ela estava ao meu lado .

— Eu tenho um compromisso agora, Sara está com problemas e precisa de mim. Tem como deixar esses vestidos na minha casa? Por favor? Não sei quanto demorarei com Sara e ainda quero fazer aquilo que te falei antes._ Estava séria mas ao dizer isso sorriu. Ai ai.

— Claro, tenho a tarde livre, vou levar sim, boa sorte está bem?_ Ela assentiu e dando-me um beijo na testa se afastou.

Como estava no shopping e não tinha mais nada para matar o tempo, resolvi andar até a lanchonete, que era em frente a ST, não era longe e meu carro estava estacionado bem perto de lá mesmo. Almoçar sozinha não era o melhor plano para um sábado, mas não me importei.

Cheguei a lanchonete 20 minutos depois e recebi um grande sorriso da neta do senhor que é dono dessa lanchonete, ela era uma das minhas estagiárias de meio período é bom ver que não sou uma CEO que os funcionários detestam.

— Bom dia senhorita Smoak, o que deseja?_ Veio em direção a mesa que escolhi sentar, bem nos fundos, dessa vez queria comer em paz. Sem interrupções.

— Bom dia Evelyn, quero o mesmo de sempre e suco de limão._ Me limitei a dizer e ela saiu correndo com meu pedido.

Desde a conversa com minhas irmãs, não vejo Sara, sei que ela está atarefada e com problemas demais , porém eu sinto falta de ver ela todos os dias. Meghan tinha finalmente decidido voltar para o próprio apartamento, após eu a espantar aos gritos de lá. Ontem saí bem tarde da empresa, mas para não acorda-la pois sei que se bobear dorme no sofá, entrei pela porta dos fundos, sorrateiramente e em total silêncio, quase levei um tiro ! UM TIRO! Aquela doida varrida apareceu toda descabelada, apenas vestindo uma camisa com um revólver na mão e se isso não fosse tudo, atrás dela apareceu um dos caras que elas costuma transar. Mandei ambos embora aos berros. Ela me da mais dor de cabeça do que Laurel até. Mas hoje acordei com a digníssima irmã desnaturada buscando suas coisas e pedindo desculpas e tudo mais, desculpei com maior sorriso por ela ir embora. E depois Laurel chegou e saímos, ser uma Smoak Lance tem seus privilégios. Em todo momento uma loucura nova acontece.

— Lis? É você?_ Virei o rosto procurando quem me chamava e encontrei ninguém menos que Thomas Merlyn, com o rosto abatido, cabelo bagunçado e com um terno amassado. Acenei e o chamei para se sentar comigo, não posso ver alguém assim e fingir não me importar.

— Olá Thomas, pensei que não nos veríamos mais, o que faz aqui?_ Perguntei.

— Eu tinha esperança de te ver de novo. Eu realmente não sei, tudo está uma merda, estou a hora rodando de carro e de repente parei aqui, entrei e vi você._ Disparou pausadamente vi que cada uma de suas palavras eram sinceras.

— Quer almoçar comigo Thomas? Enquanto me conta o que aconteceu? Se quiser é claro, não é obrigado a falar nada, nem somos amigos, mas se quiser, acho que não veio aqui para ver eu me embolar com as palavras vou parar em, 3,2,1. Parei._ E pela primeira vez desde que me viu, ele sorriu, bom, pontos para você Smoak.

— Não quero almoçar, obrigado pela oferta Lis, porém preciso conversa e se quiser me ouvir._ Disse.

— Pode falar vai demorar até meu pedido vir e sou toda ouvidos se eu puder ajudar o farei._ E mais uma vez recebi um sorriso, mas esse não chegou ao seus olhos, que permaneciam tristes.

— Eu tenho uma amiga no trabalho, somos como unha e carne, eu ela e meu melhor amigo Ollie._ Okay, ele iria falar de Sara, entendi logo o fruto do problema que Laurel falou mais cedo. — E ela sabe o quanto nós protegemos nossa irmã._ Ok, Thea Queen que estava em missão sem eles saberem. — Minha irmã se meteu em confusão, umas das grandes e essa minha amiga ajudou e não nos falou nada. Descobrimos ontem, e meu amigo Ollie e ela discutiram, eu vi ele falando coisas para ela que eu não diria nunca, eles não me viram , pois eu fiquei escondido e depois fui embora, eu queria confrontar ela sabe? Perguntar o porquê de mentir. Ollie não a escutou, estava com raiva e eu estou sem saber que fazer, estou ressentido e me sentido traído por ela, mas não sei, sinto que deveria deixar ela falar, contudo ainda tenho que estar ao lado do meu amigo, para que tiremos nossa irmã dessa confusão. Eu só, sei que estou falando muito, mas preciso de um conselho._ Disse por fim. Então esse era o problema de Sara e o fato dela não me ligar, quando eu disse que não voltaria a ação, ela escolheu não me falar o que acontecia em relação as coisas da vida dela como agente, concordo. Ela não queria que eu me preocupasse. Mas eu poderia ajudar de uma forma. Mesmo que o Merlyn descubra quem sou depois da conversa deles, eu não deixaria minha irmã sair como a má da história. Não mesmo.

— Eu meio que entendi Thomas._ Fui interrompida por ele.

— Nós somos amigos Lis, me chame de Tommy, meus amigos me chamo assim._ Colocou a mão sob a minha transmitindo carinho, gostei desse novo sentimento.

— Enfim, Tommy._ E ele sorriu com os olhos dessa vez, dois pontos para mim, iupi! Estou melhorando o astral dele. — Eu acho que deveria conversar com essa sua amiga, aliás tenho certeza, por isso não ficou com raiva dela ou concordou com o que seu amigo disse a ela. Você quer acreditar que ela fez isso por um motivo certo?_ Falei e agora eu quem pus a outra mão por cima das duas dele em forma de transmitir força, ele precisaria.

— Eu sei que quero falar com ela. Mas está tão confuso... isso em minha mente._ Admitiu com remorso.

— Ah Tommy, não fica assim, faz assim, vai para casa, toma um banho, troca de roupa, come e descansa. Quando senti que está melhor, vai conversa com essa sua amiga. E depois vai encontrar seu amigo pois ele também precisa de você._ O aconselhei.

— Eu posso fazer isso, certo?_ Quis ter certeza.

— Sim, óbvio que pode._ Me levantei e o abracei, pegando-o de surpresa com o gesto.

— Obrigada Lis, e por aceitar ser minha amiga, mesmo que só tenhamos nos visto duas vezes, mostrou se importar comigo mais do que muita gente._ E a bolha acolhedora que estávamos se explodiu, voltei ao meu lugar .

— Eu me importo, você é meu primeiro amigo em muito tempo também._ Soltei, nunca pensei que diria isso em voz alta, mais disse. E foi a verdade.

— Sério? Eu fico feliz então. Por sermos amigos. Posso assumir uma coisa?_ Assenti viria algo idiota a seguir.

— Eu quando te vi pensei em te levar para a cama, meu primeiro pensamento._ Dei um peteleco em seus dedos. — Ei, calma Lis. Mas depois passou, eu não falei de você para nenhum dos meus amigos por incrível que possa parecer, já que falo tudo. E agora aqui alando contigo vejo que foi bom eu não ter feito isso, talvez te encontrar de novo foi para me mostrar que posso gostar de alguém como amiga e eu gosto de você assim._ Finalizou.

— Meu amigo Curtis, aquele que estava comigo na primeira vez que nos vimos disse que seria bom para mim ter você como amigo._ Revelei.

— E você ? Acha que serei um bom amigo?_ Perguntou.

— Sim Tommy, e se tentar dar em cima de mim eu não serei mais sua amiga. _ Falei abertamente.

— Fechado e você me da seu número de celular para que não percamos o contato . Cada um com direito a uma exigência._ Sorri em resposta. Concordei. Ele pegou o celular e virou para nós dois, ele parecendo que participou do apocalipse zumbi e eu uma mancha loira e rosa, mas a foto ficou boa, pois sorriamos de forma bonita. Anotei me número e salvei como Lis. Ele averiguou no mesma hora me ligando e quando meu celular tocou, ele se levantou.

— Obrigada, eu não quis atrapalhar seu almoço, vou fazer tudo o que me disse para fazer, mas antes tenho que passar no apartamento de outro amigo meu que encheu a cara ontem, pois levou o pé na bunda de um mulher, tenho que ir rir da desgraça dele._ Com isso me abraçou e se foi.

Meu pedido chegou momentos depois. Se eu contasse para Curtis que tinha virado amiga de Thomas Merlyn, ele enlouqueceria e iria pirar se visse que tenho o número dele. Resolvi ligar para meu doido favorito, adoraria deixar ele na curiosidade.


Chamou três vezes até que ele atendeu.


Ligação On:


— Oi chefinha, não posso ir a lugar nenhum, não posso fazer nada estou de folga, o que quer?
— Credo além de sua chefe sou sua amiga, eu só queria pedir obrigada.
— Pelo que? Você nunca me agradece só grita comigo ou chuta minha canela, matou alguém? Eu sei esconder um corpo, se precisar...
— Nada disso! E eu só grita e essas coisas mais quando você fica me irrita. Mas escuta, quero agradecer por me lembrar que mesmo que meu coração não esteja preparado para ter alguém novo em minha vida, eu poderia começar tentando fazer um amigo e eu fiz um e me sinto bem com isso.
— CALMA O QUE? QUE AMIGO? COMO ASSIM? Nem acredito que eu sou o novo buda, super sábio.
— Doido! Um amigo ué. Tenho um novo amigo!
— E quem seria o sortudo?
— Tommy.
— Quem é Tommy ? Felicity, quem é Tommy? Que intimidade é essa?
— Merlyn, Tommy Merlyn.
— O QUE SUA LOUCA? Quero saber de tudo onde você está? Se não me falar vou rastrear seu celular, vou atrás de você.
— Tchau Curtis.
— Não desliga sua bruaca, eu me me vestindo, estou indo prai, vou rastear seu carro qualquer coisa, mas vou te achar.
— Tchauzinho.
Ligação Off


Encerrei a ligação. Desliguei o celular.Curtis me mataria se soubesse que meu próximo destino é a casa de Laurel.

Meu carro estava a uns metros daqui mesmo, daria tempo de comer meu almoço em paz. Antes de Curtis chegar e se não me matar, vai querer saber como virei amiga de Thomas Merlyn.