Jogo Maldito
5 Incêndio
“Fim do grande salão, como os jogadores vão viver jogados pela ilha sem os mantimentos e o pouco conforto que tinham? A Verdadeira dificuldade começa agora!”
_Como vamos viver agora? Todo o estoque de comida, nossas roupas, os kits de primeiros socorros, a água, as lanternas, acabaram tudo! É o fim, todos nós morreremos! – Gritava John chorando e jogado no chão, ninguém reclamava, pois todos sabiam que aquilo era verdade, que o que ele disse realmente aconteceria! Aquelas perguntas passavam pela mente de todos eles, mas aquela não era a hora para se pensar naquilo.
O grande salão era totalmente consumido pelas chamas e pelas explosões que vez por outra assustavam todos, os escombros fizeram o portão de entrada do grande salão tapar, ficando apenas uma pequena abertura pelos escombros para ser possível fugirem, não bastasse isso, Bruno, Saw, Nataly e Shiro ainda tinham outro problema: A fumaça, a inalação daquela fumaça tóxica os mataria facilmente asfixiados se não saíssem logo dali.
Danka desmaiou depois de gritar e chorar loucamente ao ver seu irmão sair das chamas. Estava tudo correndo bem, Bruno apenas tinha sofrido umas queimaduras e uns arranhões, mas assim que atravessou o grande salão e saia pelo buraco dos escombros que tapavam a saída do grande salão um pedaço do teto desabou entre ele e Danka que puxava seu braço direito, separando-o de seu corpo! Danka desmaiou com o tanto de sangue que jorrou do braço arrancado de seu irmão e Bruno se jogou no chão enquanto gritava demais de dor e seu sangue pintava o chão de vermelho.
Shiro corria desesperadamente para o pequeno buraco que dava saída do grande salão e do fogo devastador, quando o fogo começou ele ainda estava em seu quarto e apesar de correr o mais rápido que podia Shiro era lento devido a sua idade e suas fracas pernas ,no meio do caminho ele tropeçou e caiu, Shiro precisava de sua bengala para se levantar mas essa foi para longe com sua queda, ele começou a fazer esforço para se levantar e foi quando Saw e Nataly passaram do seu lado para fugirem. Shiro olhou para as duas, mas elas o ignoraram, nenhuma delas parou para ajuda-lo a se levantar, apenas pensaram em si mesmas e em sair o mais rápido possível dali. Foi quando uma enorme tora de madeira caiu em cima das pernas de Shiro, impossibilitando-o de sair dali, nesse momento Shiro teve certeza da sua morte iminente e desistiu de tentar escapar.
Enquanto Shiro ficava preso pela tora, Saw e Nataly chegaram á saída do grande salão, Saw passou sem dificuldades pelo buraco que os escombros formaram, ela carregava uma bolsa e sua besta, mas Nataly enroscou sua grande lança no teto que se formou das pedras que caíram do grande salão, Saw falou para ela deixar a lança, mas ela disse que não e a puxou fazendo mais pedras rolarem, consequentemente uma viga de metal caiu e furou seu olho esquerdo quando ela olhava para cima tentando desenroscar a lança. O desespero de Nataly ao perder a visão do olho esquerdo foi tão grande que ela ficou imóvel, Saw voltou para dentro do grande salão e tirou Nataly a força deixando a lança para trás.
Ryan ao perceber que Shiro ficou para trás entrou no grande salão, Ana e Juliana tentaram segurá-lo mas não tiveram êxito, Ryan passou pela pequena abertura dos escombros e encontrou Shiro segurando sua bengala e desmaiado, Ryan retirou a pesada tora de cima das pernas de Shiro após muito esforço, e depois pegou Shiro pelos braços e o carregou até a saída, no entanto uma nova explosão aconteceu e mais escombros tamparam o buraco de entrada e saída do grande salão. Ryan não sabia o que fazer, Shiro inconsciente e a fumaça entrando em sua pulmão já começava a fazer efeito, ele assim como Shiro começaram a sofrer leves queimaduras que ardiam demais, Ryan gritou pedindo socorro, mas por alguns minutos ninguém respondeu.
Ryan tentou empurrar algumas pedras mas sua força não foi suficiente, a fumaça já estava fazendo efeito e ele quase desmaiando quando um grande barulho o reanimou, era a marreta de Juliana batendo contra as pedras do grande salão.
_Pai já estamos abrindo uma passagem, aguente mais um pouco. – Gritava Juliana, enquanto batia cada vez mais forte sua marreta nas pedras abrindo um buraco para a passagem. – Pronto pai, vem!
Ryan foi até ela e primeiro passou Shiro ainda desmaiado pelo buraco.
_Ele estava segurando fortemente esta bengala, deve ter algum valor emocional. – Disse Ryan entregando para Juliana a bengala de Shiro.
Em seguida Ryan passou pelo buraco segurando a mão de Willian que o ajudou a sair enquanto Juliana levava Shiro até sua mãe para que ela cuidasse dele.
Mas Ana estava muito ocupada cuidando do braço de Bruno, a hemorragia logo o mataria se o sangue não fosse estocado, Ana por sorte sempre carregava o kit de primeiros socorros em sua bolsa e aproveitou as poucas coisas que tinha para salvar Bruno, que já estava desmaiado depois de muito gritar e sofrer de dor.
Todos já estavam se acalmando, a pior parte já tinha passado, eles pensaram. Danka, Bruno e Shiro estavam desmaiados, Ana cuidava dos ferimentos deles com a ajuda de Laura que a auxiliava.
Juliana e Willian em um canto quietos, os dois estavam envergonhados e assustados, mas Willian tomou coragem e falou:
_Sobre o que aconteceu com nós antes da explosão, me desculpe, eu me aproveitei da situação, acho que forcei você. – Willian não olhava nos olhos de Juliana.
_Will você não precisa se desculpar, você não me forçou a nada. – Juliana pegou a cabeça de Willian que estava abaixada e a virou para seu rosto fazendo-o olhar em seus olhos – E eu gostei, espero que você também tenha gostado.
_Eu adorei. – Disse Willian sorrindo – Foi o melhor beijo da minha vida!
Os dois prosseguiram a conversa aos poucos enquanto aguardavam seus pais decidirem o que fariam agora.
Ryan só ficava de lado tossindo enquanto aguardava sua esposa, em sua tosse começou a sair sangue, mas ele não queria preocupar Ana então não disse para ninguém.
Saw e Nataly estavam deitadas no matagal, Nataly chorava de dor e desespero, Saw tentava acalma-la mas não conseguia, Ana quis colocar um curativo no olho de Nataly mas Saw não permitiu e nem Nataly.
_Eu não quero dever favores para alguém que provavelmente terei de matar futuramente. – Respondeu Saw para Ana.
Após Ana sair de perto das duas, Nataly disse:
_Saw e agora? Como eu vou te ajudar sem uma visão? Minhas habilidades já eram! Estamos ferradas! – Nataly estava desesperada e sofrendo de dor.
_Não se preocupe, nós sempre damos um jeito Nataly, você sabe disse. Lembra quando eu te ajudei a fugir de casa? Nós conseguimos e agora também vamos conseguir!
_Mas isso é diferente Saw, e- Nesse momento Saw tapou as falas de Nataly com um beijo em sua boca.
_Venha, vamos fugir daqui, precisamos de uma localização que ninguém saiba para termos mais chances de sobrevivência. – Disse Saw dando a mão a Nataly para ajudá-la a levantar. As duas enquanto ninguém notava sumiram para a floresta da ilha com seus pertences e armas.
John e David Salvatore estavam muito assustados e desesperados, eles ouviram a conversa das lésbicas e concordaram que estariam mais seguros se ninguém soubesse onde eles estariam, e assim adentraram a ilha a procura de um lugar para passarem a noite que logo viria, mas sem nenhuma comodidade, pois tudo que tinham foi queimado no grande salão, tirando suas armas que sempre carregavam consigo.
Ana fez tudo o que podia no braço de Bruno, que ainda esta inconsciente e então se sentou em uma pedra dos escombros e após um suspiro de alivio disse:
_Fiz tudo o que pude, com sorte ele vai viver.
_O que vale foi a sua intenção minha querida. – Disse Ryan dando-lhe um selinho.
_E você? Está bem? – Perguntou Ana para seu marido.
_Melhor que eles eu tenho certeza. – Respondeu Ryan olhando para Shiro, Danka e Bruno no chão.
_E agora? O quer nós vamos fazer? Para onde vamos? – Questionava Juliana vindo de longe de mãos dadas com Willian para onde seus pais estavam.
_Acho que o melhor é montarmos um sistema de vigia a noite para conseguirmos ter mais segurança. – Disse Laura se aproximando de seu filho.
_Por sorte sua mãe sempre anda prevenida e trouxe um pouco de água e comida na bolsa. – Disse Ryan para Juliana. – Além dos kits de primeiros socorros nossos e da Laura.
Danka começou a acordar e olhou para Bruno:
_Então não era só um pesadelo! Isso realmente está acontecendo! – Ela disse assustada enquanto ainda se levantava. – E Erick? Já apareceu?
_Nada dele ou de Mayra ainda. – Respondeu Ryan — os dois sumiram!
_Então eu preciso sair para procurá-los, Erick pode estar em perigo. Eu tenho certeza que foi aquela Mayra que explodiu o grande salão, e levou meu irmão como refém!
_Mas e seu irmão Bruno? – Perguntou Ana.
_Eu nem tenho como agradecer a você por tudo o que nos fez. – Disse Danka dando um grande abraço inesperado em Ana e com as lágrimas começando a sair de seus olhos. – Se não fosse por você eu e meu irmão teríamos morrido, você salvou as nossas vidas!
_Eu só fiz o que era necessário, não foi nada demais.
_Eu ainda tenho outro favor a pedir para vocês, sei que já fizeram demais por mim e pela minha família, mas eu preciso sair atrás de Erick e não posso levar Bruno comigo, vocês poderiam cuidar dele pra mim? – Perguntou Danka.
_Nós não nos importamos em cuidar dele, — Respondeu Ryan – mas não é muito perigoso para você sair por aí sozinha nessa ilha? Se Mayra é realmente tão ruim como você disse isso pode ser uma armadilha.
_Não importa, eu preciso ir. – Respondeu Danka determinada – Não vou conseguir ficar em paz até ter meu irmão a salvo dela.
E assim Danka partiu para o meio da floresta a procura de seu irmão e de Mayra, sumindo da vista deles.
Lilian que estava no colo de sua irmã começou a chorar de fome e Ana logo deu o peito para ela, apesar de já ter 3 anos Lilian ainda mamava no peito. Todos se acalmavam e pensavam no que fazer quando seus celulares tocaram, eles pegaram para ver o que era temendo ser alguma morte, mas o toque era diferente, não era uma mensagem e sim uma ligação, uma ligação de Owler! Os jogadores atenderam ao mesmo instante e após algum tempo Owler começou a falar:
_Atenção jogadores do Jogo Maldito essa é uma transmissão que esta sendo passada a todos os jogadores ainda vivos da ilha, menos os desmaiados, por favor, passem esses recados para eles depois, ou não! – Disse Owler em tom de risos — Devido ao incidente do grande salão, novas regras surgiram no jogo.
Todos ficaram apreensivos e assustados enquanto esperavam as próximas palavras de Owler.
_Primeiramente: Como o estoque de comida, água, remédios e outras coisas acabaram, para que vocês obtenham o que precisam para viver, vão ter que matar! – Owler deu um tempo para que todos absorvessem a informação e depois continuou – Isso mesmo, cada morte que vocês causarem vai dar a vocês mantimentos e o que mais precisarem para viverem. Vai funcionar da seguinte forma: Você matou alguém, em seguida um mini paraquedas com tudo o que precisam será jogado do helicóptero que fica sobrevoando a ilha, perto de vocês, basta tomarem cuidado para que não sejam roubados. Esse sistema será chamado de dádivas.
O medo tomou conta de todos, agora eles seriam obrigados a matar para continuar vivos, a pergunta que passava na cabeça de alguns era: A democracia vai continuar? Mas não tiveram tempo de pensar muito nisso pois Owler voltou a falar:
_Continuando, houve umas conversas na ilha, que talvez não seja de conhecimento de todos vocês, de algumas pessoas que queriam formar uma nova família. Ou seja, uma pessoa de uma família juntar com uma de outra família e serem uma nova família, segundo as regras isso é proibido! Não é permitido a formação de novas famílias! Caso juntem-se com famílias rivais apenas estarão piorando a situação de vocês, por que no final terá que a ver apenas pessoas da família original vivas, o que quer dizer que caso formem uma nova família no final alguém terá que ser morto!
Ryan e Ana olharam para Juliana, e Laura para Willian, eles imaginam que era deles que Owler estava se referindo. Juliana e Willian apenas ignoraram os olhares.
_E por último, — continuou Owler – como chegamos a grande etapa do jogo em que a carnificina vai começar, devo avisar-lhes que suicídio é proibido! E caso cometam, todos os participantes terão uma punição!
Todos se perguntavam que punição seria essa da qual Owler falava, mas ele não disse nada mais sobre isso, apenas encerrou a transmissão com as seguintes palavras:
_E por último, com o fim do telão, a minha comunicação com vocês será pelos celulares, portanto sempre os carregue com vocês.
_Temos que achar um lugar para dormirmos. – Disse Laura quebrando o grande silêncio que se seguiu após as palavras de Owler serem encerradas.
_Ela esta certa. – Disse Ryan — Vamos adentrar a ilha e procurarmos!
Ryan passou a colocar Shiro em suas costas e Willian carregou Bruno, que não era muito pesado. Ana guardou suas coisas, Juliana pegou Lilian, que estava dormindo após ter mamado, porque sua mãe estava com as mãos ocupadas segurando a bolsa e as coisas que tinha trazido, todos pegaram suas armas e passaram a procurar um lugar para dormirem na ilha.
Todos conversavam enquanto a noite caia, menos Laura que havia ficado assustada demais depois das palavras de Owler. Ela ficou quieta apenas, eles até perceberam mas nada disseram, acharam que seria melhor deixa-la em paz com seus próprios pensamentos.
Encontraram por fim um bom lugar para passarem a noite, todos dormiriam ao relento, a noite seria muito fria então combinaram de dormir todos pertos para se aquecerem com o calor humano um do outro. Ana tirou umas latas de comida pronta que trouxe consigo e repartiu para todos, não matou completamente a fome deles pois era pouca coisa mas não iria deixá-los morrerem de fome pelo menos.
Bruno ainda estava desmaiado, mas vivo, Ana vez por outra conferia seus batimentos cardíacos. Após comerem, eles estavam conversando sobre a vigia a noite quando Shiro acordou, eles lhe deram um pouco de comida, ele comeu e depois eles passaram a explicar o que aconteceu desde que ele desmaiou.
_Ryan entrou para te tirar do grande salão. – Falou Ana quando Shiro questionou como estava vivo ainda.
_Muito obrigado a vocês todos por terem me ajudado. – Respondeu Shiro.
_Nós não fizemos nada que qualquer outra pessoa não faria. – Disse Juliana.
_Fizeram sim, e vocês sabem disso. – Shiro estava se referindo a Saw e Nataly que podiam tê-lo ajudado mas não o fizeram.
_Nataly perdeu um olho. – Disse Ana ao perceber que era delas que ele estava falando.
_Hum, mais alguma coisa que eu perdi? – Perguntou Shiro.
_Owler nos ligou por meio de nossos celulares e disse algumas coisas novas. – Falou Ryan.
_Eu deixei meu celular no grande salão, mas que coisas novas eram essas? – Questionou Shiro.
_Owler disse que é proibido formar novas famílias. –Respondeu Willian – E que para ganharmos a comida precisamos matar.
Por esquecimento, ou talvez achassem desnecessário, mas acabaram não contando a parte do suicídio.
_Entendo, bom, vocês devem estar muito cansados depois de tudo que passaram, eu posso ser o primeiro a montar vigia. – Ofereceu-se Shiro.
Após algum tempo eles concordaram que estava tudo bem. Shiro seria o primeiro a vigiar eles e depois ele deveria acordar Laura, para vigiar. Por algum motivo Laura insistiu bastante que queria vigiar então eles deixaram que fosse ela assim como Shiro.
Após algumas horas Shiro não aguentava mais de sono e também um pouco de dor nas pernas que foram machucadas pela tora, então ele acordou Laura para vigiar e foi dormir.
Laura esperou Shiro dormir e então passou a recolher suas coisas, depois acordou Willian e disse:
_Rápido! Levante pegue sua espingarda e vamos sair daqui. – Disse ela cochichando.
_Por que mãe? – Questionou Willian ainda sonolento.
_Não é mais seguro continuarmos com outra família, não depois do que Owler disse. –Respondeu Laura.
Willian não queria admitir mas sabia que ela estava certa, então em silêncio ele se levantou e pegou sua espingarda mas antes de sair foi até Juliana que dormia profundamente deu-lhe um beijo no rosto e disse baixinho:
_Adeus!
_Isso entre vocês dois tem que acabar também. – Falou Laura, advertindo Willian. – Ela pode ser perigosa, e mesmo que não seja nós somos rivais, lembra-se do recado de Owler sobre novas famílias?
_Mãe ele não estava se referindo a nós, eu e Ju jamais falamos sobre isso! – Respondeu Willian seguindo sua mãe que andava rapidamente para longe dos outros.
_Não me importa, você já estão intimo dela que a esta chamando de Ju, daqui a pouco vocês vão se beijar, começar a namorar, vão se amar e aí já sabe como vai ser difícil quando o pior acontecer.
Willian ficou calado, em certa parte sua mãe estava certa, ele ainda não a tinha contado sobre o beijo dos dois, mas sabia que o pior poderia acabar acontecendo, apesar de ter certeza que jamais mataria Juliana ou deixaria alguém mata-la.
“As intrigas começaram, a rivalidade também. Quem será capaz de sobreviver jogado pela ilha sem o mínimo de conforto possível com fome, sede, dor e desespero? E que as mortes só melhorem a partir de agora!”
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